Eleições
Só pra não passar em brancas nuvens, alguns comentários sobre assuntos absolutamente irrelevantes. E sobre alguns sérios também…
01.
Político é uma raça desgracenta do capeta. No news. Mas o mais foda é que é uma raça de gente burra também. Noutro dia, saio de casa pra vender minha alma pros clientes e dá-se a desdita: um filho-de-madame-que-presta-favores-sexuais-por-grana (“puta” anda muito politicamente incorreto, né?) resolveu colar uma desgraça de um santinho na miséria do vidro traseiro do meu carro. E não ficou satisfeito em colar um adesivo: eu tenho pra mim que ele pediu para o capeta, pessoalmente, dar uma lambidinha na bunda do adesivo, uma vez que a cola simplesmente não sai. Fica aquele lasco de papel goguento colado no fundo de meu garboso e elegante carro. Não tem promessa nem unha nem água nem nada que faça sair aquela porra. Combinei com o brodi que lava o meu carro que, se ele conseguir tirar o treco, ganha uma garbosa e elegante viagem, com tudo pago (avião+translado+estadia+200 dólares/dia), pra passar quinze dias em bariloche com a patroa e os 5 filhos pequenos. Diz ele que já encomendou o snow board (e andou raspando o teto do refrigerador de casa, fazendo bolinha e tacando na mulher pra ir sentindo o clima), mas eu só acredito vendo.
Daí eu fico com vontade de votar no cara, brasil? Nem fodendo, né, malandragem?
02.
Inventaram agora essa viadagem de que precisa de título de eleitor pra votar. Nunca votei com título. Aliás, nunca usei meu título de eleitor pra nada, uma vez que tirei o maldito e perdi a carteira com tudo dentro 5 dias depois. Demodosque, queridos e adocicados leitores, decidi: de casa não sairei no dia da eleição. Lei seca é para os fracos: aqui em casa vai ter um litro de black label e vou ignorar solenemente a eleição.
Já fiz isso antes. Surpreendentemente, chequei meu nome e tava tudo ok (ou seja: ficar sem votar numa ou noutra eleição pode – olha a dica preciosa!). Se der merda – e pode dar – tem problema não: a multa por não votar é de um vulto espantoso e pantagruélico: algo em torno de R$ 5,75.
Daí decidi: não vou votar esse ano e foda-se Maria Preá.
03.
Não tem sequer um candidato que preste.
Pensei em votar no Serra, mas o Serra vai perder – e ele parece um vilão de desenho animado com aquelas olheiras e aquela careca e tudo mais. E tá cercado de picareta. Complicou.
Serra perde essa eleição porque não tem como competir com o bolsa família, com Lula e com essa massa de gente pobre de idolatra o cotó. Por isso, elegeremos a primeira presidente de nossa história – o que é uma conquista significativa do ponto de vista dos movimentos sociais pela igualdade da mulher e tal e coisa – mas será um desastre em termos práticos. Dilma é o rottweiller do PT.
Quando ela aparece no programa eleitoral falando que quer ser uma mãe pro Brasil, eu tenho calafrios.
Só me lembro da Avaiana de pau.
Vamos passar quatro anos ou mais tomando chineladas de pau da Dilma.
E, de fato, pouco importa o sexo de Dilma: se o candidato apoiado por Lula fosse, sei lá, um ornitorrinco, estaríamos fadados a botar ovos e usar bico de pato durante os próximos quatro anos. Eu imagino que um país machista como o nosso só está se mobilizando, mesmo, em prol da candidatura da Dilma porque o Cotó tá colado na campanha e porque Dilma não é – sejamos honestos – o que se pode chamar propriamente de modelo de feminilidade. Se bobear, a Dilma tem mais pêlo no buço que eu no bigode. Mas, como disse antes, pouco importa: é Dilma, mas poderia ser um ornitorrinco, um poste ou uma caixa de tachinhas de latão: é parte do nosso destino tomar no rabo pelos próximos qutro anos.
Na Bahia, pensei em votar no Paulo Souto, mas ele chamou pra vice o Nilo Coelho, uma das figuras mais perniciosas da política baiana em todos os tempos, e, de todo modo, não importa se a criminalidade aumentou gritantemente em soterópolis – o cotó mandou e todo mundo vai reeleger o preguiçoso, cachaceiro e incompetente governador que já está aboletado no palácio de Ondina.
Votaria, com gosto, no Tiririca. Mas só rola em Sampa. Tiririca é o único político que já falou uma verdade no horário eleitoral (aquele lance do “pior do que tá não fica” e tal).

