O risco, realizado
Deu agorinha no jornal:
um cara pulou de paraquedas.
O paraquedas não abriu.
O cara, obviamente, se fodeu.
Daí eu fico pensando: é esse o objetivo no geral de quem pula de paraquedas, né? O risco, o tesão na adrenalina que corre na veia de aquela porra não abrir.
Afinal, se pular de paraquedas fosse um prazer do mesmo tipo que é frequentar uma livraria, ninguém chamaria o paraquedismo de esporte radical.
Se radical, logo envolve riscos. É a famosa implicação de Filão.
E quando o risco se realiza, o povo fica chocado.
Eu não.
Se existe uma possibilidade de um em um milhão de saltos dar merda, eu pensaria “caralho, todo dia, no mundo, um milhão de pessoas pula de paraquedas. Eu posso ter sido o sorteado hoje” e não pularia.
Aí os comentaristas espertos deste blog dirão “ah, mas viver é correr riscos”.
Sem dúvida. Mas não é por isso que eu vou expor meu amado lombinho a se estabacar no chão.
É isso a vida, em geral, não? Medir risco e prazer. Algumas coisas tem mais riscos e são mais prazerosas, outras são o inverso disso. Esse equilíbrio (ou a falta dele) é que fode tudo.
Eu prefiro beber.
É prazeroso e honesto, apesar de arriscar um transplante de fígado daqui a alguns anos.
Mas talvez o que me incomode, de fato, no paraquedismo, é a coisa espalhafatosa. Aquelas roupas de vinil coloridas, aqueles óculos de mau gosto, aquela coisa de ficar fazendo “u-hu”.
Gente que faz esporte radical me dá uma preguiça.
12 Comentários em “O risco, realizado”
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Lola Araújo falou:
17/05/2010 em 8:16Muito legal e engraçado. Gostei, gostei. Heieiuejhui.o/
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Larinha falou:
17/05/2010 em 8:16Também não curto esse negócio de adrenalina não. Só se eu tiver uma parada cardíaca, aí sim ela é bem vinda. Só!
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Rafael falou:
17/05/2010 em 9:41taí um troço que eu nunca entendi… ficar no boteco, bebendo uma breja e fumando um cigarro enquanto a porção de lombinho não chega na mesa faz mal pra saúde, e vai te matar um dia e blablablá… agora pular duma ponte amarrado numa cordinha pra bancar o io-iô é saudável pra cacete, né?
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Katrine Abatti falou:
17/05/2010 em 21:51Nasci sem esse espírito de aventura aí tb,sem esse “u-hu”.E,se um dia eu vier a ter,o que é impossível(mas whatever),minha acrofobia não me deixa esquecer de ficar com os pés bem fincados no chão.
Eu prefiro beber (2)
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Bruno "Mutante" falou:
19/05/2010 em 15:51Cara, sério, sou só eu que tenho vontade de diluir um lexotan na água daqueles seres que sempre aparecem fazendo sinalzinho “hang loose” e gritando “u-hu! radical”.
Sei que é cada um na sua e tals, mas por mais sinaizinhos idiotas e gritinhos de “radical” que dêem não irão me convencer a praticar o esporte deles…
E as entrevistas:
- O que você sentiu?
- É muita adrenalina, não dá pra descrever, só fazendo pra saber como é! Radical! U-hu!Sei que beber mata aos poucos, mas eu não tô com pressa mesmo…
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Mirdad falou:
21/05/2010 em 11:24Pulei de Bungee Jump em Paulo Afonso lá por 2003. Resultado: 1 semana de estômago lascado por descarga de adrenalina.
Risco ‘mermo’ é caminhar pela Minas Gerais – Pituba, a partir das 21h.
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Gabriel falou:
27/05/2010 em 11:31É isso a vida, em geral, não? “Medir risco e prazer. Algumas coisas tem mais riscos e são mais prazerosas, outras são o inverso disso. Esse equilíbrio (ou a falta dele) é que fode tudo.”
Isso e ter sempre um objetivo em mente. Acho que foi o schopenhauer que disse que o ser humano é movido por objetivos. conquistou um, tem que arranjar outro. comprou uma estante, agora é a hora da tv de uma caralhada de polegada de tela de maxmotion definition.
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Lex Blagus falou:
27/05/2010 em 11:53Um post crítico e 8 comentários de apoio. Vou apresentar o outro lado da moeda. Eu sou um “esportista radical”.
Me incomoda DEMAIS aqueles babacas que “pulam de rapel” fazendo a maior algazarra e quase sempre pondo a vida dos outros em risco. Quero bater num fdp que vai para o meio do mato sem preparo algum. Não tenho a menor pena de um sem noção que se estatela porque o paraquedas não abriu.
Gosto de praticar meus esportes radicais em silêncio e muitas vezes sozinho. Para mim, tem a ver com o contato com a natureza, o distânciamento dos mimos que a tecnologia e vida cosmopolita nos traz. Respirar ar puro, beber água pura e gelada da fonte. Não tem absolutamente nada a ver com “desafiar a morte”, pelo menos para mim que tem mais de uma década de prática dessas atividades. É ir mais longe, visitar lugares que a maioria das pessoas só vê no cinema. Enfim, tem a ver com viver uma vida plena. Se você já leu fernão Capelo Gaivota, sabe do que estou falando. E só para constar, também adoro um boteco e cerveja.
E para praticar tudo isso existem dispositivos de segurança e técnicas que tornam impossível dar me_da na práticas destes esportes. O caso do paraquedistas comentado, por exemplo, foi além dum despreparo completo, a falta de um equipamento de backup que iria abrir o para-quedas dele automaticamente em caso de pânico ou desmaio.
“Gente que faz esporte radical me dá uma preguiça.”
E gente que não faz me dá pena. Não sabem o mundo maravilhoso que há fora do bar.Jojó da Babá Reply:
maio 27th, 2010 at 12:20@Lex Blagus, concordamos em quase tudo.
A parte da preguiça é minha parcela de provocação.
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Lex Blagus falou:
27/05/2010 em 14:32E provocou! Tanto que eu não pude deixar de comentar… e provocar também ;-)
Jojó da Babá Reply:
maio 27th, 2010 at 16:23Só discordo de uma coisa: não há vida fora do bar.

Jojó da Babá Reply:
maio 21st, 2010 at 12:14
Eheheheh
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