A ironia das décadas
Ontem fui numa festa muito bacana, dos anos 80.
Muito bacana porque foi de uma amiga muito querida, mas também bacana porque minha cabeça vive cheia de caraminholas e não dava pra parar de imaginar como trataremos a nossa própria década daqui a alguns anos.
Sim, porque qualquer festa temática é uma desconstrução irônica daquela década. Olhamos com uma certa ternura pro passado e todas as coisas são ressignificadas.
Eu acho uma coisa bacana, apesar de reducionista.
Esse fenômeno pop de revisitar as décadas a cada 20 anos não é novo. Já revisitamos os anos 60 lá nos 80 (lembra de anos dourados, etc, etc?), o esquema hippie dos anos 70 foi motivo de milhares de festinhas em minha adolescência, lá nos anos 90, e na última década o lance era emular os anos 80.
Que, de fato, não vivi intensamente. Era um menino, só, uma vez que nasci em 81.
A década de 80 é interessante por ter sido tão kitsch como foi. Polainas, calças legging e muito neon e ombreiras. Mas isso diz pouco sobre o treco.
O grande lance mesmo é que, depois de um tempo, tudo vira kitsch.
Sabe essas calças saruel cagadas que tão na moda? Daqui a vinte anos, uma galera vai ter de pesquisar no google pra lembrar como era e usar, com um sorriso irônico na cara, o que você usa hoje como the latest fashion.
Se isso não te diz nada sobre a transitoriedade da vida, você deve ter um problema sério.
