10 coisas fantásticas para fazer quando se está sozinho em casa.

Companhia é legal, mas sou uma alma solitária por definição.

En español: soy una alma solitaria. Mais dramático.
Soa mais a Thalia, mas é verdade.

Adoro momentos de solidão. Adoro. A-TO-RÓN!
Tenho muitos amigos (talvez mais do que consiga administrar de uma maneira decente sem marcar compromissos que sei que não poderei cumprir), amo minha família e namorada e patati patatá, mas é fantástico poder ficar absolutamente sozinho de quando em quando.

Não entendo gente que precisa viver cercada de gente.
Como diria o mestre Bukowski, parece gente que tem que ficar se coçando continuamente pra lembrar que está vivo.

Daí segue uma lista, absolutamente idiossincrática, de coisas legais pra fazer quando se está sozinho.

Pequenos prazeres. Je suis Amelie Poulain.
Ela enfiava a mão em sacas de cereais, e certamente minha mão vai dar uma passadinha no meu saco para uma coçadinha básica no intervalo que ocorrerá dentre tantas atividades divertidas que proporei abaixo..

1 – Abrir a porta da geladeira só de cueca.

É o primeiro passo: ficar de cueca.
Morei com mamãe muitos anos, mas era guri e vestia o que me mandavam.
Depois com papai e madrasta e irmã e milhares de pessoas, mas aí eu era adolescente e vivia de pau duro, logo só andava de bermudão.
Depois que fui morar só, adulto e pagando conta, descobri que coisa fantástica é ficar de cueca.

Ou nu. Depende da pegada do dia.
De cueca é mais confortável.
Se, someday, eu tiver um filho, ele só vai andar de cueca.
Só vou comprar roupas pro jovem peraltinha quando ele completar uns cinco anos. Até lá, só cueca.

É a minha forma de contribuir com a educação emocional de meu filhote e de garantir que ele seja um adulto pleno de felicidade.

Eu achava que era coisa de gente doente andar nu ou de cueca dentro de casa. Não é. É massa.
Aí você abre a geladeira sem nenhum motivo e toma um “pá” geladinho no meio dos quiba.
Bastante agradável. Sinal de gente independente.
Quem nunca tomou um barrufo gelado no saco não sabe o que é a felicidade verdadeira.

Claro: se você for homem, é bastante pertinente lembrar que, assim, de cueca, você deve andar distante de mesas com quinas afiadas, longe de fogões e coisas que possam vir a prejudicar o seu instrumento de trabalho. Isso sem falar de toda a plêiade de vegetais de duplo sentido (pepinos, cenouras – Mario Gomes feelings – e outras coisas laelísticas – lá ele).

2 – Ficar com fome e inventar as coisas mais escalafobéticas do mundo pra rangar.

Todo cara que mora sozinho só sobrevive à base de delivery.
Mas tem dias que você não tá a fim. Ou tá sem grana.
Aí rola misturar duas coisas completamente idiotas que estejam sobrando em sua combalida geladeira e arriscar.

Acho, inclusive, que a brilhante mistura de salmão cru com cream cheese foi inventada por um brodi solteiro, de cueca e com preguiça de pedir pizza.

Hoje, mesmo, rolou pão ázimo (aquele pão judeu, ignorante) com salsicha.
Não foi de todo mal.
Levando em consideração que judeus não devem, segundo preceitos religiosos, comer carne de porco, a refeição da noite foi uma blasfêmia bem humorada.

Quer dizer: bem humorada para mim. Eu ri enquanto comia.
Se algum leitor deste blog é, como diria eufemisticamente Sílvio Santos, isreaelita, deve estar resmungando mais que aqueles senhores que ficam se balançando em frente ao muro das lamentações, naquela praça de guerra que deve ser Jerusalém.

Realiza, malandragem: fiz tipo um cachorro quente com o pão usado para comemorar o pessach. De certo modo, ofendi os estadunidenses também, ao profanar o hot-dog. Se tivesse Homus (para o povo burro, aquela pasta árabe de grão de bico) e eu tivesse passado a pastinha no hot-dog do Osama (batizei agora) não tenho dúvidas que <ironic feelings> meu amado palacete na mais garbosa cobertura do Alto de Brotas – bairro nobre onde resido, </ironic feelings off> seria bombardeado de maneira truculenta por todos os envolvidos direta ou indiretamente no quiprocó do Oriente Médio.

