Diferente do que possa parecer pela fluxo constante de merda neste blog, eu trabalho um monte.
Não vejo a luz do dia, normalmente.
Passo dias e noites a me banhar pela suave luz azul do monitor da agência e escrevendo, escrevendo… Normalmente são coisas pros clientes, daí eles me pagam e tudo joia. Aí sobram uns textos, umas coisas rejeitadas e vem tudo pra cá.
Não que seja novidade, mas este é um blog de refugos.
Quer ler coisa melhor? Pague.
Não guento ver dinheiro.
De graça, é o que tem, mesmo, e se dê por satisfeito.
Daí tomei um susto, agora à noite, quando namorada me contou que nego vinha tocando fogo adoidadamente em ônibus na capital baiana. Alguns dizem 11. Outros dizem um monte. Poucos, com apurada certeza estatística, afirmam veementemente que uma caralhada de buzus está sendo engolfada por labaredas… línguas, como que de fogo, tornaram-se invisíveis…
(Mas aí é refinamento cultural excessivo e você não captou a referência… volta pro post.)
O churrasco de coletivos, ao que tudo indica, é por conta de um traficante que foi transferido pra uma outra colônia de férias. Tô por fora. Deve ser. Ou não. Não faz a menor diferença, de todo modo. Tem fogo e tem ônibus, e alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo.
Aqui caberia uma piadinha do tipo “o povo, realmente, resolveu queimar tudo até a última ponta… ou o último ponto”, mas, em respeito aos ônibus queimados (ninguém se feriu). evitarei comentários que possam vir a soar ofensivos. Alguns podem achar o título escroto, mas desconsiderem o duplo sentido – não foi intencional. Do mesmo modo, eu seria muito espezinhado por vocês se dissesse que, na real, eu tô pouco me fodendo, uma vez que ando de carro.
Portanto, não escreverei isto neste post.
Demodosque, bocó, parece que não vai ter ônibus na cidade de Salvador amanhã por conta da insegurança e tal e coisa.
(UPDATE – é boato. Vai ter sim. Circulou no twitter mas já desmentiram)
Aí, como a tônica neste blog, nos últimos dias, foi espinafrar a bahia (alguns pensam assim), pensei muito, muito mesmo, antes de escrever isso. Poderiam alegar que eu estou falando inverdades sobre nossa amada terrinha.
Eu, munido do mais puro espírito manifestativo, peguei uma caneca de café, escrevi frases de protesto em cartolinas e as pendurei em minha janela. As frases diziam “filma eu, galvão”, já que é jogo da seleção em soterópolis, e “preservem a flora, a fauna e os ônibus”.
Como moro numa cobertura, no décimo terceiro andar do alto de Brotas (bairro nobre da cidade), não tenho certeza se vai dar certo. Mas o importante é participar.
Na sequência, apanhei do fundo das gavetas o velho espírito investigativo, corri atrás e ofereço, em primeira mão, o real motivo da queimação indiscriminada de coletivos:
Não se trata da falta de segurança da capital baiana. Somos a Roma Negra. O berço multicultural do patati patatá. O supra sumo da elegância dos reinos sudaneses no novo mundo. O ilê do Ilê Ayiê. Obviamente, aqui não tem ladrão. Aqui não tem marginal. Aqui só tem gente educadinha.
Em verdade vos digo: o lance dos ônibus é uma iniciativa do governo do estado, que resolveu testar novos sistemas de aquecimento no transporte público, de modo a diminuir o desconforto da população com o frio claudicante que atemoriza Salvador.
Climatização. Apenas isso.
E você, endiabrado leitor, imaginando que se tratava de uma ação do crime organizado., hein? tsc, tsc…
FALANDO SÉRIO AGORA:
Recebi um link de Gabi Cruz, minha amiga e jornalista, agorinha, dizendo que um cara foi baleado. Terror em Salvador. Eu nem sei direito o que dizer. A gente brinca e tal, mas esses problemas não eram coisas comuns em Soterópolis, até alguns anos atrás. Tá foda o treco.