Assim não pode, assim não dá

Bom, o Zé Mayer tá fazendo o maior sucesso na novela e tal. Teve o Zé Mayer Facts, post onde reuni algumas das pérolas que rolaram na web sobre o eterno galã e tal e coisa. Nego lançou um site chamado (que mais?) zemayerfacts.com.br e a coisa tá tomando proporções épicas.

Nenhuma das mulheres que se dispuseram a comentar no post falaram assim “eca, ele é um nojinho de galã, tá idoso e tal”. TODAS falaram “pra ele eu dava, pra ele eu dava”, algumas com rematada disposição.

Ninguém notou o tom irônico e maledicente do post.

Prova que um blog de ironias sutis e quase 700 posts escrotinhos não vale nem meio galã da terceira idade (sim, este post terá um tom maledicente).

Voltando aos facts: tinha até uma pérola que era assim (e que não coloquei no post porque achei, inocentemente, que não cabia no meu caso): “sabe sua namorada que te ama e tal? Ela quer dar pro Zé Mayer. Nada pessoal”.

Eu estava achando tudo engraçado, divertido e tal e coisa.
Até que a porra empenou pro meu lado.
Aí perdeu a graça. Aí ficou chato. Aí virou campanha.
Bati panelas pela casa. Ainda bato, neste exato momento, com a canhota (panelas, pessoal maldoso…) e escrevo este post com a destra. Virou post, como vocês podem ver, o que significa que buliu com meus nervos.

Dá sexta à noite, venho eu para casa, uma vez que estou absolutamente exausto (a semana foi punk). Meu celular faz tililim e é uma mensagem de texto. De Namorada. Dizendo “Namorado, pega umas lições de garbosidade com Zé Mayer aí!”

Obviamente, reagi.
Com garbo, como me é de costume.
Respondi à mensagem, dizendo algo como “não é necessário: Zé Mayer tem muito a aprender com Jojó da Babá a respeito da arte da sedução de várzea, da sedução moleque, da sedução pé descalço e bola de meia”.

Eu sei que foi uma boa resposta.
Fiquei me sentindo bacanão.
Mas tem coisas que é melhor resolver a quente. Ligo pra Namorada.

- Ô, Namorada, sou bem garbosinho, preciso das dicas de sedução desse mané, não. Aliás, ensinei muita coisa pro Zé Mayer. Eu criei o jantar romântico com sérias restrições orçamentárias, não custa lembrar. Sou um ícone da sedução interplanetária. Não tem nada que ele faça que esteja fora do meu alcance, como homem romântico, rústico e bem-sucedido que, você bem sabe, eu sou.

- Tudo bem. Mas você viu o que rolou agora no começo da novela?

- Não, acabei de chegar (imitando o sotaque do Richard Gere naquela propaganda. Se é pra apelar pra galã, vamo logo pro esquema “dedo no olho e chute no saco”. Quando eu quero ser sedutor, eu exagero). Fez o quê? Abriu uma garrafa de champagne com o cu? Isso é bobagem e tal…

- Ele levou a Helena (sempre helenas) pro meio do mar num barquinho, daí disse “nosso restaurante flutuante está pronto”, puxou uma lanterna, deu duas piscadinhas e um iate FODÁSTICO se acendeu todo, se aproximou e tal. Lá, um jantar lindo, flores, champagne, blá blá blá, whiskas sachê, blá blá blá…

- Hum. Certo. Mas olha só…

- Depois, meu bem: a novela tá começando. Beijo, beijo e tchau.

Neste exato momento, viro pra tv e tá o Zé Mayer catando em alta a mulher lá.  A mulé do Lázaro Ramos.

ABREPARÊNTES:

O Lázaro Ramos é baiano. Logo, é brodi. Mas se fodeu nessa.
Imagina o casal, agorinha, jantando, sei lá, uma comida comum, comezinha, tomando Kuat Eco e ele perguntando “e aí, meu bem, como foi o dia de trabalho?”, ao que ela responde “nada demais, neguinho, um monte de cenas pra gravar, aquela coisa normalzinha” e ele fala “vamo ligar a TV” e começa a passar a nega dele EMPOLGADAMENTE enroscada nos beiços do Zé Mayer. Com um entusiasmo incomum.
- É esse o seu dia normal de trabalho?
Cabe lembrar que, na última novela, o Lázaro Ramos deu uns catos na Marília Gabriela. Coisa que não merece nenhum comentário, mas terá: Lazinho, meu filho, nem precisa esperar o encontro com o capeta do ladelá, porque NADA no inferno se compara ao que você passará, toda noite, até o final dessa novela.
Não sei se é pior apertar a Marília Gabriela ou ver o Zé Mayer apertando sua nega durante o jantar.

