Ricardo Ishmael – Um herói baiano

Quem é baiano conhece o Ricardo Ishmael.

Ele é repórter de rua do jornal da manhã da afiliada local da tv globo.

Só que o Ricardo Ishmael é um herói. Todo dia, entre seis e seis e meia da manhã, tá lá nosso intrépido amiguinho cobrindo alguma coisa diferente.

“Hoje começou uma paralização de professores em prol de melhores salários. Da sede do sindicato da categoria com mais informações, fala agora Ricardo Ishmael”

Ou ainda:

“Hoje entra em vigor a nova lei do inquilinato. Direto da Sede de uma imobiliária daqui de Salvador, com o presidente do sindicato das imobiliárias da cidade, fala agora Ricardo Ishmael”

Só que tem dias que o povo quer inventar na pauta e quem se fode é o Ricardo Ishmael:

“Começa o movimento de volta pra casa depois do feriadão prolongado. Diretamente do canteiro central do quilômetro 455 da BR, mais informações com Ricardo Ishmael”.

E aparece o pobre do Ishmael no meio da rodovia, arriscando ser atropelado.
Às vezes, colocam o rapaz em lugares bem distantes, de manhã cedo. Só que o local da externa não tem nada a ver com a matéria!

“O cardeal e arcebispo primaz do Brasil, Dom Geraldo Magella, quebrou a unha do dedo mindinho. Diretamente da ponta de Humaitá, um dos principais cartões turístios da cidade de Salvador, maiores informações com Ricardo Ishmael”.

Nisso eu nem tô incluindo as pautas que são, claramente, roubadas:

“Rebelião no presídio Lemos de Brito: diretamente da sala onde estão queimando colchões, Ricardo Ishmael”.

E os comentários do Ishmael também são impagáveis: “é isso mesmo, estamos aqui do lado dos colchões queimados. Tá quente e tá fedendo mesmo, posso atestar…”

Puta merda, precisava ir pra lá pro presídio às seis da manhã pra atestar que colchão queimando gera calor?

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Todo mundo se lambendo – ê laiá!

Não sou muito de ver novela.
Normalmente eu tô lendo, estudando alguma coisa, escrevendo algum treco ou vendo alguma outra coisa – séries, filmes, etc.

Isso sem contar quando não tô fazendo alguma coisa realmente bacana – entenda-se bar.

Mas no geral fico na sala, com a tv ligada.
E hoje fiquei chocado com um treco na novela do Manoel Carlos.

É embasbacante a quantidade de corno que tem nessa novela.

O Zé Mayer corneou a esposa pra pegar a Taís Araújo – me parece.
E agora tá corneando a neguinha com a gostosa da Geovana Antonelli.
A mulé do Lázaro Ramos já tá pendurada nos beiços do Tiago Lacerda e por aí vai – todo mundo, de um modo ou de outro, com exceção daquela anã disfarçada de criança que faz o papel da filha da Geovana Antonelli, tá se lambendo.

A vida é meio assim, também.
No geral, o objetivo final do povo é comer gente.

Mas voltemos à vaca quente: a gostosa da Geovana Antonelli, segundo me parece, tá dando apenas pro Zé Mayer, mas demonstra ser do tipo que, bem conversada, libera quinze minutinhos de xoxota por qualquer paçoca.

Nada contra quem libera a xoxota por paçoca.
Pior mesmo é quem dá de graça.
Se eu fosse mulher – e, claro, se eu fosse detentora de apenas 7.8% da gostosice da Antonelli -  só liberaria o periquitão em troca de muita grana.

Office boys.
Gente que compra roupa na C&A.
Motoboys.
Peões de obra.
A nenhum destes deveria ser permitida a prática fodetiva-copulatória.

(a despeito de meus protestos, os pobres permanecem fornicando e copulando, uma vez que permanecem se reproduzindo e não há indícios de reprodução por cissiparidade na espécie humana).

Mas eu, sendo mulher, jamais liberaria a mixaria pro brodi pobre.
Já pensou?

Não é que eu fosse virar puta (a possibilidade não é totalmente descartável), mas jamais daria pra gente, por exemplo, que anda de ônibus.

“E aí, gata, vamo tomar um ki-suco e comer um hot-dog? Depois a gente vai naquele motelzinho e pá… tem uma promoção massa: vire a noite e ganhe um copo de mungunzá… bora?”

aff. jamais.

É surpreendente que eu tenha, na vida, conseguido comer gente andando de ônibus, como andei muito na vida. E nem é dizer que comia aquelas negas nas quais ninguém quer passar a jambreta – comia meninas de família, gente de bem.

É surpreendente.

Mas eu me disperso e na verdade falava da Geovana Antonelli. Eu, sendo ela, só daria pra gente que pudesse me proporcionar coisas chiques e ricas e finas.

