O nescau
Já disse aqui em outras oportunidades: formamos, nós de quase trinta, a primeira geração de adultos que bebe nescau.
Nescau era bom.
Do jeito que era, seríamos todos escravos zumbis da Nestlé até o final dos tempos.
Alguns, mais paranóicos, armazenariam Nescau em pacotes imensos, ao menor sinal de proximidade da hecatombe nuclear que, espero, vai dar fim nesta putaria toda em algum tempo.
Imagina a cena. Uma família reunindo seus pertences pra descer prum bunker. Um casal jovem e um moleque. A mãe fala:
- Vamo pegar só o básico. Duas ou três camisetas, três calcinhas, uma calça jeans.
- Água. É bom armazenar também – complementa o brodi.
- Ok. vamos levar. Mais alguma coisa?
- Quantas latas de nescau nós temos?
- Só duas.
- Merda. Não vai dar!
Assim era até um tempo.
Daí um filho da puta inventou que Nescau não era mais tão legal.
E inventou que precisava dar um up na lata. No sabor. Na porra toda.
Nescau virou Nescau 2.0.
Oremos.
Tipo, nestlé, me acompanha: vocês devem estar olhando os relatórios e achando “aê, deu certo, tá vendendo”. Pois é, malandragem: vende porque não tem mais do outro. O novo é uma bosta em pó numa lata tirada a fashion, altinha e torcidinha.
O Nescau antigo era sóbrio, era clássico: era vital.
O novo tem cara de coisa supérflua.
Eu não levaria latas de Nescau 2.0 pro bunker.
Eu sou uma pessoa mais infeliz desde que acabaram com o Nescau.
Eu sei que tem mais gente revoltada com isso.
Eu gostaria de iniciar um movimento contra o nescau 2.0.
Minha parte eu tô fazendo: pendurei na janela da área de serviço aqui de casa uma cartolina dizendo “nescau clássico: pelo sabor de verdade de volta”. Agora é só aguardar os resultados.
Liguei pra uns dois amigos, que me chamaram de desocupado.
Eu até entendo eles: talvez tenham sido viciados em outro achocolatado, como o Toddy, arquinimigo das pessoas de bem, ou, pior ainda, ele bebiam quick sabor morango, aquele pó vermelho alucinógeno. Vai saber.
Mas nós, do nescau, somos maioria, não há dúvidas.
E só com a nossa união reestabeleceremos o nescau clássico, bebida totêmica do país.
nheco ploft poin.

Jojó da Babá Reply:
maio 28th, 2010 at 9:23
@Larinha, e quando a gente, sem querer, aspirava aquele pó? Saia meleca rosa durante semanas!
[Responda a esse comentário]