Todo mundo vive assoberbado pelo diálogo interno de nossa própria mente.
Esse não é um blog adolescente e lamentativo, e não se começa um post com uma frase pronta dessas, mas não tem jeito melhor de exprimir essa epifania que tive ontem.
Ou deve ter: toda frase pode ser reelaborada.
Recomecemos.
A gente convive tempo demais consigo mesmo para se dar a real importância.
Nos supervalorizamos.
Achamos que nossos problemas são mais importantes que os problemas dos outros.
Achamos que nossas histórias de amor são mais cativantes que as outras que vemos por aí, comezinhas, insignificantes.
Achamos que nossas conquistas são mais valorosas que as conquistas dos outros.
Daí é impossível, para qualquer pessoa, pensar em si próprio como não-protagonista de sua própria vida.
Mas deixa eu te contar a real.
Somos milhares de protagonistas.
Da tia que vende cafézinho no ponto de ônibus ao empresário envolvido em mamatas.
Todos com seus medos, alegrias, angústias.
TODOS.
Ninguém tá fazendo figuração para você.
Se a frase anterior não te deixa nem um tiquinho desconfortável, é porque você não está prestando atenção suficiente.
Não no texto: nas pessoas.
Eu, que penso em quase tudo em termos de roteiro, imagino canções para momentos específicos de minha vida, viajo em reviravoltas rocambolescas e costumo pensar (não sempre, porque seria ingenuidade) que tem mocinhos e tem vilões.
O conceito de bem e mal é foda. O que é bom pra mim às vezes é mal pra você, e nada é tão simples assim. Mas é bobagem também achar que não existem pessoas que são particularmente boas e outras que são especialmente escrotas.
De modo que, ontem, eu descobri que, na verdade, o vilão tá mais perto do que eu imaginava. E quem era o vilão é afável, humano…
Eu tava no núcleo do bandido achando que tava na família do mocinho.
Pode-se comentar de quase tudo aqui.
Pode-se me xingar. Aliás, adoro a trolagem idiota que assola os blogs.
Eu tô aqui dando a cara pra bater.
Mas chegar aqui xingando os comentaristas do blog ou fazendo acusações que podem repercutir em processos judiciais contra a minha digníssima pessoa não pode não.
Apago mesmo. Essa porra não é casa de puta governada por sacana.
grato,
a gerência.
Hã algum tempo, escrevi isso aqui, ó (o post completo você acessa clicando aqui):
Eu acho um saco bloco afro.
Eu já saí de Gandhi e foi bonito durante 5 minutos. Daí passou por cima de minha cabeça um bandeirão azul fedendo a mijo, aquela mistura de alfazema de quinta categoria e aquele fedor que faz quando junta muito homem e o bloco ficou claustrofóbico.Mas você é apedrejado se disser que aquele ijexazinho do Gandhi é um porre durante cinco horas consecutivas. É primordial dizer a todos que o som é hipnotizante, inebriante.
***
E eu, negro, termino o post com medo de comentários que me apontem o dedo em riste “racista”.
Racista é a puta que o pariu.Só me nego a aceitar uma cultura estupidificante como a baianidade nagô.
Ela não me representa.
E voltei ao assunto, depois. Mais precisamente, depois de acordar de ressaca por ter ido num ensaio da timbalada:
Mas aí, agora, quase oito da manhã, enrolado no meu fodástico edredom preto e degustando um saboroso sonridor caf, me pus a pensar sobre o assunto. E acho que fui mal-interpretado. Eu nunca disse que era contra o axé ou as festas ou nada disso. Sou contra o endeusamento do que quer que seja. Adoro festas. E o axé e o carnaval.
É uma péssima forma de se começar um post: colocando, lado a lado, opiniões que parecem absolutamente incongruentes entre si. Elas não são, mas não deixam de ser munição para os possíveis detratores da argumentação que vem abaixo.
Por que voltar ao mesmo assunto?
Seguinte: Nizan Guanaes, aquele baiano que é publicitário (e compositor de um dos principais hinos da baianidade nagô, o We Are The World of Carnaval, We are Bahia), resolveu entrar no twitter hoje chutando geral. Dizendo que a Bahia tinha de abrir o olho, que Floripa tava conquistando a posição de cidade hype do Brasil no que se refere às praias e patati patatá. Que a orla de soterópolis parecia um favelão e etc etc…
Tudo certo até aí. A orla de Salvador é um favelão. Poderia ser melhor. Mas daí a dizer que Salvador seria superada por Floripa como destino turístico é exagero.
E quem discorda do raciocínio não sou eu.
Eu sou um fodido. Discordar ou concordar com o Nizan não muda nada no estado geral das coisas.
Mas se o New York Times afirma que a Bahia é o novo playground do jet set mundial, aí o treco complica.
E aí Nizan resolveu atirar no Chiclete com Banana. Dizendo que Bell, o cantor do Chiclete, é o exemplo mais perfeito de “não artista”, que ele é um careca encubado, que essa coisa de “chicleteiro” é ridícula e que a banda sintetiza a indústria da axé music e que esta é prejudicial para a Bahia.
