Dialoguinhos

Vou buscar namorada no trampo dela:

- Que cara é essa, namorada?
- Dor de cabeça.
- Suada, cansada, né?
- Ô, demais.
- Ô, baby…
- …
- Vem cá: esse cabelo amarradinho assim pra trás faz você ficar parecendo uma bóia-fria.
- Vai tomar no cu, Jorge.
- Me fudi: vou casar com uma bóia-fria.
- E agora? (soltando os cabelos e tentando arrumar no espelhinho do carona)
- Parece uma bóia-fria descabelada.
- Seu cu.
- Xô fazer uma massagem na cabeça, vem (e fiquei dirigindo com uma mão, e acariciando a cabeça dela com a outra).
- Hum, isso é bom. Pode ficar massageando minha cabeça até amanhã.
- Rapaz, nunca tinha notado, mas você tem uma cabeçona retada.
- Cabeçuda é sua mãe. Minha cabeça é perfeitinha. Quando eu cortei o cabelo baixinho todo mundo falava.
- Eu achei que é um cabeção da porra.
- Não tenho culpa se você é gordo e tem uma cabecinha de periquito.
- Te amo, cabeção.
- Te amo, cabecinha.

***

Ligo pro brodi que vai ser papai

- E aí, man, pode falar?
- Agora não, tô no médico com a patroa, te ligo quando sair daqui.

Dez minutos depois ele me liga

- Alô!
- Quié que tu quer?
- Oxe, você que me ligou!
- Ah, foi. E aí, quais as novas? Cadê o projeto de playmobil, tá bem? Já fez os exames todos com a patroa e tal?
- Porra, só essa semana foram sete médicos diferentes.
- Porra!
- Foda, né?
- Vem cá, sua mulher tá grávida ou tá desenvolvendo um Avatar em ambiente criogênico?
- Ahahahha. Vai se foder.
- Se nascer azul, joga no mato essa porra, viu?

***

- E aí, Jorge, esse carnaval todo?
- Nem sei. Vamo ver. Acho que nem vou sair.
- Mentira, né?
- ô
- Chegar na hora, dá uma coceira no cu, você fica doido e vai pra rua.
- Rapaz, quando você fica com uma coceira no cu você fica doido e vai pra rua?

08/02/10 | Veja mais | 8 comentários;

Justificando

Eu espero que vocês tenham notado que não teve post de feliz natal – seu cu no meu pau -  nem nada disso. Foi uma proposital ausência de posts.
Fiz questão de ser assintoso quanto a isso.
É uma reinterpretação e apropriação do Wu Wei por este blog lazarento.

Não posso exigir tanto de sua cabecinha ressaqueada, por isso cabe explicar que Wu Wei seria, mais ou menos, a ação pela não-ação. Filosofia do povo de olhos puxados.

Vejo muito blog dizendo que detesta o natal e sucumbindo, nos instantes finais, mandando ho-ho-ho e abracinho e feliz natal, feliz channukah ou feliz qualquer merda.

Coerência é fundamental.
Não ver graça no natal e mandar felicitações equivale ao ateu que se converte no leito de morte.

Coisa de cagalhão.
Que Deus me livre disso.
Hei de morrer achando que é só isso mesmo.
Aliás, isso me faz refletir sobre religiões e todas essas coisas e só me ocorre que gente que acredita em reencarnações e vida após a morte se apóia nessa crença pra ser escroto agora e compensar depois.

Comigo não, malandragem.
There´s one shot. Only one.
Ou a gente faz o treco certo agora e deixa uma marca ou babau.

Mas o post não era sobre isso.

Este ano, estive muito, muito perto da possibilidade de ficar em casa sozinho derrubando um red label. Seria um natal massa. Acabei fazendo o tradicional circuito do peru com farofa mesmo na casa de parentes e da brodagem e zzzzzzzzzzzz.

O bom do natal é que acaba logo.
Podemos, todos, voltar a ser egoístas e miseráveis como sempre.

25/12/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Blogar com frequência requer devoção

Eu espero que compreendam que blogar é um sacerdócio tão importante quanto defecar: A gente só faz quando sente vontade. O importante é botar pra fora.

Manu, my little sister, explicando porque tem dia que tem e porque tem dia que não tem.

(Não é porque é minha irmã, não, mas eu me embolo de rir com o blog dela).

Aqui tem quase todo dia
Diarréia mental?

Jorge Martins: vomitando posts idiossincráticos desde 2008.

31/08/09 | Veja mais | 7 comentários;

Eu não sei escrever

Tem gente que fala “bicho, você escreve bem”.
Eu sou mal-educado: eu aceito qualquer elogio que você me fizer.
Mesmo que ele não corresponda a qualquer coisa que eu seja de verdade.

