Tem coisas que me irritam

Garçom ou atendente de loja que você visita com frequência ou profissional de qualquer birosca que vira amiguinho.

Puta merda, essa eu detesto.
Você pinta na birosca, posto de gasolina ou qualquer merda e o cara sorri e fala, antes de você, o que você vai pedir.
Onde é que vende daquelas estrelinhas ninja pra eu tacar no olho do cara que faz isso?

Você senta no bar e o garçom, amigão do capeta, chega, te abraça, aponta você pros caras da mesa do lado e fala “aqui é cliente antigo, gente fina! e aí, amigão, aquele filézinho ao molho madeira de sempre? Bota a caixa de cerveja aqui do lado?”

E, num só golpe, todo o bar descobre que você é alcoólatra.

Ou então tem o pacote completo:
Você tá no meio da fila de uma loja de conveniência, o brodi cola no caixa, sorri pra você e grita, piscando o olhinho “uma carteira de Camel, né chefe?”.

Ok, eu vou comprar uma carteira de camel.
Mas não tava no escopo fazer disso uma bandeira. A marca de cigarro que eu fumo não é uma coisa que mereça ser berrada a plenos pulmões.

Ex-fumante que ouve a marca do cigarro que você fuma e tira você pra cristo.

Invariavelmente, um tio da fila vira e fala “rapaz, tão novinho e fumando. Não fume, não, mocinho: olha, eu fumei 20 anos e depois que parei tudo em minha vida melhorou e tal” e daí eu sou obrigado a ouvir um monólogo de 20 minutos sobre como as coisas voltaram a ter um sabor especial, como a mulher dele  parou de reclamar de cheiro de cigarro e patati patatá.

Ex-fumante é a pior raça de corno que existe.

E, só pra constar, rapazinho é a puta que te pariu.
Pago minhas contas, tenho 28 anos e, se morássemos todos em Serra Leoa, eu seria o macho alfa mais velho da matilha de guerrilheiros que cortam braços a troco de diamantes.
Aliás, se vivêssemos nos tempos bíblicos, eu faria parte do conselho de anciãos, anciões, anciães ou como quer que seja o plural da palavra “ancião”.
Portanto, rapazinho é o caralho: sou sujeito homem, já fumei, já fodi, já matei (cidade de deus feelings).
Se bobear, já passei a jambreta em mais gente que o senhor.

Mas piora.

O tio começa falando dessas coisas, mas o objetivo dele é falar de sua própria ereção.
Começa falando de comida e cheiro e tal, mas o objetivo dele é se reafirmar enquanto macho.

- Até, rapaz, (e aqui começa um tom de voz entre o consternado baixinho e o malicioso) na hora do sexo, a coisa fica melhor…

Aí você, pessoa educada, responde “joia” e ele se empolga “é mesmo, tô te dizendo…” e tome-lhe goela abaixo mais 20 minutos de monólogo sobre como ele voltou a ficar de pau duro e a comer D. Nilzete, sua esposa, com vigor e entusiasmo.

A vontade que dá é de dizer “relaxa, tio, meu pau sobe, e sobe bem. Aliás, anda subindo por bobagem. Bate um vento, sobe. Vira o cu pra você ver”.

Aí começa a sessão racional “Sabia que faz mal?”
Não, sabidão. Sabia não.
Ou então a sessão consultor financeiro: “e gasta uma grana né?”

Aí eu respondo: tio, fumar é esporte de rico. Se não sabe brincar, não desce pro play. Sou bem sucedido, adoro queimar dinheiro.

Aí o tio vira pro cara da frente e fala “vixe, que grosseria, só queria ajudar”.
E o cara da frente completa “né?”.


Gente que só quer ajudar.

Não rola. Não suporto gente que só quer ajudar.
Se eu não solicitei sua opinião, não a emita.

Há uma grande chance de você tomar uma patada.

Muito ajuda quem não atrapalha.

20/10/09 | Veja mais | 16 comentários;

16 Comentários em “Tem coisas que me irritam”

  • diana falou:
    16/02/2011 em 23:25

    mais chato que ex fumante, ou talvez, emparda, é ex gordo… saco, – eu fiz a reduçao e estou otima.. sim, para fazer ponta em filme sobre campo de concentração… o inferno, deixa eu comer minha massa folhada, meus 500 ml de cafe e meu cigarro mentolado

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