Cool

Vivemos a ditadura do cool.

Se você não é cool suficiente, você é um fracasso pleno.
Sabe gente que permeia toda e qualquer frase com expressões em inglês pra parecer sabidinho?

Ou gente que ouve bandas de rock alternativo da escandinávia e te olha de cima abaixo porque você diz que gosta mesmo é de, sei lá, Vanessa da Mata, saca?

Eles fazem parte da conspiração.

Não queria ter de escrever essa ressalva que se seguirá (quase escrevo “disclaimer”, mas em prol dos comentaristas chatos que me vão apontar o dedo nos comentários deste post, vai a expressão em português), mas é necessário: não estou dizendo com isso que não dá mais pra usar expressões em inglês. Claro que dá. Eu uso direto aqui no blog. Ou que não dá pra citar, uma vez ou outra, uma referência que ninguém conheça, saca? A internet taí, é fácil ter acesso às coisas, e quando você se aprofunda um tiquinho, digamos, sobre rock inglês, sem perceber é muito fácil que você passe a considerar senso comum alguma referência que é muito de nicho.

Uma coisa é ter referência.
É natural citá-las, utilizá-las.
Outra é esse constructo de si mesmo que nego faz na internet.
Essa ânsia de ler livros que ninguém leu, de ouvir bandas que ninguém mais ouve.

Gente lendo Jane Austen e esnobando Machado de Assis.
Ler Machado é coisa de cuzão. Legal mesmo, cool de verdade é ler Jane Austen em inglês com oclinho de aro grosso e all star vermelho, vestido de mendigo chique tomando café numa varanda de uma coffee shop qualquer como se Salvador fosse Toronto.

Lembra do Los Hermanos? Era nicho total depois da Ana Julia.
Daí era chique ouvir Los Hermanos.
Daí a galera que queria ser chique também passou a curtir Los Hermanos com um fervor messiânico, tipo Legião Urbana.
Aí os primeiros caras, que ouviam e babavam por Los Hermanos, quando sentiram que a coisa disseminou, se moviam rumo à próxima modinha. E daí tome-lhe arctic monkeys ou television ou wilco ou kings of leon ou…

Entendeu o mecanismo? Tipo: eu gostava e gosto de Los Hermanos, mas é só uma banda, bicho. Só uma banda. Com canções legais. E fica neguinho buscando significados ocultos em versos simples…

O primeiro disco de Ana Carolina era cult.
O resto virou carne de vaca.
Vanessa da Mata, enquanto era uma cantora do Mato Grosso, também.
Quando gravou DVD com Davi Moraes e virou trilha de barzinho – e é um puta DVD – virou bosta.

A Inteligentzia olha torto como se aquilo, pelo simples fato de ser gostado (essa expressão existe? foda-se também – você entendeu o sentido) por muita gente perde valor.

De novo, outra ressalva. É claro que dá pra gostar de uma coisa ou outra de uma banda como arctic monkeys. Ou white stripes. Ou kings of leon. Mas, enquanto essas bandas ainda são de nicho, elas são endeusadas de um jeito que fazem você, que conhece uma coisa ou outra apenas, se sentir um completo imbecil.

- Já ouviu o novo disco da Banda Chiq chiq and the beards (ah, os nomes de bandas indies) gravado num ginásio da cidade escocesa de Norfolk Hills?
- Porra, man, ouvi não. Tô numa fase de ouvir Chris Cornell (ou offspring, ou qualquer coisa que tenha mais do que dois fãs em todo território nacional).
- Chris Cornell? Porra, Chris cornell é tão 2004.

E te olham de cima abaixo como se você tivesse lepra.
Mas não ache que ser cool é uma coisa só relacionada com bandas estrangeiras.

- Cara, já ouviu o EP (banda indie nunca lança disco, mas EP ou coisas do tipo) da banda de pífanos do cordel mágico de cabrobró?
- Puta merda, nem sei que treco é esse. Tô ouvindo muito mombojó (cita você achando que é uma referência indie suficientemente refinada).
- Ih, mombojó é tão 2001…

Às vezes eu só acho engraçado.
Muitas vezes, me preocupa por ver o valor que se dá pra este tipo de bobagem.

Tem também o que é cool por ser brega. Essa é ainda mais complicada de entender. Vou tentar resumir.

