Fome

Ontem, alguém comentando:
- Poxa, que vontade de comer McDonald’s…
Ao que respondo:
- A única coisa que me dá essas vontades de comer quase sempre é a Olívia Wilde.
- aff, tu é grosso. Além do mais, um cheddar é a coisa mais gostosa do mundo!
- Vc que desconhece a Olívia Wilde.

pra quem não conhece, voilá!

30/06/10 | Veja mais | 15 comentários;

Soulmates

Minha irmã, Manuella, garimpou essa linda música do meu beatle preferido, no blog dela.

Emocionei.

O clipe também é uma graça, repleto daquela melancolia em super 8 que é a cara daquilo que eu sei que ela sente. Paul e sua filhinha, naquele style chique-que-só da Ilha de Wight (if it´s not too dear…).

Maybe i´m amazed the way i really need you.

Viemos da mesma árvore.
A fruta nunca cai muito longe do pé.

Hoje que estou todo amoroso, vai também um acepipe sonoro para Lilia, aniversariante de ontem e uma amiga bacana e que faz parte da lista vip do grande camarote de puteiro que é o meu coração.

Não é George sozinho, mas Ain´t she sweet é perfeita na mensagem (ela é um doce, não?) e George tocando ukelele – apesar de ela já ter visto este vídeo umas DUZENTAS MIL vezes – é demais.

E somos soulmates nessa obsessão beatlemaníaca. Desculpa esfarrapada pra meter mais beatles no blog, mas tá valendo.

Dando mais uma volta no parafuso da amorosidade (não se acostumem), uma epifania.

Nunca gostei de keane.
Daí hoje ouvi essa música e emocionei.

Não é fantástico que haja lugares onde só algumas pessoas possam nos levar?
Eu acho que é disto que trata a canção.

Ou talvez seja sobre outras coisas.
Muitas vezes, aquilo que não está dito diz mais do que todas as palavras.

Eita que começaram a pousar moscas de tanta melosidade e doçura neste post.
Quem sofre é este blog, que viaja, no intervalo entre dois posts, da mais pura escatologia para epifanias e coisas do gênero.

Bipolaridade mandou lembrança e tal e coisa.

15/06/10 | Veja mais , | 8 comentários;

Elly, my middle sister

Elly me liga:

- Colé, velho.

- Colé.

- Olha, essa merda desse seu blog, você vive falando das outras irmãs e de mim você não fala porra nenhuma.

- Ciúme?

- É, ciúme mesmo. Caralho. Agora vai pegar e fazer um postzinho de merda me elogiando pra me fazer chorar. Ou vai publicar essa conversa no blog. Não faça isso. Agora não serve mais. Tem que ser natural, porra. Se ai ter uma caralha de um gesto de carinho pela desgraça da irmã, tem de vir do coração, caralho.

- Não faria isso.

- Aliás, falar nisso: meu aniversário tá chegando. Não quero post, quero presente. Minha parte eu quero em grana. Vou te dar três opções: uma sandália, um…

- Olha, você vai ganhar um abraço de aniversário.

- Vai se foder. Vai me dar presente nessa porra. Vive escrevendo textinho de merda pras outras irmãs, comigo o negócio é na inhanha: vai ter presente e fodeu.

- Ok.

- Se ligue, rei: ontem tava tomando banho e lembrei de você.

- É incesto se masturbar pensando no irmão.

- Vai se foder. Se ligue: Fernando (marido dela) me deu um kit com um sabonete foda. Tem uma porra de um óleo exótico lá, rei, fantástico. Também tinha umas coisinhas no kit, óleozinho, perfuminho. É a sua cara – você é fresco, viadinho. Vou comprar um kit igual pra te dar.

- Foi um jeito carinhoso de Fernando dizer que você fede, rei.

- É né?

- ô

- Foda-se também. O sabonete é o bicho. Rei, todo mundo no mundo merecia tomar banho com aquilo.

- Tá certo.

- Não, velho, você não tá entendendo. O povo usa Lux, Phebo, sendo que todo mundo merecia usar esse sabonete com óleo exótico. Deveria fazer parte da cesta básica de todo cidadão brasileiro. De verdade. Se todo mundo tomasse banho com esse sabão, o mundo seria um lugar melhor.

25/09/09 | Veja mais | 18 comentários;

Carta a uma jovem promissora.

Manuella, a mais nova de minhas três irmãs, tem quinze anos.
Todo mundo esperando aqui eu falar “ah, saudades de meus quinze anos”.

Porra nenhuma: quinze anos é uma idade foda.
É difícil. Eu sei que é

Eu já estive lá.

E ela fez um post em seu magnífico blog, bem escrito como todos – e isso não é, em nada, uma concessão de minha parte, por conta do amor incondicional que sinto por minhas irmãs -, falando sobre essas dificuldades, sobre escolhas e sobre tudo o mais. Estive com ela há poucos dias e pudemos conversar, e me vi em grande parte das suas preocupações a respeito do futuro.

Assim, Manu, este post é pra você.
É uma conversa, uns conselhos (porquoi non?) e um guia de quem já passou por aí.
Deste modo, este post tem destino, mas não é por conta de um mero detalhe como esse que você, leitor sapeca, vai deixar de ler, não é, peraltinha?

O primeiro de todos os conselhos é: ter quinze anos é que nem uma gripe.
Passa.
Por mais que doa em todos os ossos do corpo.

Ou melhor: não passa nunca.

Você só aprende a caminhar carregando numa mão uma bandeijinha com dois ou três acepipes de experiência e arrastando o enorme saco de dúvidas por toda a existência. O que nos diferencia hoje, little sis, é que tenho uns dois ou três salgadinhos na mão direita. Mas na canhota ainda há um saco quase tão pesado quanto o seu – quem sabe mais.

Não ache que alguém, mais adulto, tem mais certeza do que você das coisas. Ou que sabe mais.
Todos, sem exceção, ainda tateamos na vida.

Crer em Deus ou deixar de crer é um detalhe: no máximo, é um chute.
Não faz diferença, no final das contas.

Como já dizia um cara famoso, se o único motivo para que você não saia estapeando velhinhas pelas ruas é o medo de Deus, então, sorry, mas você é uma pessoa absolutamente desprezível.

Sendo assim, não se culpe demais por qualquer pisada de bola e nem ache que tem um anjinho anotando cada vacilo, cada vez em que você, mentalmente, pensa em enforcar outros seres humanos.
Todo mundo dá vacilo.
De vez em quando, todo mundo quer sufocar outro alguém.

Se Deus existir, ele é brodi e sabe colé da vida aqui embaixo.

Do mesmo modo, mas num sentido contrário, não ache que é tudo válido e que você não tem de prestar contas a ninguém no final do processo. Mesmo que Deus não exista, você terá de prestar contas a si mesma.

Ah, e desculpa deixar claro, mas nego vai te decepcionar.
Desculpa mesmo. Queria que não fosse assim. Mas tem gente escrota em profusão no mundo.

Com relação a isso, você tem dois caminhos: ou você se arma, se fecha pra vida e acha que é tudo uma merda – e aí toma menos rasteiras – ou você dá uma de poliana e, mesmo apanhando, confia nas pessoas.

Eu confio nas pessoas.
Não em todo mundo, porque não sou otário, mas em uma quantidade grande de gentes.
Me fodo de vez em quando, mas é um preço pequeno a pagar por conta de ter, em sua vida, amigos de verdade.

Laços de amizade valem tanto quanto laços de sangue. Às vezes, até mais.
E sempre se ponha no lugar dos outros. Empatia é uma qualidade fundamental da vida.
Fica mais fácil perdoar vacilos dos outros.

Não carregue mágoas, não tenha preconceitos, não ache que  “pessoas que fazem  __________(preencha com qualquer coisa) são piores que eu que não faço ______________ (idem)”.
Elas também não são melhores que você.

Todos tateamos às cegas.
Todo mundo é esse mesmo amontoado de desejos, contradições, alegrias, invejas e gracinhas.

Inspire-se nos grandes.
Não tenha medo de errar. Não tenha medo de mudar de ideia a respeito de nada.

Abortar convicções é um talento raro. Grandes os que conseguem.
Sempre é tempo de mudar.
Quem se apega a uma ideia só deve ter poucas.

Xô te contar um treco que os adultos não falam comumente, por medo de como isso será interpretado: não fique muito preocupada com o futuro. Ele chegará, independente do quanto você se prepare.

E os problemas que realmente vão te deixar fodida não são previsíveis.

Seja curiosa, aprenda o que der sobre a vida – mesmo que não tenha nenhuma relação com o que você imagina que vá fazer profissionalmente durante toda a sua vida. Não escolha uma profissão pensando em grana – que é massa, mas vem naturalmente quando a gente faz o que curte. Faça o que gosta e o que der na cuca – respeitando o espaço dos outros – e tá joia.

Questione tudo.
Inclusive este texto.

Questione gente muito convicta. Questione ordens. Questione dogmas.
Lembre-se que você é a única responsável pela construção de sua própria vida, e só você paga quando algo não vai do jeito que você esperava.

Não se deixe aprisionar por um ideal inatingível de felicidade edulcorada de comercial de margarina.
Tem dias que são bons, outros são uma merda.

