Recall

Tem uma propaganda de um curso de inglês – creio que da Fisk – que me intriga.

Começa com um cara, jovem e simpático, vestindo um jeans e uma camiseta bacana. Ele vem andando por um caminho virtual que, segundo o publicitário relapso que escreveu o roteiro, deve representar a existência neste vale de lagrimas, falando que aprender um outro idioma é um treco que é muito importante para o desenvolvimento da pesszzzzzzzzzzz…. Tudo muito chatinho, como é de costume neste tipo de propaganda.

Dai, malandragem, o carinha dá um revertério e muda de roupa. E aparece falando de sucesso, de realização profissional e tal. A camiseta transada se esvanece num átimo de segundo, o jeans vira fumaça e o brodi, anteriormente bacana, invade a sua tela com uma camisazinha vagabundete de tergal, uma gravata daquelas de zíper e o cabelo lambido de gel, milimetricamente puxado para trás.

Eu não sei o que vocês entenderam dessa propaganda, mas, pra mim, a mensagem final é absolutamente clara: não estude inglês. Você corre o risco de terminar os seus dias como caixa do bradesco.

07/04/11 | Veja mais | 5 comentários;

Figuração

Fazendo uma avaliação sincera de mim mesmo, eu mereceria uma nota entre 5 e 6 como ser humano. Pensei em situar a nota entre 6 e 7, mas aí não seria mais uma avaliação sincera, e eu teria de rever todo este parágrafo. Fica o dito como está. Talvez esse demonstração inequívoca de preguiça devesse me custar alguns décimos na nota, mas hoje eu estou um tantinho condescendente.

Não considere a frase anterior como um exercício de humildade mal-formulado, mas como o extremo oposto disso. No geral, a nota que atribuo aos seres humanos é menor. Algo em torno de 4 seria a média do mundo, e isso é hoje, pois, como já disse, condescendencia é a piece de resistance do domingo à noite.

O que significa que, em termos de potencialidade, nós, todos, não fazemos nem mesmo a metade daquilo que poderíamos fazer para fazer deste vale de lagrimas um lugar melhor.

Mas, porém, todavia e entretanto, é necessário deixar claro que se a nossa nota não estivesse vinculada àquilo que somos, mas sim àquilo que tensionamos ser, minha nota subiria bastante. Eu quero ser um cara melhor, sob todos os aspectos. Mais amigo de meus amigos, mais presente para aqueles que precisam, menos cruel com os fracos, mais justo com os que erram.

Só que o segredo não tá naquilo que a gente quer, por mais que nossas crenças sejam boas, honestas, verdadeiramente presentes em nossos corações. O segredo tá naquilo que a gente verdadeiramente faz. Por isso as notas tão baixas.

A cada momento que você se nega a estar presente na vida das pessoas que gostam de você, pura e simplesmente porque, sei lá, você tá sem saco de sair num sábado à noite e prefere ficar em casa, você perde uns décimos. A cada falta de paciência em atender um telefonema daquela pessoa que precisa ouvir a sua voz num momento difícil, mais uns pontinhos.

Toda vez que você esquece que as pessoas gostam de você e trata o resto do mundo como se todo mundo estivesse fazendo figuração pra você, você se sai mal em mais uma prova.

Ser bom é menos uma questão de sentimento, mas de postura.

03/04/11 | Veja mais | 9 comentários;

E ainda teve boatos que eu ainda tava na pior…

O detalhe é o garbo e elegância dessa cidadã ao levantar afogada…

29/03/11 | | 4 comentários;

Pão ou pães

Este post vem preencher uma lacuna muito necessária.
Conto com a capacidade cognitiva dos leitores deste blog para os dois ou três sentidos embutidos na frase acima (richard dawkins feelings).

De fato, o hiato foi longo. Muitos não acreditavam na volta deste blog.
Mas pode ir tirando o sorriso do rosto: estamos aí na atividade.

E, depois de tanto tempo, há muita coisa por comentar.

Mas, diferente da maioria dos restaurantes a quilo, que servem feijão de m anhã e sopa do mesmo feijão durante o resto da semana, este blog tem ética, hombridade, lava limpinho e mais branco e não olha pra trás.

Ok, é mentira.
Reciclamos posts, fazemos sopinha do caldo mais ralo das informações mais batidas e, sobretudo, eu, enquanto chef de cozinha e elaborador do menu do blog, me esmero em arrotar com garbo e elegância minha opinião a respeito dos mais variados assuntos, ainda que não possua nenhum tipo de qualificação ou fato novo a acrescentar.

Não quero deixar uma impressão equivocada aqui.
Todo mundo tem direito a ter uma opinião.
Ou até mesmo mais que uma.
Depende do grau de sua desfaçatez.

Essa é a beleza da democracia, diriam alguns mais esquerdistas.
Outros, imbuídos do mais alto espírito iluminista, defenderiam até a morte o direito de ouvir vozes discordantes.

Tudo balela: entre Voltaire e Rosseau, sou mais Churchill: partindo deste princípio, o que eu realmente espero é que, ao final de uma longa discussão, senhores, todos concordem comigo.

Mas voltemos à vaca, como sempre, fria: é hora de fazer um apanhado geral sobre os assuntos que povoaram o noticiário nas ultimas semanas.

O que primeiramente me deixou mais chocado foi o fato de que a Maria Bethânia recebeu a autorização de captar mais de um milhão de reais pra fazer um blog.
Não pela grana em si. Se gastam horrores com os Fernandinhos beira-mar e bilhares de reais são utilizados para encher a burra de tantos políticos corruptos deste pais blog.

Se é pra gastar dinheiro publico com a poesia de Bethania ao invés de utilizá-ló como forro de cueca de deputado petista, que se gaste.

A verdade é que eu, enquanto cidadão, já me acostumei a ver o meu rico dinheirinho gasto em impostos sendo torrado das mais variadas maneiras. Que seja metida a mão em meu bolso de maneira poética, desta vez.

O que me choca é ter um blog há tanto tempo e não ter tido essa idéia antes.
Esse blog só me dá prejuízo. O de Bethânia nem existe e já se paga.
Vou me meter nessa também.
Afinal, basta um produtor cultural levemente desonesto e umas vinte páginas de blá blá blá para conseguir tirar uma graninha saborosa do governo.

Levando em consideração os serviços prestados ao conjunto da sociedade mundial por meio deste blog, acredito, inclusive, que um milhão é pinto.
Eu merecia mais. Vá lá que eu não cante como Bethânia, mas em compensação eu sou preto, e isso deve fazer alguma diferença para a secretaria de reparação racial, né?

Outra coisa: o terremoto do japão. Foi foda e tal.
Mas eu acabei me dando bem, uma vez que o terremoto foi tão violento que modificou em alguns graus o eixo de inclinação da terra, o que foi decisivo pro meu quarto: a nesga de sol que batia na parede do meu quarto não bate mais, o que faz com que o quarto fique fresquinho e eu durma melhor.

Você, nobre leitor de espírito cristão, agora, pode estar chocado.
“Porra, Jorge, o Japão passa por um dos maiores terremotos de todos os tempos e vocês só enxerga o sol que bate na parede do seu quarto”.

Em certa medida, amigo cristão, nós pensamos parecido.
Quando você pede a deus para que o seu time, o XV de andaraí, goleie o flamengo, você está colocando a sua propria felicidade em uma posição de proeminência com relação à felicidade de toda a torcida do flamengo.

Deus, para te atender, precisaria desagradar uma cara nada de gente.
Se isso não é ser egocêntrico, então eu não sei mais o que é.

E é isso. Bem vindos de volta.

29/03/11 | Veja mais | 8 comentários;

Maravilha

Tô eu vendo Stevie Wonder em minha tv grande e fodástica (tava passando o Live at Last). Você pode me achar antiquado, mas queria o quê? Que eu estivesse no festival de verão de Salvador, bêbado, pulando ao som de Claudia leitte?
Enfim. Tô eu nessa vibe, daí na última canção (que é “as”, uma das canções de amor mais bonitas do mundo, só perdendo pra umas 3 ou 4 dos Beatles), o Estevão Maravilha apresenta a banda toda e fala sobre a morte da mãe. Visivelmente emocionado, Stevie agradece aos fãs pelo carinho, pelo suporte que nós, fãs, demos sempre à música dele e fala que, por nossa causa, ele conseguiu proporcionar para a mãe dele uma vida que ela, em circunstâncias normais, jamais teria.
Eu, lógico, com a cara inchada, chorando igual a uma pata na hora de botar ovo (você poderia argumentar que pata não chora, mas eu responderia: você já viu um ovo de pata? Já imaginou colocar um treco daquele pelo cu? Então não fode a amizade).
A galera do backing vocal pega Stevie pela mão, ele faz uma mesura pra plateia, vão andando pelo palco pra chegar do ladelá e agradecer de novo. Nisso chega minha mãe na sala e comenta:
- Ainda bem que tem alguém segurando o rapazinho pelo braço, né? Corria o risco de ele agradecer virado pra coxia, coitado.
Essa é minha mãe. Fodeu toda a emoção do momento: comecei a gargalhar maniacamente e só parei há uns cinco minutos.
Só me resta uma certeza disso tudo: Vai ter uma festa especial reservada pra ela e pra mim quando chegarmos no inferno. E o show de abertura é do Ray Charles.

03/02/11 | | 10 comentários;

O bobó do bbb

Rapaz, virou um enxame danado esse assunto.
Um brodi, advogado, disse que se estivesse na casa e catasse a Ariadna lá, processaria a Globo.

Ficou chato por dois motivos.

O primeiro é que ele é advogado, e eu quero mais que advogado morra, uma vez que todo advogado é filadaputa e está ligado diretamente via radinho da nextel (aquele mesmo irritante que todo corno adora usar fingindo que é walkie-talkie na fila do cinema) ao capeta. E o segundo é que eu fui contrário à opinião dele.

Acompanhe meu raciocínio: não é porque servem pernas de rã no molho de mostarda numa festa chique que você é obrigado a comer. Eu, nesta situaçao, preferiria não arriscar, e dar umas garfadas no bom e velho feijão com arroz. O BBB, neste sentido, parece um grande restaurante bandejão de comida a quilo: cada qual entra, escolhe o que mais lhe apetece e zarpa. Aí o brother pega uma empada que tem um caroço na azeitona e quer reclamar com o dono, malandragem? É um risco que se corre, ora bolas. Processar?

Mas continuemos: O segundo motivo pelo qual o treco ficou chato é que o brodi passou um recibo de que, de fato, cataria a transexual lá. Muitos dirão: “colé, jojó, todo mundo poderia se passar ali, uma vez que ela nem parece que era homem e tal”.

Eu discordo. Ela fere a lei do gogó e da batata da perna definida. Nenhuma mulher do mundo, por mais que malhe, consegue definição de fisiculturista na panturrilha. E o gogó pronunciado diz tudo.

Como eu disse, é o tal negócio de se arriscar com pernas de rã. Na dúvida, sou mais um miojinho.

27/01/11 | | 8 comentários;

Tchanxegô

Ok, você tá irritado porque temos BBB, ou por qualquer outra coisa da vida (digamos que seja com este blog, mosqueado, pouco atualizado, etcétera e tal).

Pare de gastar bilirrubina à toda. Tem coisas muito mais importantes para com as quais você deveria estar se descabelando.

O É o tchan voltou a tocar.
Você, que se lembra da banheira do Gugu, que colecionava shortinho malhação de todas as cores, lembra deles.

Não é o caso que o tchan tenha propriamente parado. Mas é o revival da coisa original, com Beto Jamaica e Cumpadi Washington.
Para o pagode baiano, é praticamente a reunião dos beatles vivos.

Segundo eu soube, os caras agora resolveram apelar (agora?) e colocaram sete dançarinas no palco. Não tem mais homem requebrando. Jacaré vendeu sua alma pro establishment e hoje, só na Turma do Didi.
Eu acho digno. É vender o que o povo quer comprar.

Se o lance é bunda, vamo botar bunda no treco.
Deste modo, o É o tchan atual está para o É o tchan original do mesmo modo que um extrato de tomate está para um bloody mary. É a versão concentrada, reduzida a seus elementos mínimos.

É o minimalismo no pagode. Haverá um tempo em que o É o tchan será apenas um pandeiro, 20 bundas desacopladas do corpo de suas donas (talvez numa projeção 3d ou em algum tipo de tecnologia que vira a ser descoberta) e o bigode de Cumpadi Washington, gritando “tchan-an! tchan-an! tututututu pá!”

Cabe lembrar que o Tchan é responsável por algumas das músicas mais antológicas da história recente da MPB.

Você lembra daquela, né? Aquela que tinha um concurso, ou uma roda de samba, onde vinha gente de todo lugar – baiana, italiana, americana… -, mas somente ela, somente a tcheca, bem sapeca, em toda a sua nobreza nórdica, desfilando seu suingue maroto e albino, se destacava.

E o refrão hipnótico: pega a tcheca, bota a tcheca, leva a tcheca, põe a tcheca pra sambar! Olá-lá!

Lindos os tempos em que o politicamente correto ainda não havia se assentado de maneira defintiva cá pras bandas do sul do equador.

Aliás, eu elejo o É o tchan como o grupo mais corajoso do mundo. Ninguém conseguiu traduzir a putaria da formação deste país com tanta finesse, garbo e elegância quanto a garotada do Tchan.
A música, você deve se lembrar, é a tal da TriboTchan. Me parece que a coisa toda data da época do aniversário de 500 anos do descobrimento da terra papagalis, mas eu não posso afirmar com propriedade. O fato é que, nesta música, dois versos chamam a atenção.

O primeiro eu particularmente adoro: “Enquanto Cabral samba, Pero Vaz Caminha”.
Uma pérola do trocadilho nacional. Nós, blogueiros, ansiamos com um momento de enlevo deste tipo, por um trocadilho tão sacadinho.

