Deep inside

Eu venho mudando.

2010 vem sendo um ano especialmente prolífico neste sentido.
Não especialmente melhor, nem mesmo especialmente pior, mas, sobretudo, diferente.

Aqui dentro.

Um tempo de muito mais silêncio exterior e reflexão.
Muito menos pra fora e muito mais pra dentro.
Um ano em que eu venho aprendendo a domar a fera, os impulsos, e passando a agir mais racionalmente.
Um ano em que eu venho aprendendo muito sobre mim mesmo, sobre as coisas de minha história que me fazem ser como sou, quais os eventos do passado que ainda hoje reverberam na minha vida.

Um exemplo claro disso: minha relação com a grana.
Sempre tive uma relação tumultuada com dinheiro. Uma relação baseada na obtenção de prazer imediato, uma coisa mesmo de preenchimento de lacunas.
O resultado disso é que eu vivia duro, embolado com grana, fodido.
Chegou num ponto em que não adiantava ganhar mais dinheiro, mas estabelecer um novo modo de pensar a respeito da grana.

Dar ao dinheiro a importância que ele tem – e ele tem – mas não fazer disso um ponto central de minha existência.

Olhando pra trás, de maneira despudorada, admitindo pra mim mesmo as minhas falhas, o meu padrão de comportamento e meu modo de agir, entendi que, na verdade, eu carregava um modelo mental relacionado à grana que era formatado de modo a ser o inverso perfeito do modelo de meu pai.

Meu pai é uma das pessoas mais pragmáticas com dinheiro que eu conheço.
Dinheiro sempre foi, dentro de casa, uma coisa com a qual não se podia fazer nada a não ser sobreviver, uma vez que dinheiro acaba. O tempo inteiro de minha vida de filho eu sofri igual cachorro em dia de mudança por querer ter determinadas coisas que eu sabia que meu pai poderia me dar, mas que nunca me dava.

Daí, passei a ganhar meu próprio dinheiro e passei a utilizá-lo de modo a confrontar essa visão de mundo.
“Dinheiro foi feito pra circular”, etc, etc. E assim eu construí todo um padrão mental absolutamente hedonista, perdulário e equivocado. Uma vingancinha boba que não afetava em nada a vida de meu pai – que era quem eu queria que fosse atingido por isso, mesmo que inconscientemente – mas que me fodia a vida.

Quando eu entendi isso, e levei ANOS para entender, puft! Acabou-se o problema.
Hoje eu consigo ter dinheiro guardado no banco, sacou?
Putz, pode parecer uma bobagem, mas é um acontecimento na minha vida financeira.
Obviamente ainda quero ter mais coisas do que tenho hoje e patati patatá, mas o dinheiro deixou de ser quente em minha mão, sacou? Ainda faço uma coisa ou outra mais ou menos louca, ainda me permito uma extravagância ou outra, mas entendi que não preciso queimar toda a grana que recebo pra dar uma resposta imaginária pra esse bichinho que fica dentro de minhas entranhas me dizendo “tá com grana, pô, faça mesmo, gaste, etc, etc…”

Este é um dos exemplos de se repensar enquanto ser.
Há inúmeros outros.
Aqui vai mais um:

Eu era um garoto, daí comecei um namorico com uma prima de um grande brodi meu. Namorico hoje, porque na época eu fiquei absolutamente arriado por causa da menina. Foi um namoro que durou, tipo, o tempo entre o carnaval e o são joão.

Aí, um belo dia, ela me deu um belíssimo pé na bunda.
Nada demais. Ela tinha deixado um namorado na cidade em que morava, e ela ainda gostava do cara e patati patatá.
Ela foi muito bacana comigo, me falou que iria terminar porque ainda curtia o cara e não queria ir pra cidade dela e terminar ficando com o brodi ainda namorando comigo, etc, etc, etc…

Hoje, olhando pra isso, racionalmente, consigo ver que ela foi muito legal.
Mas isso me gerou uma consequência péssima pra minha vida como um todo: eu virei um terminador.

Quando qualquer relacionamento meu começava a dar o menor sinal de estremecimento, puft: eu ia e terminava com a menina. Isso aconteceu mais vezes do que eu poderia supor razoável.

