Sintético

Era um gesto rico e um desenho estranho, era um post imenso e virou isso (guimarães rosa é quase o texto zipado):

Sei de quase nada. Mas desconfio de muita coisa.

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O elogio da pobreza

Eu já tava na pegadinha “vou dormir”, o que é estranho com dor de cabeça e às 11 horas da noite. Daí volto pra cá. Essa sanha de escrever. Esse comichão.

Demodosquê este post era pra ser outro post, medido, calculado, mas vai ficar boiando o texto calculado na pasta de rascunhos como tantos demais e tem esse.

(é assim que se escreve muito: registre qualquer coisa, pesadelo, pensamentinho, arroto e deixe marinando. Um dia vira post. Ou um dia você pira na batata e apaga tudo, mas deixa lá no tempo do enquanto, não custa).

Assim é o raciocínio deste post: medo de se expor na internet é uma idiotice. E é mais fácil fazer um blog reclamando da vida que sendo bacana, normal, com dias bons e dias ruins.
Saca resumo de texto acadêmico? É isso aqui.
Já leu isso, fecha o treco e vai embora.
O resto é frívolo e raso. Se isto ficar, ficou bacana e deu o que tinha de dar.

Vamos então, meus três leitores obstinados que restaram, à verboreia.

Eu leio muitos blogs. Leio muito, no geral. É parte do meu trabalho.
Um peão de obra – sempre os peões – não se orgulha de colocar trocentos tijolos, uns sobre os outros.
É parte do trabalho dele.

Ele pode até comentar, na terceira dose de cachaça, depois de destrepar dos andaimes. Mas é o trabalho dele, afinal.

O meu é acumular referência. Ir pra cinema, ler ditudumpoco, ler blog, ler bula de remédio, ver gente fazendo coisas que gente faz, tomar cachaça, dar risada, trepar, tomar toddynho, viver e depois transformar isso em propaganda pra vender, sei lá, coquécoisa.

Mas tem blog que tem uma pegada de “mimimi, ai meu deus que eu sou fodido, ai meu deus que tô sem grana, ai meu deus que quebrei minha unha” que fica chato.

Não que o meu seja melhor, coisa que sinceramente não acho – e isso não é pra pedir elogio, entendam bem.

E nem todo blog em que o cara fala de si mesmo – e, no caso, vá lá, é aceitável, é até corriqueiro que haja uma quantidade grande de fodidos no mundo – é também insuportável. Muita gente é fodida com estilo. Muita gente não tem grana nem pra, sei lá, passar manetiga num solado velho de botina pra rangar à noite, mas escreve bem e tal. Ou finge que escreve bem.

É cada vez mais fácil fingir que se escreve com estilo e graça e coerência – é só emular um blog que você conheça.

Mas… (e você sabia que vinha um “mas” aqui)

… mas, malandro, é mais fácil fazer um blog desse jeito. Mais fodidos se identificam. Mais pessoas ficam assim “óun, coitadinho”. Sei lá porque o mundo tem essa predileção especial por gente fodida.

Eu gosto de gente foda.
Me irrita gente que fala “no bar XPTO não vou porque a cerveja é R$ 4,50. Vamo naquele em que a cerveja é R$ 3,90?”.
Sou mais quem fala assim, ó: “malandro, botei uma grana na petrobras esse mês e me dei bem: vem aqui no bar, vamo torar um litro de uísque, tô chamando a galere” (tu mesmo, binho, pode se manifestar).

E, assim, não é uma questão de ter grana ou não, sacou? É um modo de pensar. Tipos, vai um exemplo bobão, prum melhor entendimento: eu fumava hollywood. Era barato e bão. No dia em que a grana sumia, tudo tava foda e pintava na agência a companhia de luz pra cortar a energia pq não havia sido paga, eu saia e comprava uma carteira de camel. Que era carão. Importado e não vendia em todo lugar.

É você entender que a falta de grana não pode ser maior que você, sacou?

Daí você vê nego construindo uma versão “fodida-cult” de si mesmo. “Não tenho grana pra isso, não tenho grana praquilo”.

Será mesmo que tá todo mundo assim arrastando lata?

Tipo, desde que comecei o detesto, resolvi que seria um treco na manha. Aliás, assim como sou, no geral. Eu não tenho vergonha de ter as coisas (alegria, patuléia, volto a falar da tv, do sofá…). Eu não tenho vergonha de comentar que troquei de carro, essas bobagens que todo mundo que trabalha, faz, um dia ou outro.

