Já dizia Maquiavel

O bem se faz aos poucos. O mal, de uma só vez.

Não que os posts daqui sejam um bem – desconfio do extremo oposto – mas sou partidário de Maquiavel (maquiavélico?) e resolvi programar posts.

O de hoje, mesmo, foi escrito ontem à noite. Programei e saiu hoje às dez da matina.
E você acreditou.

Gosto de enganar gente. Vocês, então, nem se comenta.

Mas é assim que será de hoje em diante. Não mais vomitarei 15 posts em sequência.
Pingaremos (pus?) posts aos poucos. Mesmo pérolas para porcos se valorizam com a parcimônia (aliteração não intencional, mas soou bacana e assim fica. O estilo ressente-se, mas o que se há de fazer, ora bolas, pintou assim e fodeu).

Amanhã estarei viajando, fazendo coisas que adultos fazem para ganhar dinheiro, mas terá post. Às dez da manhã.

Todo dia, uma merdinha nova. Assim também está programado para o final de semana (sábado e domingo a audiência disso aqui desaba e me entristece, daí termino bebendo. Se eu morrer de cirrose, saiba, a culpa é de sua ausência).

Daí você vem, comenta e me deixa feliz.

E assim ficará até me dar no saco passar semanas sem escrever.
Sou volúvel. Mas isso vocês já sabiam.

Beijocas nos lóbulos das orelhas pras mocinhas, câncer retal pros brodinhos e assim vamos.

Nheco ploft…

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O nescau

Já disse aqui em outras oportunidades: formamos, nós de quase trinta, a primeira geração de adultos que bebe nescau.

Nescau era bom.
Do jeito que era, seríamos todos escravos zumbis da Nestlé até o final dos tempos.
Alguns, mais paranóicos, armazenariam Nescau em pacotes imensos, ao menor sinal de proximidade da hecatombe nuclear que, espero, vai dar fim nesta putaria toda em algum tempo.

Imagina a cena. Uma família reunindo seus pertences pra descer prum bunker. Um casal jovem e um moleque. A mãe fala:

- Vamo pegar só o básico. Duas ou três camisetas, três calcinhas, uma calça jeans.
- Água. É bom armazenar também – complementa o brodi.
- Ok. vamos levar. Mais alguma coisa?
- Quantas latas de nescau nós temos?
- Só duas.
- Merda. Não vai dar!

Assim era até um tempo.
Daí um filho da puta inventou que Nescau não era mais tão legal.
E inventou que precisava dar um up na lata. No sabor. Na porra toda.

Nescau virou Nescau 2.0.

Oremos.

Tipo, nestlé, me acompanha: vocês devem estar olhando os relatórios e achando “aê, deu certo, tá vendendo”. Pois é, malandragem: vende porque não tem mais do outro. O novo é uma bosta em pó numa lata tirada a fashion, altinha e torcidinha.

O Nescau antigo era sóbrio, era clássico: era vital.
O novo tem cara de coisa supérflua.
Eu não levaria latas de Nescau 2.0 pro bunker.

Eu sou uma pessoa mais infeliz desde que acabaram com o Nescau.

Eu sei que tem mais gente revoltada com isso.
Eu gostaria de iniciar um movimento contra o nescau 2.0.
Minha parte eu tô fazendo: pendurei na janela da área de serviço aqui de casa uma cartolina dizendo “nescau clássico: pelo sabor de verdade de volta”. Agora é só aguardar os resultados.

Liguei pra uns dois amigos, que me chamaram de desocupado.
Eu até entendo eles: talvez tenham sido viciados em outro achocolatado, como o Toddy, arquinimigo das pessoas de bem, ou, pior ainda, ele bebiam quick sabor morango, aquele pó vermelho alucinógeno. Vai saber.

Mas nós, do nescau, somos maioria, não há dúvidas.
E só com a nossa união reestabeleceremos o nescau clássico, bebida totêmica do país.

nheco ploft poin.

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É assim que se faz

Depois de um final de ano bacana, de muita cachaça no bucho e desejos de felicidade e patati patatá, achei pouco e meti uma aliança no dedo da namorada.

