Lição de vida

Xô te explicar um treco, malandro:
Depois de uma certa idade, a vida deixa de ter manual.

Assim: até a adolescência, todo mundo explica tudo que tá te acontecendo.
“Tá assim, trancado há duas horas no banheiro? Hormônios”.
“Tá namorando? Vive só com a gatinha, um por dentro do cu do outro, sem olhos pro mundo? É fase: passa”
“Tocou fogo no colégio? Tá assim por que os pais são separados”.
“Tocou fogo no índio? Tá assim porque, bom, aí é marginal mesmo, filha, você como mãe vai ter de se acostumar”.
“Anda com um porrete dentro da mochila? Pulou da janela? Comeu o cu de um gato angorá? É porque ele quer ganhar um playstation: passa”;

Só que aí você cresce, e não tem mais justificativa pra tudo.
É você e você.

Ninguém te explica, ou pelo menos me explicou, como se lida com coisas básicas de ser adulto.

Ninguém te diz, sei lá, como se comportar num enterro. Ou, sei lá, como ter um relacionamento adulto, sem que você precise – como na adolescência – engolir a vida da outra pessoa e anular a sua própria.

(Se bem que tem gente que ainda não aprendeu isso e namora como se fosse adolescente. Acho um saco. Mas voltemos).

Ninguém sabe te dizer quando é hora de tomar uma decisão.
Ninguém te fala assim: aí vai acontecer isso e isso.

Você aprende na marra. Ou se acomoda.

Daí que não passa pela minha cabeça, sério, acordar num dia de domingo e ficar vendo faustão e achar que é isso mesmo.

Pra muita gente tá bacana, mas pra mim (oi?) não dá, chefia.

Ainda penso em espremer da vida cada gota de sumo que ela tem pra dar.
My next tattoo, sérião: memento mori.
Será a primeira visível.

Eu quero lembrar disso todo dia.
Até porque, quando você acorda todo dia, olha no espelho e pensa “caralho, eu posso morrer hoje!”, há uma certeza probabilística de que, algum dia, você estará certo.

Será que é isso, exatamente, que eu gostaria de estar fazendo no meu último dia de vida?

Pensava nisso hoje por umas paradas que tão rolando em minha vida:
Cansado que só, trabalhando feito mouro. Mas nada grave.
Seria de muita valia se alguém chegasse e falasse assim, por agora:

- Olha, marotinho, é assim mesmo. Passa.

Tipo: em um dado momento da vida, você descobre que pai e mãe são pessoas, têm valores diferentes dos seus, e, por mais boa vontade que tenham, ninguém há de te pegar pela mão pra mostrar o caminho.

O caminho, você trilha às cegas.

Os amigos ajudam, e muito, mas do mesmo modo como pessoas cegas se ajudam numa fila indiana.

ABRIU TAG YAHOO RESPOSTAS:
Por que toda fila é indiana?
:FECHA TAG YAHOO RESPOSTAS

Os primeiros avisam pro resto “olha o buraco, caralho”, daí você desvia pro lado. E acaba caindo em outro.

Não é um mimimi. É uma reflexão.

Às vezes, e vejo isso acontecendo com uma frequência grande entre amigos, é você quem dá o caminho pra seus velhos. Todo mundo se dá o direito de surtar, de fazer loucuras mil, e é você, o que andava tocando fogo na escola, ou dançando na fun hell de minissaia e coturno (referência específica pra você, my funny valentine), que tem de ser o centrado.

Só que a piada é que ninguém te explicou que seria assim.

E você descobre que tá todo mundo, pais, jovens adultos e velhinhos, no mesmo barco: ninguém sabe direito qual é o caminho.

Pode parecer aterrador, em certa medida, mas, raciocinando direito, não é absolutamente fantástico que, de hoje pra amanhã, você acorde lavando pratos num pub em Londres?
Que você acorde cheio de remela e solteiro e termine o dia namorando?
Ou dançando chá chá chá na República Dominicana?

Pra mim, isso é libertador.
Saber que ninguém sabe a real – nem pra onde todos marchamos – me abre todas as possibilidades do mundo!

28/08/09 | Veja mais | 13 comentários;

Conectado

- Porra, Jorge, vai pro inferno.
- Tem wi-fi?