Xoxotacard é o cartão que mais abre portas no mundo, e a mulherada não se liga nisso.
Todo cara fica um completo imbecil diante da oportunidade de meter a vara numa nega.
É desnecessário dizer que as mulheres poderiam ser donas do mundo, se quisessem.

Mas voltemos aos cornos.

A letícia Spiller é chifruda nessa novela, e realmente só numa obra de ficção o cara preferiria dançar lambada nu e deitado com a Camila Morgado. Tudo bem que o cara que come a Camila Morgado tá comendo também a doméstica mais deliciosa que já esteve em uma novela na vida. Mas aí fica a pergunta:

Um cara que come aquela doméstica precisa realmente comer mais alguém? Sério?
Outra: todo mundo come as domésticas da novela.
O sindicato daqui a pouco reclama.
Os office boys e Peões de obra, também. Afinal de contas, se os patrões passarem a comer todas as domésticas, a galera pobrinha vai ficar na base da bronha?

Veja você: uma simples novela implementa a quantidade de gente punheteira no mundo. E nem precisa botar a doméstica moreninha de calcinha.

É isso. Cabou o post.
Isso foi o que consegui identificar rapidamente em dez minutinhos de novela.
Deve ter mais corno na novela.

Ou, quem sabe, até mesmo atrás deste teclado – nunca se sabe.

E, obviamente, nem tô levando em consideração você, querido leitor, que me lê neste momento.

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Sincretismo

Hoje é dia do publicitário.
Amanhã é dia de Yemanjá.

Comemore as datas em conjunto: afogue um cliente hoje mesmo.

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Tem gente aderindo à campanha da Marcele!

Me chamaram de doente. Falaram que era crime. Falaram que eu iria arder no inferno. Mas tá bacana. Sabe por quê?
Léo baiano postou em seu blog o treco da marcele! Brodão!

http://www.leobaiano.com/ajude-a-encontrar-marcele.html

Me avisem se a campanha se espalhar por aí. Eu adoro isso!

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A day in the life

I read the news today, oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well, I just had to laugh.

Do mesmo modo que o fodástico John fala na primeira estrofe de A day in the life, eu rio de notícias ruins. Sobretudo quando elas acontecem comigo.

A diferença entre Lennon e eu, no caso, é que o cara da última música do sargeant peppers ganhou na loteria e, depois (tá na segunda estrofe, mas você tem a obrigação moral de saber) o cara estoura a cabeça numa batida de carro.

Eu só tive minha agência inundada.

Mas pra entender o treco, você tem de voltar pro começo.

I woke up, fell out of bed, and dragged a comb across my hair.
Até aí, tudo normal.
Toca meu celular. Um menino da agência. Observe o tato e a calma pra dar notícias ruins.

- Já tá sabendo, né, man?
- Qual foi?
- Cara, a duchinha do banheiro estourou de madrugada, a agência tá com água pelas canelas.
- E os computadores? (que ficam embaixo das bancadas)
- Velho, tamo vendo aqui se salva alguma coisa.

Vendo se salva alguma coisa.

8 anos de arquivos, uns 15 computadores. No-breaks. Estabilizadores. Uma quantidade de cabos que conseguiria ir da terra à lua.

Vendo se salva alguma coisa.
Uns 250 gigabytes de arquivos.
Aquilo que eu consegui construir na vida, virando noite e desenhando panfletinho.

Vendo.
Se salva.
Alguma coisa.

E o que é que você faria?
Sairia correndo de cuecas pra ver como tá o treco, né?

Eu não: tomei um café e fumei um cigarro.
E troquei de roupa. Afinal, não iria chegar no escritório para me deparar com o final da minha existência vestido igual mendigo.

Dignidade é essencial em momentos de desespero.

Cheguei. Aquele clima aaaaaah, look at all the lonely people.

A estagiária do atendimento, loira e de roupa de grife, com a calça embolada até o meio das canelas, além do rodo na mão pra completar o look. Minha secretária olhando pro chão, certamente pensando “vou mandar meu currículo pro Catho”, e a estagiária da criação com carinha de chororô. O coroa do financeiro “não sabia como te ligar pra dar a notícia”.

Não tive outra opção.

- Gente, manda pegar umas cervejas lá embaixo. Compra uma carne e uns espetos também. Vamo fazer um churrasco. Afinal, piscina já tem.

Você, adocicado leitor, dirá “que espírito! que líder! que homem! diante da adversidade, o homem marcha para dentro da boca do leão sem esboçar pavor”.

Claro que essa é a versão que me interessa.
A verdade dos fatos é que eu estava como que com o cérebro anestesiado. Se coragem pode ser confundida com a atitude zumbi que acomete os homens após uma lobotomia, então eu sou praticamente o Charles Bronson.

