Uma confissão de novela

Todo mundo vive assoberbado pelo diálogo interno de nossa própria mente.

Esse não é um blog adolescente e lamentativo, e não se começa um post com uma frase pronta dessas, mas não tem jeito melhor de exprimir essa epifania que tive ontem.

Ou deve ter: toda frase pode ser reelaborada.
Recomecemos.

A gente convive tempo demais consigo mesmo para se dar a real importância.

Nos supervalorizamos.
Achamos que nossos problemas são mais importantes que os problemas dos outros.
Achamos que nossas histórias de amor são mais cativantes que as outras que vemos por aí, comezinhas, insignificantes.
Achamos que nossas conquistas são mais valorosas que as conquistas dos outros.
Daí é impossível, para qualquer pessoa, pensar em si próprio como não-protagonista de sua própria vida.

Mas deixa eu te contar a real.

Somos milhares de protagonistas.
Da tia que vende cafézinho no ponto de ônibus ao empresário envolvido em mamatas.
Todos com seus medos, alegrias, angústias.

TODOS.
Ninguém tá fazendo figuração para você.

Se a frase anterior não te deixa nem um tiquinho desconfortável, é porque você não está prestando atenção suficiente.
Não no texto: nas pessoas.

Eu, que penso em quase tudo em termos de roteiro, imagino canções para momentos específicos de minha vida, viajo em reviravoltas rocambolescas e costumo pensar (não sempre, porque seria ingenuidade) que tem mocinhos e tem vilões.

O conceito de bem e mal é foda. O que é bom pra mim às vezes é mal pra você, e nada é tão simples assim. Mas é bobagem também achar que não existem pessoas que são particularmente boas e outras que são especialmente escrotas.

De modo que, ontem, eu descobri que, na verdade, o vilão tá mais perto do que eu imaginava. E quem era o vilão é afável, humano…

Eu tava no núcleo do bandido achando que tava na família do mocinho.

14/01/10 | Veja mais | 14 comentários;

14 Comentários em “Uma confissão de novela”

  • lila falou:
    14/01/2010 em 9:32

    Nossas vidas são muito mais parecidas com as novelas de MAria do bairro do que imaginamos, sendo que nós somos aquela amiga feia dela, que serve de apoio para a MAria do Bairro ficar rica e com o mocinho no final; e ainda temos que ficar sorrindo feito paspalhos!

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  • Elly falou:
    14/01/2010 em 9:36

    “Não se leva a vida tão a sério…” palavras suas para mim.
    Isso vai passar e logo estaremos novamente todos juntos rindo e brigando de novo, pois a vida é assim sempre um recomeço, sempre novos contos…

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  • Manuella! falou:
    14/01/2010 em 13:12

    Eu vou continuar insistindo nas virgulas, em não se acomodar… Como disse Elly: “Isso vai passar e logo estaremos novamente todos juntos rindo e brigando de novo, pois a vida é assim sempre um recomeço, sempre novos contos…”
    Life goes on, sweetheart.

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  • Lina falou:
    20/01/2010 em 16:11

    e derepente percebe-se em meio a multidão de sim e não, que grita: “o vilão é vc”, mas de tds ali, somente uma pessoa te importa e é justamente essa pessoa que quebra uma garrafa de cerveja na tua cabeça…

    Maldade é relativa…

    Gostei do post. Parabéns.

    Abraço.

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