O sexo, esse nosso desconhecido

Tava eu clicando aleatoriamente e lendo merda na interwebs (mais especificamente no oatmeal.com – engraçadíssimo, recomendo) quando pinta um textinho na tela:

Too many? Too few? How many people have you slept with?

Em bão português, numa tradução literal e fiel:

Muitas? Poucas? Com quantas pessoas na vida você já deu uma chinelada na boca do sapo?

Curiosei. Cliquei.

Abreparentis: meique concordo com aquele ditado que diz que mulheres são como traduções: as boas não são fiéis e as fiéis não são boas. Mas isso é só uma provocaçãozinha com a audiência feminina deste blog. Não levem a sério. Fechaparentis.

O link é esse aqui, ó.
Depois você clica e faz o teste.

Antes, leia o post todinho – tenha educação.

Algumas perguntas simples – idade, se você é homem ou mulher e tal, e a pergunta decisiva: com quantas pessoas na vida você já trepou.

O questionário pede que você seja sincero e tals.
Viva a internet e sua anonimidade.

Mas é aqui que complica.
Só conta, para o site, como sexo de verdade (ou, como diria o povo de pesquisa, só é estatisticamente relevante) aquele em ocorre penetração. Na Bahia, se diria o sexo em que rola a kirica na bussanha, seja lá o que quer dizer o termo cunhado pelo cantor Gerônimo nos idos de 1980.

Ou seja: aquele boquetinho da vizinha aos dezessete tem de ser riscado da lista.
Aquela mocinha com quem você ficou se agarrando em alta, na rua, num beco escuro, sobre um fusca azul, também sai da roda.
Aquela bronha esperta e malandra que sua amiguinha bateu pra você também não vale.
Aquele concurso de chupar buceta que você participou em pindamonhangaba, em 1987? Esquece.

Só conta a penetração.
O que é meio limitante.

E pior: namoro chiclete só conta como uma chapuletada.
Se você comia uma nega e voltou a comê-la alguns anos depois, obviamente, a coisa só conta como uma trepada.

Me despi das amarras, dos castelos suntuosos dos meus sonhos, tive de achar medonho, e, apesar de um mal tamanho, fui sincero e parei pra contar.

É claro que não vou contar aqui o resultado.
Mas me surpreendi com uma coisa: sexo sempre teve uma relação emocional pra mim. Quase sempre terminei namorado da pessoa. O que é bem legal.

Deve ser. Não sei de fato.

Aí o computador compara com gente do mundo inteiro a sua quantidade de parceiras e pá, te dá uma estatística.

E como a coisa é no anonimato, homens e mulheres pareceram bem sinceros. Se fosse de outro modo, seria quase impossível que a média mundial de parceiros (8 para homens e mulheres) fosse igual.

Se fosse uma coisa identificada, a média masculina giraria em torno de 75 ou 76. Já a média feminina giraria entre 0,2 e 0,21. Quase toda mulher se faz de pudica e todo cara é garanhão, na hora de falar sobre sexo.

Toda conversa sobre sexo é sempre envolta numa névoa de putaria, escárnio e mentira.

Talvez, se não fosse assim, não seria tão gostoso;

Daí aprofundei a pesquisa: tive culhões de digitar no google a pergunta “quantos parceiros sexuais em média o brasileiro tem na vida” e caí numa outra página que falava diversas coisas sobre um censo que o governo fez sobre a sexualidade feminina.

O mais interessante foi pesquisar o porquê de as mulheres traírem.
Elas não traem por acharem um cara particularmente gostoso ou qualquer coisa.
Elas traem quando se sentem maltratadas, etc.

Homens traem por ver um par de pernas de meias pretas.
No geral.

Qualquer homem não-ogro sabe disso. E este dado corrobora (ui) uma teoria antiga que alimento há bastante tempo.