A maior luta que a gente trava, nesse sentido, é com a gente mesmo.

Aproveite algumas coisas que hoje não parecem tão bacanas, mas que daqui a dez parecerão muito melhores do que eram. Não ligue tanto pro seu físico bolinho de queijo. Em dez anos, você vai ver fotos suas e vai dizer “nossa, eu era muito gostosa”. Em dez anos, você vai ver fotos de si mesma e vai dizer “caralho, eu dava um dedo pra ter de novo essa pele de pêssego”.

E, por pele de pêssego, entenda essa cara “oleosa e espinhenta” que você detesta hoje.
Acredite: é pêssego. No futuro, vai piorar.

E dance, beije, viva, ame, cultive amigos, sorria, não perca a capacidade de se emocionar com as coisas, de se revoltar, de se emputecer. Dê um vexame ou outro de vez em quando, experimente, faça uma cena de novela mexicana, peça desculpas e siga impávida.

Tudo vai dar certo. Eu garanto.

23/09/09 | Veja mais | 12 comentários;

Ceci n´est pas une pipe

Chegando em casa. Sobe uma mãe com um garotinho lindo, com um carrinho na mão. O carrinho dentro da caixa, ainda. O menino maravilhado, olhando pro carrinho. Entro eu e um senhor. Um tiozinho. Desses que tira onda de gatinho. A mãe do garoto bonitinha, daí o coroa sacou do cu o pior sotaque carioquês possível (PRONTO, TAVA FALTANDO FALAR MAL DE CARIOCA NESTE BLOG) e resolveu se espalhar.

- Nossa, que menino lindo. Também, puxou à mãe!
- Obrigada.

Eu, no meu canto, olhando pro teto, como qualquer pessoa bem educada deveria fazer em elevadores. O coroa prossegue.

- E aí rapazinho? É uma ferrari? É um lamborghini?

O menino arrebentou:

- É só um carrinho, tio. É de brinquedo, não é de verdade, não.

Magritte não faria melhor.

09/09/09 | Veja mais | 10 comentários;

Auto ajuda

Eu, dando uma de brodinho de auto-ajuda.

- Olha, é isso mesmo. No final, vai dar tudo certo.
- …
- No final, no final mesmo, dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou no final, e tal…
- Vem cá, sério que você acredita nisso?
- É, nem combina. Discursinho de auto-ajuda.
- Pois é.
- Ok: às vezes termina mal. Às vezes dá merda.
- E no final?
- No final, a verdade mesmo é que pouco importa. Pode dar certo. Pode dar uma puta merda. Mas gente só é bom porque gente se adapta, der no que dê. Pouco importa se dá certo ou não.
- Ok, agora é você falando.
- Mas tamo junto. Mesmo que dê merda. E tende a dar.

28/08/09 | Veja mais | 12 comentários;

Liberdade de expressão

Fui ameaçado!

Elly, a coelha dentuça e minha irmã, não gostou de ser chamada de coelha dentuça coisas pouco agradáveis e prometeu me processar se eu não tirasse o termo “coelha dentuça a ofensa do blog.

Aí não. Liberdade para o blog!

Conversando outro dia, estávamos definindo o que vamos dar no dia dos pais para nosso papai.

- E aí, jorginho, vai dar o que pra papai?

- Rapaz…

- Por que não dá uma gravata?

- Se ele der mole…

06/08/09 | Veja mais | 2 comentários;

Esse blog ofende as pessoas, né?

Ah, eu xingo mesmo.

Não vem mais aqui.
A vida é dura.

19/05/09 | Veja mais | 4 comentários;

Mais historinhas de mamãe

Mainha é brodi. Entenda porque.
Tive de ir à cidade de Valença pra posse do prefeito.
Saí correndo de Guarajuba, onde passei o reveillon com papai e irmãs (foi bacaninha, virou sambão no final, mas tá valendo), liguei pra casa e falei:

- Mãe, tio indo pra Valença agora. Vaaaaaaaai?
- Agora?
- É, arruma os treco aí que te pego e te deixo em Nazaré.

E fomos. Corri pra pegar o Ferry. Corri pra chegar em Valença.
Isso com um calor infernal, eu de terno de risca e suando igual um chester.
Parênteses: chester sua?

Devido à correria de linha verde, ferry, posse, só consegui comer nada o dia todo.

Daí resolvi não pegar estrada de noite, cansado e com fome, e resolvi ficar em Valença, num quarto de hotel pequeno e sem janelas, com preço de estadia em Sampa.

Mas não foi de todo ruim.