Existia uma coisa que era tratada com total desdém cultural, apesar de ser sucesso de público. Sei lá, um seriado tipo Chaves. Jaspion. Qualquer dessas bostas.

Na época deles, esse seriados faziam sucesso. A galera cool sentava o pau, falava mal, não assistia, etc.
Daí o tempo passa, a galera que assistia em massa àquilo se move em direção a outras coisas. O seriado entra na fase de ostracismo. Daí, um dia, um cara cool resolve retormar aquilo que é considerado por todos como brega e ressignifica a coisa. Fazendo, por exemplo, uma camiseta com a estampa de seu Madruga. E aí a coisa que é brega ganha vida nova vista pela lente da ironia e vira cult de novo. Até que volte a ser adotado pela massa e vire kitsch de novo.

Sacou a conspiração?

Agora a moda é fazer tumblrs. Seriam, em bom português, blogs de imagens, músicas, etc… Pouco texto.

Dizem que ninguém tem mais saco de ler, né?
Eu acho que, na real, se as pessoas se preocupassem em expressar ideias realmente em seus blogs, a gente não precisaria inventar tumblrs e coisas do tipo, mas enfim. Falo por mim. Nunca fico medindo o tamanho dos posts por conta de leitores daqui. Cada post tem o tamanho exato pra demonstrar a ideia que eu quero que ele demonstre…

Desviei. Voltemos ao tumblr.
Tudo parece muito cool, muito cheio de significado, mas é tudo balela. Me acompanhe. Peguei algumas imagens de um desses blogs ocos. Vamos desvendá-las juntinhos.

“Este mundo não faz mais nenhum sentido”

Ok, papudo, eu digo quase todo santo dia aqui no DGI que este mundo está todo fodido. É A MESMA COISA. A diferença é que o cara jogou isso numa letra branca, em inglês, sobre uma foto de um jardinzinho fodido com um efeitinho retrô. E fica você viajando que há algum significado engrandecelhador neste pica daí de cima.

Essa é ótima. “Eu falo sarcasmo fluentemente”, como se sarcasmo fosse um idioma.
O artifício da enganação aqui é colocar uma frase literal sobre o sarcasmo no meio de uma imagem branca com um texto que parece de máquina de escrever. Não há nada de brilhante nem de profundamente irônico neste texto. Se ele viesse ao seu encontro em uma apresentação de pwer point você consideraria brega e cafona. Como você vê coisas desse tipo em um tumblr, parece muito foda. Mas não é.

“Fuck Growing up” em ponto cruz.
Ponto cruz é berga.
Mas um palavrão em inglês em ponto cruz sobre uma estampa brega soa como se significasse algo irônico, muderno…

“”Porque tudo nunca é o que parece”.
Obviedade sobre fundos desfocados. Parece muito sério e profundo, né?
Repita comigo: é simplesmente óbvio e imbecil.

Esse lance de lomografia (um estilo fotográfico novo que valoriza esse esquema de foto com defeito), uma tipografia avant-garde com erro de registro e pronto: qualquer merda parece uma verdade filosófica assombrosa.

Imortalidade é fazer coisas boas e deixar sua marca (argh).

O amor é superestimado (falo isso aqui há anos).

A vida é cheia de gente falsa (ah, é, santa?)

Quanta bobagem… Já chegamos, inclusive, ao ponto da ironia da ironia. Essa eu curti. Uma lição de como ser cool com facilidade.

“Pegue uma foto fodida, aplique um efeitinho retrô e escreva alguma coisa em fonte helvética”

23/08/10 | Veja mais | 55 comentários;

Programação de carnaval em Salvador

Dia 01:
- Acordar, tomar duas neosaldinas, abrir uma cerveja, dar a famosa mijada matinal, tomar um caldo de feijão, escovar os dentes e decidir:

1.a) Devo ir pra rua?
1.b) Devo ficar em casa?

Decidindo ir pra rua, abrem-se duas possibilidades:
2.a) pagar um valor escorchante num camarote bunda, ou
2.b) arriscar ser roubado na pipoca.

