Um lembrete pra mim mesmo
Estilingado por Jojó da Babá 04/12/2009 às 22:30
Cheguei em casa com o mesmo olhar doentio, acabado, perturbado de tantas noites neste mês macabro que vem sendo novembro.
Namorada me ligou. Passei o dia sem celular.
E me chamou pra sair.
Tava tão cansado que já havia me resignado a assistir zorra total.
Fundo do poço? Se aceita visa, velho, eu vou.
Daí me liga a brodagem. “Tamo num bar do lado de sua casa. Vem”.
Resisti. Aí o povo, uma boa meia hora depois:
- Vem. Você faz falta.
Daí fui. Encontrar com amigos queridos que me fazem uma puta falta.
Por que gente que eu gosto faz tanta falta?
Primeiro que é uma galera que não precisa ter legenda.
Falo alguma coisa sobre a sexta temporada de House e todo mundo entende;
Falo alguma coisa sobre o governo de Uganda decidir matar homossexuais (bizarro) e todo mundo leu algo sobre.
Faço uma piada hermética sobre, sei lá, a menina da uniban e todo mundo saca na hora. Não importa o quanto hermética seja.
Mas aí você me pergunta: essas pessoas, logo, fazem uma falta funcional em sua vida, né?
Não só.
O que faz falta é isso aqui, ó – a galera da brodagem falando isso:
“Velho, a gente sabe que você marca compromissos com várias galeras e não vai. Não é isso que irrita. O que irrita mesmo é que quando você marca e não vai, você me sacaneia por me privar da sua presença”.
Bom ter amigos, né?
Beijo para todos. Vocês são o que me mantém de pé.
Love hurts. Uuuuuuuh, uuuuuh: love hurts!
Estilingado por Jojó da Babá 12/11/2009 às 10:37
Leow, do ótimo papo de buteco, descobriu mais canções do nosso ídolo.
Ah, o nome dele é Mike de Mosqueiro.
A playboy da Fernanda Young
Estilingado por Jojó da Babá 10/11/2009 às 13:09
Tá a maior grita na internê por conta da Playboy da Fernanda Young.
Nego reclamando, falando mal, patati patatá.
Porque ela não tá no padrão do que se esperaria de uma capa de playboy, etc, etc, etc…
Foda-se o mundo: achei um ensaio bonito, ousado.
Adoro mulher tatuada, inteligente.
E ela é amplamente catável.
Seria, se minha nega não fosse muito mais gostosa que ela – puxando o saco da patroa, afinal um post sobre a playboy é um atestado que você tava olhando para a xana de uma outra figura, mas no caso se justifica porque é tema pro blog… ;)
Aliás, esse negócio de padrão é uma coisa estranha.
Todo mundo quer ver o mesmo tipo de mulher na playboy todo mês. Saco isso.
E nego tá falando também porque a xoxota da figura é peluda.
Queria o que?
Bucetas são peludas.
Isso não necessariamente significa falta de higiene nem nada do tipo.
Aí tão dizendo que a buceta peluda da Fernanda Young é um manifesto cult contra o establishment.
Aí não, né, malandragem?
Psicologismo barato sobre revista pra bater bronha é pra foder o cu do palhaço (vi essa expressão num blog – não lembro qual – e achei engraçadíssima).
O link é esse aqui: baixe você também e opine.
É o novo astro!
Estilingado por Jojó da Babá 04/11/2009 às 10:10
Puta merda, eu me embolei de rir com o jovem.
Dica de Charlito Narrón, via twitter.
Dengosa
Estilingado por Jojó da Babá 18/09/2009 às 21:16
Juju, amiguinha e esposa do mau-caráter do Pablo, tomou um picadinha e ficou toda dengosa, daí bateu hospital e coisas do tipo. Mas já tá melhor.
Este blog manda beijocas e aguarda, ansiosa e respeitosamente, pela oportunidade de vê-la rebolando sua bunda de dimensões épicas novamente nos botecos imundos do centro da cidade.
Eu não diria melhor
Estilingado por Jojó da Babá 31/08/2009 às 18:25
Versos íntimos
Estilingado por Jojó da Babá 01/07/2009 às 21:41
Anteontem foi aniversário de Aline Fon.
