Sobre o reveillon

São 17h50, ou dez minutos para as seis. Até eu terminar este post, já serão seis da tarde.

Ou seja: para um quarto do mundo, já estamos em 2010.
E, no caso, para a parcela mais populosa do mundo.

1 bilhão de chineses não podem estar errados.
Não espere dar meia noite.
Comece, agora mesmo, a preencher sua face de álcool.

Eu já comecei.

Não faço resoluções nem planos nem espero muita coisa e nem temo muita coisa pro ano que se inicia. Vamo continuar trabalhando, conquistando as coisas devagarinho, tomando cachaça e maldizendo a vida.

Que não nos falte neosaldina, que o Johnnie Walker Black Label fique nessa mesma faixa de preço, entre 95 e 100 barão, que você consiga passar a pica em gente, afinal muitos vão do berço à cova sem comer ninguém (ou, no caso, sendo mulher, que você finalmente arrume um cara bacana pra te passar a jambreta) e é nóis.

Amanhã eu conto da ressaca.

31/12/09 | Veja mais | 2 comentários;

100 seguidores

Tem é gente desocupada no mundo.

Desvaneço-me em elogios catalépticos. Vocês são bacanas.

Vamo prum bar hoje?

29/12/09 | | 4 comentários;

Planos

Hoje, saindo do escritório, vou comprar bebidas.
O certo é tequila, uísque e vodka.
A tequila é pra brodagem, a vodka para ouvir Stevie Wonder e o uísque é pra todo dia mesmo.

Oremos.

29/12/09 | | Clap, clap, clap: alguém comentou

O valor da educação

Dá pra se ser plenamente feliz – e por plenamente entenda a coisa de maneira geral, ampla e irrestrita – sendo uma porta. A felicidade não está atrelada ao seu intersse pelos aspectos mais ordinários da cultura pop ou pelo seu interesse em música clássica alemã do século dezenove.

Inclusive, eu desconfio tenho certeza que saber mais sobre o mundo te faz ter uma consciência das coisas que te impede de viver de sorrisinho na boca o tempo todo.

A ignorância, já disse Cypher em Matrix (enfiando os dentes num belo bife), é uma benção.

Claro: o leitor mais esperto sabe que a frase não é de Matrix, é uma citação que deriva do Eclesiastes: “Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e quem aumenta a ciência, aumenta a dor” (Eclesiastes, 1,18).

Ok, você poderia afirmar que não é religioso e não tinha como saber – como se a bíblia só pudesse ser lida por pessoas religiosas. Eu li Ulisses, de Joyce – ou tentei ler e fracassei, e ainda me cobro por conta disso – e sei que aquilo é uma releitura da Odisseia, de Homero.

Saber que Ulisses ou Dedalus ou Capitu são personagens de ficção não me impede de ler e me apropriar do treco.

Mas a frase poderia ter vindo diretamente do título daquela música do Ramones, “Ignorance is bliss”, não? Bom, de qualquer modo a frase, de maneira enviesada, existe também em 1984, do George Orwell (lá ele fala que ignorância é força, mas o sentido no texto tem uma certa ironia) e John Lennon falou a mesma frase numa entrevista com o Jann Werner, à Rolling Stone, em 1970 – uma entrevista reveladora sobre o final dos Beatles e tal.

Em qualquer dos casos, a frase tem lá a sua razão. O cara pode desconhecer esses caminhos que a frase já trilhou, mas entende o filme do mesmo modo, ou, se não do mesmo modo, em outro nível (referências são importantes, mas ninguém morre pela falta delas – Matrix é bom de todo modo).

Jogadores de futebol não estão entre as parcelas mais letradas da população. No entanto, muitos deles fazem fortuna e não morrem necessariamente no ostracismo: administram a grana que ganhara devido a uma habilidade muito específica e levam uma vida digna, feliz e patati patatá.

Na verdade, então, qual o valor da educação?
A erudição é como a grama do vizinho: sempre parece ter mais valor quando está nos outros.

Mas o conhecimento das coisas tem um valor: a busca da verdade.

Se um cara vira pra você e diz “o resultado da megasena da virada é amplamente conhecido: pegue o seno da inclinação do eixo terrestre, multiplique pelo fator da matriz determinante da data da lua nova dos meses ímpares do ano de 2012 e voilá: você obtém cinco números. O sexto é uma incógnita, mas tudo indica que é 42 (Douglas Adams se revira no túmulo)”.

Essa pseudo-amostra de erudição pode cegar muita gente (o argumento como um todo é uma extrapolação, entenda o conceito e estamos bem) e não é raro neguinho dizer “uau, é por aí mesmo”. Outros, cegos pela mistificação, poderiam ainda responder “bobagem. É amplamente sabido que os números da mega sena são a quantidade de pentelhos de Deus catada por cada um dos querubins assistentes de Deus em seu trono na última quinzena”.

Alguns, poucos, diriam :”será mesmo?”

Cultura, educação, erudição, tudo isso serve com o único propósito de fazer com que nos perguntemos “será mesmo?”.

E, se isso não é a felicidade em si, é ainda um jeito excepcional de encarar a vida.

29/12/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

inveja mata.

tudo bem que ninguém tá vindo ler essa merda, é final de ano e tal, mas essa eu tinha de postar: um brodi ganhou uma passagem de ida e volta pra dar um rolé em portugal.

oO

Agora você me pergunta o que eu ganhei. Pergunta, vai.

oO

FUUUUUUUUUUUUUU…
Irritante isso.

