Conectado
Estilingado por Jojó da Babá 28/08/2009 às 0:56
- Porra, Jorge, vai pro inferno.
- Tem wi-fi?
Tempo de despertar
Estilingado por Jojó da Babá 18/08/2009 às 5:27
Eu já devo ter falado isso por aqui – digamos que a originalidade não está entre meus atributos mais invejáveis – mas eu seria um pobre acomodado se isso não implicasse em acordar cedo.
Ontem mesmo precisei acordar às cinco e pouquinha da manhã.
É impressionantemente devastador – pra mim.
Meu cérebro só funciona de verdade lá pelas oito e pouca da manhã.
Você, que é pobre, deve estar acostumado. Tintendo, negô, tintendo sério.
Mas eu fiz grandes esforços para que minha vida toda ficasse pertinho. O meu lindo apartamento fica a dois minutos de minha agência.
Ou melhor: seriam dois minutos de caminhada se eu fosse andando. Como sou maldito e sedentário, dá 30 segundos de carro. Com o ar-condicionado no talo.
De ladeira. Descendo uma ladeira, bem-entendido.
Sei lá, vai que meu carro dá um treco (como já deu antigamente) e preciso ir andando, né?
Demodosquê pular da cama, engolir um café queimando e se atirar pra dentro de um ônibus é uma das atividades diárias programadas na área de lazer do resort do inferno (vocês sabem que uma de minhas obsessões favoritas é imaginar o inferno – acho justo, uma vez que devo passar tanto tempo lá).
Só que lá , chefia, é diferente.
Você sempre acorda atrasado cinco minutos. Não importa o quanto tenha conseguido dormir.
Duzentos e setenta e cinco celulares começam a apitar com aquele nokia tune maléfico do demônio.Você sabe qual é o que tô falando. Ou então com o Hello Moto (que é, inclusive o toque do meu celular, por falta absoluta de coragem de parar pra procurar outro).
Daí você toma um banho gelado, abre a geladeira e descobre que só tem pão de forma mofado e manteiga sebenta, engole um café queimado, desce pro ponto, mofa esperando o ônibus, entra naquele buzu apertado, com gente fedendo e, finalmente, quando pinta uma vaga e você, danadão, senta e cochila 10 milissegundos olhando para as placas de propaganda na rua, acorda de novo em sua cama.
Só que, desta vez, 10 minutos atrasado.
Repita o procedimento acima 15 vezes. Com o nokia tune cada vez mais alto.
Assim começa o dia no inferno.
Não nos esqueçamos dos demoninhos animadores no melhor esquema club med: “Bom dia pessoal, vamo lá? quero ver todo mundo animadinho! u-hul!”
O homem corajoso!
Estilingado por Jojó da Babá 16/08/2009 às 8:14
Tem coisas que não deveria contar neste blog. Mas vamo lá.
Se liga no movimento: chego eu em casa de um jantar lá, bacana, chique e phyno e coisa e tal (principalmente a parte do coisa e tal). Daí, como sempre, chego e venho pro comps ver os trequinhos que vocês comentam, e-mails, essas coisas.
Tô bem nessa quando começo a ouvir uma zoada.
Tchetcheco Tchecheco.
Tipo som de ferro batendo com ferro, saca? (lá ele)
tchetcheco tchecheco tchecheco.
Saio da bancada, vou chegando perto da porta da rua. O barulho aumenta. Parecia som de gente bolindo na fechadura com uma chave de fenda. Na minha cabeça, na hora, rolou essa (eu falando comigo, em frações de segundos):
- VELHO-SOFÁ-MERDA-AQUI-EM-CIMA-PRA-BAIXO-AMARRADO-NINGUÉM-ESCUTA-ME-FODI.
Xô desenvolver a linha toda pra que fique mais claro.
- Velho, fodeu, é ladrão. Minha tv. Meu sofá. Meu mac. Puta merda, minha mãe! (repare aqui na ordem de importância de minhas procupações). Caralho, o que é que o cara veio fazer roubando aqui em cima (moro no décimo-terceiro andar)? Como é que ele vai levar as coisas roubadas lá pra baixo? Bom, eu acho que ele vai me deixar, sei lá, amarrado. Veio praqui pra cima porque se eu gritar daqui ninguém escuta. Malandragem, me fodi.