Decidindo pagar uma grana no camarote, abrem-se duas possibilidades:

3.a) Pensar “porra, vou gastar duzentos conto pra tomar red label e cerveja quente. Desisto”. Daí pego os duzentos contos, compro dois litros de black e volto pra casa. Namorada fica feliz. Eu também, e demonstro isso ficando bêbado dentro de casa. Durmo. Acordo e tá namorada colhendo abóboras no farmville. Eu tomo duas neosaldinas, abro uma cerveja, dou a famosa mijada matinal, tomo um caldo de feijão, escovo os dentes. Namorada vem, me dá um beijo e vem contar coisas que eu fiz enquanto estava bêbado in da house. Eu, no entanto, só consigo me lembrar que, apesar de tudo que rolou, estou de volta à primeira questão: “devo ir pra rua? Devo ficar em casa?”.

3.b) Penso “foda-se, carnaval é uma vez por ano”. Vou pro camarote carão. E, ao invés de ouvir timbalada, vou passar a noite ouvindo psy trance. Todo mundo no camarote tem sotaque paulista, mano, tá ligado? Fico me sentindo um idiota disputando uma nesga da varanda do camarote com uma tia velha, gorda, bêbada e de cabelo azul só pra poder dar um tchauzinho, sei lá, pro Eri Johnson. Aí acho pouco e resolvo ficar bêbado. Depois do terceiro empurrão da tia gorda eu aplico o golpe do cuecão nela. A calçola da tia é, obviamente, bege. Fico fingindo que ninguém viu (vocês sabem que todo bêbado desenolve o magnífico poder da invisibilidade, né?). A tia velha é mulé de um coronel. Namorada fica puta comigo e vai embora. Eu vou preso. Delegacia, tomo meia dúzia de tabefes de um meganha, pago propina, volto pra casa na certeza de que vou levar um corno até a quarta de cinzas. Abro um litro de Jurubeba leão do norte. Durmo abraçado com a garrafa de Jurubeba. Acordo, tomo duas neosaldinas, abro uma cerveja, dou a famosa mijada… Estamos de volta à primeira questão.

Mas aí, digamos que, no segundo questionamento deste post, eu fui esperto e decidi sair na pipoca. Abrem-se duas possibilidades.

4.a) Vou pra pipoca. Sou assaltado assim que desço do taxi. A gente leva 45 minutos andando até encontrar um lugar meio vaziozinho e bacana pra poder ver as atrações. Em cinco minutos, o lugar tranquilinho vira palco de uma batalha sangrenta e mortal entre um vendedor de cachorro-quente e um carinha vendendo cerveja num isopor. No meio da putaria alguém passa a mão na bunda de minha nega. Eu quebro uma garrafa de vodka na cabeça do sujeito. Abre a roda, os puliça ficam me olhando com o caco de vidro na mão. Minha nega, nesta altura, já está chorando e me chamando de assassino. Delegacia. Tabefes. Pagamento de Propina. Volto pra casa e bebo um litro de uísque. Durmo. Acordo, neosaldinas, mijada… De novo, estamos na primeira questão.

4.b) Decido sair de pipoca. Aí vou de carro e tenho de pagar 30 reais pro marginal que se apossou do canteiro central da avenida Garibaldi, que fica a uns 200 quilhões de quilômetros do circuito. Dou 10 conto pro cara e falo “na volta eu acerto com você”. O guardador de carro, basta eu dar meia volta, puxa do bolso do short uma chave e arranha a lateral do meu carro. Namorada estica o braço, pega uma garrafa de vodka e quebra na cabeça do sujeito. Puliça. Propina. Voltamos pra casa e namorada bebe um litro de vodka. Hospital. Soro. Casa de namorada. Volto pra casa e estou, mais uma vez, na primeira questão.

***

Dia 02

Acordo. Tomo três neosaldinas.
O resto é igual.

11/02/10 | Veja mais | 11 comentários;

E sai o resultado das gostosas do twitter

Bom, vocês acompanharam e sofreram com o concurso e tal.

Muitos me cobraram o resultado.
Mas tive alguns problemas com a comissão limadora.
Em bom português: os caras não se mobilizaram.

Recebi alguns e-mail com endereços de algumas gostosas do twitter, é fato, mas ninguém superou a nossa ganhadora, que, inclusive, fez um ensaio especial para ganhar o concurso.

Alguns, sem dúvidas, reclamarão que houve marmelada.
Eu não descarto a possibilidade, uma vez que a ganhadora é mulé de um dos brodis da comissão limadora e eu, suspeitamente, já havia avisado, em um comentário no blog da ganhadora, que iria mafiar essa bosta pra fazer ela ganhar.

