Da série “raciocínios elaborados da MPB”

Jorge Vercilo é uma placenta. Jogaram o bebê fora, criaram a placenta e hoje ela se chama Jorge Vercilo.

Não ouço, mas tô sem mp3 player, daí no carro é rádio, e, nas únicas rádios que prestam, de quando em quando toca Jorge Vercilo, a placenta.

Aí tem uma música que fala do homem-aranha.
Que, inclusive, devido a um erro besta de prosódia, vira homi-aranha na letra da canção.

Você não conhecia o Stanley Jordan, mas essa merda eu sei que você conhece.
Ele, o homem-placenta, numa noite viril de perseguição (rimando edifício e precipício) vê a nega.

E vira dono de casa.

Acordado a noite inteira pra ninar nenê.
Trepado no telhado pra consertar a antena da tv.
Ou seja: o cara era homem-aranha, mas mete uma antena das antigas no telhado do barraco e canta isso como se fosse felicidade pra nega.

Sem tv a cabo, a felicidade é praticamente inatingível.

A nega pega o homem aranha e leva, na verdade, a Miss Doubtfire.
Uma babá quase perfeita.

Eu, sendo a menina, ficaria puto.
Mas ele canta o treco como um sonho idílico de felicidade.

Tipo: eu era super, eu era especial, mas abandono tudo isso pra ser um cara comum envelhecendo ao seu lado assistindo Zorra Total com chiado.

Se é isso a felicidade, me deixe fora.

22/12/09 | Veja mais | 8 comentários;

A patuleia me dá orgulho demais

Ok, seria exigir demais dessa sua cabecinha.

Você não conhece o brodi daí debaixo.

Tudo bem, eu concordo com você que esse corte de terno é oldie.
E esse cabelo a la “mamãe-meu-nome-é-grace-jones” foi oficialmente proibido de ser utilizado em 1984.

O video é antigo. Releve isso.

Feche os olhos e dê play.

Esse elegante negão (era muito na época do vídeo e hoje é ainda) é um guitarrista único no mundo.
Na técnica do tapping (assista o video e entenda o que é tapping) ele é único.
Outros caras tocam até mais que ele – Toquinho, brasileiro e lá ele, é o primeiro exemplo que me ocorre. Mas ninguém toca como Stanley Jordan.

Stairway to heaven vira uma nova música na mão de Jordan.
Mas aí você, que é chato, vai dizer: também, né, Jojó, com uma banda dessas fazendo a base, até minha vó fazia igual.
Ok, vamo ouvir então uma banda melhor ainda.

Stanley Jordan e uma guitarra.

Aí esse cara veio tocar no Brasil – em sampa – e 17 almas foram assistir.
Dezessete.

Se eu, agora, pegar o telefone celular e ligar pra todo mundo que tá na minha agenda, eu consigo chamar umas 20 pessoas pra sair e tomar uma cerveja comigo num posto de gasolina. Fácil.

Stanley Jordan toca no Brasil, de graça, na periferia da maior cidade brasileira, e só 17 abençoados vão prestigiar.

Eu compreendo que você não conheça Stanley Jordan.
Eu compreendo que o Faustão chame o Information Society pra dar uma canja para a família brasileira.

O que me deixa indignado é que só 17 pessoas foram ver o cara. Só 17.
Esse cara tem um saco de grammys nas costas. Uma coleção.
Velho, e disse a lenda que ele foi super profissional, tocou o set completo pra galera ínfima de 17 cidadãos.
Nego quis cancelar o show, mas ele meteu o carão e disse “eu toco”.

Eu torço muito pra que o Brasil seja engolido pelo oceano quando as calotas polares derreterem.

22/12/09 | Veja mais | 6 comentários;

Cantemos, em jogral (tem rima)

Pinheirinhos de alegria
la la la la la, la la, la la.
O meu pau em sua bundinha
la la la la la, la la, la la.

22/12/09 | Veja mais | 2 comentários;

Obsessões – algumas

Só pra constar: é o primeiro post que escrevo deitado em minha cama.
Sim, é um notebook. Meu. Não dava pra trazer o imac pra cama. Ou até daria, mas o esforço teria de estar relacionado com algum tipo de fantasia sexual pouco ortodoxa, o que não é o caso.
Sim, é uma rede wifi. Eu que fiz.
Sim, é em minha casa (poderia ser num motel, oras, vai saber. Aliás não poderia, não: qual a utilidade de uma rede de internet num motel? tirando a possibilidade – rara – de você espichar o braço pra pegar o celular e tuitar “cabei de gozar na boca da Sandy – aquela mesma – epic win!” não vejo utilidade no treco.