Ligo a luz da sala, faço “aham-ham” alto, pigarreando ao lado da porta, mas o infeliz do bandido estava insaciável, não parava com o “tchetcheco tchetcheco”.
Olhei no olho mágico. Um brodi. Quer dizer, brodi um caralho! Um cara em pé, pinta de ladrão. Repete o mantra comigo:
“mefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodi”
Daí olhei pro rack da tv, que fica do lado da porta. Tem uma escultura de baiana que minha irmã mais velha me deu. Não tiuve dúvidas: catei a baiana e fiquei de prontidão, ao lado da porta. Olha o raciocínio: “esse filadaputa vem me roubar de noite, também vai se foder, vô rumaladisgraça, vai tomar uma baianada com uma baiana de cerâmica na cabeça, istopô-cabrunco-fio-de-lá-ela-exu-caveira”.
E a zoada: tchetcheco tchecheco.
Aí comecei a achar que aquele arrombamento tava demorando demais, e ladrão não pode passar cinco minutos de tchetcheco tchetcheco na porta dos outros. Quer dizer: o ladrão competente abre uma porta em segundos, e esse tava babaqueando pra abrir. Na minha cabeça, isso era um sinal de inépcia do ladrão, e daí eu fui me enchendo de coragem e pensei “perdido por dez, perdido por cem” e olhei de novo pelo olho mágico…
A porta do vizinho fechando. O cara, o facínora sanguinolento, na verdade, era o vizinho entrando em casa. Daí você pergunta:
- E o tchecheco tchecheco?
Era o som do vento da varanda na ráfia, uma planta aqui de casa.
Nihil Obstat
Estilingado por Jojó da Babá 12/02/2009 às 6:00
Pra mim, é inconcebível amar uma pessoa que não sabia escrever bem.
Pode ser péssimo pensar assim.
Do mesmo modo como coisas diversas em outras áreas da vida me impossibilitam de amar verdadeiramente algumas pessoas. Não no sentido putarístico da coisa, mas no sentido cristão (ui!) da palavra.
A lista é longa:
pochetes,
qualquer acessório dourado (com raríssimas exceções),
suco de melancia,
não conhecer Magritte,
doce de graviola (OU MELHOR: qualquer coisa com graviola),
ser voluntário em ONG pela defesa das morsas do Ártico e não dar uma maldita nica de um real para o menino na sinaleira,
lasanha de berinjela,
religiões,
aquele negócio cheio de bolinhas que nego coloca no banco do carro e no volante,
adesivo em carro,
bichinho pendurado na janela do carro (falando tanto de carro parece uma coisa pessoal, mas não é),
preconceito,
falta de bom humor,
não amar Miró,
não entender ironias,
filé de fígado,
malabares,
incoerência,
achar que Beatles se resume a yeah yeahh yeeeeeeaaaaah,
drogas sintéticas (e apenas elas),
excesso de coerência,
participar de fã-clube,
baianidade nagô,
falta de sarcasmo,
listas de coisas que nos fazem não amar as pessoas,
não ler Chuck Palahniuk, Nick Hornsby, Mario Vargas Lloosa,
excesso de sarcasmo,
polianismo,
sandálias havaianas,
bobs nos cabelos,
gostar de Chaves,
não ser generoso.
Mas este não é um post sobre os outros.
Afinal, meu nihil obstat a respeito das pessoas é um assunto pequeno.
Nem todo mundo deseja ser amado por mim, por mais que o pequeno Napoleão governando o caos aboletado sobre uma barcaça de papel na ventania da minha mente insista em me dizer o contrário.
É mais sobre mim do que sobre qualquer outra coisa.
É mais sobre minhas incapacidades, que são inúmeras, como ser humano, do que sobre a falta de critério das outras pessoas a respeito das coisas que são, em útima instância, opiniões delas a respeito das coisas.
E, também, se falta critério, sobra em tantas outras coisas que seria uma canalhice só olhar pra um lado da moeda.