Queimaram algumas coisas (estabilizadores e no-breaks), mas o servidor se salvou. O que não se salvou foi o carpete da agência, que tá mal, mas vai sair dessa, eu sei que vai.

Você me pergunta, querido leitor: e por que você tá tão felizinho?
Ora, essa… porque sim. Porque deu tudo certo, e eu acho que vai dar tudo certo sempre.
Não morreu ninguém. Ninguém tá mal de saúde. Inclusive algumas pessoas importantes tão melhorando de saúde.

Isso é o que realmente importa, não?

Vamos virar umas noites a mais, trabalhar um pouco a mais pra compensar o tempo perdido de hoje, mas vai solucionar.

Me perguntam se eu acredito em Deus.
Não acredito, sério.
Eu posso estar sinceramente enganado a respeito disso.
Porém, acho que se Deus existe, ele não é nada disso que nego fala que é.

É tipo uma criança com um gigantesco palito de dente bolindo com formiguinhas e dando risada. É um menino com um canivete cortando o rabo de lagartixas pra ver o pedaço cortado mexendo.

Nós somos as formigas. Nós somos as lagartixas.
Hoje ele me cutucou com um palitinho. Só que, se ele tá brincando, eu também acho a maior graça nessas coisas.

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Dá radouki, dá choriuki, carái!

Quem nunca sofreu assim jogando “Striti faiti” não teve infância.

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E comigo é na inhanha! Promoção nova no DGI!

Mal acaba uma promoção, começa outra.
Eita blog virado no cacete!

Se liga, patuléia: falei da peça de Marcelo, meu primo, chamada “Sinuca de Bico”, que tá rolando no teatro da Aliança Francesa, em Soterópolis, todo sábado e domingo.

E ganhei um par de convites pra sortear.

Palmas!
clap clap clap.

A promoção, malandragem, é a seguinte:
Pra faturar o par de ingressos, a leitora que me mandar primeiro uma fotoca das peitcholas ganha!

Brincadeira.
Essa seria uma boa sinuca de bico, mas não é o caso.

Sinuca de bico, pra quem não sabe é isso aqui, ó (google salva):

Não é estar em uma situação dificil, mas sim, estar em uma situação dificil e sem saida (sem opção, sem solução). Diz-se que um cidadão após vários jogos de Snooker, perdendo sempre e apostando tudo que tinha, chegou o momento em restou sua filha de 14 anos, e na tentativa de recuperar apostou esta também, e em uma ultima jogada o adversário colocou a bola de bilhar entre os bicos da caçapa (cesto) atrás de outra bola (sem saída). Teve que entregar a filha. E se matou.

Se é verdade eu não sei, mas que é dificil, é.
Me conte (via e-mail: jorge.cdlj@gmail.com) alguma situação em que você esteve, de verdade, numa sinuca de bico.
Naquela situação “ou dá o cu ou cai na pica” (lá ele).

A melhor historinha eu publico aqui e leva os ingressos, ok?

Ah, só pra constar: se alguma leitora tiver mesmo a manha de mandar uma fotoca das peitcholas, a competição acaba e ela ganha. Como eu não sou otário e foto de peito é o que não falta na internet, só serve a peitchola que tiver, em volta do bico, a seguinte inscrição de caneta bic ou hidrocor: “eu detesto gente inteligente”.

É isso. Póin.

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O post anterior, traduzido

Eu mato, eu mato
Quem pegou minha cueca pra fazer pano de prato.

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Ok, vocês venceram

Geral tá reclamando que o site só fala de putaria.
Eu discordo. Putaria é a graça do negócio.
Mas vocês venceram.

Este virará um blog miguxo.

Não vai ter mais picolé sabor xoxota, nem bico de peito rosa.

Uma era se encerra.
Aqui no blog, no more.

O velho espírito maligno da malignidade chamado Jorge Martins, aquele conhecido pelos mais diversos epítetos gloriosos (como Jojó da Babá, O Grilo Falante da Humanidade, O que vocês odeiam amar e coisas do tipo) dá lugar a um coleguinha menos afeito às artes putarísticas: o Jorginho Miguxo.

***
Buáááááááááááááááááááááááááááááá,
meos miguxinhos liondos taum reclamano que nu meu blogueenho euzinho soh exclevo colokando putaria!
Sacanachi. Naum sabe brinká naum dessi pru plei.
Agora eu fiquei tristinho, maguei. Sério, dandu dó nu korassaum.
Maaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiis… TCHARAM TCHAM TCHAM! a turminha du barulhu (rs…pareci sessaum da tardi) vai ficá creizi com esse vidiuzinhu sinistru dus Karinhas Kantando.
eu adooooooooooooooooooooolo boyband!

ficadica! bjxxxxxxxxxxxxxxxxx!

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