O corno feminino é uma sementinha.
Um feijãozinho no algodão. Ao oficializar um relacionamento com uma nega, você recebe um copinho, um feijãozinho e um chumaço de algodão. Se você tratar uma mulher como ela merece, nada acontece. Mas a cada pisada de bola que você dá, você dá uma regadinha no algodão.

A cada maltrato, é um banhinho de sol que você dá no copinho.
Daí, um dia, sem mais nem menos, o chifre nasce.
E a culpa é do cara corno. Em 99% das vezes.

Um chifre não nasce via partenogênese.
É sempre um projeto cultivado com amor pelo corno.

Mas voltemos à vaca fria.
Faça as contas: com quantas pessoas você já deu uma chinelada na vida?

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Tempo de despertar

Eu já devo ter falado isso por aqui – digamos que a originalidade não está entre meus atributos mais invejáveis – mas eu seria um pobre acomodado se isso não implicasse em acordar cedo.

Ontem mesmo precisei acordar às cinco e pouquinha da manhã.
É impressionantemente devastador – pra mim.
Meu cérebro só funciona de verdade lá pelas oito e pouca da manhã.

Você, que é pobre, deve estar acostumado. Tintendo, negô, tintendo sério.

Mas eu fiz grandes esforços para que minha vida toda ficasse pertinho. O meu lindo apartamento fica a dois minutos de minha agência.
Ou melhor: seriam dois minutos de caminhada se eu fosse andando. Como sou maldito e sedentário, dá 30 segundos de carro. Com o ar-condicionado no talo.
De ladeira. Descendo uma ladeira, bem-entendido.

Sei lá, vai que meu carro dá um treco (como já deu antigamente) e preciso ir andando, né?

Demodosquê pular da cama, engolir um café queimando e se atirar pra dentro de um ônibus é uma das atividades diárias programadas na área de lazer do resort do inferno (vocês sabem que uma de minhas obsessões favoritas é imaginar o inferno – acho justo, uma vez que devo passar tanto tempo lá).

Só que lá , chefia, é diferente.
Você sempre acorda atrasado cinco minutos. Não importa o quanto tenha conseguido dormir.

Duzentos e setenta e cinco celulares começam a apitar com aquele nokia tune maléfico do demônio.Você sabe qual é o que tô falando. Ou então com o Hello Moto (que é, inclusive o toque do meu celular, por falta absoluta de coragem de parar pra procurar outro).

Daí você toma um banho gelado, abre a geladeira e descobre que só tem pão de forma mofado e manteiga sebenta, engole um café queimado, desce pro ponto, mofa esperando o ônibus, entra naquele buzu apertado, com gente fedendo e, finalmente, quando pinta uma vaga e você, danadão, senta e cochila 10 milissegundos olhando para as placas de propaganda na rua, acorda de novo em sua cama.

Só que, desta vez, 10 minutos atrasado.
Repita o procedimento acima 15 vezes. Com o nokia tune cada vez mais alto.

Assim começa o dia no inferno.

Não nos esqueçamos dos demoninhos animadores no melhor esquema club med: “Bom dia pessoal, vamo lá? quero ver todo mundo animadinho! u-hul!”

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O homem corajoso!

Tem coisas que não deveria contar neste blog. Mas vamo lá.

Se liga no movimento: chego eu em casa de um jantar lá, bacana, chique e phyno e coisa e tal (principalmente a parte do coisa e tal). Daí, como sempre, chego e venho pro comps ver os trequinhos que vocês comentam, e-mails, essas coisas.

Tô bem nessa quando começo a ouvir uma zoada.

Tchetcheco Tchecheco.

Tipo som de ferro batendo com ferro, saca? (lá ele)

tchetcheco tchecheco tchecheco.

Saio da bancada, vou chegando perto da porta da rua. O barulho aumenta. Parecia som de gente bolindo na fechadura com uma chave de fenda. Na minha cabeça, na hora, rolou essa (eu falando comigo, em frações de segundos):

- VELHO-SOFÁ-MERDA-AQUI-EM-CIMA-PRA-BAIXO-AMARRADO-NINGUÉM-ESCUTA-ME-FODI.

Xô desenvolver a linha toda pra que fique mais claro.

- Velho, fodeu, é ladrão. Minha tv. Meu sofá. Meu mac. Puta merda, minha mãe! (repare aqui na ordem de importância de minhas procupações). Caralho, o que é que o cara veio fazer roubando aqui em cima (moro no décimo-terceiro andar)? Como é que ele vai levar as coisas roubadas lá pra baixo? Bom, eu acho que ele vai me deixar, sei lá, amarrado. Veio praqui pra cima porque se eu gritar daqui ninguém escuta. Malandragem, me fodi.

Ligo a luz da sala, faço “aham-ham” alto, pigarreando ao lado da porta, mas o infeliz do bandido estava insaciável, não parava com o “tchetcheco tchetcheco”.

Olhei no olho mágico. Um brodi. Quer dizer, brodi um caralho! Um cara em pé, pinta de ladrão. Repete o mantra comigo:

“mefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodi”

Daí olhei pro rack da tv, que fica do lado da porta. Tem uma escultura de baiana que minha irmã mais velha me deu. Não tiuve dúvidas: catei a baiana e fiquei de prontidão, ao lado da porta. Olha o raciocínio: “esse filadaputa vem me roubar de noite, também vai se foder, vô rumaladisgraça, vai tomar uma baianada com uma baiana de cerâmica na cabeça, istopô-cabrunco-fio-de-lá-ela-exu-caveira”.

E a zoada: tchetcheco tchecheco.

Aí comecei a achar que aquele arrombamento tava demorando demais, e ladrão não pode passar cinco minutos de tchetcheco tchetcheco na porta dos outros. Quer dizer: o ladrão competente abre uma porta em segundos, e esse tava babaqueando pra abrir. Na minha cabeça, isso era um sinal de inépcia do ladrão, e daí eu fui me enchendo de coragem e pensei “perdido por dez, perdido por cem” e olhei de novo pelo olho mágico…

A porta do vizinho fechando. O cara, o facínora sanguinolento, na verdade, era o vizinho entrando em casa. Daí você pergunta:

- E o tchecheco tchecheco?

Era o som do vento da varanda na ráfia, uma planta aqui de casa.

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Nihil Obstat

Pra mim, é inconcebível amar uma pessoa que não sabia escrever bem.
Pode ser péssimo pensar assim.

Do mesmo modo como coisas diversas em outras áreas da vida me impossibilitam de amar verdadeiramente algumas pessoas. Não no sentido putarístico da coisa, mas no sentido cristão (ui!) da palavra.

A lista é longa:

pochetes,
qualquer acessório dourado (com raríssimas exceções),
suco de melancia,
não conhecer Magritte,
doce de graviola (OU MELHOR: qualquer coisa com graviola),
ser voluntário em ONG pela defesa das morsas do Ártico e não dar uma maldita nica de um real para o menino na sinaleira,
lasanha de berinjela,
religiões,
aquele negócio cheio de bolinhas que nego coloca no banco do carro e no volante,
adesivo em carro,
bichinho pendurado na janela do carro (falando tanto de carro parece uma coisa pessoal, mas não é),
preconceito,
falta de bom humor,
não amar Miró,
não entender ironias,
filé de fígado,
malabares,
incoerência,
achar que Beatles se resume a yeah yeahh yeeeeeeaaaaah,
drogas sintéticas (e apenas elas),
excesso de coerência,
participar de fã-clube,
baianidade nagô,
falta de sarcasmo,
listas de coisas que nos fazem não amar as pessoas,
não ler Chuck Palahniuk, Nick Hornsby, Mario Vargas Lloosa,
excesso de sarcasmo,
polianismo,
sandálias havaianas,
bobs nos cabelos,
gostar de Chaves,
não ser generoso.

Mas este não é um post sobre os outros.
Afinal, meu nihil obstat a respeito das pessoas é um assunto pequeno.
Nem todo mundo deseja ser amado por mim, por mais que o pequeno Napoleão governando o caos aboletado sobre uma barcaça de papel na ventania da minha mente insista em me dizer o contrário.

É mais sobre mim do que sobre qualquer outra coisa.
É mais sobre minhas incapacidades, que são inúmeras, como ser humano, do que sobre a falta de critério das outras pessoas a respeito das coisas que são, em útima instância, opiniões delas a respeito das coisas.

E, também, se falta critério, sobra em tantas outras coisas que seria uma canalhice só olhar pra um lado da moeda.
E a mim me falta de tudo um muito.
Ou, como diria Gil, a mim me resta disto tudo uma tristeza só.

Me é difícil baixar a guarda.
Abrir o peito, mostrar as entranhas, arriscar.
Pular sem medir o tamanho do tombo.
Ou, como diria Zeca Baleiro, passar agosto sem esperar setembro.

Feliz mesmo é a Mary Poppins, que acorda cantando e tem bichinhos em animação pousando na janela.

Aliás, se você tem bichinhos em animação 2d pousando em sua janela, eu posso vir a te amar desmesuradamente.
E posso relevar (perdoar nunca é o termo) o fato de você não escrever bem.

Como dá pra ver, posso amar as pessoas pelos mais variados motivos.
Se você souber fazer uma boa imitação de qualquer coisa, é meio caminho andado.
Se você me disser “o melhor disco de Hendrix é o “bold: axis as love”, você terá em mim um escravo devotado.

Assim, pessoas que dão uma nica na sinaleira ou que não gostam da Banda Calypso já sobem dezenas de degraus na minha escala amorosa.

Mas a quem eu estou tentando enganar?
Como diz Cazuza, não amo ninguém, e é só amor que eu sinto.

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Pensamentos esparsos

Eu não tenho barba.
Tenho pouca, melhor explicando.
E, de vez em quando, inicio uma tentativa frustrada de criar meia dúzia de fios.
Nunca dá certo. Fico parecendo aluno da facom com 21 anos.
So faltam as sandálias de couro e o gosto por bandas obscuras de Recife.
No resto fica igual.
Aqueles tufos desconexos apontando em pontos diferentes do meu rosto.
Daí desisto, raspo tudo e fico com cara de buceta raspada.
A única parte que é mais ou menos completa é o cavanhaque.
Mas cavanhaque é muito anos 90. Tipo Haddaway e aqueles caras que cantavam “I’m too sexy for my car…”. De modo que cavanhaque é um atentado ao bom gosto, assim como as pochetes e os suportes de celulares pendurados nos cintos.

***

Se um átomo fosse do tamanho do maracanã, a parte sólida seria do tamanho de uma cabeça de alfinete. Ou seja: somos feitos de nada.
Por que não consigo atravessar paredes?

***

O peru de Natal é uma instituição falida. Poucas cassas modernas o conservam. Até porque a verdade é uma só: o peru não é uma coisa bacana de comer.
Eu acho.
E panetone tem cheiro de peido.
Só chocotone. E olhe lá.
Pra mim, na real, Natal é dia de derrubar um red label.

***

Eu tenho a impressão que sou um aleijado emocional.
Pablo, brodão, se emociona vendo guris brincando num barca na ribeira.
Eu me emociono ouvindo o final de “in the end”, dos beatles. E só.
But, in the end, the love you take is equal to the love you make.

***

Nutella é sexo em formato de pasta de avelã. Ou quase.
Sexo é melhor.

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Coisa fina

Caetano cantando a, provavelmente, melhor canção de Dylan:
Jokerman

Só aqui.

Vocês merecem.
Aliás, o circuladô ao vivo é o melhor disco de caetano pra mim.

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