Mas eu não escrevo bem.

Quem escreve bem é o Chuck Palahniuk.
Bukowski.
Nick Hornby.
Machadão.
Bono (o do blog que eu vivo linkando, não o bono vox, mongol).

Quando a gente tem acesso e consome gente que escreve bem de verdade, o sarrafo sobe.
Mas isso é segredo. Pode continuar espalhando que eu escrevo bem.

Eu vou fingir encabulado, mas é mentira.

15/07/09 | Veja mais | 3 comentários;

Querido diário

Hoje, querido diário, esfalfei meu rabo de tanto trabalhar.

No ritmo que vai, eu ficarei rico, querido diário, mas só me sobrarão dois anos de vida com saúde para gastar todo o dinheiro que eu conseguir amealhar. Antes que o pessoal do cartão Visa descubra, é claro.

Se incluirmos nesta equação mulheres de vida fácil, drogas e noites perdidas o estresse de ser diretor de criação de uma agência de publicidade, talvez seja menos tempo ainda.

Mas voltemos ao dia de hoje, querido diário.

Tive um monte de reuniões, atendi duzentos e setenta e dois clientes, minha garganta tá tapando e acho que vou pegar uma gripe do tamanho do inferno. Acredito, querido diário, que isso se deve ao fato de ter provado o sabor de sorvete mais maldito de toda a existência humana: pitanga com mangaba, na sorveteria da ribeira.

Não, querido diário, eu não seria um animal de descomportura e compraria essa bagaça por vontade própria. Eu só experimentei duas paletadas do sorvete do capeta que Juliana comprou no domingo. Inclusive, se todos os empreendimentos que essa menina empreende (dã) derem errado, ela pode, tranquilamente, tentar uma vaga como provadora oficial de sabores assombrosamente ruins de sorvetes.

Tava tão tuim, mas tão ruim, querido diário, que nem ela aguentou e jogou fora.

Inclusive, querido diário, chegamos à conclusão que, quando morrermos todos e entrarmos na barca do inferno, onde um gondoleiro cantará música gospel em castelhano, certamente haverá, entre os acepipes servidos nesta viagem maldita rumo à danação eterna, casquinhas de sorvete de pitanga à vontade;

A barca para o inferno, querido diário, segundo soube, é all inclusive.
Já no céu a gente não sabe direito. Parece que tem fila na barraca do churrasquinho, mas o povo não reclama porque os shows de música, com Michael Jackson, John Lennon e tantos mais compensam amplamente.

Ops, me equivoquei, querido diário: Michael Jackson, se é verdade essa boataria de que ele era chegado no baby beef aqui na terra, está neste momento tomando sorvete de pitanga com mangaba na barca.

Mas nunca está tão mal que não possa melhorar, querido diário.
Veja o exemplo do que me ocorreu no mesmo domingo.
Você sabe, querido diário, que eu travo uma competição da braba com Deus.
Eu o esculhambo por aqui, ele apronta tricky things comigo.

Eu falei alguma merda impensada.
Ele queimou meu chuveiro.
Eu consertei.

Deus 1 x 2 Jojó.

Provei o sorvete de Juliana.
2 x 2.

Inventei o grito de guerra “Ave Maria Cheia de Graça, segura o cu que lá vai cachaça” antes de virar mais um shot de tequila.
Ele fez chover durante quinze minutos, só sobre meu carro, depois que eu o lavei.

Aí ele desempatou a desdita me fazendo ficar gripado.
4 x 3. E agora eu tô debilitado.

Demodosquê, querido diário, Deus tá ganhando.
Depois desse post, é grande a chance de ele meter uma enfiada de gols e encerrar o match, mas tamo na vida pro crime, é ou não é, querido diário?

No mais é isso. Amanhã eu volto com mais desgraças e com a atualização do placar.
Uma beijoca na ponta do nariz, querido diário.

Jojó da Babá.

07/07/09 | Veja mais | 8 comentários;

Versos da MPB que se destacam pela sua elegância construtiva e ecoarão durante milênios no imaginário popular

Quando um homem tem uma mangueira no quintal
Ele não é goiaba

23/05/09 | Veja mais | 3 comentários;

Indian Superman!

Admitamos: Bollywood broca:

01/04/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Carnavale, carnavale…

Queridinhos, saudades imensas deste bloguezinho.
Mas, como todos sabem, foi carnaval e eu moro na Bahia, logo…

Eu sei que eu prometi escrever resenhas sobre os dias de festa.
Mas você é um bom leitor desta merda de blog, portanto deve ter gastado seu tempo carnavalesco fazendo sexo desprotegido com estranhos e gastando dinheiro excessivamente com bebidas alcóolicas, atividades bem mais arriscadas e divertidas do que ler este blog.