Eu não tenho vergonha porque trabalhei e esfalfo meu rabo de trabalhar pra ter as coisas. Não meti arma na cabeça de ninguém, não burlei imposto, não nada.

Mas aí soa arrogante. Soa como se fosse deslumbramentinho – o que não é.

Ou seja: o cara pode falar “só tenho 7 conto no bolso pra passar o resto do mês” e todo mundo identifica como “literatura marginal, o renegado, o rebelde, o à margem da sociedade”. E falo que compro as coisas e sou “deslumbradinho”.

Sendo que, conhecendo as pessoas que conheço, vivendo com elas, vejo mais gente comprando coisas que fingindo pobrinho.

“Ah, mas você tem um blog e comenta disso”.
Sifudê, chefia.
Comento também que tem dia que tá bom, tem dia que tá ruim. Minha agência ficpou com água pelas canelas outro dia e comentei de boa.

E nem tudo vem pra cá.
Esse é um erro comum de interpretação das pessoas com relação a este blog.

“acompanho sua vida com base no blog”.
Sorry, patuléia, mas tão perdendo o filé.

Ou então de nego me cobrar post sobre alguma coisa que viveu comigo.
“Te comprei um chiclete, não vai falar no blog?”

Mas voltemos à vaca amarela:

É um modelo mental que você constrói, tá ligado? É um não se deixar abater.
É não cultuar o que de ruim existe.

Eu tenho problemas, quem me conhece sabe.
Mas tenho uma mãe foda e uma família que me ama fodamente, e eu era um cara elogiado quando guri, mesmo que eu fosse um loser em qualquer área de minha existência – e devo ser em várias.
E daí que hoje eu sou um adulto completamente estragado para a vida social.
Eu acho que tudo vai dar certo, que tudo vai desembolar. Sempre.

O pessoal com complexo de pobre fica assim, ó: “se tudo vem dando muito certo em minha vida agora, é batata: mais pra frente, vai rolar uma braba e alguma merda, das grandes, vai acontecer”. Eu já acho que quando tudo vai indo bem é uma coisa natural da existência.
Não nascemos para viver a existência pela metade. É uma obrigação da vida para conosco nos oferecer tudo de bom, do melhor, em abundância e num fluxo constante.

E, quando, por acaso, vai tudo mal, só rola maiakowski: “não estamos alegres, é certo, mas porque razão haveríamos de ficar tristes? As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las, cortando-as, como uma qulha corta as ondas”.

Não é otimismo. É defeito.
Não é destemor. É falta de senso do perigo.

E, assim, de vez em quando, se seu blog arrepia na toada mimimi, fica martelando em minha cabeça um treco assim: “porra, velho, mas será que só eu, no mundo, sei que, no final, vai dar tudo certo?!”

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Proud!

Veja isso, querido leitor:

Repare na doçura do olhar.
Atente as pontinhas dos dedinhos deste anjinho, levemente retraídos.
Timidez, talvez.

Repare nos cachinhos, dourados, melenas divinais que pousam por sobre os ombrinhos.
Que belezinha de garotinha, de bochechinhas rosadas!
Dá vontade de morder de tão fofa.

Imagina a mãe deste trequinho, varando noites suspirando de orgulho por ter feito uma coisinha tão bonitinha. E imaginando o futuro desta criaturinha.

O que a vida guarda para ela?
Certamente, ela será feliz, bem sucedida e patati patatá.
Grandes realizações.

Mentira.

Essa menininha FOFA cresceu e virou Marcele, uma das irmãs cachaceiras, cujo maior feito é derrubar um litro de tequila sem fazer fumaça.

Imagina o orgulho desta mãe.

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Smooth Criminal é bobagem. Foda mesmo é virtual insanity

Pablo, que é curioso e desocupado, está queimando a mufa pra descobrir como era que Michael Jackson fazia a famosa inclinadinha do Smooth Criminal.
Mas foda mesmo é descobrir como esse clipe PUTAMENTE FODÁSTICO foi feito.
Eu sei, pois sou curioso e me esfalfei um monte.

Mas você consegue imaginar como é isso?

Ah, uma dica: não tem computação gráfica. O sofá é sofá mesmo, o chão mexe mesmo e tudo é de verdade.

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pick me, pick me

Dive, dive, dive
dive in meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

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incongruência

Quando eu bato nos leitores do blog, você falam “tá estressada, santa?”.
Quando eu sou fofinho, vocês falam “tá amarelando, santa?”

Essa seria uma boa hora de mandar todo mundo tomar no meio daquele buraquinho que fica entre as nádegas, mas eu sou fino e não vou fazer isso.

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Uma intuição

Algo me diz que esse lance de aceitar comentários anônimos vai me matar de curiosidade – e me divertir.
Claro que sempre vai ter um otário pra vir falar merda.
Mas receber beijinhos na ponta do narizinho (narizinho é ironia, né? Me chamavam de arara no colégio) é bacana. Quase como estar vendado, tipo, numa suruba.

I like it.
Great Sucess.

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Essa você conhece

A cobra pediu pro sapo pra atravessar o rio. Falou algo assim:
- Colé, malandragem! Joinha? Truta, tô precisando dar um pá na outra margem do rio. Você me dá uma carona. Daí eu não te mordo. É nóis?
- Demorou, brodagem.
Daí a cobra, lá ele, pulou nas costas do sapo e no meio da parada mordeu o sapo. O sapo chiou:
- Colé, chefe, tá de esculhambação? Porra, man, eu te dou a carona e pá e você me morde?
- É minha natureza, man.

Os dois tomaram na tarraqueta.

Moral da história: toda vez que eu me afasto de minha própria natureza eu piso no tomate.
Eu sou a cobra. E tenho de ter orgulho de ser cobra.

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Updates

Como eu uso toda palavra que eu ouço nestes posts, os autores das frases vêm aqui cobrar crédito.
Titinhagem é uma palavra bolada por Neto, o espírita simpatizante, irmão de July.
Titinhagem significa chibiatagem, que é um termo cunhado por Scheila.
Chibiatagem é algo como o reme-reme, cunhado por alguém que não conheço.

Assim são as palavras: quem pegar primeiro leva.

Só que é importante deixar claro que cobrar crédito pela confecção de uma palavra como titinhagem é um chibiatagem sem tamanho.

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Um sonho

Acordei agorinha, assustado com um sonho.
Um prato cheio prum analista. Se eu tivesse um.
Vamo de blog mesmo.

Segue, na sequência mais lógica que eeu consegui me lembrar.

Era um parque aquático. Tinha umas gentes.
E eu tinha uns dinheiros no bolso. Uma nota de cinquenta e uma nota de 25 (?).
Se você joga no bicho, pode ser um bom palpite de milhar pra hoje.
E dentro da piscina eu ia andando pro fundo e a água me subindo às ventas me fazia desesperar.
Daí tinha minha mãe, tinha ex-namoradas (atente o plural) que me disputavam no tapa e me mandavam bilhetinhos umas escondidas das outras, e isso me deixava orgulhoso, e tinha uma chave que eu perdia.
Daí tinha uns turistas falando espanhol. Tinha um povo cimentando uma escada de bambu e uma mulher velha, com a pele ressequida, que gritava “you’re not allowed to pass, you’re not allowed to pass”.
Não me deixavam sair do parque pela escada de bambu.
Eles me botavam medo. Eles diziam pra eu não subir. Eu não subia.

Daí um negão estilo Danny Glover, coroa, dublado em espanhol, quebrava um vaso grande desses de recepção de resort.
Junto com os turistas dublados em espanhol, quebrávamos a recepção toda no pau.
Tinha eu patinando em uma esteira de bagagem de aeroporto enladeirada (sonho recorrente) sem conseguir sair do lugar, tinha eu me esgueirando por umas ruas sem calçamento, naquele lusco-fusco fim de tarde, descalço e sem camisa, com uma máquina fotográfica das boas pendurada no pescoço.
Tinha eu com uma família aristocrática e, claro, eu estava nu, mas só quando eu notava que eu estava nu a família aristocrática se ligava.
Me enrolava numa cortina. A família me dava a chave.
Mas meu objetivo real era devolver a máquina fotográfica pra um ex-sogro, que me esperava num monza velho que eu não achava.
Tinha o pavor de ser assaltado. Tinha a rejeição de entes queridos.
E tinha uma mulher que largava a família e contra tudo e todos vinha comigo.
E nós só tínhamos a chave.

Muita bobagem.
Ou muita coisa junta, se você for um psicanalista.

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