Você, fatídico leitor, pode me apontar o dedo, dizendo que ninguém liga pro que eu como ou deixo de comer, mas eu insisto em pensar que até comendo pão, trajado de cuecas em minha casa, eu abalo a geopolítica mundial.

Suco de uva Tang acompanha. Azia comendo no centro, mas tá joinha.

3 – Dormir no sofá da sala.

Precisa explicar por quê isso é altamente transgressor?
Confio em sua inteligência.

4, 5, 6 e 7  – ver putaria e libertinagem vídeos educativos no computador que fica na sala sem me preocupar com o volume dos gemidos das palestras.

Oh yeah, baby.

8 – Ler ouvindo música alto até de madrugada

Gooooooood.


9 – tomar café na padaria.

Ok, não se faz em casa. Mas é tipico de morar sozinho.


10 – Escrever no blog

Ok, aqui é uma puxadinha no saco dos leitores.

29/10/09 | Veja mais | 79 comentários;

U2 tocando ao vivo no you tube

Se você vive neste planeta, sabe que o U2 – aquela banda que faz discos muito foda intercalados por discos muito ruins que se tornarão clássicos de qualquer forma – tocou ao vivo, pro mundo inteiro, no youtube, ontem à noite – no Brasil, começou meia noite e meia, mais ou menos (horário de Brasília). A transmissão foi simultânea para o mundo todo.

Você é pobre e mané e teve de dormir cedo porque hoje tem que trepar em andaimes carregando um balde de cimento entre os dentes enquanto agarra nos ferros pra chegar ao sétimo andar da construção. Ok, tintendo.

Mas papai jojó é bonzinho e te dá o link. O show tá lá.

http://www.youtube.com/U2official

Pelo que se comentou no twitter foi um grande show, naquele esquema: the edge carregando a banda nas costas, o resto da banda fazendo o básico direitinho e Bono, o cantor messiânico, falando sobre algum problema humanitário que ninguém conhece e sobre o qual todo mundo finge interesse.

Bono pode.
Bono é o macho alfa.
Em quase todo show, Bono vox cata uma nega da plateia, dá uma roçadinha e umas bitocas e exige a paz mundial.
Se eu tivesse o emprego de Bono, realmente eu me importaria com os conflitos raciais de Uganda. Afinal de contas, o resto tá resolvido: é veuve clicquot no camarim, umas lambidas numas negas e meia dúzias de cançonetas.

Assim fica fácil, né, papá?

Bono, naquele show do Brasil, agarrou a Katilce, lembra?
Katilce era casada – acho que indaé.
Conversando com amigas casadas, quase todas disseram que dariam uma lambida no Bono (não na bolacha, no cantor do u2) se fossem convidadas a subir no palco. Alguns amigos casados, como Pablo, também afirmaram isso. Aliás, todo cara bem resolvido e heterossexual que conheço daria uma bitoca no Bono:

- Ô, véi, você dava uma beijoca no, sei lá, Ronaldo?
- Colé, Jorge, tá viajando? Sou macho, porra. Sou espada!
- E se o Bono Vox te pegasse num show, no meio de One?
- No Bono? Pô, no bono eu daria. Viadagem seria não dar.

Lembro que assisti ao show do Brasil na casa de uma ex-namorada na época. Quando Bono começou a lamber a Katilce, a ex-namorada apressou-se em deixar claro que não lamberia o Bono.

Fiquei meio irritado.
Se é pra ser corno, que seja com o Bono.
Dá pra comentar depois com a Brodagem.

- Sabe o Peçanha, brô? a Mulé dele tá dando pro Almeida. Aliás, tem é corno na galera, hein?
- Oxente, Jojó, tá viajando? O único corno comprovado da patota é você. Sua mulé beijou o Bono vox em rede nacional!
- Sim, malandragem, mas tomar um corno do Bono é motivo de orgulho. Tipo, minha nega racionalizou o treco: quero dar pra alguém, mas não tem ninguém no nível de Jojó, daí vou pro show e cato o Bono e resolvo.

