Bairros populares

Moro em um bairro popular de Salvador, Brotas.
Você sabe, querido leitor, que eu não gosto de bairros populares. Mas quem disse que a vida é justa?

Para os não-baianos, cabe uma explicação.

Brotas é um bairro que tem três bairros dentro dele.
Ou quatro. Alguns mais corajosos urbenautas afirmam categoricamente que Brotas abriga 54 diferentes bairros dentro de si. Eu não duvido.
Eu, por exemplo, moro em Brotas, mas metade da agência afirma também morar em Brotas, minha agência fica do lado de uma ladeira que dá em Brotas, apesar de ser no centro econômico da cidade e, partindo dela (passando por dentro de Brotas) você sai no caminho para Feira de Santana.

De maneira que, na dúvida, se você se perder dentro da cidade, basta dizer que está em Brotas.
Há 70% de chance que você esteja certo.

E, apesar de não concordar muito com isto, aceito o fato.
Não gosto de bairros populares, não gosto de amizade com vizinhos e não gosto de muitas outras coisas, como vocês podem supor pelo amargor entranhado em cada uma das milhares (já?) de linhas escritas neste humilde blog.

Não tenho consciência plena da minha classe social, como disse hoje a gata da Juliana Cunha no Twitter.

Mas tem lá suas vantagens.

Por exemplo, o bompreço daqui.
Leitores de outros estados (há algum?): bompreço é um mercado. Desses que vendem ração para as camadas mais desfavorecidas.

Nunca tem nada. Nunca.
Nada que preste, bem entendido.

É um mercado de um bairro que vende frango subsidiado e arroz e uns caldos de galinha à guisa de ração para a patuléia.
Mas, surpreendentemente, tem vodca absolut.

E, como vocês, já podem supor, ninguém compra vodca absolut num mercado de brotas.
Daí que eu acho que a porra vai ficando ruim e nego queima o preço, acho.
Já comprei uma garrafa de absolut por R$ 18 barão.
E na última vez, achei uma garrafa de absolut vanilla. Por 23 reais.
Claro, comprei na hora. Minha vontade era de comprar o estoque todo, abrir uma barraca de vendas de coquetéis, viajar pra Porto Seguro e viver assim fumando maconha.
Mas me faltou dinheiro e tenho de fazer muito cartazinho, outdoor, panfletinho e site pra terminar de pagar minha tv LCD.

E não vejo muita graça em maconha.
Sou adepto de coisas piores, como seriados americanos.
Viadagem, segundo a galera da agência.
Mas o fato é que os seriados americanos, como The Big Bang Theory e Two and a Half Men são muito mais bem sucedidos no intento de matar neurônios.

Seria, claro, muito melhor esta historinha da vodca boa e baratas se eu estivesse bebendo profissionalmente, como estava no verão.
A primeira garrafa não chegou a ver a luz da primeira semana dentro de meu rack horroroso.

Portanto, 21 de abril será um dia luminoso. Os amigos que vierem à minha humilde residência poderão beber um uísque teachers velho enquanto eu bebo vodca absolut. Atos de egoísmo no dia do aniversário são mjais desculpáveis.

15/04/09 | Veja mais | 2 comentários;

Essa foi foda

Daqui.

17/03/09 | Veja mais | 2 comentários;

E manda o povo pensar

Juliana Cunha escreveu um grande post falando sobre livros. Leia agora que eu tô mandando.

Leu?
Agora eu:

Como já disse o caetano em uma de suas últimas canções inspiradas, “livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor tátil que votamos aos maços de cigarros”.

Não tenho nenhum amor tátil por maços de cigarros, mas absolutamente sou apaixonado por livros, por seu cheiro e entendo o sofrimento que ela descreve neste post inspiradíssimo.

Não costumo emprestar livros.
Não gosto de emprestá-los.
Não gosto MESMO.

Isso ocorreu em uma situação ou outra, principalmente com ex-namoradas, que, obviamente, não me devolveram os tais.
É triste pensar que só consigo me lembrar das pessoas que ainda possuem algum livro meu, enquanto outras namoradas, que não me tomaram livros, sumiram nas brumas do esquecimento.
Em alguns casos, creio que elas permanecem como meus livros como um modo de manter, num cantinho da minha mente, permanentemente, a lembrança delas.
Elas conseguiram.
Por outro lado, se era essa a estratégia, elas falharam, pois só consigo me lembrar delas em sentenças de baixo calão que invariavelmente terminam com o adágio “aquela maldita que está com meu livro tal em poder”.

De um modo ou de outro, fica óbvio que as piores pessoas são as que ficam mais tempo em sua lembrança.
Mas voltemos aos livros.

ão sou um cara que valoriza coisas materiais.
Claro, isso exclui a Tv Lcd que comprarei este ano e meu sofá de casa.
E um ou outro mimo, como um macbook ou coisas do tipo.
Ou ainda…

Ok, desculpem: eu valorizo coisas materiais.