Mas nem precisei: vocês verão abaixo, com seus próprios olhos, que ela tem atributos que dispensam qualquer máfia.

Chega de punhetação:
The winner is…

tcham tcham tcham tcham

Ela! Juju paracundê!
Confira algumas fotos do ensaio matador que ela produziu especialmente para nosso blog, neste momento de glória e regozijo!

Com todo respeito, Pablo, tua mulé tá o barro nessas fotos.
Repare a carinha moleca dela deitada sobre esse monte de pimenta. Sucesso!

Sensualidade é tudo.

Modelos profissionais conseguem manter a mesma carinha de sensualidade em todas as fotos. Impressionante!
13/07/09 | Veja mais | 7 comentários;

Expectativas

Tantos esperam posts inspiradores deste blog e eu só solto merda.
É o meu estilo.

Vicissitudes diversas não vêm necessariamente de grandes observações relevantes sobre a vida.
Vê como a vida é: agorinha mesmo, minha batata da perna ficou com uma coceirinha.
Cocei, passou.

Assim também são as tentações da vida: se você não procura grandes explicações e as coça com vigor, elas passam.

18/06/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

O nome dele é Johnnie, sim.

Eu tuíto, ontem de noite, puto:
- Chegando do trabalho AGORA. Meu fds dura 4 horas até eu desabar na cama. #mariadobairrowayoflife.
Não entendo, sinceramente, quem acha que publicitário vive uma vida glamurosa. Se glamour é chegar puto do trabalho, passar no mercado e comprar um garrafa de johnnie walker, so, baby, i´m miss monroe.

Charles Marcelino, canalhinha alcóolatra que já trabalhou na CDLJ, responde.
- A solução não estão nas drogas e cabe a cada um descobrir a sua “solução”. Gastar num johnnie ou analista, ou se entregar a JESUS.

Eu ri.

Johnnie pregava “keep walking”.
Jesus dizia “tomai todos e comei”.

Eu sou um cara que crê.
Mentira.
Mas não gosto de desagradar gente bacana, como Jesus, ou como Zito. Para quem não conhece, zito é o apelido de Johnnie, conhecido nas bocadas como “Joãozito caminador”.

Daí segui ambos:
continuei andando em direção ao bar;
tomei todas (o que é uma leve licença poética em relação à ordem de Cristo) e comi.

No caso, um tempurá joinha.
Mas poderia ser gente.
Tamo na rua, afinal, pra negócio.

01/06/09 | Veja mais | 3 comentários;

Pequenos pensamentos esparsos

Pequenos pensamentos esparsos.

***
Sílvio Santos botou a Maísa lá pra chorar, e agora o Ministério Público tá apurando o fuá porque a menina está exposta a maus tratos.
Ok. Tudo certo.
Palmas pro MP.

E antes?

Antes ela era uma menina que ganhava 20 paus por mês.
E todo mundo achava engraçadinha.

Agora, se ela crescer e começar a fumar maconha e dar a xoxota adoidadamente, a culpa é de Sílvio.

Era menos exposição o pessoal do pânico fazendo “Malisa, a menina monstro”?
É menos exposição a quantidade assombrosa de vídeos no you tube, piadinhas, coisinhas e tudo o mais?

Velho, Criança é coisa séria.

Nunca achei muita graça naquilo. Sempre achei escroto com a menina.
Colocar a menina na selva cedo.

Não pode ser legal.
Se fosse meu sobrinho Lucas, eu estapearia minha irmã, Marcelo e tantos quantos tentassem se interpor na história.
Lucas dança arrocha e faz piada e fala merda em casa.
Com a gente.
Aí pode.

Pegar os vídeos dele dançando merda (que são gravados só pra mostrar pra ele mesmo quando ele crescer – e pra ele morrer de vergonha) e botar no youtube pra ganhar dinheiro, pra mim, é tão foda pra cabeça de uma criança quanto um abuso sexual.

E não exagero.
A maior chaga que carrega uma criança abusada é, sem dúvidas, o psicológico do treco.
Por isso, voltemos à Maísa.