FECHAPARÊNTES.

Zé Mayer dando um aperto na nega e Roberto Carlos cantando alguma coisa tipo “minha mulé tem a pele morena”. Fiz um “bah” qual raposa de Esopo, mas la nave va e a cena continua…

O dia amanheceu e ele pulam na água. Nus, é claro. A nega vira e fala “quentinho esse mar…” e ele, serelepe, retruca “providenciei isso aqui para nós dois”.

A pergunta que invejosamente não quer calar é “providenciou como, cara pálida? Fez xixi na água?”.

Aí namorada achou o treco engraçado e manda mais uma mensagem. “Que água quentinha! Preparei pra você… Jooooga zé!”.

Que coisa engraçada. Mal consigo digitar de tanta risada que estou dando agora. #Not.

- Nossa, namorada, você é muito engraçada. Frouxos de riso. Estou rindo bastante, mesmo.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
- Já pensou em uma carreira como stand up comediant?
- Olha, nem posso falar muito. Você não veio me ver hoje, daí o Zé Mayer tá subindo o elevador.
- Certo. Muito engraçado. Manda um abraço pra ele.
- Pode deixar que eu vou dar.
- Vai dar?
- Ô.
- Vai dar é duas bifas que eu vou dar em tua fuça. Quero ver se o Zé Mayer vai querer alguma coisa com você quando você estiver tetraplégica.
- AHAHAHAHAHAHA
- Olha, vou desligar também que a Aline Morais tá chegando aqui.
- E é?
- Ô. Tá trazendo o galeto. CD do Harmonia está a postos. É nóis.

Falei isso mas não ficou engraçado como soou aqui no blog.
O fato, amados leitores, é que o Zé Mayer inviabiliza qualquer gesto romântico por parte de qualquer homem.

Você leva a sua nega no restaurante mais foda da cidade, mas ela só vai lembrar do iate do Zé Mayer. Você pode mandar os buquês mais lindos de flores do universo, mas a sua nega só vai conseguir lembrar do Zé Mayer dizendo “estamos começando uma lua de mel linda, que não vai ter final nunca”.

Em protesto, amanhã, sabadão, leve a sua senhora pra tomar um rabo de galo no pior muquifo que estiver à disposição em sua cidade. Não faz diferença, mesmo. Ela está anestesiada pelo Efeito Zé Mayer.

Demosdosquêm, até o final da novela, foie gras e o patê de fígado de frango que vende em sachê, da Sadia, terão o mesmo sabor para todas as mulheres brasileiras. Economize e agradeça ao Zé.

E acostume-se à ideia de ser comparado cotidianamente – e perder na comparação – com o maior clichê da televisão brasileira (inveja mode on).

último zé mayer fact: Para ancorar o seu iate em alto mar Zé Mayer só precisa abrir o zíper.

Nem vi graça;

18/09/09 | Veja mais | 20 comentários;

Dengosa

Juju, amiguinha e esposa do mau-caráter do Pablo, tomou um picadinha e ficou toda dengosa, daí bateu hospital e coisas do tipo. Mas já tá melhor.

Este blog manda beijocas e aguarda, ansiosa e respeitosamente, pela oportunidade de vê-la rebolando sua bunda de dimensões épicas novamente nos botecos imundos do centro da cidade.

18/09/09 | Veja mais | 5 comentários;

José Mayer Facts

É fato sabido e notório que o Manoel Carlos tem um tesão recalcado pelo José Mayer. E Zé Mayer, que é pegador, não se faz de rogado e traça todas as helenas protagonistas que pintam pela frente.

Mal começou a novela Viver a vida, do Manoel Carlos, e o povo já pegou pra sacanear.

Viver a vida é para os fracos. Zé Mayer estoura mais uma garrafa de champagne e seduz a vida com sua voz rouca e aveludada.

Como Zé Mayer é o cara, o povo, no melhor estilo chuck norris facts, compilou alguns pensamentos sobre o galã da novela das oito.