Eu faria camisetas:

Minha nega me deu um corno com o Bono Vox.
A sua tá dando pro Almeida.

26/10/09 | Veja mais | 7 comentários;

Momento ecológico

Todo mundo cantando juntinho no refrão:

Ajudar o peixe!
Ajudar o peixe!
Ajudar o peixe!

22/10/09 | Veja mais | 7 comentários;

Helltown: como é a rotina no inferno

Lá, nos domínios do Coisa-Ruim, não tem nada de muito diferente do que tem por aqui, não.

É bem parecidinho, inclusive.
Não tem demônios, nem tridentes, nem chamas, nem danação eterna, nem sofrimentos imensos, nem nada dessas coisas que as pessoas, atreladas à mentalidade católica de culpa e expiação, imaginam que haja por lá.

É quase normal em Helltown. Tem carros e trânsito e trabalho.
O que fode tudo é o corn flakes.

Leia e entenda.

No inferno, funciona assim: você trabalha muito.
Umas duzentas horas por dia.

Você ganha uma grana e tem tudo de conforto que uma casa pode ter em sua própria casa. Uma TV linda e enorme, uma assinatura rombuda de tv a cabo, um sofá delicioso, um edredom do caralho…

Mas você trabalha tanto que, quando chega em casa, mais ou menos meia noite, todo dia, não consegue nem ligar a tv. Seu sofá fantástico não fica tão agradável, uma vez que em Helltown faz tanto calor, mas tanto calor, que você se sente derretendo em qualquer lugar.

Aí você vai tomar um banho.
A água é quentinha.
Bem quentinha.

Tão quentinha que, se você bobear, ela arranca teu couro de tão quente.

Aí você pega seu celular, modernérrimo, com tudo que pode haver de tecnologia, e recebe mais uma mensagem da nega que você cata, reclamando que você nunca tem tempo para vê-la.

Sim, queridinho, porque você também pega gente no inferno.
Sua namorada, por exemplo, é uma gata, gostosa e amplamente apertável.

Só que você nunca tem tempo de vê-la. Nunca.

No inferno, você desiste da parada, até porque já é quase uma da manhã e você, amanhã, terá de sair pra trabalhar às sete, e pensa assim: porra, malandro, vou comer alguma coisa e vou dormir.

E é aqui que minha teoria se prova:
só tem corn flakes todo dia.
Todo santo dia.

Só tem corn flakes com leite.
E, amanhã pela manhã, nem se empolgue: é corn flakes no bucho.

Quando você chega logo lá em Helltown, inclusive, você pensa “malandro, tá joia, inclusive porque eu adoro corn flakes”.

Pensa agora na eternidade comendo corn flakes.

Tem comidas muito bacanas em Helltown. Sério. Tem outback  em Helltown.
Mas tudo engorda, tudo é caríssimo, e a ração diária é só corn flakes mesmo.

Na cama não é muito diferente: seu edredom é lindo, mas Helltown, como você já sabe, arde em brasas, e seu edredom é quente pra cacete.

Você arruma uma casa como sempre sonhou, mas tem de trabalhar igual um mouro pra manter essa casa, e trabalhar esse tanto te impede de desfrutar da casa.

Você compra um carro fantástico, lindo, pá, mas tem que trabalhar tanto pra pagar esse carro que nunca sobra tempo pra dar um rolé pras praias fantásticas que existem em Helltown.

Olhe, mas não prove. Prove, mas não muito.

O inferno é mais ou menos assim:Familiar.

22/10/09 | Veja mais | 5 comentários;

Tem coisas que me irritam

Garçom ou atendente de loja que você visita com frequência ou profissional de qualquer birosca que vira amiguinho.

Puta merda, essa eu detesto.
Você pinta na birosca, posto de gasolina ou qualquer merda e o cara sorri e fala, antes de você, o que você vai pedir.
Onde é que vende daquelas estrelinhas ninja pra eu tacar no olho do cara que faz isso?

Você senta no bar e o garçom, amigão do capeta, chega, te abraça, aponta você pros caras da mesa do lado e fala “aqui é cliente antigo, gente fina! e aí, amigão, aquele filézinho ao molho madeira de sempre? Bota a caixa de cerveja aqui do lado?”