Aí noutro dia falaram pro Jojó (pelé speech third person mode on) “ai, acho um porre esses posts que você fica dizendo que tem as coisas, que comprou isso e aquilo”.

Jojó trabalha, Jojó merece, ora pitomba (pelé mode off).
Qual a graça de botar uma rede sem fio dentro de casa se não puder compartilhar isso com a patuleia?
Eu adoro despertar sua invejinha.
Eu adoro pensar que você lê e pensa “velho, se esse bocó foi lá e meteu um notebook, também vou meter”

Falo por mim: essa inveja me move.
Vejo um amigo – você mesmo, fábio bomba, nem se esconda – com um celular touchscreen foda da blackberry e penso “eu tenho que ter uma porrona dessa também”.

Eu sou assim desde de pequeno.
Mas aí são meus traumas – acompanhe que eu sei que você curte, seu psicólogo amador de meia pataca:

Eu queria um atari.
Aí meu pai me deu um dynavision.
Na época em que já tinham lançado o master system.

Meus primos, claro, já tinham um phantom system.

Aí eu pedi um master system, e ganhei, mas só quando ficou barato.
E adivinha: o master system só ficou barato quando nego inventou o mega drive, que era mega foda.

Isso marca um ser humano.
Imagina essa sensação de estar na rabeta tecnológica do mundo aos 8 anos de idade pra um menino nerd que nem eu (nerd sim, oras, afinal quem fica nessa que nerd não bebe e não come gente é otário).
Por isso, fica aqui minha dica de educação: não negue nada tecnológico que seus filhos vierem a te pedir.
Eles podem se tornar monstros abjetos mergulhados em egoísmo, tipo eu.

Mas, passado o aparte tecnológico, voltemos a meu notebook e minha rede wi-fi.
Ok, eu me dei bem. Mas você se deu bem também nessa, danadão.

Pensei na miríade de possibilidades.
Agora, posso postar cagando.

Imagina o que virá nos próximos posts… hein, hein, hein?

Com pesar e também esperança (agora em definitivo, com um post por dia e, em breve, com novo layout)
Jojó da Babá.

21/12/09 | Veja mais | 3 comentários;

Estilo “come essa papinha que faz bem”

Fecha esse blog e vai ler Leminski que eu tô mandando.

09/12/09 | Veja mais | 3 comentários;

Um micro conto de Namorada para vocês

Uma participação especial de Namorada neste humilde blog.
Já que eu não tenho tempo de escrever, escreve ela.
Ela o publicou no twitter, mas achei que serviria pra explicar bastantes* coisas sobre o paradeiro disso aqui.

“Era uma vez uma menina chamada Carlota. Ela tinha um namorado. Aí chegou o natal e a agência de publicidade em que ele trabalha comeu ele. E Carlota ficou triste. Fim”

Entenda assim: se eu não ando tendo tempo de trocar beijocas, vou ter tempo pra vir aqui vender minha alma barato pra meia dúzia de condenados?

*no bar noutro dia, duvidaram de mim quando eu disse que “bastante”, agindo como adjetivo numa frase ou noutra, deveria ter plural. A regra não é bem essa, mas foda-se: TODOS os posts até o final do ano terão a palavra “bastantes”. Se a verdade fosse uma empresa, eu seria sócio com 51%.

09/12/09 | | 2 comentários;

Visceral

Essa falta de providência, essa melancolia subjugada e consciente, rebelde sem causa, que graça nos dias de hoje, me enoja.

Prefiro os que são de carne e osso, que sangram.

Poesia é sangue e jorro e marca de dedos prendendo o pulso, até que mude a cor da pele e, assim, arroxeado, tudo o mais se ponha em outra perspectiva.

O resto é raso.

04/12/09 | | 5 comentários;

Um lembrete pra mim mesmo

Cheguei em casa com o mesmo olhar doentio, acabado, perturbado de tantas noites neste mês macabro que vem sendo novembro.