Aline é uma das pessoas mais especiais que já passaram em minha vida.
Eu fui sinceramente apaixonado por ela.
E apaixonado de um jeito como só se pode ser quando se tem 14 ou 15 anos de idade.
A gente não se bicou direito quando se conheceu.
Ela tinha um talento nato pra ser CDF. Eu sempre fui esculhambado.
Ela anotava as aulas em um fichário com estampa da Minnie, eu arrastava meu caderno, pelos arames, no trajeto de casa pra escola.
Eu ia andando pra escola.
Ela fazia silêncio e perguntava coisas inteligentes pros professores, eu era posto pra fora da sala de aula com uma constância esquisita.
Eu falava alto, ela pouco falava.
Então um dia eu descobri que aquela menina CDF poderia ser uma pessoa divertida.
Ela entendia piadas que pouca gente entendia.
Mas o que fez com que a gente se aproximasse foi a poesia.
Hoje fica claro.
Florbela Espanca.
Obviamente, ela gostava das coisas mais doces, eu preferia o “podem voar mundos, morrer astros, que tu és como Deus, princípio e fim”.
Ela viu que havia um ser humano sensível debaixo da casca de ogro.
Ela me emprestou a poesia completa da portuguesa, eu li e decorei tantos poemas que não deu outra.
Ficamos amigos.
Éramos, com o tempo, parte da turminha CDF.
Eu nunca fui um CDF óbvio, já disse isso, mas isso era ainda pior porque eu andava com gente escrota do fundão e vivia malamanhado.
Talvez eu tivesse medo de ser um CDF de verdade.
CDFs eram esculhambados pela galera do fundão.
Aline sempre foi respeitada.
No que me lembro, Aline era uma morena magrinha de peitos pequenos e bunda grande, que ia sempre pro colégio de bermudinha.
Tinha uma mistura com gente chinesa na família dela, porque ela tinha uns olhinhos apertados.
Nunca foi especialmente bonita.
Eu viajava pro São João e São pedro em cidades do interior, mas todo dia que era aniversário dela eu ligava pra dar parabéns.
Ou ligava com dois ou três dias de atraso. Ela ficava puta. Mas terminava tudo bem.
Eu fiquei apaixonado um bom ano por Aline.
Foi pra Aline que eu comprei o primeiro buquê de rosas com que presenteei uma mulher na minha vida.
Muitos outros vieram.
Muitos foram mais significativos, até.
Mas aquela primeira meia dúzia de rosas cor de chá – eu achava chique rosa chá – que comprei e fiquei com vergonha de ficar segurando na praça de alimentação do Shopping foi único.
Eu nunca beijei Aline.
Eu pedi um beijo a ela, e ela me explicou que beijo não se pede.
Aí o tempo passou, a paixonite de adolescente passou, e comecei a namorar outras meninas.
Aí eu descobri como é que funcionava mesmo o negócio de se apaixonar.
Depois de amar, e o tempo acabou afastando a gente.
Nos falamos muito pouco ao longo dos anos.
Quando tinha festinha pra reunir o povo do colégio, ela nunca ia, mas o povo que encontrava com ela pelas faculdades de saúde da vida me contava de suas andanças, que era uma grande aluna, depois que se tornou uma grande fisioterapeuta e patati patatá.
Aí eu recebi, tem uns anos, a notícia de que Aline morreu num acidente estúpido, de manhã cedinho, dirigindo numa pista reta.
Saindo de plantão.
Eu fui ao enterro dela.
Chocado.
Ela mais branca do que jamais fora.
E aí foi aniversário dela esse dias e eu lembrei.
Hoje eu gostaria muito de ter ligado pra ela pra desejar um feliz aniersário atrasado.
Um clipe literal
Estilingado por Jojó da Babá 08/06/2009 às 13:39
Se você não entende inglês, não vai ter graça.
Mas se você se vira, veja isso.
E tá chegando o São João
Estilingado por Jojó da Babá 16/05/2009 às 8:06
Vocês já deveriam saber, bonitezas de papai:
Eu sou cosmopolita de araque.
Na verdade eu sou tabaréu.
Sou Nazareno.
