Escrever bem e escrever mal
Vamo surpreender os leitores deste blog.
Eu acho que todo mundo tem o direito de escrever mal. Sério.
o.O
(sua carinha de surpresa com essa afirmação).
Sério. Ninguém precisa saber fazer tudo na vida. Apesar de achar que escrever de maneira inteligível é uma coisa que qualquer tipo médio (aka Homer Simpson) consegue fazer, não considero um grande mérito na vida. Ninguém paga conta com isso.
As coisas, como vocês sabem, só têm relevância pra mim se puderem ser transformadas em formas de ganhar dinheiro (alô, síndrome de pobre). Não me importa que você saiba abrir uma garrafa de coca-cola com o cu ou que consiga mexer um olho só (não o treco da coca, mas o do olho eu consigo!). Se isso não é monetizado, é só um aspecto bobo de você.
E, quando eu falo em “escrever bem”, não é no nível de um Machadão. De um Paulo Bono. De um Bukowski. Quase todo mundo se embola com o uso dos porquês, quase todo mundo erra algumas coisas corriqueiras – ou tem um ou dois errinhos de digitação num texto.
Este blog tem bilhares de errinhos de digitação – um pouco menos de erros ortográficos, propriamente.
Não compromete. Me dói na alma, mas passo por cima.
Eu termino de ler teu texto.
Já fui bem xiita com relação a esse tipo de coisa, hoje tento entender as pessoas.
Num bate boca escrito, por exemplo, acho que um dos estratagemas mais covardes é corrigir o português do contendor. “Tudo bem que você me ache um filho da puta e quer me fazer de picadinho, mas “pedaçinho” não tem cedilha”.
É chutar cachorro morto. É apelar – eu acho. Eu consigo me relacionar com gente que derrapa, de quando em quando. Não conseguiria amar uma pessoa que escreve assim, mas aí é outra história.
Do mesmo modo é desenhar. Um macaco, bem adestrado, consegue desenhar. É prática, pura e simples. Desenhe todo dia, durante um período de tempo, e em pouco tempo você já se vira. Se não de maneira estonteante (pra isso talento manda lembranças), mas você entendeu o ponto.
O raciocínio é este: escrever de maneira inteligível e desenhar de maneira minimamente correta são coisas que deveriam ser tão comuns como dirigir. Ninguém é um Filipe Massa, mas todo mundo dirige de maneira mais ou menos direita (tirando July).
Outras coisas que eu acho que todo mundo poderia fazer:
Costurar.
Aquele basiquinho. Saber repregar um botão numa camisa num quarto de hotel às 2h15 da manhã.
Cozinhar.
Saber fazer pelo menos um miojo. Um arroz. Um macarrão com êpa.
Trocar uma resistência de chuveiro.
Trocar um pneu de carro.
Abrir uma garrafa de vinho.
Abrir um pote de azeitonas.
Essas coisas que separam os adultos das crianças.
O problema surge quando o cara quer viver disso.
Aí complica. Não dá pra todo mundo.
Eu não me proponho a ganhar a vida fazendo rapel.
Eu não me proponho a ganhar a vida cantando, ou tocando guitarra – apesar de não cantar propriamente mal (mentira) e tocar guitarra bem (verdade).
Daí, compadre, quando eu descubro um site desses, eu fico entusiasmado.
Porque vejo que tem muita gente imbecil tentando viver disso, daí me sobra espaço pra ganhar mais dinheiros.
Acesse e não volte nunca mais aqui:
http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/
2 Comentários em “Escrever bem e escrever mal”
-
Daniele falou:
12/09/2009 em 1:49Modesto, você também escreve bem pra caramba.

Jorge Martins Reply:
setembro 13th, 2009 at 22:35
@Daniele, são seus olhos.
[Responda a esse comentário]