Se o mundo faz zig, eu tento fazer zag.
É estranho que Nizan resolva bater no Chiclete, assim, de graça. Nizan é um cara que mexe coma cultura popular. Inclusive, muito de sua fama e sucesso está em saber interpretar, entender, sem preconceitos, a cultura popular.
Falar que a coisa de “chicleteiro” é ridícula, então, é uma contradição enorme.
Nizan, enquanto responsável pelo posicionamento da Cerveja Brahma, resolveu inventar um treco de “eu sou brahmeiro” que é uma derivação direta dessa historinha do chiclete.
Não é o caso de dizer que ninguem chupou ninguém.
Mas essa coisa de se dizer chicleteiro pintou naturalmente entre fãs da banda, foi incorporada e referendada e amplificada pela própria banda e Nizan, que de bobo não tem nada, se apropria da ideia e a adapta a uma marca de cerveja, popular, etc, etc.
Eu não estou entre os maiores fãs da banda. Aliás, nem entre os menores.
Mas enquanto profissional de comunicação, o fenômeno de popularidade do Chiclete com Banana me interessa bastante. Mais que gostar ou desgostar, eu quero entender porque, para um grupo grande de pessoas, aquilo lá tem um valor.
As bandas de pagode da Bahia, com seus nomes esquisitos (black groove ghetto ou coisas assim) fazem sucesso, independente de minha aprovação ou não.
Isso interessa.
Dizer que toda essa gente tá errada é só elitismo cultural e arrogância.
UPDATE: meu brodinho Leonardo Araújo fez um post bastante interessante sobre o assunto, falando de alguns pontos que meu texto não aborda. Vale ler.
Ajude Jojó a escolher o que ficará gravado em sua aliança. Ui.
Tá virando Big Brother essa merda.
Vote aí do lado.
Depois de um final de ano bacana, de muita cachaça no bucho e desejos de felicidade e patati patatá, achei pouco e meti uma aliança no dedo da namorada.
Estou noivo. Pasmem.
Também tô meio pasmo.
Eu sempre brinco que casamento é igual piscina fria: o cabra que pula primeiro finge que tá quentinho e fica gritando pra brodagem “pula que tá bom, pula que tá bom”.
Foi assim que pedi Namorada em casamento.
Caí, na noite de anteontem, na piscina da casa do Japa, um de meus melhores amigos.
A brodagem toda reunida. Frio pra cacete.
Chamei Namorada. Vem pra água, baby e tal.
Ela disse que nem que eu pagasse caro ela cairia na piscina fria daquele jeito.
Eu disse “pula nessa piscina agora que você sai daqui noiva”.
Ela pulou. Estamos noivos.
Obviamente ninguém botou fé no treco.
Até que ontem fui e comprei o bambolê pra botar no dedo.
O Japa não botou fé que eu iria mesmo oficializar o treco e foi encontrar com a gente no shopping pra registrar o momento (e levou uma mini garrafa de champanhe, o que foi fofo).
E assim estamos assim.
Achei que seria só um jeito de colocar um sorriso no rosto de Namorada, e dar um sinal pro mundo que o treco é sério. Mas é mais que isso. Na hora que coloquei o bambolê no dedo a mão ficou pesada, as vistas ficaram turvas e, ontem, dirigindo de aliança, olhei pra minha própria mão e vi a mão de um adulto.
Foi estranho. É estranho.
Mas é bom também.
Aí resolvi fazer uma fotinha minha de aliança pra vocês verem.

Eu, vendo minha própria foto com a aliança.

Eu, caindo na real de que agora sou um homem sério.
Puteiros de todo o mundo, ontem, puseram suas bandeiras a meio pau (sem trocadilho. Ou não). Garçons choraram. Saio da boemia para entrar para a história.
Como o casório se dará no ano que vem, fica a pergunta: alguém tem alguma ideia pra despedida de solteiro?
UPDATE: não somos um casal normalzinho, daí tamos discutindo o que será gravado em nossas alianças. Bonnie e Clyde, Kurt e Courtney ou Sid e Nancy são opções. Partners in crime tb. Toc toc penny e toc toc sheldon tá ganhando. Aceitamos sugestões.
Você tava de ressaca e não viu.
Boris Casoy, aquele mesmo, apresentador do telejornal da Band, cometeu uma gafe foda: vazou um audio com um comentário dele depois que dois garis desejam um feliz 2010 e tal.
O vídeo é esse aqui, ó:
Se você ainda tinha alguma ilusão com relação a um 2010 melhor, mais justo ou mais qualquer coisa, assista esse vídeo novamente até se convencer de que o ser humano é foda.
Indignado diz pouco. É vergonhoso que um âncora de um dos principais telejornais do país faça esse tipo de comentário. Eu, que sou um mané, no bar, posso falar este tipo de merda – mesmo correndo o risco de não ter a menor graça.
Boris Casoy, num jornal transmitido em rede nacional, não.
Ê Brasil.
UPDATE: meu brodinho e colega de profissão Caio “Blogcitário” Costa me mandou o vídeo das desculpas. Era melhor ficar calado.