Minhas copas – Hoje, 94

A única copa que assisti foi a de 94.
Puta merda, eu sofri pra cacete naquela final.

Muitos dos leitores daqui nem devem lembrar daquela final.
Sinais do tempo.

Pra muita gente, é uma coisa comum o Brasil chegar nas cabeças, ser campeão e tal.

Naquele tempo, ninguém acreditava de fato que o Brasil pudesse ganhar nada.
Você, bem informado que nem vizinha fofoqueira, sabe que a última copa que este país de merda levou, antes da de 94, foi a de 70.

Se você se lembra da copa, sabe bem: o capitão da seleção, no começo da copa, era o Raí. Este mesmo senhor que hoje estimula a galera a comprar apartamento pela Caixa Econômica.

Em 94, vinhamos do fracasso assombroso de 90.
Maradona. Batistuta.
Não lembro de muita coisa de 90 – pior ainda com 86 – mas lembro de chorar com o golaço do Batistuta. Um sofrimento ensurdecedor.

Mas voltemos a 94.
Você entendeu: éramos uma seleção de merda.
Velho, tinha o Mazinho! Lembra do Mazinho?

Caralho, o Mazinho.
O armador.
O cérebro do time.

Mazinho, cara. Atipaporra.

Tinha também o Taffarel, que era um goleiro de merda até o final dessa copa. Daí pegou dois pênaltis e virou mito. O beque da seleça era o Ricardo Rocha. E usava bigode. E ninguém estranhava nem dava risada. Muito respeito pelo moustache do nosso beque.

Afinal, o declínio dos bigodes começou um pouco antes, mas resistiu bravamente em alguns caras que queriam manter a pinta de Mariachi durón.

Daí na época dessa copa eu morava em Nazaré das Farinhas.
E quando morava lá fui praticamente obrigado a gostar de futebol.
Era isso ou o ostracismo social.

E, além disso, com treze anos de idade, eu ainda não bebia em escala industrial.
Essa época negra, triste e não-alcoólica de minha existência chamada pré-adolescência, obviamente, acabou no final do ano, quando vim-me embora pra capital e, dai por diante, só bêbado pra aguentar os fogos da adolescência.

E, como eu me fingia envolvido com os trâmites da bola, acabou que eu acompanhei a copa toda. Assisti – com uma certa falta de entusiasmo, é fato – a jogos empolgantes como Iugoslávia X Tchecoslováquia.

Observe que nenhum dos dois países existe mais.

Daí o Brasil ganhou – nos pênaltis.
Uma de minhas mãos estava sobre a TV. A outra estava dada a alguém que, como eu, de olhos fechados, pedia a Deus com toda a força de nossos imberbes corações, para que o Brasil levasse a copa.

Esta parte é especialmente irônica se considerarmos o ser humano malvado, antifutebolístico e ateu que vim a me tornar, não é? Acredito que eu não seria um ser humano muito bem visto por aquele menino gordinho, temente a Deus e tudo o mais.

Importa pouco hoje: o que fica é que as orações do menino gordinho surtiram efeito, Baggio chutou pra lua e senti uma alegria genuína, intensa, uma emoção indescritível. Pulei, dancei, me aboletei no fundo de um caminhão com um monte de gente desconhecida e saí rodando em carreata na cidade de Nazaré.

A única copa que assisti foi a de 94.
A única copa que comemorei desbragadamente sóbrio, mas bêbado de alegria, foi a de 94.

Em todas as outras, passei a precisar de umas doses de vodka para facilitar a parte desbragadamente feliz do processo. Vocês verão em posts a seguir.

UPDATE: o gol que tirou o Brasil da Copa em 90 não foi de Batistuta, mas de Cannigia. Dica do Bono e do João Paulo. Corrigindo pra não ficar errado. Mas jurava que tinha sido o Batistuta… Se bem que, parando pra pesar, argentino cabeludo é tudo a mesma merda.

10/06/10 | Veja mais | 14 comentários;

La copa del mundo es nuestra

Em portuñol canhestro, nomeio este post. Só pra sacanear.

Os próximos posts contarão minha saga em todas as copas do mundo. Stay tuned.

09/06/10 | Veja mais | 2 comentários;

Bittersweet

Eu adoro cheiro de maçã do amor.

Mas detesto o gosto.
A casca é tão doce, tão doce, que a maçã fica amarga.

Deve ser por isso que chamam de maçã do amor.
Afinal, irônica é a natureza humana.

09/06/10 | Veja mais | 5 comentários;

A verdade sobre as mulheres pelas quais nos apaixonamos

Vi no twitter. É a mais pura verdade.

Mulher apaixonante tem que ser mordível.