Peguei as melhores que o Mr. Manson compilou no twitter:

ze mayer

  • O exame de DNA só dá uma certeza de 99,8%. Seria 100% se Zé Mayer não existisse.
  • Quando ostras precisam de um afrodisíaco, elas são alimentadas com o suor de Zé Mayer.
  • Zé Mayer broxou uma única vez. Por respeito a sua mãe. Na hora do parto.
  • O Hospital do Coração em São Paulo tem uma ala inteira para atender apenas as vítimas de Zé Mayer.
  • Tensão pré-menstrual explicada: Em breve serão pelo menos 5 dias sem poder dar direito pro Zé Mayer.
  • As camas de motel não são originalmente redondas. Zé Mayer que desgastou as bordas.
  • Zé Mayer só usa 2 modelos de cueca. Uma verde “sim, por favor” e uma vermelha “não, obrigado”.
  • Quando procuram por sexo no Google, ele corrige: “Você quis dizer Zé Mayer?”
  • Darth Vader: “Zé Mayer, I’m your son.”
  • Novelas com o Zé Mayer não duram mais que 9 meses por conta da epidemia de licenças maternidade no elenco.
  • Zé Mayer um dia foi mijar num muro. Foi assim que a Alemanha foi reunificada.
  • Zé Mayer teve uma ejaculação precoce na Jamaica. Assim surgiu Usain Bolt.
  • Quando Zé Mayer entra em cena, a unidade relativa do ar no planeta sobe 2%.
  • Quando Zé Mayer fica de pau duro, o eixo terrestre se inclina 2 graus.
16/09/09 | Veja mais | 26 comentários;

we´re back

Chorou ontem, né, filhote?

Ficou sem papinha!

Esqueci de pagar a hospedagem. Sou mongol. Já paguei e tamos de volta.

Papai águia está de volta trazendo a minhoca diária direto para dentro de sua boquinha.

Jorge Martins: fazendo trocadilhos infames desde 1981.

16/09/09 | | 9 comentários;

Nothing but a miracle

Morri.

15/09/09 | | 3 comentários;

O elogio da pobreza

Eu já tava na pegadinha “vou dormir”, o que é estranho com dor de cabeça e às 11 horas da noite. Daí volto pra cá. Essa sanha de escrever. Esse comichão.

Demodosquê este post era pra ser outro post, medido, calculado, mas vai ficar boiando o texto calculado na pasta de rascunhos como tantos demais e tem esse.

(é assim que se escreve muito: registre qualquer coisa, pesadelo, pensamentinho, arroto e deixe marinando. Um dia vira post. Ou um dia você pira na batata e apaga tudo, mas deixa lá no tempo do enquanto, não custa).

Assim é o raciocínio deste post: medo de se expor na internet é uma idiotice. E é mais fácil fazer um blog reclamando da vida que sendo bacana, normal, com dias bons e dias ruins.
Saca resumo de texto acadêmico? É isso aqui.
Já leu isso, fecha o treco e vai embora.
O resto é frívolo e raso. Se isto ficar, ficou bacana e deu o que tinha de dar.

Vamos então, meus três leitores obstinados que restaram, à verboreia.

Eu leio muitos blogs. Leio muito, no geral. É parte do meu trabalho.
Um peão de obra – sempre os peões – não se orgulha de colocar trocentos tijolos, uns sobre os outros.
É parte do trabalho dele.

Ele pode até comentar, na terceira dose de cachaça, depois de destrepar dos andaimes. Mas é o trabalho dele, afinal.

O meu é acumular referência. Ir pra cinema, ler ditudumpoco, ler blog, ler bula de remédio, ver gente fazendo coisas que gente faz, tomar cachaça, dar risada, trepar, tomar toddynho, viver e depois transformar isso em propaganda pra vender, sei lá, coquécoisa.

Mas tem blog que tem uma pegada de “mimimi, ai meu deus que eu sou fodido, ai meu deus que tô sem grana, ai meu deus que quebrei minha unha” que fica chato.

Não que o meu seja melhor, coisa que sinceramente não acho – e isso não é pra pedir elogio, entendam bem.

E nem todo blog em que o cara fala de si mesmo – e, no caso, vá lá, é aceitável, é até corriqueiro que haja uma quantidade grande de fodidos no mundo – é também insuportável. Muita gente é fodida com estilo. Muita gente não tem grana nem pra, sei lá, passar manetiga num solado velho de botina pra rangar à noite, mas escreve bem e tal. Ou finge que escreve bem.

É cada vez mais fácil fingir que se escreve com estilo e graça e coerência – é só emular um blog que você conheça.

