Nizan Guanaes e o popular.
Hã algum tempo, escrevi isso aqui, ó (o post completo você acessa clicando aqui):
Eu acho um saco bloco afro.
Eu já saí de Gandhi e foi bonito durante 5 minutos. Daí passou por cima de minha cabeça um bandeirão azul fedendo a mijo, aquela mistura de alfazema de quinta categoria e aquele fedor que faz quando junta muito homem e o bloco ficou claustrofóbico.Mas você é apedrejado se disser que aquele ijexazinho do Gandhi é um porre durante cinco horas consecutivas. É primordial dizer a todos que o som é hipnotizante, inebriante.
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E eu, negro, termino o post com medo de comentários que me apontem o dedo em riste “racista”.
Racista é a puta que o pariu.Só me nego a aceitar uma cultura estupidificante como a baianidade nagô.
Ela não me representa.
E voltei ao assunto, depois. Mais precisamente, depois de acordar de ressaca por ter ido num ensaio da timbalada:
Mas aí, agora, quase oito da manhã, enrolado no meu fodástico edredom preto e degustando um saboroso sonridor caf, me pus a pensar sobre o assunto. E acho que fui mal-interpretado. Eu nunca disse que era contra o axé ou as festas ou nada disso. Sou contra o endeusamento do que quer que seja. Adoro festas. E o axé e o carnaval.
É uma péssima forma de se começar um post: colocando, lado a lado, opiniões que parecem absolutamente incongruentes entre si. Elas não são, mas não deixam de ser munição para os possíveis detratores da argumentação que vem abaixo.
Por que voltar ao mesmo assunto?
Seguinte: Nizan Guanaes, aquele baiano que é publicitário (e compositor de um dos principais hinos da baianidade nagô, o We Are The World of Carnaval, We are Bahia), resolveu entrar no twitter hoje chutando geral. Dizendo que a Bahia tinha de abrir o olho, que Floripa tava conquistando a posição de cidade hype do Brasil no que se refere às praias e patati patatá. Que a orla de soterópolis parecia um favelão e etc etc…
Tudo certo até aí. A orla de Salvador é um favelão. Poderia ser melhor. Mas daí a dizer que Salvador seria superada por Floripa como destino turístico é exagero.
E quem discorda do raciocínio não sou eu.
Eu sou um fodido. Discordar ou concordar com o Nizan não muda nada no estado geral das coisas.
Mas se o New York Times afirma que a Bahia é o novo playground do jet set mundial, aí o treco complica.
E aí Nizan resolveu atirar no Chiclete com Banana. Dizendo que Bell, o cantor do Chiclete, é o exemplo mais perfeito de “não artista”, que ele é um careca encubado, que essa coisa de “chicleteiro” é ridícula e que a banda sintetiza a indústria da axé music e que esta é prejudicial para a Bahia.
Se o mundo faz zig, eu tento fazer zag.
É estranho que Nizan resolva bater no Chiclete, assim, de graça. Nizan é um cara que mexe coma cultura popular. Inclusive, muito de sua fama e sucesso está em saber interpretar, entender, sem preconceitos, a cultura popular.
Falar que a coisa de “chicleteiro” é ridícula, então, é uma contradição enorme.
Nizan, enquanto responsável pelo posicionamento da Cerveja Brahma, resolveu inventar um treco de “eu sou brahmeiro” que é uma derivação direta dessa historinha do chiclete.
Não é o caso de dizer que ninguem chupou ninguém.
Mas essa coisa de se dizer chicleteiro pintou naturalmente entre fãs da banda, foi incorporada e referendada e amplificada pela própria banda e Nizan, que de bobo não tem nada, se apropria da ideia e a adapta a uma marca de cerveja, popular, etc, etc.
Eu não estou entre os maiores fãs da banda. Aliás, nem entre os menores.
Mas enquanto profissional de comunicação, o fenômeno de popularidade do Chiclete com Banana me interessa bastante. Mais que gostar ou desgostar, eu quero entender porque, para um grupo grande de pessoas, aquilo lá tem um valor.
As bandas de pagode da Bahia, com seus nomes esquisitos (black groove ghetto ou coisas assim) fazem sucesso, independente de minha aprovação ou não.
Isso interessa.
Dizer que toda essa gente tá errada é só elitismo cultural e arrogância.
UPDATE: meu brodinho Leonardo Araújo fez um post bastante interessante sobre o assunto, falando de alguns pontos que meu texto não aborda. Vale ler.

Jojó da Babá Reply:
janeiro 12th, 2010 at 6:49
@Caio Costa, eu juro que pensei nessa possibilidade ontem.
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