Um latte fica melhor com uma canjica, com um lelê.
Música eletrônica rima com forró.
Leio bukowski ouvindo ecos de ariano suassuna.
abre parênteses:
“ariano suassuna” soa muito igual a “arriando sua sunga”.
Muita gente já deve ter dito isso, e pode ser que eu esteja fazendo um momento de humor zorra total aqui, mas não dá pra escrever “ariano suassuna” sem rir.
Pra mim, não dá.
Fecha parênteses.
Assim, abençoado maldito, se aproxima a melhor festa do ano: a festa de Saint John.
Época em que crianças catarrentas alegremente perdem dedos com fogos de artifício. Onde mocinhas têm suas formosas xoxotinhas em flor defloradas, em becos diversos e mal-iluminados no interior da Bahia. E a gente consome quantidades pantagruélicas de licor, cachaça e infusões diversas, ouvindo um som repetitivo e nauseante, roçando as coxas nas coxas de quem se dispuser.
E tudo isso, capetinha em forma de guri, me diverte deveras.
Anarriê!
E vai entrando licor no bucho.
Alavantu!
E vamo vomitando trecos verdes amargos produzidos por nossos fígados.
A única vez em que vomitei bile foi num São João.
Esse promete.
Nos últimos anos eu fingi uma pose de bosta e não fiz nada.
Esse ano eu vou pra putaria, cumadi.
Mas o melhor, o melhor mesmo, o filé, a nata, é o forró de duplo sentido.
Esse tá acabando.
Mas era um exercício de inventividade.
Hoje virou calcinha preta cantando uma coisa tipo:
“te amo e não vem me ver
porque eu preciso ficar com você”
Repara na qualidade da rima.
Antes é que era bom.
Tipo, tinha aquela música clássica:
“tira, zé, tá doendo, tá doendo,
Tira, zé, tá doendo pra danar
tira, zé, sei que já está sangrando,
tô sentindo, tá entrando,
e sei que não posso cortar”
Toda a música era pra explicar isso.
A historia contava de uma nega que se feria e tal.
É foda.
Tem outra melhor:
“Aonde é o buraquinho, Salete, que eu não acho?
Procura com jeitinho, Zé Duarte, que é mais embaixo”
Olha como a letra explica o refrão:
Eu tava hospedado
num quarto de hotel
Ao lado de um casal,
que estava em lua de mel
Quando foi madrugada,
quase amanhecendo o dia
Estava no escuro,
não tinha energia
Ouvi ela dizendo:
- vamos depressa meu bem
Estamos atrasados e
vamos perder o trem
Com uma chave na mão
outra procurando a porta
O marido apavorado
pra mulher dizia:
Esse é o duplo sentido de raiz. O duplo sentido moleque. O duplo sentido arte. O duplo sentido de várzea. O duplo sentido canarinho. O duplo sentido corrente-pra-frente, salve a seleção.
Hoje, ninguém mais tem amor à camisa.
Só se faz duplo sentido explícito.
E daí saem muitas mais coisas, como a Julietá-tá, quando o velho mais a velha foi tomar banho na bica, a velha escorregou e o velho passou-lhe a perna. Afinal, cachorro quando late no buraco do tatu sai espuma pela boca e chocolate pela orelha.
E o líder maior era o Genival Lacerda.
Genival Lacerda é o Fernando Pessoa do trocadilho.
Severina foi pra Serra Pelada.
Você quer o ketchup?
Ela adora meu Kadett.
Ele tá de olho é na butique dela.
Emoções.
Lágrimas que cortam meu rosto me impedem de prosseguir no post.
Pausa dramática, please, diretor!
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Snif!
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Andiamo.
Zeca Baleiro fez uma homenagem, há alguns anos, a esse duplo sentido tipicamente nordestino.
Chamava “O parque de Juraci”, e no refrão ele canta “Juraci, que parque?”, mas se ouve Jurassic Park.
Muito divertido.
Claramente, ele também foi picado (lá ele) pela mosca varejeira do duplo sentido.
Coisas que aprendi
Estilingado por Jojó da Babá 31/03/2009 às 13:10
Ser você mesmo não é ser sempre o mesmo.













