21 de abril – pagando uma dívida patriótica
21 de abril é uma data importante para o Brasil sob diversos aspectos.
Tiradentes foi enforcado.
Brasília foi fundada.
Morreu Luiz Eduardo Magalhães.
Morreu Tancredo Neves.
Eu nasci.
De um modo ou de outro, cada uma dessas coisas teve influência na história da política nacional, pro bem ou pro mal, a depender de suas crenças políticas. Com a óbvia excessão de meu nascimento.
Daí acordei invocado.
Tanta coisa importante e eu, essa pessoa robusta, espadaúda e brilhante, ainda não paguei minhas dívidas com a nação.
Não que eu não faça nada.
Pago impostos. Emprego gente.
Mas até a tia que mantém uma barraquinha vendendo jujubas faz o mesmo que eu.
Demodosque não gosto de ser mais um na multidão. Acordei coçando a cabeça e o saco e pensando em formas de melhorar o país. De um jeito rápido e lancinante (não a coceira no saco, que deve ser, por definição, leve e gostosinha).
Tentei colocar minha cabeça pra fora da janela e berrar “Muda Brasil”, e cheguei a bater panelas dentro do meu apartamento, hoje, entre 6 e seis e meia da matina, pedindo mais igualdade social. Desci pro playground vestindo branco e gritando palavras de ordem, mas passeata de um homem só não gera frutos lá muito relevantes – só consegui a queixa de um vizinho e um piparote em minha testa.
Porém, das coisas mais prosaicas advêm os grandes insights, e do piparote do vizinho me veio a solução. Segure-se em sua cadeira, amado leitor, e prepare-se: a ideia que vem a seguir vai mudar o país.
Não é nada de grande vulto, mas pode ser a solução.
Poderia até mesmo ser aplicada já na eleição que vem chegando.
E você, leitora ronronante, me pergunta: como é isso, negão gostoso?
Eu respondo:
A eleição, no país, é uma coisa ridícula. Todos os candidatos são de esquerda. Ou de quase esquerda. Todos se utilizam disso, ou da perseguição da ditadura militar, como um atestado de idoneidade. Não importa se o sujeito é um canalhocrata de marca maior: basta falar “eu apanhei de milico e fui perseguido pela ditadura” e puf: o canalhocrata se transformou num cara bacana.
Há obviamente, partidos que se situam mais à esquerda, outros mais ao centro, mas no geral é uma eleição troncha, catroca, que pende prum lado só. Daí nêgo fala “a campanha deveria ser mais pautada por discussões e tal”, só que não há o que discutir. Não há, como nos Estados Unidos, por exemplo, quem ache que o estado deva ser menor e parar de garantir um sistema de saúde amplo e aberto a todos. Não há isso por aqui – e, se algum dia acontecer de um candidato vir a defender algum dos pontos de vista que são tidos como de direita no mundo, isso tende a se transformar numa candidatura natimorta.
Isso faz com que a campanha seja um desfile incomum de obviedades de esquerda apregoadas por todos os candidatos. Um promete gerar 10 milhões de empregos. Outro, promete 7 milhões. Ninguém cumpre as promessas, como já sabemos amplamente, mas ficamos é desse jeito mesmo: discutindo promessas que não vão se cumprir.
Logo, e é aqui que vai a minha ideia, vamos discutir a vida pessoal dos candidatos. É o que resta para diferenciá-los. Uns são mais corruptos que outros, outros são mais devotados à construção de obras de grande vulto do que uns, mas no geral é tudo uma corja só.
Vamo é fazer uma campanha baixa, suja.
Vamo perguntar pra Dilma se ela gosta, de fato, de berinjela. Se o Serra chegou a cogitar colocar uma peruquinha, ou se chegou, em uma idade menos avançada, a aplicar algum unguento feito de jojoba e tacacá sobre o cocuruto pra impedir a queda de cabelo. “Como vai a vida sexual do candidato?” seria uma pergunta legítima. É importante saber deste tipo de coisa. Qualquer dos candidatos vai foder conosco durante 4 anos: nada mais justo que embarquemos nesta furada sabendo do pique da Dilma e do Serra.
Dilma, assim como seu padrinho, é chegada no mé? Bebe black label como Lula ou é mais chegada numa cervejinha? Serra é insone e vara as noites no twitter a seco ou rola um lorazepanzinho/stilnox de vez em quando? A senhora candidata já está na menopausa? O senhor candidato lava as próprias cuecas?
Sem dúvidas, as respostas seriam muito mais elucidativas a respeito da natureza do governo vindouro que as campanhas insossas que são exibidas atualmente.
E, com este gesto patriótico, encerro minha ajuda ao Brasil. Que fique marcado na ata do 21 de abril mais este momento histórico.