Mas com livros o sofrimento é absurdamente maior.
Tenho vergonha de negar o empréstimo, mas o faço com o coração pungentemente dilacerado.
Por isso, se você gosta sinceramente de mim, não me peça emprestado nenhum livro.
Ou me dê um livro para que fique em cativeiro na minha estante enquanto leva um dos meus para passear.
Assim eu deixo. Dói menos.
Porque eu imagino que você, lá, lendo meu livro enquanto o seu está aqui, permanece sofrendo e suando e irritado como eu estou, daí ficamos quites.
Mentira: eu até imagino que você esteja sofrendo como eu, mas eu descubro depois de duas semanas que você ainda pretende ficar mais duas semanas com meus livros em cárcere privado e eu sofro muito mais, mesmo tendo o seu em minha casa.

Quer me fazer feliz e aos meus livros? Vá à minha casa e os leia.
Mas não os tire de lá.
Eles gostam do lugar.
Eles se acostumaram com o tratamento de jóia que dou a cada um deles.
Eles são mais felizes sob minha guarda.

Cada livro meu solto pelo mundo me faz uma falta imensa.
E se você, leitor maldito deste blog, ainda tem algum desses meus pequeninos em seu poder, devolva-os ao lar.

Eles merecem uma vida ao lado do pai, junto aos outros irmãos.

17/02/09 | Veja mais | 7 comentários;

Malhando em ferro frio.

Semana passada, esse blog fez com que eu brigasse com uma pessoa muito importante para mim.

Daí que tomei meio raiva dele.

Daí que os textos dessa semana não foram exatamente um primor de sarcasmo do tipo bacana, mas até mesmo meio amargos.

Peço desculpas a todos.

Isso aqui me faz bem, não precisa apanhar por tabela.

Deveria ter dito isso antes.

Mas agora fodeu, Inês é morta.

Porém, o que realmente impressiona é como isso abre espaço pra que neguinho se arvore a dono de sua vida. Recebi um e-mail que realmente nem dá pra comentar.

Vou colocar aqui basicamente as respostas às principais acusações deste e-mail.

É bom que fica claro pra todo mundo, ok?

E este post, sim, pode ler que é sério.

É um flame. É uma porrada.

E é seríssimo.

Você acha realmente que está bem? Você diz que isso aqui é um monte de mentiras mas eu acho que é tudo verdade.

Jóia pra você. Acredite no que quiser.

Eu tô bem, sim. Muito tranquilo, feliz com minha vida.

Tranquilão. Brigado por perguntar.

Aliás, tem muito tempo que não me sinto tão feliz. Juro.

Nem tudo no meu blog é verdade MESMO.

Muita coisa é ironia, brincadeira e tal.

Em alguns casos, há, sim, significados escondidos nisso aqui.

Mas nem tudo. Às vezes, um post ruim é só um post ruim.

Você está se tornando confuso, prolixo, sarcástico e uma farsa.


Confuso, prolixo e sarcástico eu sempre fui.

Farsa, a persona do blog sempre foi.

Quem eu sou se mostra ao vivo. Somente ao vivo.

Às vezes eu quero que o mundo se foda e às vezes eu quero ser reconhecido. Isso é ser confuso?

Temos de ser sempre a mesma coisa o tempo todo?

Você sempre quer que o mundo se foda? Você sempre quer reconhecimento? Eu não.

Não acho, realmente, que eu tenha de pedir desculpas por ser uma pessoa complexa. Pelo contrário. O blog é meu, não peço que ninguém o visite, inclusive. Eu não acho que me tornei nada. Me acho um cara bem bacana, inclusive. E esse excesso de auto-estima é um de meus piores defeitos.

Você se esconde atrás dessa máscara de porra-louca e miseravão. É uma estratégia fodida para tentar se aproximar de pessoas que acham isso charmoso. Não vai dar certo.

Eu não me escondo atrás de nada. O blog é um amontoado de textos, é uma válvula de escape, é um compromisso com a absoluta falta de compromisso. Não ganho nada com ele e não o utilizo como estratégia para me aproximar de ninguém que possa achar “charmosinho” ser uma pessoa chata e ranzinza. Meu amigos podem confirmar: no geral, sou um cara bem legal. Só que ÀS VEZES a porra empena e o blog torna pétreos pensamentos que são fugidios. Daí você fala: “poxa, os textos são sombrios”. Pois é. São, às vezes. Às vezes tem picolé sabor xoxota e em outros dias tem eu preso vestindo a camisa do PT por ter enfiado uma bala na cabeça de um segurança. É uma pena que vocês paguem o pato por um dia ou outro de chateação meu. Mas aqui não é o blog da Turma da Mônica. Tem dias que eu sou legal, tem dias que eu sou um porre. Daí você lêem e acham “meu deus, que coisa forçosa”. Não precisa achar. Não precisa sofrer. É de mim para mim. Só deixo o blog público porque, em alguns casos, tem gente que entende que ironia não precisa de legenda e participa do diálogo e me deixa felizinho. Mas não precisa ler. É uma pena que sobre para você, leitor do blog, o pepino das coisas malucas que eu bolo. Mas ninguém é obrigado a vir aqui.