Hotel de interior tem de ter apenas duas coisas: uma cama boa e uma ducha forte.
Esse tinha ambos, e até mesmo uma tv de 14 polegadas mal sintonizada.
E um frigobar com umas cervejas e um toddynho suspeito, que não tomei por medo de ser radioativo.
Fiquei nas cervejas mesmo e desci depois pra comer um resto de uma moqueca suspeitíssima, que me fez ficar meio com dor de barriga de noite.

E aí eu pude pôr em prática aquela lei universal: se você, num hotel do interior, toma duas cervejas de barriga vazia e depois vai assistir àquele filme sobre dança de salão com o Stanley Tucci, Richard Gere e a gostosa da Jennifer Lopez, você termina o filme chorando igual a uma pata.

Ri sozinho de ter me emocionado com aquele filme bunda, desci pro bar, tocava um arrocha no palco da praça e tinha até umas neguinhas gostosinhas comendo taboca. Uma cigana tentou ler minha mão e ouviu um sonoro “vai se foder”, umas bichinhas ficavam circulando na porta do hotel espichando o olho e o resto do povo bebia cerveja quente. Bebi umas duas cervejas a mais e fui pra cama.
Acorda, paga as contas, estrada pra Nazaré. Pego Mainha e rumo ao Ferry.
Léo, meu sócio, ainda falou: se for voltar, volte na sexta que não tem fila.
Eu ouvi o conselho e me arrombei: 4 horas na fila pra pegar um ferry maldito e xexelento.

Mainha comendo toda sorte de bobagens: cocada de amendoim, sorvete de abacaxi, pastel de frango e tomando anador com um gole de minha cerveja.

Chegando ao ferry, por falta absoluta de ter o que fazer, ficamos encostados em uma nesga de sombra enquanto eu avaliava, para ela, quem seriam as comíveis dentre as beldades que desfilavam no ferry. À distância.

- Mãe, eu vou naquela vestida de cone da set.
- Naquela de laranja?
- É. Ali eu vou.
- Menino, que coisa horrorosa. Deixe ela chegar perto pra você ver.

A menina se aroximou e, realmente, deixava a desejar.
- Pelo menos é gostosa, mãe.
- Você viu o tamanho da taboca de nariz da menina? É o verdadeiro sobrecu de peru!
- Não como nariz, mãe.
- Que conversa bonita pra se ter com uma mãe!
- É verdade, oras.
- E a de roxo?
- Hum, não vou nela não.
- Bonitinha, menino…
- Não. Vou na de vestido estampado. E na coleguinha de trás.
- E aquela turminha que vem lá longe?
- Não vou em nenhuma das quatro. Quer dizer, deixa chegar perto porque tô sem óculos e engana.
- Pronto, chegou perto. E aí?
- Desculpa, fui precipitado: vou nas duas da ponta. Na peitudinha e na sapatona.
- Eu também achei a menina meio sapatoninha…
- Já peguei sapatona…
- Você só me dá orgulho!
- Sério. Já peguei umas sapatonas. Normalmente é sucesso.
- Menino, você achou sua rola no lixo? Ave Maria, pega tudo quanto é miséria…
- Vou passando a pica em quem Deus permite, mãe. Deus botou no mundo é pra comer!
- Quando você era bebê e se cagava todo, eu ia, zelosa, limpar seu pinto e seu ovo todo melado de cocô. Se eu soubesse que você iria usar pra isso, nem teria me preocupado.
- E aí, você vai na sapatona?
- Vai se arrombar.

***

- No outro dia, no google, tinha uma mensagem de um blog, acho, que falava mais ou menos assim: “por falta de acontecimentos, não tenho nada pra contar”. Não entendo esse povo que se expõe em blog.
- Eu tenho blog, mãe. Dois.
- Eu acho uma maluquice.
- Você tá no blog. Eu conto várias historinhas suas.
- É? Contou o que?
- Ah, contei de nossos papos surreais. Da mortadela e do Mach 3.
- Vixe, o povo deve pensar que eu sou doente.
- A fruta nunca cai muito longe do pé, mãe.

***

- Preciso terminar minha tatoo, mainha.
- Vou fazer uma também.
- E logo você, que detestava tatuagem, hein?
- Adoro Miami Ink.

02/01/09 | Veja mais | 3 comentários;

Juro

Não suspeitava que este blog se parecessee tanto comigo.
Pra mim era uma persona.
Mas sou eu.

Parece o dia em que eu olhei no espellho e me surpreendi de ver que eu tenho a boca preta.
Tipo a boca de Seu Jorge.

Às vezes, o óbvio não é tão óbvio.

Eu acho Seu Jorge meio anti-higiênico. Mas isso não tem nada a ver com o post.

20/12/08 | Veja mais | 3 comentários;