Então ficou combinado tacitamente: você não veio me ler, daí não escrevi nada.
Ou então você veio, não achou nada, sorriu languidamente com o canto da boca e pensou “este peralta deve estar na furicagem da folia baiana”.
Em ambos os casos, eu estou perdoado.
Se não por você, por mim mesmo e isso basta.

Mas, é óbvio, há muita resenha a ser feita. Não nos furtemos ao prazer de bater um papinho sobre as idiossincrasias, as vicissitudes e as veleidades carnavalescas.

***
Marcelo, primo, mandou um recadinho via orkut pedindo posts na quinta. Não deu.
Não vi o recado.
Aliás, por uma conjunção estranha não consegui encontrar meus primos na terça, o único dia em que iria para a rua para ficar na pipoca. Deixei o celular em casa e… enfim, fodeu, não consegui falar com mais ninguém. Fiquei puto, passei a tarde praguejando contra a vida e, à noite, fui enfiar a pica no meu visa num restaurante boçal e agradável chamado Doc.
Foi bacana.
Mas nem de longe substituiu a vontade de trocar uns dois tabefes com os cordeiros e tomar cerveja quente levantando as mãozinhas e tirando o pé do chão.

***

Este carnaval foi sui generis porque, sem querer, terminei fazendo diversas coisas que o povo que não gosta de carnaval faz. Na quinta não tava a fim de sair e fui ao Franz, que é sempre bacana de madrugada. Nno sábado – acreditem – fui ao cinema e, na segunda, viajei.
Tudo bem que não foi, de fato, uma viaaaaaagem – dei um pulo em abrantes, mas pra mim foi estranho não estar em Salvador por vontade própria. Pulo carnaval sozinho nas ruas desde os 14, 15 anos. Acredito que fui obrigado a sair de Salvador somente em um ano, na época em que ainda morava com meu pai, e silenciosamente planejei maneiras de enforcá-lo com a toalha da mesa e chorava toda noite.
De lá para cá, nunca mais deixei de estar na rua.
Meu grande problema é que fui educado para gostar disso. Meu pai levava a gente pra rua pra ver o trio Paes Mendonça com Margareth Menezes na fase Jaburu total (hoje é fase jaburu arrumadinho) e lembro nitidamente da primeira vez em que vi um trio elétrico funcionando – e eu deveria ter, no máximo, uns cinco ou seis anos de idade.
O impacto calou fundo na alma.
Não é uma coisa racional. É quase religioso.
Muita gente vem de famílias religiosas e continua religiosa na vida adulta porque foi educada assim.
Eu fui educado por minha família para ser um folião.
Fui levado para o carnaval da Barra quando ainda não existia um circuito na Barra.
E não consegui me livrar disso.
Não consigo ver a festa de um jeito diferente, por mais que os narizes quebrados, o fedor das ruas e o nível de violência da festa insistam em me dizer o contrário.

***

Porém, circulando em ambientes absolutamente estraanhos à festa, como shoppings e restaurantes, constateei um treco: quem não gosta de carnaval deve sofrer horrores nesta cidade.
Dá pra ver pela cara das pessoas em ambientes fora da festa.
Todos carregam aquele olhar cansado, acuado e entristecido.

O que é principalmente verdadeiro no que se refere ao “acuado”.
Prisioneiros dentro de suas próprias casas.

As pessoas que não gostam de carnaval tentam se refugiar em shoppings e restaurantes, mas no geral elas são cativas. Deve ser triste. Elas devem sofrer.

Mas, de todo modo, como xiita carnavalesco, eu torço mesmo para que elas sofram bastante.
Se alguém não consegue ver Santa Ivete como um orixá e se render a isso, tem algo de muito errado com essa pessoa.

***

Quando você está em casa e começa a ver a folia baiana na TV, a impressão é de que tudo é muito lindo, lúdico e foda.
Quando chove, então, o carnaval vira uma celebração dionisíaca da vida humana.
Mais ou menos do mesmo modo como a festa no apartamento vizinho é sempre mais animada que a pobreza daquela reunião capenga de amigos que você realiza no seu, ou do mesmo modo como o japonês nerd que você imagina existir sempre está estudando mais que você e vai roubar sua vaga no vestibular.

Não é.
Eu pulo carnaval sozinho na rua desde antes de ter uma quantidade apreciável de pentelhos.
Eu posso dizer: não é.

A quantidade de ladrões na rua é imensa. Policiais portam uns cassetetes grossos de madeira chamados informalmente de “fanta”, e se você der mole, a chance de tomar uma traulitada com aquele treco é bem próxima da chance de ser assaltado.

