Gentileza

Você sai comigo.
Eu abro a porta do carro.

No primeiro dia é lindo.

No segundo é comum. No terceiro dia eu esqueço.

Daí você se acha no direito de me dizer que eu sou filho da puta porque eu não abri a porta do carro para você.

Ok.

Mas, pra mim, abrir a porta do carro era uma gentileza.
Nunca uma obrigação.

10/12/08 | Veja mais | 3 comentários;

Dias difíceis.

Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida profissional.

Leia de novo.

Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida profissional.

Hard, né?

Mas é óbvio que é mentira: já tive dias muito piores.
O pior dia da minha vida profissional fica entre um dos três abaixo:

a) Acho que era setembro ou outubro de 2001. Mas certamente era uma terça.
Mandei um e-mail errado.
Nunca mais na vida fiz isso.
Mas na época era comum responder e-mails dos brodis e preparar e-mails profissionais ao mesmo tempo.
Daí confundi as janelinhas e mandei pra secretaria de um deputado (que eu atendia na assessoria de imprensa) algo como “e aí, sua nigrinha, cadê aquela buceta véia e fedorenta de sua mãe?”
Não ria. Foi foda.
Isso, em bom baianês, é um mero “Colé velho, saudades de você, cadê a família?”, mas eu acho – e é apenas um suposição – que, em Brasília, a frase tem outro significado. O deputado ligou pro meu chefe pedindo minha cabeça, mas meu chefe entendeu que foi um puta acidente e me colocou suspenso até o final da semana.
Virou pra mim e disse: “falando, Jorge, as palavras voam. Escritas elas se eternizam. Muito cuidado com as coisas que você escreve”.
Bonito, né?
Claro: não serviu de nada, de modo que este blog é uma prova viva disto.
Mas eu me senti tão culpado que, chorando, implorei pra trabalhar. E ele me mandou pra casa na tarde daquela terça e disse que preferia que eu ficasse em casa pensando na merda que eu tinha feito.
Eu não fui pra praia nenhum dia, como eu faria se fosse cínico na época como sou hoje. Eu não conseguia sair da cama, culpado e arrependido.
Foi uma péssima semana.

a) Sexta. 20 de Dezembro de 2001. Larguei o mesmíssimo emprego acima citado pra abrir a CDLJ. Eu tinha esperança que desse certo, mas tinha um puta medo de virar um fracassado. Quando eu contei pro chefe – um cara difícil, mas espertíssimo, que vinha discretamente me preparando pra uma carreira jornalística de fato – que ia sair pra montar uma agência de publicidade ele ficou transtornado.
Me fuzilou com os olhou e perguntou “tem certeza?”como quem diz “você vai se foder”.
Sempre que saí de outros empregos a conversa era sempre a mesma: “rapaz, vai sair? Poxa, bicho, que pena, repense e tal…”
Lá não.
E eu sabia que ele gostava de mim como um filho, saca, via futuro em mim, na minha garra…
Perguntei se ele queria que eu ficasse mais um mês para treinar o novo cara, mas ele disse “obrigado, pode ir agora. A gente se vê no mercado”.
Eu gelei e, naquela noite, eu não dormi.

a) Domingo, 08 de Agosto de 2004. Me dei conta que ia morrer. Tava cercado por trinta seguranças (que eu mesmo havia contratado) num campo baldio da paralela enquanto meu sócio estava acordando um agiota pra tomar uma grana e pagar aos seguranças. Parece cena de filme do tarantino, e bem poderia ser.
No final daquele dia assombroso, o saldo: devíamos 40 mil reais.
Foi provavelmente a coisa mais arriscada que eu fiz na vida: um show, sem nunca ter feito absolutamente nada parecido. Com um cantor de fama nacional que cobrava um cachê que, na época, representava umas 40 vezes o que eu tirava por mês da empresa.
Levou seis meses para pagar nossa jogada como produtores de eventos na cidade do Salvador. E nunca mais fiz nenhum show.
Por isso que quando nego me fala “vamo andar de tiroleza?”eu nunca vou. Eu já arrisquei muito nessa vida. Hoje, no máximo, aposto um conhaque sexta à noite.

É, hoje foi difícil, mas nem se compara a esse dias.
Lembrar desses perrengues que a gente passa fez com que tudo que hoje parece um monstro sem tamanho se torne um mosquitinho pequenininho.

29/11/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Burn, Salvador, burn!

Não é sadio viver numa cidade com q temperatura de salvador.
Em outra encarnação, eu fui pinguim.

Me irrita fodamente.

nheco ploft pum

28/11/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Paulinha também detesta gente inteligente.

Alguém mais? Alguém mais?

04/11/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Pablo Araújo detesta gente inteligente.

Mas na hora de sentar na mesa do bar pra beber ele desconhece todo mundo.
Ainda bem.

28/10/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Outro dia, dirigindo.
Terminei de sair de um retorno e saí numa das pistas principais da cidade.
Um papagaio-arraia-pipa vinha caindo.
Pegou o vácuo do carro da frente e saiu girando no encalço.
O carro da frente, a pipa e eu.
Quase um quilômetro. Ou mais.

Perdi a entrada que deveria ser a minha pra continuar seguindo a pipa, que fazia as curvas certinho atrás do carro da frente.

Os carros do lado respeitando a pipa como se ela fosse um carro também.
Nesse dia a pipa tava promovida a carro.

A babel de concreto e aço ainda guarda um bom bocado de poesia.
Mas não é gratuita.
Tem de se pagar o preço de ter olhos pra enxergar.

25/10/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Mais do mesmo

Kate Perry cantando “I Kissed a girl and I liked” num clipe loucão.
Coisa boa de ver.
Uma delícia.

Luta livre de mulheres.
Coisa boa de ver.
Uma delícia.

Kate Perry levando a letra da música a sério e se lambendo com outra nega num ringue de doce de leite.
Coisa boa de ver.
Uma delícia.

23/10/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Mais de mim

Confundo nomes.
Mas nunca as fontes com que são escritos.

17/10/08 | Veja mais | 2 comentários;

Vocês merecem saber

Quando eu era pequeno e ia às missas com papaai, mamãe e irmã (antes de saber que o mundo é cão e cabeludo) eu acreditava piamente que o “graças a Deus” era tipo um alívio da platéia da missa.
Tipo um “ufa, graças a Deus que acabou”.
Também achava que a fábrica da Tibrás, na Estrada do coco, produzia nuvens e que a espuma do xampu era a cavalaria inimiga tentando invadir o castelo ralo.

14/10/08 | Veja mais | 3 comentários;

Em compensação…

Tem muita gente que eu conheço que tá arrastando lata.
Tem gente morando em caruaru.

É, minha vida é até bacana.
Eu tenho TV a cabo e um imac.
E não moro em caruaru.
E, segundo o IBGE, sou da elite do país.

resumindo: a vida é uma competição feroz. E olhar pro que a gente não tem faz com que a gente deixe de dar valor pro que tem.

(mas não tome esse post como um jogo do contente: eu sou provavelmente a pessoa mais inconformada com o estado das coisas no mundo)

Nhé.

29/09/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!