A ética do bigode.

Todo homem antigamente tinha bigode.
Meu pai tinha. Quase todos os meus tios tinham.

Daí, de repente, ficou brega.

Hoje, só usa bigode quem é tirado a modernete.
Estudante de comunicação de fuma maconha, anda com sandália de couro e parou em 68.
Ou pré-adolescente. Pra fingir que é homem. Todo meninote de 14 anos forceja um buço à guiza de bigode. Passa. Lá pelos 15, 16 anos, todo menino aprende que é feio e passa a raspar aquela merda;

Ou pobre.
Pobre é chegado no desenvolvimento do bigode.
Observe.

Porteiros, taxistas, trabalhadores braçais, rappers.
Todos ostentando aquela pentelharia sobre a boca.

O bigode diferencia classes sociais, mais ou menos como a cor da pele.
Pretos são pobres (isso é histórico e tal).

Mas a relação entre pobreza e bigode, pelo menos pra mim, ainda não está 100% equacionada.
Seria pequeno e bobo dizer que gente pobre tem bigode porque gente pobre tem mau gosto. Talvez gente pobre não tenha informação sobre as coisas.

Por isso eu fiquei chocado quando, noutro dia, vi um cara adulto, classe média e não-maconheiro usando bigode. Seriamente.

Pensei em dar um toque pro brodi. Mas ele ostentava o bigode com tanta seriedade que achei que pudesse ser ofensivo.

Às vezes, é nessas pequenas coisas que a moral de um homem reside.

27/05/10 | Veja mais | 12 comentários;

O moicano manco

Minha irmã chegou aqui hoje:

- E aí, cortou o cabelo?
- Não: fiz bainha das bordas.
- Grosso. E porque cortou moicano?
- Mancando? Ninguém cortou mancando não.
- MOICANO, surdo, maluco, idiota! Moicano!
- Ah. Tá moicano não: é que tá molhado.

10/02/10 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Ônibus queimados em Salvador: até o último ponto

Diferente do que possa parecer pela fluxo constante de merda neste blog, eu trabalho um monte.

Não vejo a luz do dia, normalmente.
Passo dias e noites a me banhar pela suave luz azul do monitor da agência e escrevendo, escrevendo… Normalmente são coisas pros clientes, daí eles me pagam e tudo joia. Aí sobram uns textos, umas coisas rejeitadas e vem tudo pra cá.

Não que seja novidade, mas este é um blog de refugos.
Quer ler coisa melhor? Pague.
Não guento ver dinheiro.

De graça, é o que tem, mesmo, e se dê por satisfeito.

Daí tomei um susto, agora à noite, quando namorada me contou que nego vinha tocando fogo adoidadamente em ônibus na capital baiana. Alguns dizem 11. Outros dizem um monte. Poucos, com apurada certeza estatística, afirmam veementemente que uma caralhada de buzus está sendo engolfada por labaredas… línguas, como que de fogo, tornaram-se invisíveis…

(Mas aí é refinamento cultural excessivo e você não captou a referência… volta pro post.)

O churrasco de coletivos, ao que tudo indica, é por conta de um traficante que foi transferido pra uma outra colônia de férias. Tô por fora. Deve ser. Ou não. Não faz a menor diferença, de todo modo. Tem fogo e tem ônibus, e alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo.

Aqui caberia uma piadinha do tipo “o povo, realmente, resolveu queimar tudo até a última ponta… ou o último ponto”, mas, em respeito aos ônibus queimados (ninguém se feriu). evitarei comentários que possam vir a soar ofensivos. Alguns podem achar o título escroto, mas desconsiderem o duplo sentido – não foi intencional. Do mesmo modo, eu seria muito espezinhado por vocês se dissesse que, na real, eu tô pouco me fodendo, uma vez que ando de carro.

Portanto, não escreverei isto neste post.

Demodosque, bocó, parece que não vai ter ônibus na cidade de Salvador amanhã por conta da insegurança e tal e coisa.

(UPDATE – é boato. Vai ter sim. Circulou no twitter mas já desmentiram)

Aí, como a tônica neste blog, nos últimos dias, foi espinafrar a bahia (alguns pensam assim), pensei muito, muito mesmo, antes de escrever isso. Poderiam alegar que eu estou falando inverdades sobre nossa amada terrinha.

Eu, munido do mais puro espírito manifestativo, peguei uma caneca de café, escrevi frases de protesto em cartolinas e as pendurei em minha janela. As frases diziam “filma eu, galvão”,  já que é jogo da seleção em soterópolis, e “preservem a flora, a fauna e os ônibus”.

