O valor da educação

Dá pra se ser plenamente feliz – e por plenamente entenda a coisa de maneira geral, ampla e irrestrita – sendo uma porta. A felicidade não está atrelada ao seu intersse pelos aspectos mais ordinários da cultura pop ou pelo seu interesse em música clássica alemã do século dezenove.

Inclusive, eu desconfio tenho certeza que saber mais sobre o mundo te faz ter uma consciência das coisas que te impede de viver de sorrisinho na boca o tempo todo.

A ignorância, já disse Cypher em Matrix (enfiando os dentes num belo bife), é uma benção.

Claro: o leitor mais esperto sabe que a frase não é de Matrix, é uma citação que deriva do Eclesiastes: “Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e quem aumenta a ciência, aumenta a dor” (Eclesiastes, 1,18).

Ok, você poderia afirmar que não é religioso e não tinha como saber – como se a bíblia só pudesse ser lida por pessoas religiosas. Eu li Ulisses, de Joyce – ou tentei ler e fracassei, e ainda me cobro por conta disso – e sei que aquilo é uma releitura da Odisseia, de Homero.

Saber que Ulisses ou Dedalus ou Capitu são personagens de ficção não me impede de ler e me apropriar do treco.

Mas a frase poderia ter vindo diretamente do título daquela música do Ramones, “Ignorance is bliss”, não? Bom, de qualquer modo a frase, de maneira enviesada, existe também em 1984, do George Orwell (lá ele fala que ignorância é força, mas o sentido no texto tem uma certa ironia) e John Lennon falou a mesma frase numa entrevista com o Jann Werner, à Rolling Stone, em 1970 – uma entrevista reveladora sobre o final dos Beatles e tal.

Em qualquer dos casos, a frase tem lá a sua razão. O cara pode desconhecer esses caminhos que a frase já trilhou, mas entende o filme do mesmo modo, ou, se não do mesmo modo, em outro nível (referências são importantes, mas ninguém morre pela falta delas – Matrix é bom de todo modo).

Jogadores de futebol não estão entre as parcelas mais letradas da população. No entanto, muitos deles fazem fortuna e não morrem necessariamente no ostracismo: administram a grana que ganhara devido a uma habilidade muito específica e levam uma vida digna, feliz e patati patatá.

Na verdade, então, qual o valor da educação?
A erudição é como a grama do vizinho: sempre parece ter mais valor quando está nos outros.

Mas o conhecimento das coisas tem um valor: a busca da verdade.

Se um cara vira pra você e diz “o resultado da megasena da virada é amplamente conhecido: pegue o seno da inclinação do eixo terrestre, multiplique pelo fator da matriz determinante da data da lua nova dos meses ímpares do ano de 2012 e voilá: você obtém cinco números. O sexto é uma incógnita, mas tudo indica que é 42 (Douglas Adams se revira no túmulo)”.

Essa pseudo-amostra de erudição pode cegar muita gente (o argumento como um todo é uma extrapolação, entenda o conceito e estamos bem) e não é raro neguinho dizer “uau, é por aí mesmo”. Outros, cegos pela mistificação, poderiam ainda responder “bobagem. É amplamente sabido que os números da mega sena são a quantidade de pentelhos de Deus catada por cada um dos querubins assistentes de Deus em seu trono na última quinzena”.

Alguns, poucos, diriam :”será mesmo?”

Cultura, educação, erudição, tudo isso serve com o único propósito de fazer com que nos perguntemos “será mesmo?”.

E, se isso não é a felicidade em si, é ainda um jeito excepcional de encarar a vida.

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Diálogos com Mamãe – Capítulo:a viadagem

Eu em casa, mamãe assistindo um show da Amy Winehouse. Ela ADORA.

- Menino, eu ADORO essa menina. Acho ela linda, linda…
- Ela é massa.
- Adoro. A-do-ro. Adoro, adoro, adoro.
- Ok, mãe.
- Não tem jeito dessa menina ficar feia. Toda desconjuntadinha pra dançar. Olha que coisinha.
- Tá bêbada, mãe.
- Tudo bem. Tenho um dó dela… todo mundo falando absurdos. Queria cuidar dela, ajeitar o pompom de bombril da cabeça dela.
- Ela fuma crack, mãe.
- Fuma nada. Tá mais cheinha? Será que é show antigo?
- Ela acabou de sair da rehab, daí tá cheinha. Mas já jpa seca. Crack é foda.
- Adoro.
- ô, mãe, tô com a impressão que você quer pegar a Amy Winehouse.
- É, sim. Depois de velha, virei sapatão.
- o.O
- Vai se arrombar.
- Ô, assustei. Você gosta de Ana carolina, é apaixonada pela Amy…
- Você gosta desses roqueiros e nem por isso é viado.

***

Intervalo. Passa um promo do Cirque du Soleil. A tv a cabo vai exibir um monte de shows e tal. Mainha arregaça.
- E aí, mãe, vamo ver, né? Nossa, deve ser uma coisa linda o Cirque ao vivo.
- Menino, xô te contar: eu tenho a impressão de que, nos bastidores, esse circo aí deve ser um fedor de merda pavoroso.
- Oxente, pirou?
- Deve ser…
- …
- Mas é lindo mesmo. Olha, vou te contar: aí não tem mulher, não tem homem: só viado! Deve ser uma viadagem em alta nesse treco.
- Ahahahahah! Oxente, mãe, pirou? Que preconceito besta! Tá tomando pico de água sanitária quando eu saio pra trabalhar?
- Tem preconceito nenhum. Pra ter a manha de fazer um negócio assim, bonito, luxuoso, só viado. Mulher não tem esse requinte. Homem muito menos. Deve ter uma tropa de bicha colocando esse espetáculo de pé!
- Ahahahahahaha. Mãe, você não existe!
- E viado é aquele negócio: quando é viado, viado mesmo, é completo, tem todo o jeito dessas coisas. Viado encubado eu não gosto. Viado tem que liberar.

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Lembra da história da doninha, né?

Ainda rende, pípous.

Comecei a receber uns e-mails “Jorge, liberta a doninha”, “Jorge, eu vou te pegar pois sei que você tem a doninha”.

A história era essa aqui, você deve se lembrar.
Achei que era só gracinha de leitores daqui. Achei até bonitinho como piadinha, embora fora do timing. Mas aí senti o cheiro de ratos e me contaram que havia uma campanha institucionalizada em prol da libertação da Doninha.

Gentes, vamo combinar que é um povo desocupado.
(Aliás, esquece: você pode ME acusar também de ser desocupado e aí fica chato).

Maurão, marginal de marca maior, colocou lá no blog dele.
Elly, a velha surda da praça e my middle sister, também ficou de gracinha.

O que prova, mais uma vez, a Lei de Jorge (e também prova que o mundo anda repleto de palhaço).

Até petição burocratizada eu recebi:

Eu, Doninha, registrada sob o numero 125458561 no IBAMA, atesto para os devidos fins que Jorge Martins, empresário, solteiro, residente no Alto de Brotas, vem me mantendo em cativeiro. Venho através desta denunciar os maus tratos sofridos por mim por este cidadão. Ciente de que o IBAMA tomará as medidas cabíveis, fico grata desde já.

Atenciosamente,
Doninha

Claro que é uma petição falsa. Chamei a Doninha verdadeira pra catraca.

- Ô, doninha, tá fodaê. O povo falando várias inverdades e você nem se manifesta, caralho?

Daí ela resolveu se manifestar. Entrou em contato com a galera do Ibama, e, depois de dias em filas e papelórios, conseguiu o mandado. Doninha é esperta e sabe que, ficando com papai jorginho, ganha carinhos, coçadinhas na barriga e diversos outros mimos.

O Ibama liberou. Veja abaixo o e-mail (que é verdadeiro, eu juro).

A doninha é minha e ninguém tasca.

O resto, se vocês virem mais alguma coisa rolando nesses blogueeenhos de gente doente, é mentira.

Sr. Jorge Martins,
Recebemos sob o número 5895113 uma denúncia de maus tratos, sendo a parte agredida a Sra. Doninha. O IBAMA realizou investigações para apurar o caso e chega a conclusão de que a Doninha em questão mentiu, o que é considerado crime. Visto que testemunhas afirmam que ela vem sendo muito bem tratada, que está sempre sorrindo e feliz pelas imediações da cidade. Sabemos que a qualidade de vida de uma doninha é mensurada através do tratamento que lhe é dado. Sendo assim, o IBAMA lhe concede a guarda da Doninha por tempo indeterminado.

Grato pela atenção,
Maluco do IBAMA

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desejo

Hoje, especialmente, acordei com vontade de ser rico.
Coisa pouco recorrente.

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Verdades atrasadas

Você merece alguém melhor.
Não quero estragar nossa amizade.
Semana que vem te pago.
Prometo que só boto a cabecinha.

Todo dia é 1º de Abril

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Oh, no…

…here comes that sun again: that means another day without you, my friend.

And it hurts me to look into the mirror at myself…
And it hurts even more to have to be with somebody else…

And it’s so hard to do, and so easy to say
But sometimes…

Sometimes you just have to walk away.

They say that time will make all this go away. But it’s Time that has taken my tomorrows and turned them into yesterday.

And once again that rising sun is a droppin’ on down.
And once again, you, my friend, are no where to be found.

by ben.

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Well, they don’t hate you:
you know they love you!
But they’re gonna come kill you

They don’t mean you any harm
It’s just what they do

Could be your mother, could be your father or your best friend in the world

But, just like blood and rain,
love and pain
are one and the same…

Audioslave, one and the same. Foda.

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Queria conversar sério com você.

Sim, você que tá lendo essa parada.
Por que você vem aqui?

Não, isso não é uma pergunta capciosa.

Eu gosto da sua presença.
Sério.
Demais.
Todo dia eu vou lá no google analytics pra saber quantos exemplares de você passaram por aqui.
E fico bem feliz quando tem mais exemplares de você que no dia anterior.

Mas nesse blog só tem merda.
Só tem merda.
M-E-R-D-A.

Tem uma ou outra coisinha que se salva.
Mas no geral é um grande e belo amontoado de massa fecal cercada de um layout bonitinho por todos os lados.

Observe o dia de hoje:
Falei sobre a mão no tabaco e a pica do jegue. Mão no tabaco e pica do jegue. putz… que vergonha, rei.

pare de rir, na moral.

Mão no tabaco e pica do jegue.
Num intervalo de poucas horas.
Nesse meio tempo, caso você não saiba, eu não fico bolando essas merdas. Eu, por incrível que pareça, trabalho pra caralho.
Mas basta pintar um tempinho livre que é obssessivo: eu paro tudo e fico bolando merda pra botar aqui.
Como disse antes, essas paradas brotam de minha cabeça. E tem muita coisa que brota e eu não publico por vergonha.

Sério. Tem coisa pior.
Eu vou parar um pouquinho pra você terminar de rir da minha desgraça.
..
..
..
..
..
..
..
..
..

Podemos continuar? bacana!

Continuando:
Juliana já me disse: “as pessoas têm medo de conversar com você no msn por medo de que tudo vire um post”

E vira mesmo.
Mas você é bem espertinho e conseguiu virar o jogo: não estamos falando de mim.
Você é quem está na berlinda.

Por que você perde tempo lendo tanta merda aqui? É o mero prazer estético de ver uma mente em decomposição acelerada ou, tipo, você tem esperanças de que, algum dia, sairão coisas realmente interessantes daqui.

Se for o primeiro caso, ok. Tudo bem. Eu deixo.
Mas se for o segundo, não guarde esperanças.

Talvez o principal motivo deste post seja a musiquinha da pica do jegue.
Postei, mas me envergonhei.
Me arrependi.

Mães de família frequentam esse blog.
Não você, que eu sei que não presta também.
Tô falando dos outros.
Pessoas de bem.
Pessoas de berço.
Adoro pessoas que tem berço.

Eu não tenho.

nhé.

não se ofenda comigo.
Eu sou como um macaco solto numa fábrica de bananas.
Me deu um teclado de computador eu saio atirando.

E continue vindo. Eu acho bem bacana.

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Pepsi mudou de marca

Vou falar disso no Diário da Criação (o endereço tá ai em cima, tô sem saco de linkar pra mim mesmo).
Mas enquanto não mudarem aquela merda que vem dentro da lata, a coisa permanece difícil.

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E na bolsa?

Informando novamente: o mundo não acabará.
Meu pau permanece subindo.

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