No final de semana, com a galeris (onde? onde? no bar, né, malandragem!).
Conversávamos sobre coisas diversas da vida, relacionamento e patati patatá. Nível alcóolico Créu número cinco.
Comecei falando sobre minha já famosa teoria do xoxotacard.
Pra quem não sabe, é mais ou menos assim:
Todas as mulheres do mundo nasceram com um belíssimo cartão de crédito chamado xoxotacard.
O objetivo da vida de todo o restante da população mundial (leia-se: homens) é ter algum crédito no xoxotacard.
Nós somos maquinetas da redecard.
Viramos cachorrinho e só pensamos em faturation-tion, faturation-tion (nossa, essa foi péssima…)
Por isso que a gente paga jantarzinho, cineminha, etc.
O acesso restrito ao xoxotacard faz com que todos os homens sejam, em maior ou menor escala, escravos das mulheres.
O que está longe de ser ruim, diga-se de passagem.
Mas o fato é que muitas mulheres nem sabem o poder que tem nas mãos. Ou melhor, em outra parte do corpo.
Daí ou fazem com que a sua aprovação de crédito no xoxotacard seja mais burocrática e demorada do que seria se todas seguissem o trâmite normal de liberar o xoxotacard lá pelo terceiro encontro, ou, no extremo oposto, saem qualificando e concedendo a dádiva do xoxotacred a qualquer um.
Entenderam, meninas? Na próxima vez que seu namorado / amante / whatever fingir desagrado pela existência daquela sua amiguinha que é meio galinha, saiba que a chateação é dupla.
a) Primeiro, e mais claramente, ele fica chateado porque tem medo de que você, influenciada pela amiguinha-piriguete, passe a liberar crédito na praça e ele tenha de rachar uma conta conjunta com outro brodi.
b) O segundo e nunca assumido motivo da chateação é que a amiguinha piriguete tá dando pra outro, e não pra ele mesmo. Ele vai, muito provavelmente, lembrar da noite em que te abordou na balada em meio à matilha de suas amiguinhas que bebiam smirnoff ice. Se ele tivesse cantado a piriguete, e não você, muito provavemente não teria de ter aguardado quase um mês para dar uma chinelada na boca do sapo. E nem gastado a quantidade de dinheiro pantagruélica em jantarzinho, cineminha, etc.
Falávamos sobre essa minha belíssima teoria sobre a humanidade.
Daí deu-se, mais ou menos, o seguinte diálogo:
- Ah, mas homem que sai pegando geral também não é legal, Jorge.
- Não é assim que a sociedade pensa. Todo mundo fica pensando “aí o cara, ó, comedor e tal….”
- Mas fica feio tanto pra mulher quanto pro homem.
- Eu não acho feio pra ninguém. Mas a sociedade é machista. Habitue-se a isto.
- Nem todo mundo.
- É assim, ó: se você tem uma chave que abre várias fechaduras, ela é chamada de que? De chave mestra! Agora, por outro lado, se você tem uma fechadura na qual você enfia qualquer chave e ela abre, podemos dizer, com uma grande dose de certeza, que esta fechadura não vale nada. É um produto de procedência vagabunda.
- Ai, Jorge, você é um imbecil!
- Em minhas palavras encontra-se a verdade! Aê!
- Você viu essa merda em algum lugar na internet, né? Idiota, abestalhado!
- De modo algum: fiz agorinha um download do divino, que me forneceu as palavras da salvação!
Os homens da mesa vibraram, as mulheres, obviamente, ficaram putas, mas a vida é isso aí.
Um brodi, com sua gata (não a sua, assustado e cornífero leitor, quando, a gata DELE), na mesa vizinha, ouvindo minha palestra (afinal, discutíamos aos berros no bar), desatou numa gargalhada. A gata do brodi deu uma gelada nele, e cinco minutos depois o casal se levantou.
O brodi cabisbaixo.
Naquela noite, certamente, a maquineta do cartão sinalizou “tente mais tarde”.