Nunca assisti àquilo com muito entusiasmo, sempre achei meio asqueroso botar a menina pra fazer milhões de macaquices pra nego dar risada.
E agora me emputece a tiração de onda da classe média porque o Sílvio botou a menina pra chorar durante uma apresentação.

Onde tá a mãe dessa menina? Se o Sílvio tem culpa, a mãe dessa menina merecia uma surra de gato morto, até o gato começar a miar.

Faz favor: pau que dá em chico dá em francisco.
Vamos nos indignar, ok, mas coerência é parte do processo, não?

***

Aí a Fast Shop errou uns preços lá no site, uns povos compraram coisas e agora a Fast Shop não vai entregar. O fuá é recente, ninguém sabe em que pé vai dar.
O povo alega pro código de defesa do consumidor, diz que a loja “tem porque tem” de entregar macbooks a 10 reais.

Não vai dar em nada. E nem tinha que dar.

O código existe pra preservar o direito do povo.
Pra impedir que você veja uma propaganda e vá na loja comprar e o cara fale “ahahahaha. Otário. Mentira, o preço é tal”.

O código presume, também, e isso ninguém fala, que todas as relações comerciais são balizadas por “boa fé”.

Traduzindo em bom português:
Eu quero comprar a parada e não quero te foder.
Você quer vender e não quer foder com meu time. Só quer foder o meu Visa.
(a brincadeirinha com o Visa é porque eu não consigo evitar. Mas o assunto é sério).

As relações comerciais são balizadas pelo bom senso, pela boa vontade das partes.
Ninguém comprou positivo de 999.
Só macbook.
Só vaio.
Só TV full HD.
E vem posar de santa puta.

“Ah, mas anunciou, o consumidor não tem como saber”

É, darling?
E só tinha macbook por 9,99?
Não tinha prancha cerâmica não?

O povo tentou dar um golpe.
É justo e lícito pra quem acha que é bacana.
Problema de quem acha.

Não sou palmatória do mundo, mas eu, em meus valores éticos e dentro daquilo que eu acredito que é melhor pra mim enquanto ser humano, não faço.
Nem fodendo.
Nem dvd pirata eu compro.
Eu acho escroto.

Daí o povo com síndrome de comunista senta a pua.
“É isso mesmo: vamo comprar pra quebrar a Fast Shop. Os caras ganham muito dinheiro”

É o que eu chamo, com certa tristeza, de inveja do sucesso.
A síndrome do caranguejo.
Coloca uma corda de caranguejo no pé de uma cortina. O primeiro que começar a subir será puxado pra baixo.

A gente, o Brasil, não admite que alguém esteja se dando bem.
Como se fosse uma vingança contra o fato do povo ganhar dinheiro.
Aliás, no país, quem ganha dinheiro tem vergonha de falar.
Tem medinho de soar arrogante.

Como se ganhar dinheiro estivesse necessariamente vinculado a ser desonesto.
“Ah, comprou uma tv LCD. Deve sonegar. Não paga aos funcionários”.

Some-se a isso um sistema moral profundamente ligado à culpa católica e voilá: somos nós.
Quem tem uma empresa honesta “tem de ser quebrado”.
Quem ganha dinheiro “é desonesto”.

Eu acho que a Fast Shop deveria abrir um processo contra todo mundo que tentou dar esse golpe.
Pra ver se o povo acorda.

Mentira. Aí exagerei.
Mas, tipo: vamo baixar a crista, pessoal-do-golpe. Vocês tentaram ser espertos e não deu. Fica de boa.

Quando a gente culpa os políticos pelo país, a gente esquece que eles agem exatamente como nós agimos.

***
Acordei lembrando desses versos

Auriverde pendão da minha terra
Que a Brisa do Brasil beija e balança

É Castro Alves, anta. Filou essa aula, hein?
Mas dava um samba, dava não?

***
Sábado é casamento de um grande amigo.
Fui tirar o terno do armário.
Eu trabalharia de terno e grava todo dia, se salvador não fosse esse inferno dantesco que é.
Eu curto.

21/05/09 | Veja mais | 4 comentários;

Aventuras do gordinho bandido

Eduardo Sales Filho, proprietário deste blog, chefe de cozinha, professor universitário, diva do Twitter e instrutor de ritmos latinos, como salsa, lambada e merengue – sobretudo quando o merengue vem acondicionado numa bacia de leite condensado, acompanhado de uns moranguinhos – me convidou gentilmente para inaugurar essa seção nova do novíssimo (e muito mais bacana) Papo de Gordo. Eu, sendo gordo e saidinho, fiquei feliz em conversar com gente nova e aparecer por aqui. Mas o problema era o tema…

Assim começa o guest post que escrevi especialmente pro papo de gordo, de meu amigo Dudu. Lê o resto lá, abestado!