E, num só golpe, todo o bar descobre que você é alcoólatra.

Ou então tem o pacote completo:
Você tá no meio da fila de uma loja de conveniência, o brodi cola no caixa, sorri pra você e grita, piscando o olhinho “uma carteira de Camel, né chefe?”.

Ok, eu vou comprar uma carteira de camel.
Mas não tava no escopo fazer disso uma bandeira. A marca de cigarro que eu fumo não é uma coisa que mereça ser berrada a plenos pulmões.

Ex-fumante que ouve a marca do cigarro que você fuma e tira você pra cristo.

Invariavelmente, um tio da fila vira e fala “rapaz, tão novinho e fumando. Não fume, não, mocinho: olha, eu fumei 20 anos e depois que parei tudo em minha vida melhorou e tal” e daí eu sou obrigado a ouvir um monólogo de 20 minutos sobre como as coisas voltaram a ter um sabor especial, como a mulher dele  parou de reclamar de cheiro de cigarro e patati patatá.

Ex-fumante é a pior raça de corno que existe.

E, só pra constar, rapazinho é a puta que te pariu.
Pago minhas contas, tenho 28 anos e, se morássemos todos em Serra Leoa, eu seria o macho alfa mais velho da matilha de guerrilheiros que cortam braços a troco de diamantes.
Aliás, se vivêssemos nos tempos bíblicos, eu faria parte do conselho de anciãos, anciões, anciães ou como quer que seja o plural da palavra “ancião”.
Portanto, rapazinho é o caralho: sou sujeito homem, já fumei, já fodi, já matei (cidade de deus feelings).
Se bobear, já passei a jambreta em mais gente que o senhor.

Mas piora.

O tio começa falando dessas coisas, mas o objetivo dele é falar de sua própria ereção.
Começa falando de comida e cheiro e tal, mas o objetivo dele é se reafirmar enquanto macho.

- Até, rapaz, (e aqui começa um tom de voz entre o consternado baixinho e o malicioso) na hora do sexo, a coisa fica melhor…

Aí você, pessoa educada, responde “joia” e ele se empolga “é mesmo, tô te dizendo…” e tome-lhe goela abaixo mais 20 minutos de monólogo sobre como ele voltou a ficar de pau duro e a comer D. Nilzete, sua esposa, com vigor e entusiasmo.

A vontade que dá é de dizer “relaxa, tio, meu pau sobe, e sobe bem. Aliás, anda subindo por bobagem. Bate um vento, sobe. Vira o cu pra você ver”.

Aí começa a sessão racional “Sabia que faz mal?”
Não, sabidão. Sabia não.
Ou então a sessão consultor financeiro: “e gasta uma grana né?”

Aí eu respondo: tio, fumar é esporte de rico. Se não sabe brincar, não desce pro play. Sou bem sucedido, adoro queimar dinheiro.

Aí o tio vira pro cara da frente e fala “vixe, que grosseria, só queria ajudar”.
E o cara da frente completa “né?”.


Gente que só quer ajudar.

Não rola. Não suporto gente que só quer ajudar.
Se eu não solicitei sua opinião, não a emita.

Há uma grande chance de você tomar uma patada.

Muito ajuda quem não atrapalha.

20/10/09 | Veja mais | 16 comentários;

Coragem é meu nome

Ok, você perdeu seu tempo vindo aqui e vou te brindar com um acepipezinho.
Não vai acostumando. É boa vontade e gentileza, artigo raro por essas paragens.
Vamos ao causo.

Ser um cara frouxo, frango e mané tem suas vantagens.
Noutro dia, um puta engrrafamento.
Uma hora e meia em meia embreagem andando a 5 por hora.
Tudo parado e ouço aquele “bonk”, tipo de plástico amassando.
Olho pra trás e um carro coladinho no meu.

Realiza: no dia, eu passei 4 horas e meia numa reunião.
Daí mais uma hora no engarrafamento. E um filho do cão encosta no meu carro.

Pego um desvio, o cara pega também, estaciona atrás de mim.
Aí a cena: se fosse Jojó da Babá guiando o meu carro, saltaria assim, ó:

“Puta que pariu… Ô, seu filho da desgraça, você não viu que a caralha da pica do meu carro tava na frente do seu não, seu corno? Chibungo, fio dum rói que fuça? Por que não deu uma encostadinha no grelo da puta que te pariu? Ah, já sei porquê: sua mãe está dando a xoxota agora pra poder comprar vitamilho pra fazer mingau pros próximos clientes do porstíbulo, né, viado?”

Assim seria Jojó da Babá.
Jorge Martins desceu do automóvel assim:
“Mas rapaz, que foi isso, hein? Puxa vida…”

O cara todo suado, nervoso, pediu desculpas e tal. Só deu uma arranhadinha de nada, ele me deu o telefone e tal (nem liguei) e tal.
Daí falei:

- Mas bicho, como foi que você conseguiu encostar em um carro parado num engarrafamento?
- Velho, mil desculpas, saí da delegacia já nervoso hoje, daí o cara que tava do lado começou a jogar o carro me fechando. Eu já tava pelas tampas, desviando dele pra não fazer uma besteira. Tô aqui com o sangue quente, já pensou se é outro policial que nem eu, mas doido? puxava a arma, fazia uma miséria que Deus me livre e guarde…

Agradeci à autoridade policial e agradeci aos céus o fato de ser um frango. Não tava a fim de virar peneira. E, além do mais, o que é um arranhãozinho na lata, né mesmo? A dignidade do cabra frouxo que eu sou saiu muito mais arranhada do episódio.

20/10/09 | Veja mais | 11 comentários;

Faiô

Era pra ter.
Vontade não faltou.

Mas tem dias em que fode tudo. Hoje foi um desses.
Correria, malandragem, correria.

Eu queria ter mais horas no meu dia. Sério. Me falta tempo prum monte de coisa.

Aí nego vira e fala: tempo é prioridade.
Ok, sabidão. Vai dar meia hora de cu na esquina?

Tudo é prioritário quando você se atira nas coisas com gana.
Pra mim, as coisas mais prosaicas são prioritárias.
Viver é prioritário.
Deveria ser na vida de todos.

Eu vivo uma certa ansiedade de querer muito de tudo.
Tins e Bens e tais.
Mas aí começa a virar post e a ideia não era essa.

Só vim pra dizer que não vim hoje.
Later, who knows?

Como disse sabiamente o Ringo, tomorrow never knows.
Mas se faltou léxico pra entender o segundo sentido do treco só me resta lamentar.

20/10/09 | | 4 comentários;

as always

Hoje tem.
Mais tarde.

Grato pela atenção dispensada,
O gerente.

19/10/09 | | Ninguém comentou...Malditinhos!

Este mundo está, indubitavelmente, toooooodo fodido!

16/10/09 | | 7 comentários;

Minhoca

Olá, rebanho de demônios.

Saudades daqui, de vocês e tudo o mais. Mas não é apenas a saudade que me move.

O mote deste post, na verdade, é a estupefação.
Indignado estou.
Irritado. Danado. Perturbado.

Coisas diversas vêm acontecendo no planeta neste exato momento: tem gente trepando (seria bem se fosse eu, mas aí eu não estaria escrevendo), tem gente comendo salmão, tem gente comendo broa de milho com café (espírito de pobre feelings), tem gente comendo a Suzana Vieira e gostando (o.O), mas nada me deixou tão surpreso quanto esta… esta… esta coisa!

A música da minhoca.

Você já ouviu falar. É mais ou menos assim:

- Minhoca, Minhoca,
me dá uma beijoca?
- Não dou, não dou!
- Então eu vou roubar.

- Minhoco, minhoco
Você é mesmo louco!
Beijou do lado errado!
A boca é do outro lado!

Um acinte.
Um tapa na cara da sociedade.

Cadê os militares quando precisamos deles?
Cadê o conselho tutelar?
Cadê o Ministério Público?
Cadê o Bono Vox?
Cadê o Olodum brandindo suas baquetas como clavas em direção aos tambores da ilegalidade?

Entenda o porquê comigo:

A coisa, caros amigos, começa bem.
Em tempos modernos, educar as crianças a respeito da plêiade (ui!) de opções sexuais e esclarecer os pimpolhos sobre o respeito às diferenças é válido.
Mais: é imperativo.
Mais ainda: é vital.