Sacou?
É desse tipo de coisa que eu tô falando.
De olhar pra dentro de si mesmo e entender que coisas do seu passado podem fazer com que hoje você não consiga ser plenamente feliz, só porque geraram dentro de sua cabeça um impulso de auto-preservação que te faz agir de maneira errada!

Outro exemplo: bebida.
A gente, quando adolescente, pra provar que é homem, quer beber mais que todo mundo.
Daí começa a associar tudo a tomar cachaça. Só existe diversão com cachaça.

Aí inventaram a lei seca. E eu tive de repensar isso.
Será que só dá pra se divertir chapado?

Claro que não tô aqui fazendo a poliana, nem fingindo que não é bacana tomar uns gorós e tal, mas será que só dá pra se divertir assim? Eu venho tentando fazer diferente, sacou, tentando ver graça nas coisas por elas mesmas…

Enfim, você entendeu…

Sei lá, esse era um post que eu vinha maturando há algum tempo.
Quem vem pro blog tá buscando uma risadinha gratuita com esse personagem cachaceiro, mulherengo e ácido e escroto que é o Jojó da Babá.

Mas o Jorge, o verdadeiro, tá crescendo. Piorando em algumas coisas, é certo, mas tentando melhorar em muitas outras.
E, tipo, pode ser com isso que o blog também mude um pouco. Ou muito. Ou até mesmo acabe do modo como ele é atualmente e passe a ser uma outra coisa.

Este blog, aliás, é um ferramenta excelente nesse sentido de auto-descobrimento, de redescoberta de mim mesmo.
As melhores caricaturas são as que guardam algum grau se semelhança com o mote retratado, né?

Era isso. Um post longo sobre coisas não muito engraçadas, mas sinceras.
Um beijo pros que forem embora achando que, de agora em diante, vai ficar tudo uma chatice só, e um grande abraço pros que decidirem continuar por aqui.

Jorge Martins

12/10/10 | Veja mais | 24 comentários;

Shakira na abertura da copa

E aí, Shakira, você é a mó gostosa, sabia?

Sabia que você é a maior delicinha do mundo, loirinha?

E como você se sente sabendo que agorinha mesmo, no mundo inteirinho, existem milhares, quiçá milhões de jovens e adultos batendo uma bronha na sua intenção, hein?

14/06/10 | Veja mais | 7 comentários;

A puta da Uniban – ou algo assim.

Não me surpreendeu o reitor querer expulsar, muito menos ter desistido. A mídia sem dúvida ainda é o melhor sistema judiciário do mundo. Na verdade nada me supreendeu. Todo mundo alí fez o que quis e aguentou as consequencias de. O que me motiva a escrever e a pensar sobre o caso é o estalo. O momento, o tiro acidental que dispara a guerra.

O que aconteceu pra ter começado? Os bois correm pra direita porque o boi da frente foi forçado a correr pra direita e gente é gado. Gente é motivada pelas mais diferentes razões, mas sobretudo pelo instinto do coletivo, da manada. Não era a primeira vez que ela ia daquele jeito. O que motivou a primeira pessoa a chamar ela de puta e correr atrás? Nunca vou saber, a mídia não tá interessada nisso.

A mim cabe pensar em quantas vezes eu fui o primeiro boi. Quanta gente eu devo ter prejudicado, ou feito bem por puxar a boiada. O ser humano realmente é intrigante.

O melhor texto sobre o assunto. Pablo, chato como sempre.
Tenho as mesmas dúvidas que ele e escreveria algo parecido.

Poupe meu tempo e o seu: vá lá e leia o melhor texto sobre a putaria lá da menina da Uniban.

Ps – alguém já chamou a danadinha pra posar em alguma revista?

10/11/09 | Veja mais | 3 comentários;

Pura pose

Sou eu.

Me faço de marrento, mas sou um franguinho.
Ou um frangão. Sou o gordinho bandido. Vocês já deveriam saber.

Não é de todo mal.
Franguinhos vivem mais.
Marrentos povoam cemitérios.

Mas poucos tem, de verdade, a manha de ser marrentão.
Acho que ninguém tem.
Tirando o Dexter, da série americana lá, que mata todo mundo e tá de boa.

A vida é de uma facilidade surpreendente quando a gente não tá ligando pra nada. Eu acho.

Existem diversas formas de afirmar algo, mas só há um jeito de negar tudo, e manter essa postura de foda-se é negar tudo, então fica fácil.

Daí é você e você, e o mundo contra: fica simples mesmo.
Conhecer seus inimigos é metade da batalha.

Então, se você conseguiu, com muito custo, libertar sua mente de prisões bobas, de preconceitos, de culpas católicas, de aporrinhações, de medos infundados, do medo de parecer contraditório, do medo a respeito do que as outras pessoas pensam a respeito de você, do medo de não conseguir, então, brô, você tem a manha.

Mas aí vem a grande charada. O problema, malandragem, é que a gente passa a gostar das pessoas. Gentes. Amigos, família, pessoas.
Este é o grande problema mesmo da existência.

Dinheiro é bobagem, status, ser descolado: tudo isso é absolutamente passageiro. Gostar das pessoas é o que realmente é um problemão, porque aí você passa a se preocupar com as pessoas, e a se preocupar com o que as pessoas estão se preocupando a seu respeito, e com sua preocupação a respeito da preocupação dos outros a respeito…

É um moto contínuo. Não termina nunca.
Sacou a charada?

Se você passa pela vida easy, tudo é fácil e simples e supreendentemente tranquilo.
Abrir espaço em sua redominha particular pra que outras pessoas possam entrar é o que realmente embola.

Mas dá pra dizer que há, de fato, vida, sem isso?
Eita que hoje estou todo filosófico.

23/08/09 | Veja mais | 12 comentários;

Viu como o preconceito nos torna ignorantes?

Excelente comercial de campanha contra a homofobia.

Jojó da Bahia apóia esta ideia. Sobretudo se as duas letras que resolverem se juntar forem duas negas gostosas de corpos sinuosos, tal qual a letra “s”, em um ringue de geléia de mocotó.

13/08/09 | Veja mais | 3 comentários;

O sujo, defendendo o mal-lavado

Vocês, se vêem jornais, sabem que Collor, ontem defendeu ardentemente o Sarney. Virou pro Pedro Simon, um dos últimos caras que valem alguma coisa na cena política nacional, e o mandou engolir suas palavras, deglutindo como achar melhor.
Sem levar em consideração o decoro ou coisas do tipo, só me ficou uma impressão: Collor parece um robô com um pau enfiado no fiofó, nénão?

04/08/09 | Veja mais | 2 comentários;

E faltou dizer

Esse é o blog podre.
O bom é o Diario da Criação. Lá é um blog de família.

O que explica porque o de cá tem tantos acessos e o de lá é mosqueadinho.
O povo gosta é de escatologia.

11/05/09 | Veja mais | 3 comentários;

Prodígio

Mallu Magalhães é o cacete:
Quem é um verdadeiro prodígio é o Sungha Jung:

Foda, né? Tem mais:

E a melhorzinha de todas:

06/02/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

A pedidos

Muitos reclamavam de minha foto no orkut.
Essa aqui.

Sempre que olho essa foto, a legenda imediata é “sou gato”.
A inveja humana não tem limites.
Tudo bem, eu até compreendo que eu tô excessivamente sexy na foto acima.
E a galera não aguenta.

Normalmente eu alivio, mas quando eu quero ser sexy ninguém me segura.

Daí resolvi colocar uma foto mais comunzinha.
Na foto, demonstro um de meus superpoderes.

A pedidos de muitos, o novo eu do orkut.

Reclama agora, vai.

03/02/09 | Veja mais | 3 comentários;

Têm três coisas nesse mundo que eu nem posso acreditar

Que é o trem correr na linha e o vapor correr no mar.
A galinha bebeu água, comeu milho e veem piar:
cocorocó!

A pergunta é: qual a terceira?
A música baiana é um tratado filosófico, né?

25/01/09 | Veja mais | 5 comentários;