28/08/09 | Veja mais | 3 comentários;

Faz um frio austríaco aqui, no alto de Brotas, bairro nobre onde resido.
Não dá pra acordar de bom humor quando você sonha com Mussum.

27/08/09 | | 7 comentários;

Bandeira

Eu gosto de dinheiro. Você também.
Até aí, não há novidades.

Mas nem tudo é dinheiro. Sério.

Este blog é o exemplo mais acabado disto. Me toma tempo, mas é minha terapia, brodagem.

Mas falo também de outras coisas, num sentido mais amplo.

Tem até aquela história clássica da Madre Teresa de Calcutá que, recebendo um embaixador americano numa obra social lá dela – que era desenvolvida de maneira absolutamente caridosa e sem nenhum proveito financeiro (é assim que diz a lenda) -, ouviu:

- Madre, eu não faria isso que a senhora faz nem por 10 mil dólares por mês.
- Acredite: nem eu faria isso por dez mil dólares.

Eu tenho umas 550 páginas de reclamações e umas duas monografias de doutorado de discordâncias a respeito da famosíssima Madre Teresa de Calcutá. Nem sei se a história é verdadeira. Mas o cerne da questão levantada pela historinha, independente de sua veracidade, é ainda legítimo.

É só grana mesmo?
Por que você acorda todo dia de manhã e sai de casa correndo fingindo apressado?
O que te faz achar que vale a pena dispender tempo e energia num relacionamento de qualquer espécie (amoroso, de amizade, de companheirismo) com uma pessoa e não com outra?

O que você espera deixar de legado?

O que você espera encontrar do ladelá?
Qual a sua bandeira?
No que você acredita?
Quais expectativas você aceita que sejam subvertidas e quais vão te causar uma puta desilusão?

O que te move?

Se você faz as perguntas certas, você já tá no campo de batalha.

26/08/09 | Veja mais | 4 comentários;

Decidido

Por enquanto, nada de propaganda aqui.

Depois, se complicar e ficar caro e impraticável, eu repenso. Por enquanto, não.
Voltemos ao cardápio de veleidades.

26/08/09 | Veja mais | 2 comentários;

Uma declaração de amor, digamos, sui generis

Se fosse mulé minha, contratava uns caras pra dar um par de tabefes (não bato em mulé, mas tenho posses).

Mentira.

Não a parte do tabefe, mas a parte do “mulé minha”:
Eu jamais pegaria uma nega que fala em idioma de retardado.

UPDATE: proibiram de ver. Foda. Mas acreditem em mim quando digo que era idiota.

26/08/09 | Veja mais | 7 comentários;

slogan

Jorge Martins: dormindo tarde, acordando cedo e passando o dia mal-humorado desde 1981.

26/08/09 | | 5 comentários;

Lembra da história da doninha, né?

Ainda rende, pípous.

Comecei a receber uns e-mails “Jorge, liberta a doninha”, “Jorge, eu vou te pegar pois sei que você tem a doninha”.

A história era essa aqui, você deve se lembrar.
Achei que era só gracinha de leitores daqui. Achei até bonitinho como piadinha, embora fora do timing. Mas aí senti o cheiro de ratos e me contaram que havia uma campanha institucionalizada em prol da libertação da Doninha.

Gentes, vamo combinar que é um povo desocupado.
(Aliás, esquece: você pode ME acusar também de ser desocupado e aí fica chato).

Maurão, marginal de marca maior, colocou lá no blog dele.
Elly, a velha surda da praça e my middle sister, também ficou de gracinha.

O que prova, mais uma vez, a Lei de Jorge (e também prova que o mundo anda repleto de palhaço).

Até petição burocratizada eu recebi:

Eu, Doninha, registrada sob o numero 125458561 no IBAMA, atesto para os devidos fins que Jorge Martins, empresário, solteiro, residente no Alto de Brotas, vem me mantendo em cativeiro. Venho através desta denunciar os maus tratos sofridos por mim por este cidadão. Ciente de que o IBAMA tomará as medidas cabíveis, fico grata desde já.

Atenciosamente,
Doninha

Claro que é uma petição falsa. Chamei a Doninha verdadeira pra catraca.

- Ô, doninha, tá fodaê. O povo falando várias inverdades e você nem se manifesta, caralho?

Daí ela resolveu se manifestar. Entrou em contato com a galera do Ibama, e, depois de dias em filas e papelórios, conseguiu o mandado. Doninha é esperta e sabe que, ficando com papai jorginho, ganha carinhos, coçadinhas na barriga e diversos outros mimos.