07/06/10 | Veja mais | 7 comentários;

O sexo, esse nosso desconhecido

Tava eu clicando aleatoriamente e lendo merda na interwebs (mais especificamente no oatmeal.com – engraçadíssimo, recomendo) quando pinta um textinho na tela:

Too many? Too few? How many people have you slept with?

Em bão português, numa tradução literal e fiel:

Muitas? Poucas? Com quantas pessoas na vida você já deu uma chinelada na boca do sapo?

Curiosei. Cliquei.

Abreparentis: meique concordo com aquele ditado que diz que mulheres são como traduções: as boas não são fiéis e as fiéis não são boas. Mas isso é só uma provocaçãozinha com a audiência feminina deste blog. Não levem a sério. Fechaparentis.

O link é esse aqui, ó.
Depois você clica e faz o teste.

Antes, leia o post todinho – tenha educação.

Algumas perguntas simples – idade, se você é homem ou mulher e tal, e a pergunta decisiva: com quantas pessoas na vida você já trepou.

O questionário pede que você seja sincero e tals.
Viva a internet e sua anonimidade.

Mas é aqui que complica.
Só conta, para o site, como sexo de verdade (ou, como diria o povo de pesquisa, só é estatisticamente relevante) aquele em ocorre penetração. Na Bahia, se diria o sexo em que rola a kirica na bussanha, seja lá o que quer dizer o termo cunhado pelo cantor Gerônimo nos idos de 1980.

Ou seja: aquele boquetinho da vizinha aos dezessete tem de ser riscado da lista.
Aquela mocinha com quem você ficou se agarrando em alta, na rua, num beco escuro, sobre um fusca azul, também sai da roda.
Aquela bronha esperta e malandra que sua amiguinha bateu pra você também não vale.
Aquele concurso de chupar buceta que você participou em pindamonhangaba, em 1987? Esquece.

Só conta a penetração.
O que é meio limitante.

E pior: namoro chiclete só conta como uma chapuletada.
Se você comia uma nega e voltou a comê-la alguns anos depois, obviamente, a coisa só conta como uma trepada.

Me despi das amarras, dos castelos suntuosos dos meus sonhos, tive de achar medonho, e, apesar de um mal tamanho, fui sincero e parei pra contar.

É claro que não vou contar aqui o resultado.
Mas me surpreendi com uma coisa: sexo sempre teve uma relação emocional pra mim. Quase sempre terminei namorado da pessoa. O que é bem legal.

Deve ser. Não sei de fato.

Aí o computador compara com gente do mundo inteiro a sua quantidade de parceiras e pá, te dá uma estatística.

E como a coisa é no anonimato, homens e mulheres pareceram bem sinceros. Se fosse de outro modo, seria quase impossível que a média mundial de parceiros (8 para homens e mulheres) fosse igual.

Se fosse uma coisa identificada, a média masculina giraria em torno de 75 ou 76. Já a média feminina giraria entre 0,2 e 0,21. Quase toda mulher se faz de pudica e todo cara é garanhão, na hora de falar sobre sexo.

Toda conversa sobre sexo é sempre envolta numa névoa de putaria, escárnio e mentira.

Talvez, se não fosse assim, não seria tão gostoso;

Daí aprofundei a pesquisa: tive culhões de digitar no google a pergunta “quantos parceiros sexuais em média o brasileiro tem na vida” e caí numa outra página que falava diversas coisas sobre um censo que o governo fez sobre a sexualidade feminina.

O mais interessante foi pesquisar o porquê de as mulheres traírem.
Elas não traem por acharem um cara particularmente gostoso ou qualquer coisa.
Elas traem quando se sentem maltratadas, etc.

Homens traem por ver um par de pernas de meias pretas.
No geral.

Qualquer homem não-ogro sabe disso. E este dado corrobora (ui) uma teoria antiga que alimento há bastante tempo.

O corno feminino é uma sementinha.
Um feijãozinho no algodão. Ao oficializar um relacionamento com uma nega, você recebe um copinho, um feijãozinho e um chumaço de algodão. Se você tratar uma mulher como ela merece, nada acontece. Mas a cada pisada de bola que você dá, você dá uma regadinha no algodão.

A cada maltrato, é um banhinho de sol que você dá no copinho.
Daí, um dia, sem mais nem menos, o chifre nasce.
E a culpa é do cara corno. Em 99% das vezes.

Um chifre não nasce via partenogênese.
É sempre um projeto cultivado com amor pelo corno.

Mas voltemos à vaca fria.
Faça as contas: com quantas pessoas você já deu uma chinelada na vida?

02/06/10 | Veja mais | 10 comentários;