Como moro numa cobertura, no décimo terceiro andar do alto de Brotas (bairro nobre da cidade), não tenho certeza se vai dar certo. Mas o importante é participar.

Na sequência, apanhei do fundo das gavetas o velho espírito investigativo, corri atrás e ofereço, em primeira mão, o real motivo da queimação indiscriminada de coletivos:

Não se trata da falta de segurança da capital baiana. Somos a Roma Negra. O berço multicultural do patati patatá. O supra sumo da elegância dos reinos sudaneses no novo mundo. O ilê do Ilê Ayiê. Obviamente, aqui não tem ladrão. Aqui não tem marginal. Aqui só tem gente educadinha.

Em verdade vos digo: o lance dos ônibus é uma iniciativa do governo do estado, que resolveu testar novos sistemas de aquecimento no transporte público, de modo a diminuir o desconforto da população com o frio claudicante que atemoriza Salvador.

Climatização. Apenas isso.
E você, endiabrado leitor, imaginando que se tratava de uma ação do crime organizado., hein? tsc, tsc…

FALANDO SÉRIO AGORA:
Recebi um link de Gabi Cruz, minha amiga e jornalista, agorinha, dizendo que um cara foi baleado. Terror em Salvador. Eu nem sei direito o que dizer. A gente brinca e tal, mas esses problemas não eram coisas comuns em Soterópolis, até alguns anos atrás. Tá foda o treco.

09/09/09 | Veja mais | 11 comentários;

Ainda, again, yet: a doninha

Ligo pra Marcele.

- E aí? Joia?
- Joia.
- Vai rolar hoje uma banda cover de Beatles. Bó?
- Dor de cabeça. Nem sei.
- Hum. Falou. Tchau;
- Jorge, jorge!
- Quié?
- Liberta a doninha.
- Vai tomar no cu. Todo mundo enchendo o saco. Milhões de blogs fazendo post sobre isso. Recebo e-mails de um monte de gente “liberta a doninha, liberta a doninha”. Muda, cacique! Porra, o povo sem criatividade fica apegado na doninha… caralho!
- Liberta a doninha, Jorge.
- Você acredita que até sugestão de fazer a próxima enquete sobre a doninha?
-Acho massa.
- E nem tem o que colocar de opção…
- Tem sim: Jorge deve libertar a doninha? Jorge deve mostrar a doninha.
- Olha que eu mostro minha doninha…
- Pervertido. Idiota.

28/08/09 | Veja mais | 6 comentários;

Mais de max

Algumas das melhores

31/05/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Parece que caiu uma chuvinha em soterópolis hoje, né?

05/05/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Ma ma ma oeeeeeeeeeeeeeeee

Para elly, que curte.
Clica aí, abestado.

30/01/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Nossa humilde homenagem

Ele, o homem, o mito, a lenda.
Foste de grande ajuda.
O militar Ubirajara Santos Barbosa.

Também conhecido como Cabo USB.

23/12/08 | Veja mais | 2 comentários;

Submergindo

Então, isto posto, achei pouco tudo o mais e resolvi enfiar a pica no meu visa e comprei um treco que promete, via submarino. O dvd de Bethania e Omara Portuondo, que vem numa caixa foda com um livro sobre a Bahia e Cuba.
Não me pergunte quanto foi. Eu teria vergonha de dizer.
Posso adiantar que foi suficientemente caro para fazer com que, em Janeiro, eu fique a pão e água.

Talvez eu emagreça. Talvez eu passe maionese nas folhas do livro e o coma.
Mas tudo ainda é uma miríade de possibilidade.

O fato é que eu, mais jovem, tinha uma relação estranha com Bethania, achava ela muito teatral e over kitsch. Fui ficando velho e a considero melhor a cada dia. O mesmo acontecia com Woody Allen. Não gostava, achava pernóstico. Hoje adoro.

De repente, é necessária uma certa idade para apreciar algumas coisas.
Talvez eu também esteja mais teatral e over kitsch.
De modo que é foda ficar velho porque você vai no Sarau du Brown e acorda fodido imaginando como conseguirá atravessar o dia, mas pode apreciar coisas nobres como Bethania e Woddy Allen.

Eu gosto do contexto. Na soma geral de danos, tô me dando melhor.

22/12/08 | Veja mais | 2 comentários;

Essa foi foda

Britânico se suicida cortando a própria cabeça com uma serra elétrica

Esse, literalmente, perdeu a cabeça há tempos.

19/11/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou