Hoje tem

Deixa só eu ir comprar uma garrafa de Juanito Caminador e volto com peripécias e acrobacias embriagadas para o deleite dos senhores.

28/09/10 | | 9 comentários;

Diz a lenda que é chique que só

Digitado do celular, logo será um post sucinto.
Eu já falei mal de quase tudo neste blog. Nem tudo é minha opinião sincera a respeito das coisas. Muitas vezes meu interesse é provocar, gerar uma reação, fazer com que você, que me lê, tome um partido, desça do muro, defenda alguma posição. Às vezes exagero pra que as coisas fiquem engraçadas, às vezes modifico referências – os textos valem por si, não por um maior ou menor grau de correlação com a realidade.

Nestes tempos em que vivemos, defender posições – quaisquer que sejam – é coisa rara. É mais fácil se fingir de integrado, fazer “aham” e evitar confrontar idéias.

Acredito na máxima de que a ironia não precisa ter legenda. Isso funcionou bem aqui no blog até outro dia, enquanto os frequentadores resumiam-se à minha patotinha de condenados. Mas quando um blog passa a ser mais visitado, as chances de ser mal interpretado aumentam muito.

Venho fazendo alguns posts esporádicos sobre as eleições. Pra quem já escreveu sobre as maiores efemeridades da existência, parecia, inclusive, um assunto que não tinha como gerar muita repercussão. Ninguém liga de verdade pra política.

Mas meu raciocínio estava equivocado. Bastou meter religião no meio, a coisa engrossa. Comentaristas me apontam o dedo, me xingam, pedem minha cabeça. Me chamam de preconceituoso – o que só pode ser uma piada – me chamam de babaca (o que é uma constatação obvia se você vir o nome do meu blog e ler dois ou três textinhos daqui) e me mandam para lugares bem batutas, onde, supostamente, minha mãe trocaria favores sexuais por dinheiro.

Chamei Dilma, nossa provável futura presidente (presidenta não existe) de rottweiller do Pt. Os eleitores dela certamente não gostaram, mas foram muito elegantes em me deixar falar minhas bobagenzinhas no meu bloguinho. Chamei Serra de vilão covarde de desenho animado. Um aristocrático silêncio povoou minhas caixas de comentários. Daí, sem o menor senso de equanimidade (não se deve chutar cachorro morto, e por cachorro morto entendam candidata perdedora), resolvi ser legal com a Marina: disse que respeito sua biografia e tudo mais, mas ela é crente e crente não dá, porque quem é partidário do dogmatismo da religião encontra-se em um campo oposto ao meu.

Só isso. Foi o que bastou.
Eu não disse que marina é feia (ela é), não fiz nenhuma única piada a respeito do fato de marina ser acreana e nem nada. Disse apenas que discordo dela a respeito do que deve reger todas as nossas decisões. Também discordo do Plinio quando ele preenche os dois minutos e pouco a que tem direito no horário eleitoral com um discurso ultrapassado comunista de butique.

O que me choca é que deus precise realmente de uma defesa tão ferrenha. Ele, se existir, é grandinho o suficiente pra resolver minhas possiveis blasfêmias com um peteleco bem dado. Se levarmos em consideração que os castigos que deus costuma me impingir se resumem a queimar o chuveiro de minha casa de quando em quando, quero crer que deus seja mais bem humorado que essa horda de crentes mal-comidos que resolveu me xingar aqui no blog.

Não mudo uma vírgula do que escrevi. Se você se ofende de alguma maneira com o que escrevo aqui, tá fácil: basta não vir mais. Dizem que é chique ter blog mal compreendido, e deve ser mesmo, mas quando falta capacidade cognitiva nos leitores pra entender o texto, eu tenho de voltar a escrever posts como esse.

E toda piada explicada perde a graça.

10/09/10 | Veja mais | 22 comentários;

Indo e vindo.

Comentário de uma comentarista crente.
Copiado ipsis literis.
Observe o alto padrão da linguagem.

“Olha ate tinha gostado dos seu blog
mas como eu sou uma cristã axo que vc não tinha o direito de falar da Marina da forma q expos ela e a religão dela.. eu não irei voltar nela.. mas nem por isso irei desmoralizar a religião dela vc realmente não acredita nas coisas de Deus pois nunca teve um encontro com ele porque não buscou prefiriu rir, e fazer comentaris sarcastico.”

Prefiro evitar comentaris sarcastico a respeito deste comentário.
Se ela, que é crente, não vai voltar na Marina, eu, ateu, prefiro nem ir.

Sem mais para o momento,

Jojó
Dono do puteiro, achincalhando com os leitores e com a religião alheia desde 1981.

03/09/10 | Veja mais | 14 comentários;

Eleições

Só pra não passar em brancas nuvens, alguns comentários sobre assuntos absolutamente irrelevantes. E sobre alguns sérios também…

01.
Político é uma raça desgracenta do capeta. No news. Mas o mais foda é que é uma raça de gente burra também. Noutro dia, saio de casa pra vender minha alma pros clientes e dá-se a desdita: um filho-de-madame-que-presta-favores-sexuais-por-grana (“puta” anda muito politicamente incorreto, né?) resolveu colar uma desgraça de um santinho na miséria do vidro traseiro do meu carro. E não ficou satisfeito em colar um adesivo: eu tenho pra mim que ele pediu para o capeta, pessoalmente, dar uma lambidinha na bunda do adesivo, uma vez que a cola simplesmente não sai. Fica aquele lasco de papel goguento colado no fundo de meu garboso e elegante carro. Não tem promessa nem unha nem água nem nada que faça sair aquela porra. Combinei com o brodi que lava o meu carro que, se ele conseguir tirar o treco, ganha uma garbosa e elegante viagem, com tudo pago (avião+translado+estadia+200 dólares/dia), pra passar quinze dias em bariloche com a patroa e os 5 filhos pequenos. Diz ele que já encomendou o snow board (e andou raspando o teto do refrigerador de casa, fazendo bolinha e tacando na mulher pra ir sentindo o clima), mas eu só acredito vendo.
Daí eu fico com vontade de votar no cara, brasil? Nem fodendo, né, malandragem?

02.
Inventaram agora essa viadagem de que precisa de título de eleitor pra votar. Nunca votei com título. Aliás, nunca usei meu título de eleitor pra nada, uma vez que tirei o maldito e perdi a carteira com tudo dentro 5 dias depois. Demodosque, queridos e adocicados leitores, decidi: de casa não sairei no dia da eleição. Lei seca é para os fracos: aqui em casa vai ter um litro de black label e vou ignorar solenemente a eleição.
Já fiz isso antes. Surpreendentemente, chequei meu nome e tava tudo ok (ou seja: ficar sem votar numa ou noutra eleição pode – olha a dica preciosa!). Se der merda – e pode dar – tem problema não: a multa por não votar é de um vulto espantoso e  pantagruélico: algo em torno de R$ 5,75.
Daí decidi: não vou votar esse ano e foda-se Maria Preá.

03.

Não tem sequer um candidato que preste.
Pensei em votar no Serra, mas o Serra vai perder – e ele parece um vilão de desenho animado com aquelas olheiras e aquela careca e tudo mais. E tá cercado de picareta. Complicou.
Serra perde essa eleição porque não tem como competir com o bolsa família, com Lula e com essa massa de gente pobre de idolatra o cotó. Por isso, elegeremos a primeira presidente de nossa história – o que é uma conquista significativa do ponto de vista dos movimentos sociais pela igualdade da mulher e tal e coisa – mas será um desastre em termos práticos. Dilma é o rottweiller do PT.

Quando ela aparece no programa eleitoral falando que quer ser uma mãe pro Brasil, eu tenho calafrios.
Só me lembro da Avaiana de pau.
Vamos passar quatro anos ou mais tomando chineladas de pau da Dilma.

E, de fato, pouco importa o sexo de Dilma: se o candidato apoiado por Lula fosse, sei lá, um ornitorrinco, estaríamos fadados a botar ovos e usar bico de pato durante os próximos quatro anos. Eu imagino que um país machista como o nosso só está se mobilizando, mesmo, em prol da candidatura da Dilma porque o Cotó tá colado na campanha e porque Dilma não é – sejamos honestos – o que se pode chamar propriamente de modelo de feminilidade. Se bobear, a Dilma tem mais pêlo no buço que eu no bigode. Mas, como disse antes, pouco importa: é Dilma, mas poderia ser um ornitorrinco, um poste ou uma caixa de tachinhas de latão: é parte do nosso destino tomar no rabo pelos próximos qutro anos.

Na Bahia, pensei em votar no Paulo Souto, mas ele chamou pra vice o Nilo Coelho, uma das figuras mais perniciosas da política baiana em todos os tempos, e, de todo modo, não importa se a criminalidade aumentou gritantemente em soterópolis – o cotó mandou e todo mundo vai reeleger o preguiçoso, cachaceiro e incompetente governador que já está aboletado no palácio de Ondina.

Votaria, com gosto, no Tiririca. Mas só rola em Sampa. Tiririca é o único político que já falou uma verdade no horário eleitoral (aquele lance do “pior do que tá não fica” e tal).

02/09/10 | Veja mais | 18 comentários;