Daí você, proprietário de um blog decadente e mal-visitado (não é o caso do Eduardo, que ganhou como melhor blog de saúde do país no Best Blog Brasil e tem um podcast cult), deseja também ter um post meu no seu blog.

O que fazer?
A QUEM SUBORNAR?

Ficou fácil, danadão!
tah dahhhhhhhh!!!!!
É só pedir.

E aguardar.
Dudu aguardou e não me cobrou e ganhou um.
E o assunto tinha a ver.

Claro que eu, do alto de minha sapiência assombrosa, posso escrever sobre uma plêiade de assuntos imensa, incluindo fusão nuclear e casamento de ciganos, mas vocês, que me acompanham, sabem que meu talento reside mesmo em escrever merda, daí, se precisar foder com seu blog, você já sabe a quem recorrer.

E, se você tiver um post bacana que queira compartilhar com nossa nobre e estrepitosa audiência, manda, ué.
Se for bom, eu publico.
JURO. Sem comentar nadica.

Nesse esquema daqui, né: coisas irritantes, provocativas e considerações escrotas sobre a vida. Veleidades, vicissitudes, idiossincrasias e bobagens. Mas o bom mesmo seria receber respostas a posts que te ofenderam mais profundamente neste blog.

Eu acho tão engraçado gente que se ofende porque me levou a sério!
A-do-ro!
Eu adoro um bate-boca sem sentido, principalmente quando a parte que “ganha” não ganha nada.

Também valem pedidos sinceros de casamento ou de dinheiro emprestado, a juros camaradas – agiotagem com classe é uma área que dá muito retorno no país deste operário-presidente-cotó de merda que vocês (eu não) colocaram na cadeira de chefe.
Daí, abençoado, o espaço tá aberto.
Porque Deus é amor, mas é justiça!

E assim, vamos fazendo uma blogosfera mais humana, mais feliz e devotada ao próximo e à mulher do próximo, sobretudo quando este está distante.

05/05/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Acordei de novo agora

Mas vou voltar pra cama.
Foi bom paca. Mas pode ser melhor.

Comentando um comentário de Lila, minha irmã, sobre o último post.
“O seu post foi tão agressivo, tão ‘comunista’, que nem parece discurso seu. Aliás ultimamente seus posts têm sido agressivos ou depressivos. Estou preocupada contigo bebê!”

Ela me conhece.
Eu tenho dormido mal, como vocês têm acompanhado.
Eu tive problemas sérios na empresa.
Mas depois de dormir um monte acordei melhor.

Não precisa se preocupar, liu. Nem vocês, leitores.
O próximo post será sobre os ursinhos carinhosos.

Só não me chama de comunista. COMUNISTA?
Eu não sou fã de comunistas. Assim como padres católicos, eles comem criancinhas.
Eu prefiro adolescentes de 16 ou 17 anos lambuzadas de Nutella.

01/05/09 | Veja mais | 2 comentários;

São 3h40 am.
Trabalho em cinco horas.
Tive um pesadelo e não consegui dormir mais.

Tomei uma taça de vinho branco e fiquei com azia.
Merda.

Este é um momento perfeito pra escrever um post filosófico e sensível.
Sobre a passagem do tempo, sobre a vida, suas vicissitudes, veleidades e idiossincrasias.

Tudo bem, eu consigo fazer isso. Um mini conto.
Um post sem uma única ironia.
Lá vai.

Esquece.
A vida sem ironia não vale nem um post insone.

18/04/09 | Veja mais | 2 comentários;

Xóin

Tem dias que dá.
Tem dias que não dá.

Hoje eu tô xóin.

***

Mainha fez temaki.
A casa encheu e foi legal.
Amo tanto tanta gente que é legal ver as pessoas vindo aqui em casa por livre e espontânea vontade.
Mas era dia para ver filmes tristes comendo brigadeiro de panela.

***

Oremos.

01/03/09 | Veja mais | 3 comentários;