E a mim me falta de tudo um muito.
Ou, como diria Gil, a mim me resta disto tudo uma tristeza só.
Me é difícil baixar a guarda.
Abrir o peito, mostrar as entranhas, arriscar.
Pular sem medir o tamanho do tombo.
Ou, como diria Zeca Baleiro, passar agosto sem esperar setembro.
Feliz mesmo é a Mary Poppins, que acorda cantando e tem bichinhos em animação pousando na janela.
Aliás, se você tem bichinhos em animação 2d pousando em sua janela, eu posso vir a te amar desmesuradamente.
E posso relevar (perdoar nunca é o termo) o fato de você não escrever bem.
Como dá pra ver, posso amar as pessoas pelos mais variados motivos.
Se você souber fazer uma boa imitação de qualquer coisa, é meio caminho andado.
Se você me disser “o melhor disco de Hendrix é o “bold: axis as love”, você terá em mim um escravo devotado.
Assim, pessoas que dão uma nica na sinaleira ou que não gostam da Banda Calypso já sobem dezenas de degraus na minha escala amorosa.
Mas a quem eu estou tentando enganar?
Como diz Cazuza, não amo ninguém, e é só amor que eu sinto.
O espírito de Natal adentra o peito do povão
Estilingado por Jojó da Babá 19/12/2008 às 12:03
Eu gosto.
Como diria Dom Casmurro
Estilingado por Jojó da Babá às 8:51
Jantei bem e não dormi mal.
O que é obviamente uma mentira.
Mal dormi e não como nada tem uns tempos.
Tenso.
Pensamentos esparsos
Estilingado por Jojó da Babá 03/12/2008 às 8:42
Eu não tenho barba.
Tenho pouca, melhor explicando.
E, de vez em quando, inicio uma tentativa frustrada de criar meia dúzia de fios.
Nunca dá certo. Fico parecendo aluno da facom com 21 anos.
So faltam as sandálias de couro e o gosto por bandas obscuras de Recife.
No resto fica igual.
Aqueles tufos desconexos apontando em pontos diferentes do meu rosto.
Daí desisto, raspo tudo e fico com cara de buceta raspada.
A única parte que é mais ou menos completa é o cavanhaque.
Mas cavanhaque é muito anos 90. Tipo Haddaway e aqueles caras que cantavam “I’m too sexy for my car…”. De modo que cavanhaque é um atentado ao bom gosto, assim como as pochetes e os suportes de celulares pendurados nos cintos.
***
Se um átomo fosse do tamanho do maracanã, a parte sólida seria do tamanho de uma cabeça de alfinete. Ou seja: somos feitos de nada.
Por que não consigo atravessar paredes?
***
O peru de Natal é uma instituição falida. Poucas cassas modernas o conservam. Até porque a verdade é uma só: o peru não é uma coisa bacana de comer.
Eu acho.
E panetone tem cheiro de peido.
Só chocotone. E olhe lá.
Pra mim, na real, Natal é dia de derrubar um red label.
***
Eu tenho a impressão que sou um aleijado emocional.
Pablo, brodão, se emociona vendo guris brincando num barca na ribeira.
Eu me emociono ouvindo o final de “in the end”, dos beatles. E só.
But, in the end, the love you take is equal to the love you make.
***
Nutella é sexo em formato de pasta de avelã. Ou quase.
Sexo é melhor.
Coisa fina
Estilingado por Jojó da Babá 20/11/2008 às 12:49
Caetano cantando a, provavelmente, melhor canção de Dylan:
Jokerman
Só aqui.
Vocês merecem.
Aliás, o circuladô ao vivo é o melhor disco de caetano pra mim.
Mantra moderno
Estilingado por Jojó da Babá 25/10/2008 às 12:30
Tudo se compõe e se decompõe.
Tudo se compõe e se decompõe.
Tudo se compõe e se decompõe.
E se compõe
Se decompõe
E se com
E se de
E se com
E se
update: É de moska. Que é um cara foda com quem gostaria muito de tomar uma cerveja e bater um papo. Sorry, July, não quis roubar a parada do brodi.