Mas… (e você sabia que vinha um “mas” aqui)

… mas, malandro, é mais fácil fazer um blog desse jeito. Mais fodidos se identificam. Mais pessoas ficam assim “óun, coitadinho”. Sei lá porque o mundo tem essa predileção especial por gente fodida.

Eu gosto de gente foda.
Me irrita gente que fala “no bar XPTO não vou porque a cerveja é R$ 4,50. Vamo naquele em que a cerveja é R$ 3,90?”.
Sou mais quem fala assim, ó: “malandro, botei uma grana na petrobras esse mês e me dei bem: vem aqui no bar, vamo torar um litro de uísque, tô chamando a galere” (tu mesmo, binho, pode se manifestar).

E, assim, não é uma questão de ter grana ou não, sacou? É um modo de pensar. Tipos, vai um exemplo bobão, prum melhor entendimento: eu fumava hollywood. Era barato e bão. No dia em que a grana sumia, tudo tava foda e pintava na agência a companhia de luz pra cortar a energia pq não havia sido paga, eu saia e comprava uma carteira de camel. Que era carão. Importado e não vendia em todo lugar.

É você entender que a falta de grana não pode ser maior que você, sacou?

Daí você vê nego construindo uma versão “fodida-cult” de si mesmo. “Não tenho grana pra isso, não tenho grana praquilo”.

Será mesmo que tá todo mundo assim arrastando lata?

Tipo, desde que comecei o detesto, resolvi que seria um treco na manha. Aliás, assim como sou, no geral. Eu não tenho vergonha de ter as coisas (alegria, patuléia, volto a falar da tv, do sofá…). Eu não tenho vergonha de comentar que troquei de carro, essas bobagens que todo mundo que trabalha, faz, um dia ou outro.

Eu não tenho vergonha porque trabalhei e esfalfo meu rabo de trabalhar pra ter as coisas. Não meti arma na cabeça de ninguém, não burlei imposto, não nada.

Mas aí soa arrogante. Soa como se fosse deslumbramentinho – o que não é.

Ou seja: o cara pode falar “só tenho 7 conto no bolso pra passar o resto do mês” e todo mundo identifica como “literatura marginal, o renegado, o rebelde, o à margem da sociedade”. E falo que compro as coisas e sou “deslumbradinho”.

Sendo que, conhecendo as pessoas que conheço, vivendo com elas, vejo mais gente comprando coisas que fingindo pobrinho.

“Ah, mas você tem um blog e comenta disso”.
Sifudê, chefia.
Comento também que tem dia que tá bom, tem dia que tá ruim. Minha agência ficpou com água pelas canelas outro dia e comentei de boa.

E nem tudo vem pra cá.
Esse é um erro comum de interpretação das pessoas com relação a este blog.

“acompanho sua vida com base no blog”.
Sorry, patuléia, mas tão perdendo o filé.

Ou então de nego me cobrar post sobre alguma coisa que viveu comigo.
“Te comprei um chiclete, não vai falar no blog?”

Mas voltemos à vaca amarela:

É um modelo mental que você constrói, tá ligado? É um não se deixar abater.
É não cultuar o que de ruim existe.

Eu tenho problemas, quem me conhece sabe.
Mas tenho uma mãe foda e uma família que me ama fodamente, e eu era um cara elogiado quando guri, mesmo que eu fosse um loser em qualquer área de minha existência – e devo ser em várias.
E daí que hoje eu sou um adulto completamente estragado para a vida social.
Eu acho que tudo vai dar certo, que tudo vai desembolar. Sempre.

O pessoal com complexo de pobre fica assim, ó: “se tudo vem dando muito certo em minha vida agora, é batata: mais pra frente, vai rolar uma braba e alguma merda, das grandes, vai acontecer”. Eu já acho que quando tudo vai indo bem é uma coisa natural da existência.
Não nascemos para viver a existência pela metade. É uma obrigação da vida para conosco nos oferecer tudo de bom, do melhor, em abundância e num fluxo constante.

E, quando, por acaso, vai tudo mal, só rola maiakowski: “não estamos alegres, é certo, mas porque razão haveríamos de ficar tristes? As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las, cortando-as, como uma qulha corta as ondas”.

Não é otimismo. É defeito.
Não é destemor. É falta de senso do perigo.

E, assim, de vez em quando, se seu blog arrepia na toada mimimi, fica martelando em minha cabeça um treco assim: “porra, velho, mas será que só eu, no mundo, sei que, no final, vai dar tudo certo?!”

