O povo no twitter agora tá enchendo os kibas.
Todo tweet tem a tag #forasarney.
Toda fotinha dos cornos é em duotone de verde, em “solidariedade” pelas eleições do Irã.
É a revolução de Sofá.
Ninguém faz porra nenhuma e, assim, tranquiliza a consciência.
À merda.
Eu tô, deliberadamente, por fora do lance do Sarney.
Enchi o saco de notícias de política.
Por um tempo, que depois eu sou descarado e volto a ler e me indignar.
Quando aparece algo meramente ligado a Brasília, eu saio do site, mudo de canal, viro a página do jornal. Daí que não sei o que tá rolando.
Nessa, quase me fodi e fiquei sem saber que Paul McCartney vai dar uma pinta em Banânia no niver de Brasília ano que vem.
Pausa para minha estupefação.
…
…
…
Isso sim é uma notícia que me aflige.
Porque o povo do twitter não se aflige com isso?
Eu tô tenso.
Até abril do ano que vem, todos os meus movimentos serão pensados e calculados no sentindo de estar lá pra ver Paul McCartney cantar meia dúzias de cançonetas.
She was just seventeen, and you know what I mean.
Essa frase de I Saw her Standing There vale por todas as notícias não-lidas do Sarney.
E eu ia ficar sem saber disso.
Tudo por culpa de um escândalo de corrupção que eu decidi fingir que não está acontecendo.
Mas deve ter grana desviada, parente contratado e uma brutal violação dos direitos da sociedade.
É por aí, né?
***
Eu nunca fui de esquerda.
E, se fosse adolescente de novo, hoje, aí é que não seria MESMO.
Esse governo é a maior ladroagem institucionalizada desde o Império.
E, por falar em coisas antigas, voltemos à minha adolescência.
Era de grêmio e essas porra toda pra pegar mulher e fazer festa e tomar cachaça.
Pode torcer o biquinho.
Vim de família pobre, daí que meu pai não tomou porrada de polícia na ditadura e eu não pintei cara pra tirar Collor do poder, nem nada disso.
Meu pai trabalhava de boy, provavelmente, enquanto o povo de esquerda, que hoje mama nas tetas dos impostos que eu me fodo pra pagar, tava tomando petelecos dos meganhas.
E isso é o que está no cerne de minha personalidade.
Eu tinha (tenho) pressa de tirar o pé da lama.
Gente pobre pensa em ganhar dinheiro, de maneira honesta, pensa em trabalhar, em virar noite, essas coisas irrelevantes, que não ficam bem em discurso de comunista.
Hoje, que sou bem-sucedido e ganho rios de dinheiro e circulo entre as camadas mais altas da população comendo carpaccio e transando com modeletes, pouco mudou.
Minha porção yuppie deslumbrado agora me faz pensar em aumentar minha empresa pra ser ainda mais rico e bem-sucedido e comer modeletes ainda mais novas.
Não sou um cara partidário da sociedade.
Até porque, na moral, eu quero mais é que a sociedade se foda no geral e no específico.
Se, algum dia, estourar uma revolução comunista, eu sambo.
O paredão, sem apelação.
Balas de fuzil em troca de meu sofá de grife.
Mas voltemos ao que interessa. Este é um post quase sério.
Tanta coisa mais importante que nego poderia, de fato, fazer, pra mudar o estado geral das coisas, ao invés de ficar posando com camiseta do Che.
Parar de fumar maconha, por exemplo.
Se todos os maconheiros do twitter pararem de fumar maconha, a demanda cai, marginal vai ficar sem grana e a polícia, com dois ou três petelecos, acaba com o crime.
A gente vira Suécia.
Viu como eu tenho a solução pros problemas do país?
Outra coisa era parar de comprar DVD pirata, de querer tirar vantagem em tudo, de pagar caixinha pra guarda de trânsito…
Pensando bem, eu acabo de descobrir porque esse lance do Senado não consegue me tirar da apatia e me interessar.
No fundo, no fundo, a sociedade brasileira não pdoeria estar melhor representada, no melh0or sentido que a palavra representação pode ter nessa existência.
30/06/09 | Veja mais
Suspiros |
13 comentários;