Tem um vazio que te consome. Você vai terminar só.

Não tem vazio nenhum me consumindo. Não coloco a responsabilidade pela minha felicidade nas mãos de ninguém. Nós lemos o mesmo blog? Quanto a ser só ou não, isso é uma contingência da vida. Abrir mão das coisas em que acredito porque todo mundo PRECISA viver rodeado de gente é algo que eu não vou fazer MESMO.

Já não vejo graça em seu blog. Acho que nem você vê.

Não precisa vir aqui pra sofrer. Fique à vontade.

Porta da rua é serventia da casa.

E, só pra constar, essa merda aqui NUNCA foi um blog de humor.

Isso é seríssimo. Inclusive no que se refere ao picolé sabor xoxota.

E, por isso, e só pra mostrar que essa porra é minha e se me der nos cornos acaba amanhã, este post não aceitará comentários. Sou dono e senhor dessa porra aqui, falou?


12/02/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Eu fico pensando

Será que todo mundo é tão bacana quanto aparenta?
Porque TODO MUNDO que eu conheço tá bem de grana, tá comendo um clone da Gisele Bundchen, tá trocando de carro, viajando pro Chile, com um iphone a tiracolo e comprando apartamento no Le Parc.

Absolutamente todo mundo.

Daí, vocês sabem, eu PRECISO trocar o sofá de casa e gostaria de comprar uma TV dessas fininhas.
E não sobra grana.

Não é coisa de fazer planejamento. Não sobra.

É triste.
É estranho.
E, como eu sou obssessivo, eu vou ter de dar um jeito:

Realiza comigo:
Vou meter uma meia calça na cabeça, raspar o limite do banco pra comprar um berro e enfiar uma azeitona na cabeça de um segurança de carro forte.
Deste modo, a compra do berro é um investimento.
O melhor na atual conjuntura da economia mundial.
Já sou todo tatuado mesmo, ficaria bem num programa policial fascista desses aí.
Tipo o Datena:

“na tela, o gordinho bandido que queria uma tv lcd e um conjunto de sofá e, por isso, meteu uma bala na cabeça de uns seguranças. É um absurdo, uma vergonha, um acinte, um tapa na cara da sociedade”. E aí apareço eu, sem camisa (ou com uma camisa do pt, que nem os sequestradores do Abílio Diniz – lembra?), escondendo a cara.

Daí nego descobre esse blog e fodeu: o bandido blogueiro.
O blogueiro bandido gordinho.
Ou o gordinho bandido blogueiro.
Fica a seu critério.

Quase um Battisti.
Quase um Pareja.
Um novo mito outlaw para a juventude miguxa.
Um je ne sais quoi de Dostoiévski.
Sem o brilho de Crime e Castigo e sem a classe do Match Point de Woody Allen – uma clara inspiração do judeu maluco pelo russo amalucado..

Voltando ao assunto:
Daí no domingo, ao invés de seguir o itinerário conhecido, a estrada pavimentada de tijolos amarelos que me conduz ao bar, resolvi fazer diferente e fui em lojas de móveis.
Claro, eu não poderia fazer diferente: passei na Ricardo Eletro, passei na Insinuante, mas meu objetivo, desde o primeiro momento em que pus meus pés pra fora de casa, era ir à Tok&Stok.

E aquilo me deprime fodamente.

Porque normalmente eu tenho a impressão de que sou um privilegiado porque pago todas as minhas contas e não tenho – muitas – dívidas. Nada impagável.
Mas quando eu entro na Tok&Stok eu vejo que existe um ABISMO abissal, negro, pantagruélico, maquiavélico e intransponível entre meu poder aquisitivo e meu gosto.

Eu gosto de coisa de rico.
Eu gosto de móveis com design.
E eu não deveria gostar.

Eu deveria ficar feliz com um sofá azul estampado que custa 499 (o conjunto) e parcela em 72 vezes na insinuante.
Mas o único sofá que me agrada razoavelmente custa 2300 reais e só vende na Casa de Móveis e Decoração.

***

Meu pai nasceu no Curuzu.
Minha mãe nasceu em Maragojipe.
Eu deveria me contentar em morar em um conjunto imobiliário habitacional no final da avenida paralela.
Mas não.

Eu sou a prova viva de que Darwin estava com a razão.
Eu sou uma mutação genética.
Eu sou a prova carnal de que a fruta cai longe do pé.

10/02/09 | Veja mais | 5 comentários;