O outro, se tomado literalmente, também entra pros anais da poesia mundial: “Do Brasil a Portugal, sambando foi Cabral”.

Sem comentários. Haja paradinha nesta sambada oceânica do nobre Cabral.

Mas ainda há mais coisas. O refrão, escrito em pretenso tupi, é um primor:

“Tchancurú, tchanxegô, catchanbá,
Tchan popô
Paquetchan, tchanrerê
Tchansambá, tchanmexê ”

Cumpadi Washington entra na roda e arrebenta: “Vou traduzir:
Na cabeça, no joelho,
No peitinho, no bumbum,
Barriguinha, cinturinha
Essa índia ainda mata um”

Eu també acho que mata. Nem que seja de raiva.

24/01/11 | Veja mais | 13 comentários;

Senegal

Esqueça todas aquelas imagens idílicas de alto teor putarístico, com gente fritando na praia tomando uma cerveja gelada e beijando na boca. É tudo mentira.

Se você vive em Salvador, capital da Bahia, é impossível ser feliz.
O calor não deixa.

Meu caso tá pior. Meu apartamento, este ano, resolveu virar poente. Não me pergunte como isso aconteceu: simplesmente, depois de três verões de temperaturas amenas e ventinhos iluminados bagunçando as cortinas da sala, o sol resolveu bater de chapa na janela do meu quarto.

Na canção do Renato russo fica lindo. Aqui em casa tá foda.

Madre, como sufro!

Se o meu prédio não se mexeu, só posso crer que Deus, pessoalmente, deu um peteleco nas barbatanas do planeta a fim de mudar o eixo de inclinação da Terra, de modo a fazer com que eu me fodesse.

Eu não duvido. Aliás, no que se refere à capacidade de escrotizar do altíssimo, eu sou o crente mais devoto da paróquia.

Deus é um capeta, vai por mim.

11/01/11 | | 14 comentários;

É natal

E, como vocês sabem, eu acho que o bom velhinho dá o cu.
Família resolveu vir passar o Natal aqui em casa. Por isso, o litro
de juanito caminador já se encontra aberto. Relutei muito em
utilizar a mesma piada do ano passado, mas como ninguém lerá este
blog hoje mesmo (exceção feita aos mal amados, aos rebeldes e aos
degredados), repeti-lá-ei (a mesóclise, única utilizada nos mais de
400 porrilhões de posts que já escrevi, fica como um presentinho de
Natal): No Japão, já é Natal. Um bilhão de japa não pode estar
errado. Comece a beber agora mesmo. Lembrei de uma resposta ao meu
silogismo que era mais ou menos assim: Um bilhão de moscas não pode
estar errado. Logo, coma merda. Mas utilizar uma frase deste tipo
num blog como o meu é perigoso: vocês estão muito habituados ao
consumo de substâncias tóxicas. Por fim, minha mensagem: se vc
comprou presente pra mim, feliz navidad. Se não, vá tomar no cu.
Pinheirinhos de alegria Lá lá lá lá lá lá lá lá lá O meu pau em sua
bundinha Lá lá lá lá lá lá lá lá lá Grato.

24/12/10 | | 5 comentários;

Porra, man, tá com medo?

O post é rápido: minha amiguinha Dani Vidal, blogueira do
hellostranger.com.br, agitadora cultural e um bocado de coisas,
recebeu um convite do Márcio, que mantém o ótimo blog de cinema
Porra man, para tocar uma coluna lá. Dani é uma menina dodói da
cabeça, e resolveu fazer uma coluna – como sempre excelente – sobre
filmes de terror, zumbis e coisas do gênero. Até mesmo eu, que sou
um frango gordo e medroso, venho acompanhando a bagaça, que vem
vindo muito bem. Daí a serelepe Dani resolveu expandir o treco e
fazer tipo um talk show via Webcam, falando sobre esse universo de
zumbis, filmes de terror e tal. O livecast se chama “Porra Man, tá
com medo?”, e, nesta semana, eu sou um dos convidados. O tema é
“medos da infância”. Não sou lá um apreciador de filmes de terror,
mas de medo infantil eu saco tudo: eu tinha medo de minha mãe e uma
havaiana azul que ela tinha, tinha um medo cagaço total de meu pai
e – acredite – tenho um pânico ainda não totalmente curado a
respeito do Freddy Mercury, cantor do queen (juro que é verdade).
Então, hoje de noite, se você estiver de bobeira e quiser ver minha
cara redonda, preta e risonha, passa lá:

http://ow.ly/3sj4u

21/12/10 | | 9 comentários;