Breaking news. Para tudo. Essa notícia mudará sua vida.
Seguinte, malandragem: vi agora num programa desses xexelentos de fofocas que o Lucas Something, cantor do Fresno – aquela banda adolescente que toca alguma coisa que ouvi superficialmente, desconheço em profundidade e não gostei muito – falou numa entrevista que os gays se vestem melhor que os heterossexuais.
Puxa. Que puxa.
Que revelação.
Oremos. Pausa para estupefação.
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Descobrir a pólvora é notícia, agora.
Claro que os gays se vestem melhor que os heteros. Quer dizer: alguns gays. Tem um brodi meu que é gay e se veste igual um office boy. Calça Jeans e pólo. Todas iguais. Assim como tem uma galera hetero que arrisca, mete (no bom sentido) umas roupas transadas (desligue o disjuntor do duplo sentido um pouquinho, seu pervertido) e abala geral.
Poderia dizer que toda generalização é meio boba.
Mas não é.
Generalizar é parte do nosso modo de pensar.
É CLARO que tudo tem excessões, é ÓBVIO que quando alguém fala “todo mundo que tá no twitter é desocupado” é uma forma de falar e é GRITANTE que blá blá blá ballantines 12 anos blá blá blá zzzzzzzzz (gosto mais de ballantines que de whiskas sachê, daí resolvi inovar).
Não tamos aqui pra discutir essas obviedades, né?
Nem tudo é igual a tudo, mas generalizar ajuda a defender pontos de vista e tal.
E no caso, o carinha do Fresno tá certo, oras.
Isso é motivo de tanta celeuma?
Quem gosta da banda vai continua gostando.
Quem não gosta vai continuar desgostando.
Quem não tá nem aí pra banda vai continuar atualizando o Detesto Gente Inteligente.
Daí, com essa declaração, a imprensa levantou “será que o cara é gay?”
Bom, realmente faz diferença? Se o cara for gay, a declaração do brodi é menos válida?
Eu acho que é uma coisa mais ou menos consensual entre pessoas educadas, instruídas e tal, que a orientação sexual das pessoas é algo que não faz diferença. Ninguém é melhor nem pior por ser gay. Cada um trepa com quem quiser.
Você, leitor esperto, sabe que, quando eu me refiro a pessoas bem instruídas, não tô me referindo às torcidas organizadas de futebol, que – segundo li em algum site à tarde – fica gritando “bicharlyson” praquele jogador que vive sendo acusado de ser gay e tal.
Se na europa uma torcida grita “macaco” pro Adriano porque ele é preto, isso vira um putetê dos infernos. Se aqui a torcida do flamengo grita “bicha” pra um jogador, isso vira paisagem.
Eu me incomodo com essas coisas. Mas não muito.
Porque, pra mim, pelo menos, é claro que o zeitgeist (ui – pesquisa no google, patuleia) moral, em poucos anos, vai condenar esse tipo de comportamento de maneira veemente.
Acho escroto demais esse lance de dois pesos e duas medidas.
Mas, sobretudo, ficar vendo esse tipo de especulação na imprensa – e saber que tem gente que gasta energia elocubrando hipóteses a respeito da vida sexual dos outros – me causa uma certa náusea.
Saca preguiça imensa dessas coisas?
Aliás, assim, tem coisas que me cansam, No outro dia, alguém comentou no twitter, a notícia principal era algo como “Ana Carolina come arroz!”
E trocentos comentários.
Get a life, dude. Vai trabalhar, vai fazer algo produtivo, vai escrever num blog as coisas que você pensa. Ficar lendo este tipo de notícia, realmente, não dá.
Sei lá, eu me sinto meio vivendo em um universo paralelo, às vezes.