Logo, os versos iniciais da cançoneta – dita – infantil desempenham um papel de extrema valia dentro da gnosiologia metafísica patabológica e – quicá – probiótica da aceitação da alteridade.

O ser, enquanto minhoca, solicita ao seu semelhante, ao seu igual, uma demonstração física, carnal (lânguida em certa medida, porém pungente) e intensa de afeto.
É como se dissesse: “eu, minhoca, solicito a ti, meu igual, que preencha a vacuidade de minha existência com o vosso carinho. Tu, ó minhoca na qual me espelho, serás o artífice de minha felicidade”.
A minhoca, fálica, e o encontro com outra minhoca, com o outro, com o seu duplo, sendo este fálico também…

Freud e coisas diversas.
Favor amplificar o léxico para possibilitar o entendimento.

Isso – posto desta forma, caros – essa motivação do amor romântico, esse desvelar-se em possibilidades de afeto será despedaçado, destroçado, enlameado na sequência da estrofe.
Você,cognitivo leitor, já sabe como isso se dará.
A recusa é reiterada, repetida, especificada. Dizer “não dou” seria suficiente, mas a segunda minhoca – que, daqui por diante, será denominada Minhoca 2, para efeitos de análise – repete a frase, de forma a reforçá-la, a deixar clara a sua repulsa pela minhoca 1 – “não dou, NÃO DOU”.

A minhoca 1, ressentida, abalada em seu vigor, em sua honra, em sua integridade minhocal, exaspera-se.
Motivada por sabe-se lá quais traumas de infância, abandona qualquer possibilidade de amor romântico e, plena a minhoca de lascívia incontida, afirma, com os olhos marejados de fúria e desalento: “então eu vou roubar”.

Comportamento passivo-agressivo?
Classicamente, é o perfil que se vê em tal cançoneta!

Esclarecendo para os menos dotados de faculdades intelectuais avançadas na interpretação memética de textos…

Fica claro o caráter misógino-escafandrista-epiléptico da minhoca 1.
A minhoca 1 recusa a recusa.
Não se satisfaz com a perda.
Sua vacuidade espiritual minhocal necessita ser preenchida.

E assim o mal se dá.
Pela minhoca violada, desrespeitada, invadida: oremos.

Não sabemos bem como se dá o processo de agressão, a tomada à força do carinho da minhoca 2 pela minhoca 1. Porém, podemos supor, uma vez que, na estrofe seguinte, o eu-lírico já é a minhoca 2, refletindo, entre lençóis, a tensão da violação.

“Minhoco, minhoco, você é mesmo louco” – observe como a minhoca dois reafirma a insanidade da minhoca 1.

“Beijou do lado errado, a boca é do outro lado”.
Eu nem consigo exprimir o tamanho de minha indignação com este último verso.

Ou melhor: consigo, sim.
A minhoca 1, movida por um frêmito de qualidade sexual duvidosa, se arremessa rumo à minhoca 2 com gana e violência, sem nem considerar o lado a ser beijado.
O ósculo prometido torna-se, assim, sodomia, putaria, libertinagem. Negado o beijo, a minhoca 1 não se interessa apenas em roubar-lhe o contato labial, mas também a dignidade circumpregosa do orifício rugoso peidante.

Em linguagem chula: “negaste-me o beijo? tomarás no furico, ó minhoca”

Pausa para que eu possa me recompor de tamanho descalabro.

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Andiamo, cazzo…

Que mensagem fica para nossos pimpolhos?
O que consegue-se extrair de uma mensagem assim?

Nossos filhos somente aprenderão que a força é a melhor forma de obter proventos de cunho sexual.
E também que os dois lados da minhoca podem proporcionar satisfação sexual.

Sinceramente, não era isso que uma música infantil deveria comunicar.

Espero que as autoridades competentes venham a tomar uma atitude contra essa mocinha, a tal da Eliana, já conhecida nos meios acadêmicos pela pérola do double-sense “os dedinhos”. Espero poder analisá-la em uma outra oportunidade.

Sem mais,
Jojó da Babá.

15/10/09 | Veja mais | 31 comentários;