15/09/09 | Veja mais | 26 comentários;

Um ano detestando gente inteligente

Bom, fizemos um ano de veleidades, vicissitudes e idiossincrasias. Um ano bom, em resumo – pra você, eu não sei, pra mim tá joinha.

Fui tentar compilar alguns momentos deste blog. Faltou saco – e pedir a colaboração de vocês, como costuma ocorrer, não deu em muita coisa. Fuçar o que presta em quase 700 posts é um trabalho cavalo.

Vou listar alguns posts, mês a mês. Não os melhores – provavelmente o contrário – mas os mais, digamos, significativos. Ao trabalho.

Setembro 2008

Rolava o mimimi sobre a reforma ortográfica

Foda-se a reforma ortográfica.
Só a trema morreu em boa hora.

Comecei a envelhecer.

E meus textos, em 20 anos, provocarão aquela sensação esquisita de cosquinha no umbigo que a gente tem quando lê o bom e velho Machadão dizendo “sacudi um peteleco e um piparote no Pancrácio. A gente há de dizer que não é cousa boa”.

No futuro, quando todos estiverem escrevendo AxiM, Em IdIoMa De MiGuXo, serei apontado na rua.

…e estávamos na boca das eleições

- Ah, eu vou votar no candidato X.
- Bacana.
- E você, Jorge?
- No candidato Y.
- Ah, mas ele é de direita!
- Sim, e?
- Ah, mas o comunismo é o único sistema de governo que trata as pessoas com igualdade.
- Eu não acho que as pessoas são iguais.
- Ah, sim, claro! Você se acha melhorzinho que todo mundo…
- Não. Me acho pior que alguns e melhor que outros. Mas igual, igual, não.
- Ah, mas todo mundo merece viver com dignidade!
- Concordo.
- Então você concorda com o comunismo, o único sistema que trata todo mundo com dignidade!
- Nego tem dignidade na China? Em Cuba?
- ô
- Então vai morar lá. Sem internet e tomando bala na cabeça.
- Ah, não é assim, e tal. Em Cuba 100% da população é alfabetizada.
- E 100% vive com medo.
- Isso é uma visão arrogante.
- Xô explicar: imagine que a dignidade seja, digamos, uma porção de arroz. Todo mundo tem direito a um punhado de arroz. Isso é fato. Mas o comunismo parte do pressuposto que todo mundo tá satisfeito em ter uma porção de arroz e saber que o seu vizinho também tem. Mas o mundo real é cão, velho. E, tipo, eu não quero só um punhado de arroz. Eu quero uma tv de LCD. Não quero que meu vizinho fique sem arroz, mas se der pra que eu e ele tenhamos arroz e eu ainda puder ter uma tv LCD, tanto melhor. E a TV LCD só compra que for melhor em algum aspecto. Ou mais esperto, ou mais esforçado, ou mais inteligente, ou mais qualquer coisa.
- Ninguém precisa de uma tv de LCD pra viver com dignidade. Basta arroz pra todo mundo.
- Eu viveria de maneira muito mais digna com uma TV LCD.

(eu ainda não tinha uma tv lcd. Vivo mais dignamente, hoje, sem dúvidas).

Outubro 2008

Comecei com o árduo trabalho de tentar me definir. Não fui bem-sucedido.

Daí que a melhor definição pra mim é:

Uma dose generosa de Fernanda Young.
Duas partes de Yuppie deslumbrado de terno e sapato de bico quadrado.
Cachaça, cerveja e destilados a la vonté. Cigarros idem.
Pitadas de auto-indulgência e um instintinho de auto-destrutividade pra gratinar.

Mas sobretudo os sapatos de bico quadrado.
Tem dias que eu acordo querendo ser Christian Bale em Psicopata americano, Michael Douglas em Um dia de fúria, Amélie Poulain e Charles Bukowski. Principalmente Bukowski.

Henri Chinaski.

Duas pastilhas de alka-seltzer, uma boa dose de whisky Jack Daniels com água e um pack de cerveja tuborg. Só muda que Bukowski devia fumar Marlboro, e eu fumo Camel. No resto é o supra-sumo da felicidade. E uma máquina de escrever. Elétrica pra não fazer força. E gente disposta a pagar meus vícios em trocar de um ou dois generosos nacos de minha carne em forma de textos auto-referenciados e, de certo modo, auto-depreciativos.

