Uma confissão de novela
Todo mundo vive assoberbado pelo diálogo interno de nossa própria mente.
Esse não é um blog adolescente e lamentativo, e não se começa um post com uma frase pronta dessas, mas não tem jeito melhor de exprimir essa epifania que tive ontem.
Ou deve ter: toda frase pode ser reelaborada.
Recomecemos.
A gente convive tempo demais consigo mesmo para se dar a real importância.
Nos supervalorizamos.
Achamos que nossos problemas são mais importantes que os problemas dos outros.
Achamos que nossas histórias de amor são mais cativantes que as outras que vemos por aí, comezinhas, insignificantes.
Achamos que nossas conquistas são mais valorosas que as conquistas dos outros.
Daí é impossível, para qualquer pessoa, pensar em si próprio como não-protagonista de sua própria vida.
Mas deixa eu te contar a real.
Somos milhares de protagonistas.
Da tia que vende cafézinho no ponto de ônibus ao empresário envolvido em mamatas.
Todos com seus medos, alegrias, angústias.
TODOS.
Ninguém tá fazendo figuração para você.
Se a frase anterior não te deixa nem um tiquinho desconfortável, é porque você não está prestando atenção suficiente.
Não no texto: nas pessoas.
Eu, que penso em quase tudo em termos de roteiro, imagino canções para momentos específicos de minha vida, viajo em reviravoltas rocambolescas e costumo pensar (não sempre, porque seria ingenuidade) que tem mocinhos e tem vilões.
O conceito de bem e mal é foda. O que é bom pra mim às vezes é mal pra você, e nada é tão simples assim. Mas é bobagem também achar que não existem pessoas que são particularmente boas e outras que são especialmente escrotas.
De modo que, ontem, eu descobri que, na verdade, o vilão tá mais perto do que eu imaginava. E quem era o vilão é afável, humano…
Eu tava no núcleo do bandido achando que tava na família do mocinho.

Jojó da Babá Reply:
janeiro 15th, 2010 at 10:49
nunca mais, né?
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