Estou noivo. Pasmem.
Também tô meio pasmo.

Eu sempre brinco que casamento é igual piscina fria: o cabra que pula primeiro finge que tá quentinho e fica gritando pra brodagem “pula que tá bom, pula que tá bom”.

Foi assim que pedi Namorada em casamento.

Caí, na noite de anteontem, na piscina da casa do Japa, um de meus melhores amigos.
A brodagem toda reunida. Frio pra cacete.
Chamei Namorada. Vem pra água, baby e tal.
Ela disse que nem que eu pagasse caro ela cairia na piscina fria daquele jeito.

Eu disse “pula nessa piscina agora que você sai daqui noiva”.

Ela pulou. Estamos noivos.

Obviamente ninguém botou fé no treco.
Até que ontem fui e comprei o bambolê pra botar no dedo.
O Japa não botou fé que eu iria mesmo oficializar o treco e foi encontrar com a gente no shopping pra registrar o momento (e levou uma mini garrafa de champanhe, o que foi fofo).

E assim estamos assim.

Achei que seria só um jeito de colocar um sorriso no rosto de Namorada, e dar um sinal pro mundo que o treco é sério. Mas é mais que isso. Na hora que coloquei o bambolê no dedo a mão ficou pesada, as vistas ficaram turvas e, ontem, dirigindo de aliança, olhei pra minha própria mão e vi a mão de um adulto.

Foi estranho. É estranho.
Mas é bom também.

Aí resolvi fazer uma fotinha minha de aliança pra vocês verem.


Eu fazendo pose de aliança.


Eu, vendo minha própria foto com a aliança.


Eu, caindo na real de que agora sou um homem sério.


Eu, aceitando meu destino.

Puteiros de todo o mundo, ontem, puseram suas bandeiras a meio pau (sem trocadilho. Ou não). Garçons choraram. Saio da boemia para entrar para a história.

Como o casório se dará no ano que vem, fica a pergunta: alguém tem alguma ideia pra despedida de solteiro?

UPDATE: não somos um casal normalzinho, daí tamos discutindo o que será gravado em nossas alianças. Bonnie e  Clyde, Kurt e Courtney ou Sid e Nancy são opções. Partners in crime tb. Toc toc penny e toc toc sheldon tá ganhando. Aceitamos sugestões.

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Cu, já. Mara, não (mas se ela me der mole, tamos aí)

Nossa segunda e cabriocárica enquete se encerrou ontem. O resultado é o título deste post.

Vocês brocam. Vocês têm a manha. Mim gosta bastante.

Well, putos (leia como se estivéssemos em Portugal, daí soa melhor), vamos abrir uma nova enquete. Explicando pros chegados: a enquete dura sempre 15 dias, oukeys? (me falta saco e inteligência pra fazer uma nova toda semana).

Umas gentes imbecis queriam que eu falasse da doninha.
Já deu. Muda cacique. Piada repetida perde a graça.

Daí pensei em fazer uma coisa melhor: uma eleição. Que não vale nada. Mas taí.

Votem. Será divertido, como sempre.
Ou melhor: vou pensar direitinho e coloco mais tarde. Aceito sugestões.

ps – gentes reclamando que a função de subscrever funcionários (errei, caralho) comentários não tá rolando. O formulário de contato também não tá rolando. E o melhor, dudes, é que não tenho a menor ideia do porquê. Mas eu devo arrumar em breve. Espero. Não desistam de mim, apesar de que eu já teria desistido em seu lugar.

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Ich bin brüno

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Brüno, o filme do cara que fez Borat, é iconoclasta, idiota, inteligente, grosseiro, muitíssimo viado e uma das coisas mais engraçadas que eu já assisti em um cinema em toda a minha vida.

O movimento gay vai chiar.
Quem não é gay vai chiar.
Crentes vão chiar.
Celebridades idiotas vão chiar.
O mundo über fashion vai chiar.

E, diferente do que possa parecer, ninguém ri de gays nesse filme. No máximo, ri do mundo que ri de gays; mas todos os outros estereótipos do mundo das celebridades são desnudados (em algumas cenas, literalmente), esmigalhados, esmiuçados.