Namorada me ligou. Passei o dia sem celular.
E me chamou pra sair.

Tava tão cansado que já havia me resignado a assistir zorra total.
Fundo do poço? Se aceita visa, velho, eu vou.

Daí me liga a brodagem. “Tamo num bar do lado de sua casa. Vem”.
Resisti. Aí o povo, uma boa meia hora depois:
- Vem. Você faz falta.

Daí fui. Encontrar com amigos queridos que me fazem uma puta falta.
Por que gente que eu gosto faz tanta falta?

Primeiro que é uma galera que não precisa ter legenda.
Falo alguma coisa sobre a sexta temporada de House e todo mundo entende;
Falo alguma coisa sobre o governo de Uganda decidir matar homossexuais (bizarro) e todo mundo leu algo sobre.
Faço uma piada hermética sobre, sei lá, a menina da uniban e todo mundo saca na hora. Não importa o quanto hermética seja.

Mas aí você me pergunta: essas pessoas, logo, fazem uma falta funcional em sua vida, né?

Não só.
O que faz falta é isso aqui, ó – a galera da brodagem falando isso:
“Velho, a gente sabe que você marca compromissos com várias galeras e não vai. Não é isso que irrita. O que irrita mesmo é que quando você marca e não vai, você me sacaneia por me privar da sua presença”.

Bom ter amigos, né?

Beijo para todos. Vocês são o que me mantém de pé.

04/12/09 | Veja mais | 7 comentários;

Esse blog…

… anda bem lamentativo, hein?

Vamos prum bar hoje?
Eu vou.

02/12/09 | Veja mais | 7 comentários;

Como dizia o velho poeta Pablo Neruda…

…hoje tá fueda, pueblo.

Bilhares de problemas no trampo, concorrências, a loucura do natal…
Ainda mais quando eu PRECISO ganhar tudo e todas as concorrências do mundo, sendo o megalomaníaco que você já conhecem.

Noutro dia contei: fiz uns 15 cartões de natal. De baciada.
Haja papel.
Ecologia? Fim do desmatamento? Aquecimento global?
Não trabalhamos. Dinheiro na mão, árvore no chão.

Nem montei minha árvore (a falsa de plástico vagabundo), mas sinceramente o natal já me encheu profundamente.

Contudo, ainda aceito qualquer encomendazinha de cartão de natal, mensagem de feliz ano novo ou coisas assim.
Mercenário style.

Assim sou eu: eu ouço bandas de rock obscuras e vendo textinhos no melhor estilo Roberto Carlos.
Eu sei emocionar a patuleia, daí vendo, no carnê, minha alma em cartões de natal que pararão no lixo, muito provavelmente.

Noutro dia me pediram um cartão “com mais emoção”.
Quer emoção? Vira o cu pra você ver uma coisa emocionante, paspalho.

Daí tô nessa: dormindo pouco, fumando horrores.
Hoje minha vontade foi de sentar no estacionamento do prédio de minha empresa e começar a arrancar os cabelos do cu.

Pire aí no nível freaking out do garoto.

Já disse que tô dormindo pouco?
Mas é tipo assim: durmo e acordo de hora em hora. Assombrado.
Daí cigarro, café, 10 minutos de merda na internet e volto pra cama. Pra acordar dali a meia-hora.

Mas amanhã (o que será o amanhã? responda quem puder) tudo acaba, pro bem ou pro mal.

Os que gostam de mim, torçam por mim.
Os que não gostam, desenvolvam toda sorte de modalidades pouco estudadas de cancro mole na cabeça da chibata ou do grelo.

Pode tudo acabar bem. Pode tudo acabar mal.
É da vida.

Porém, se acabar mal, é importante lembrar e frisar e reforçar que, mesmo tendo arranca-rabos HOMÉRICOS na agência, mesmo dormindo pouco, mesmo gastando os melhores anos de minha vida enfurnado no escritório, mesmo rasgando a dentadas os enfeites de natal que as estagiárias colocaram sobre meu computador, é importante ressaltar que meu pau continua subindo bem.

Uma boa notícia, portanto.
Nem tudo está perdido.

Completemos este post com outra máxima do Pablo Neruda (fica bonitinho começar e acabar igual):
Onde há ereção, há esperança.

01/12/09 | Veja mais | 4 comentários;