Fábio, amigo querido, tomara que você morra na viagem. Isso eu tive oportunidade de falar ao vivo.

O que eu não falei, mas trouxe pro blog, é que acho que, a partir de agora até o momento em que você for pras terras lusitanas, você deve tomar muito cuidado com Pálios pretos trafegando loucamente por aí. Nunca se sabe quando um amgio invejoso está ao volante, né verdade?

Abraços e bye.

27/12/09 | | 3 comentários;

Presentear

Já fui bom nisso.
Já fui chuva grossa nesse quesito.
Hoje, não sou nem garoa.
Estou ficando velho e acabado.

Creio que os últimos presentes relmente interessantes que dei na vida foram ofertados ainda na década de oitenta.
Lembro que pintei uma gravata para o papai e, ainda, hoje, a coisa não parece totalmente demodê.

Não tinha dinheiro, daí catava um vidrinho velho e decorado, pingava duas gotas de água de lavanda dentro e chegava nos brodis dizendo “recebes agora duas gotas de suor de dragão, ó amigo, como prova de nossa amizade”.

Hoje estou ficando velho e sem tempo e – pior – cada vez mais autocentrado, e ser autocentrado me impede de sentir uma empatia verdadeira pelos outros e aí eu apelo pra fórmula “presente caro” e pá.

Dar um presente é se colocar no lugar do outro. O grande presente é aquele que demonstra que você gastou tempo pensando naquela outra alma, desvendando seus meandros mais profundos – ui – e disso tira uma coisa que é mais que um presente: é uma experiência.

Namorada sabe disso. Daí me deu – sabe-se lá como ela encontrou isso – um Banco Imobiliário dos Beatles. Ao invés de comprar a Vieira Souto e a Brigadeiro Faria Lima, você compra discos dos beatles. Os pininhos do jogo são personagens prateados de canções dos fab four, como strawberry fields forever (o pino é um morango, obviamente), rocky racoon (uma raposinha), octopus garden (um polvo) e um martelo de prata, aquele mesmo com o qual, segundo Paul McCartney, o Maxwell sai martelando a cabeça de gente desafortunada. Em todo o dinheiro do jogo, ao invés da clássica “in god we trust”, há a expressão “all you need is love”, e se todo o jogo em si fosse sem graça, este toque de ironia já salvaria o conjunto da obra de maneira espetacular.

Ela, ao me dar o banco imobiliário do beatles, combinou duas de minhas maiores obsessões: beatles e dinheiro. Ela poderia ter-me dado, sei lá a coleção completa remasterizada de discos da banda, mas gastou meno de um terço do valor que gastaria fazendo isso e agradou.

Aí você me pergunta: deu o que pra namorada?
Um perfume caro. Clichê.
E ela nem gostou da essência do treco: foi na loja e trocou por outra.

Tudo bem que eu tava sem tempo, tudo bem que há bilhares de desculpas pra isso, mas sacou qual o conceito do treco?
É triste dizer isso, mas nem tudo é grana. Sometimes, all you need is love.

26/12/09 | Veja mais | 4 comentários;

Apetitosa

Acho a Nigella super sexy. Parece uma pin-up cozinheira.
Mas o melhor na Nigella é o sotaque inglês.

Mulher tem que ter carne. Quem gosta de 0sso é cachorro.

25/12/09 | Veja mais | 2 comentários;

Justificando

Eu espero que vocês tenham notado que não teve post de feliz natal – seu cu no meu pau -  nem nada disso. Foi uma proposital ausência de posts.
Fiz questão de ser assintoso quanto a isso.
É uma reinterpretação e apropriação do Wu Wei por este blog lazarento.

Não posso exigir tanto de sua cabecinha ressaqueada, por isso cabe explicar que Wu Wei seria, mais ou menos, a ação pela não-ação. Filosofia do povo de olhos puxados.

Vejo muito blog dizendo que detesta o natal e sucumbindo, nos instantes finais, mandando ho-ho-ho e abracinho e feliz natal, feliz channukah ou feliz qualquer merda.

Coerência é fundamental.
Não ver graça no natal e mandar felicitações equivale ao ateu que se converte no leito de morte.

Coisa de cagalhão.
Que Deus me livre disso.
Hei de morrer achando que é só isso mesmo.
Aliás, isso me faz refletir sobre religiões e todas essas coisas e só me ocorre que gente que acredita em reencarnações e vida após a morte se apóia nessa crença pra ser escroto agora e compensar depois.

Comigo não, malandragem.
There´s one shot. Only one.
Ou a gente faz o treco certo agora e deixa uma marca ou babau.

Mas o post não era sobre isso.

Este ano, estive muito, muito perto da possibilidade de ficar em casa sozinho derrubando um red label. Seria um natal massa. Acabei fazendo o tradicional circuito do peru com farofa mesmo na casa de parentes e da brodagem e zzzzzzzzzzzz.

O bom do natal é que acaba logo.
Podemos, todos, voltar a ser egoístas e miseráveis como sempre.

25/12/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Só pra vocês saberem

Avatar em 3d me fez tomar raiva de minha tv.

É uma das experiências mais fascinantes que já tive na vida, excluindo aquelas que envolvem muléres nuas e bacanais.

23/12/09 | | 4 comentários;

Sintético

Era um gesto rico e um desenho estranho, era um post imenso e virou isso (guimarães rosa é quase o texto zipado):

Sei de quase nada. Mas desconfio de muita coisa.

23/12/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou