Sou eu.
Me faço de marrento, mas sou um franguinho.
Ou um frangão. Sou o gordinho bandido. Vocês já deveriam saber.
Não é de todo mal.
Franguinhos vivem mais.
Marrentos povoam cemitérios.
Mas poucos tem, de verdade, a manha de ser marrentão.
Acho que ninguém tem.
Tirando o Dexter, da série americana lá, que mata todo mundo e tá de boa.
A vida é de uma facilidade surpreendente quando a gente não tá ligando pra nada. Eu acho.
Existem diversas formas de afirmar algo, mas só há um jeito de negar tudo, e manter essa postura de foda-se é negar tudo, então fica fácil.
Daí é você e você, e o mundo contra: fica simples mesmo.
Conhecer seus inimigos é metade da batalha.
Então, se você conseguiu, com muito custo, libertar sua mente de prisões bobas, de preconceitos, de culpas católicas, de aporrinhações, de medos infundados, do medo de parecer contraditório, do medo a respeito do que as outras pessoas pensam a respeito de você, do medo de não conseguir, então, brô, você tem a manha.
Mas aí vem a grande charada. O problema, malandragem, é que a gente passa a gostar das pessoas. Gentes. Amigos, família, pessoas.
Este é o grande problema mesmo da existência.
Dinheiro é bobagem, status, ser descolado: tudo isso é absolutamente passageiro. Gostar das pessoas é o que realmente é um problemão, porque aí você passa a se preocupar com as pessoas, e a se preocupar com o que as pessoas estão se preocupando a seu respeito, e com sua preocupação a respeito da preocupação dos outros a respeito…
É um moto contínuo. Não termina nunca.
Sacou a charada?
Se você passa pela vida easy, tudo é fácil e simples e supreendentemente tranquilo.
Abrir espaço em sua redominha particular pra que outras pessoas possam entrar é o que realmente embola.
Mas dá pra dizer que há, de fato, vida, sem isso?
Eita que hoje estou todo filosófico.