O bom menino
Eu tenho um costume conhecido entre amigos:
Nunca, sob nenhuma hipótese, eu atendo telefonemas de maneira usual.
Tipo “não diga alô: diga alguma merda e alegre um amiguinho”.
Ou xingamentos desoxirribonucleicos e escalafobéticos, altamente elaborados, trovejam no ouvido do brodi (“fala, filho dum istopô cabrunco peste demoníaca rascunho do mapa do inferno em papel de pão”) ou canto musiquinhas singelas da infância.
Hoje liguei pro celular da irmã cachaceira loira.
Ninguém atendeu. Toca meu celular dois minutos depois.
- Alô, Jorge?
- Palhaço carequinha apresenta: O bom menino não faz xixi na cama…
- Jorge, não é Marcele, é Lília. E, rei, POR FAVOR, não cante essa música…
- Oxe… tá doida?
- Sério, velho, essa música é um trauma de infância.
- Ahahahahahahaha. Sério, Lília, que porra é essa?
- Velho, minha mãe ficava colocando essa musiquinha pra mim, bicho, é foda, fico mal…
- Só dá pra ficar mal, Lília, ouvindo essa música, se você fez xixi na cama até os dezoito anos de idade. Foi isso?
- Jorge, eu NÃO QUERO falar sobre isso.
- ahahahahahahaha. Bicho, tô viajando nessa história. Sério isso?
- Fiquei com trauma da musiquinha do xixi. Fiquei com trauma do carequinha.
- E já superou o trauma do carequinha?
- Maldoso. Doente.
- Superou?
- Superei! ahahahahahahaha
- Se um cara, sei lá, num processo fodetivo-copulatório, pedir pra você fazer xixi nele, você faz?
- Jorge, eu acho que, realmente, eu não conseguiria.
- Virou post, você sabe, né?
- NÃO CONTE PRO MUNDO DO MEU XIXI! Jorge, não conte, na moral.
- Ok, relaxe. Não vou contar.
- Sério, velho. Eu ficava viajando: cara, eu não sou uma boa menina. Não sou. Eu fiz xixi na cama.

Jorge Martins Reply:
setembro 4th, 2009 at 8:28
@Larinha, pra você ver o que acontece com quem pega livros meus e não deixa reféns…
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