(O próximo parágrafo é um spoiler light – será o único de todo post, mas se você deixar de assistir ao filme por conta disso você merece uma voadora na goela. Se você tem essas bobagens, pule o próximo parágrafo. Aliás, pule este post. Considere também pular este blog. Titinhagem não dá.)

O cara mostra como grupos que se propõem a “recupoerar gays” na verdade não recuperam ninguém; o pastor que atende Brüno numa sessão de terapia hetero é tão claramente gay incubado que é IMPOSSÍVEL não se esfalfar de rir. Mas todo mundo leva sua porradinha: o cara coloca a Paula Abdul sentada nas costas de um mexicano, que se joga no chão em troca da promessa de ganhar uns trocados. Enquanto isso, Brüno, enfiado em um modelito über fashion pergunta “pra você, o que é ajudar em movimentos sociais de países de terceiro mundo?”. Ela responde: “ajudar é minha vida, é como respirar”. E se estica pra pegar um copo d´água nas costas de outro mexicano que fazia as vezes de mesa.

Pode voltar a ler daqui.

Eu quase me engasguei de tanto rir.
Eu e as nove ou dez almas que estavam na sessão ontem à noite.

E, confesso, fiquei com vergonha uma hora lá durante a sessão.
Não do filme, mas do volume sonoro de minhas gargalhadas maníacas.

Brüno é de um humor inteligente que mexe com os preconceitos da platéia. Às vezes é só grosseiro, quase sempre é brilhante. É o preço de andar no fio da navalha.

Eu tenho CERTEZA de que quem acha alguma graça neste blog vai rir a ponto de passar mal vendo o filme.

Vá. Ontem.

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Beauvoir pergunta

- O que vem a ser uma alma livre, querido?

Eu tento responder:

É tentar diariamente se desapegar das prisões.
Dos preconceitos.
Das culpas. E não apenas das católicas.
Dos receios, dos temores.
Dos ressentimentos.

Da aprisionante idéia de que o objetivo final da vida é uma felicidade cor-de-rosa edulcorada.
Da certeza completa, do senso comum, do sentimento de fazer parte do rebanho.

Eu não quero fazer parte do rebanho.
Posso fazer por uma contigência ou outra da vida, mas não fazer disso o objetivo.

É ter verdades e não precisar convencer ninguém delas.
É respeitar que as pessoas pensem de modo diferente do seu, sem que isso seja um problema.
É não ter vergonha de experimentar e dizer “não gostei”.
É não contar com a aprovação dos outros para nada.
É não temer ser mal-interpretado, mas contar com isso.

Eu vou ser mal-interpretado de qualquer modo.

É não me apegar a nenhuma crença, mas respeitar o direito pleno de cada um de se embriagar de absinto, de Deus ou de qualquer outro alucinógeno.

É não acreditar muito em nada, é poder mudar de idéia sem nenhum receio de parecer incoerente, é não se deixar aferrar às vontades dos outros e não permitir que as minhas vontades se submetam às vontades de ninguém.

É não ter muita convicção dos caminhos.
É não fazer disso um cavalo de batalha.

É combater o conformismo, as expectativas alheias.
É subverter expectativas.
É me dar ao direito de tomar as rédeas de minha vida.
É, sempre, perguntar uma vez mais: “Mas por que que as coisas têm de ser ASSIM?”

Talvez, o melhor resumo seja uma criança de oito anos de idade, que te pergunta por que que as coisas são como são. E que não se conforma com a sua primeira resposta padrão, senso comum, e pergunta sempre uma vez mais “por que?” e “por que?”, até que você se cansa disso e dá duas palmadas na criança e manda ela calar a boca.

Eu não aceito que me dêem duas palmadas e me mandem calar a boca.
Eu quero questionar tudo, pois tudo tá aí pra ser questionado.

Rebelde, outtathaway, outlaw, subersivo, liberal e libertino.
Ou algo assim.

Eu tento.

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Quem lembra disso?

Phoebe Buffay presents Smelly cat. A classic.

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