Novembro 2008

Escrevi um verdadeiro tratado acadêmico sobre o pagode “desce com a mão no tabaco”. É minha constante luta para achicalhar a cultura baiana. Um ano depois, tem professora descendo com tudo enfiado. Sinal de que meu blog não vale um peido de cigano.

Note um componente misógino nesta parte da canção. Se observarmos, o eu-lírico manifesta descontentamento com o fato de que a parceira fume (não sabemos ainda o nível de envolvimento entre o casal). E afirma que já havia negado à personagem feminina o direito de fumar. A repetição das estrofes reitera e acentua o caráter de descontentamento do eu-lírico. À luz das conquistas modernas do feminismo, este comportamento demonstra;

a) Posse: eu, como seu amo e senhor, a proíbo de realizar determinadas ações;
b) A sua insistência em me desobedecer me gera descontentamento;

De modo que, após a repetição incessante deste dístico, o eu-lírico explode num acesso misto de raiva e confusão e proclama, célebre:

“Desce com a mão no tabaco”

***

Em breve, novos posts.

14/09/09 | Veja mais | 15 comentários;

O negócio é Bolifruta!

Olha a revolta do projetinho de marginal.

12/09/09 | | 8 comentários;

Diálogos com Mamãe – Capítulo:a viadagem

Eu em casa, mamãe assistindo um show da Amy Winehouse. Ela ADORA.

- Menino, eu ADORO essa menina. Acho ela linda, linda…
- Ela é massa.
- Adoro. A-do-ro. Adoro, adoro, adoro.
- Ok, mãe.
- Não tem jeito dessa menina ficar feia. Toda desconjuntadinha pra dançar. Olha que coisinha.
- Tá bêbada, mãe.
- Tudo bem. Tenho um dó dela… todo mundo falando absurdos. Queria cuidar dela, ajeitar o pompom de bombril da cabeça dela.
- Ela fuma crack, mãe.
- Fuma nada. Tá mais cheinha? Será que é show antigo?
- Ela acabou de sair da rehab, daí tá cheinha. Mas já jpa seca. Crack é foda.
- Adoro.
- ô, mãe, tô com a impressão que você quer pegar a Amy Winehouse.
- É, sim. Depois de velha, virei sapatão.
- o.O
- Vai se arrombar.
- Ô, assustei. Você gosta de Ana carolina, é apaixonada pela Amy…
- Você gosta desses roqueiros e nem por isso é viado.

***

Intervalo. Passa um promo do Cirque du Soleil. A tv a cabo vai exibir um monte de shows e tal. Mainha arregaça.
- E aí, mãe, vamo ver, né? Nossa, deve ser uma coisa linda o Cirque ao vivo.
- Menino, xô te contar: eu tenho a impressão de que, nos bastidores, esse circo aí deve ser um fedor de merda pavoroso.
- Oxente, pirou?
- Deve ser…
- …
- Mas é lindo mesmo. Olha, vou te contar: aí não tem mulher, não tem homem: só viado! Deve ser uma viadagem em alta nesse treco.
- Ahahahahah! Oxente, mãe, pirou? Que preconceito besta! Tá tomando pico de água sanitária quando eu saio pra trabalhar?
- Tem preconceito nenhum. Pra ter a manha de fazer um negócio assim, bonito, luxuoso, só viado. Mulher não tem esse requinte. Homem muito menos. Deve ter uma tropa de bicha colocando esse espetáculo de pé!
- Ahahahahahaha. Mãe, você não existe!
- E viado é aquele negócio: quando é viado, viado mesmo, é completo, tem todo o jeito dessas coisas. Viado encubado eu não gosto. Viado tem que liberar.

11/09/09 | Veja mais | 9 comentários;

Amanhã num tem

Provavelmente.

Mas tô muito a fim de fazer uma coletânea dos melhores (?) posts daqui.
Sugestões?

Me relembrem coisas que escrevi. Não lembro nem do que almocei, quanto mais o que ainda tem graça después de um ano de posts.

Conto com vocês.

Ah. e o negócio da festinha que foi comentada nos (dã) comentários: poderia rolar na quinta feira da semana que vem, né? Meu brodi Drubs e sua banda intitulada docksiders vai fazer um fuá no red river, e aí a gente se conhecia, bebia pra cacete e dava risada, oukeys?

Mas enfim: manda aí as dicas de coisas engraçadas deste blog. Vamo comemorar em grande estilo.

Beijocas nos orifícios anais de todos vocês.

11/09/09 | Veja mais | 4 comentários;