Eu já tomei uma fantada nas costelas. De graça.
E dói pra cacete.

Claro: um ou outro meliante recebe a chamada “merenda” de um ou outro policial mais afeito à ordem (toma um monte de bolos com a fanta), mas no geral a cidade fica tomada por um clima de liberalidade caótica e transgressora.

Em Salvador, é permitido fumar maconha e cheirar lança-perfume em praça pública, o que faz com que a cidade mãe do Brasil seja assim uma espécie de Amsterdã dos trópicos.

Quando chove, o mijo do povo que mija na rua se mistura aos restos de cerveja e outros liquidos (sêmen?) e o resultado é uma fuafa foda.
Se a transmissão televisiva do Carnaval de Salvador tivesse cheiro, a verdade seria revelada e nunca mais nenhum turista gastaria dois mil reais de passagem para vir ver de perto o esgoto a céu aberto que a cidade vira nos dias de festa.

***

Fui num camarote pago pela primeira vez na vida.
Tenho a impressão que o único preto desse camarote era eu, pois no geral só tinha gente loira e sarada e estrangeira.
Já havia ido para outros camarotes, por brodagem de clientes, ou amigos, ou pais, tanto meus quanto de namoradas. Dessa vez, resolvi pagar um dia pra ir.

É caro.
E por ser tão caro, os caras se esforçam realmente pra fazer uma ilha de irrealidade à sua volta.

Mas não dá pra dizer que não é legal. É foda.
No camarote a cerveja tá sempre gelada, o garçon com a bandeja de uísque aparece do nada do seu lado e toda hora pinta uma bebida diferente. Se não tem trio passando, liga-se na tomada uma boate portátil e um monte de gente bonita e mulher gostosa e embriagada vai pro meio do salão ficar se roçando.

Descrevendo assim, parece muito legal. E é.
É uma puta festa bacana.
Mas não é carnaval de verdade.
Carnaval de verdade é se retar com a tia que vende latão da Skol porque a cerveja tá só molhada e não gelada.

Como eu disse, minha idéia de carnaval é basicamente aquela coisa de trocar uns tabefes com cordeiro, beber cerveja quente, comer coisas estranhas pelas ruas e se lascar de dançar.
Ver um monte de patricinhas se escondendo de uns chuviscos não combina com minha versão roots.

***

Meu cunhado arrumou uns convites para a arquibancada da prefeitura no Campo Grande, no domingo. Eu adoro o Campo Grande – muito mais que a Barra -, mas fiquei meio receoso. Essa porra desse negócio de arquibancada chacoalhando me dá um medo fodido. Mas fui e foi ótimo, apesar de notar que todas as bandas cantam as mesmas músicas em frente aos postos de transmissão televisiva.
Aliás, a música do carnaval, aquele treco de Ivete, merece um post único, que virá.
E essa arquibancada do campo grande, com crianças pulando e velhinhas com tupperwares e sanduíches de atum foi o mais próximo do carnaval de verdade que eu cheguei nos últimos dias.

***

Eu, como você puderam ver, vejo todos os defeitos do carnaval de Salvador.
Eu sei que tem donos de bloco ganhando muito dinheiro e cordeiro ganhando 15 conto por dia e um sanduíche de mortadela.
Mas o fato é que, como acontece com qualquer droga, eu vou todo ano tentando repetir aquele mpacto fulminante que tive ao ver, pela primeira vez, um trio elétrico.
E, em alguns anos, em momentos raros e especiais, estar no meio da pipoca, no meio do chuvisco, entre uma cerveja e outra ou entre um pulinho e outro, proporciona uma sensação de alegria embriagante e plena que só se encontra no carnaval da Bahia.
E, nessa hora, você entende o porque de tanto engarrafamento, de suportar a fuafa das ruas e de gastar tanto dinheiro num negócio absolutamente dispensável.
Nessa hora, tudo se esclarece.
E nessa hora você promete a si mesmo que no carnaval do ano que vem você vai estar de novo ali.

23/02/09 | Veja mais | 4 comentários;

Mudança de planos

Ia ao cinema.
Pensei em ir a um sebo.
Pensei em jantar fora.

Daí o sinal da ESPN tá aberto, passando futebol americano, e tem cerveja gelada na geladeira.
Virei Homer Simpson.

Odeio esportes, mas futebol americano não é um esporte propriamente.
É o último reduto da violência permitida na nossa sociedade.
É a versão moderna das arenas dos romanos.
Adoro.

29/12/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Prestação de contas do blog.

13 constatações, 11 confissões, 8 diagnósticos, 8 elocubrações, 6 avisos, 6 explicações…
A lista completa de resmungos deste blogui fica aí embaixo.

29/11/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!