O Ibama liberou. Veja abaixo o e-mail (que é verdadeiro, eu juro).

A doninha é minha e ninguém tasca.

O resto, se vocês virem mais alguma coisa rolando nesses blogueeenhos de gente doente, é mentira.

Sr. Jorge Martins,
Recebemos sob o número 5895113 uma denúncia de maus tratos, sendo a parte agredida a Sra. Doninha. O IBAMA realizou investigações para apurar o caso e chega a conclusão de que a Doninha em questão mentiu, o que é considerado crime. Visto que testemunhas afirmam que ela vem sendo muito bem tratada, que está sempre sorrindo e feliz pelas imediações da cidade. Sabemos que a qualidade de vida de uma doninha é mensurada através do tratamento que lhe é dado. Sendo assim, o IBAMA lhe concede a guarda da Doninha por tempo indeterminado.

Grato pela atenção,
Maluco do IBAMA

26/08/09 | Veja mais | 12 comentários;

Cultura

Está em discussão, no Rio, a possibilidade de transformar o funk carioca em movimento cultural referendado, protocolado e coisado.

Movimento cultural.
Eu acho justo, oras. Lembra disso aqui?

“Voce gozar em sua boca, vou lamber o seu grelinho. Vai serginho. Vai serginho.”

Letras do mais alto padrão, como esta, merecem o referendo do estado, a proteção da justiça, patati patatá.

Falando sério, agora: parece que proibiram a realização de bailes funk e aí virou este fuá.

Eu acho errado. Está comprovado cientificamente que o baile funk é, pela graça da própria natureza, o habitat perfeito para a reprodução em cativeiro de traficantes e pivetes. E, você sabe, traficantes e pivetes compõem, justamente com as dançarinas de pole dancing, um dos setores econômicos mais ativos das sociedade organizadas.

Por mim, pode fazer Baile funk.
Eu deixo. Eu permito.

Eu vos concedo, ó, ladroagem, um atestado de legalidade.
E, se eu falei, pode fazer.

Aderi à campanha. Comecei a bater panelas pela casa. Pedi para que minha mãe me acompanhasse, mas ela me mandou à merda e foi assistir às coisas daquele reality de segunda rural com subcelebridades da Record.

Você paga caro pra ter 200 canais de tv e comprar uma TV LCD de vários dinheiros e hoje taí: sua mãe assiste Record.
Mas tudo bem. A campanha não pára.

Fiz um cartaz em cartolina. Neste momento, digito este post com apenas uma mão, refestelado em meu sofá chocolate de barão, e com a canhota ergo meu cartaz.

Galvão, filma nóis.

Quanto à mim, me resta disto tudo uma tristeza só (gilberto gil feeling): deveria ter aceitado aquele convite pra ir trabalhar em Zurich, aos 19 anos de idade.

26/08/09 | Veja mais | 4 comentários;

Vamos acertar umas contas, oukeys?

Bom putaiada…

(vocês adoram quando eu xingo vocês, né? vamo começar esse post de novo só pra exacerbar esse prazer quase putarístico de vossas senhorias…)

Olá, coleção de amiguinhos do inimigo belzebu!
Tem umas coisas que eu queria acertar com vocês, oukeys?

Primeiro é sobre o blog como um todo.

Fiquei, como de costume, chibateando pra colocar esse blog no esquema .com.br (leia em inglês que fica chique: “dot coum dot biár”) e patati patatá. Porque envolvia custo de hospedagem (uma grana não assombrosa, mas dava pra tomar umas 3 cervejas), custo de registro do nome e tal.

Daí resolvi fazer. Sou rico e bem sucedido.
Não seriam 14 reais por mês que me impediriam de arrumar a bagaça.

O resultado vem sendo realmente animador, por diversas coisas.
Primeiro, e a principal delas, é que fica fácil de conversar com vocês nos comentários, o que era bem chato e complicado de fazer no blogger.

Vocês comentam, eu respondo e joia: vira uma conversa.
E eu adoro conversar.

E também vem sendo legal por motivos referentes à plataforma mesmo. É uma coisa que fica mais fácil de indexar pelo google, daí mais gente vem, mais gente comenta e eu fico, cada vez mais, mais endiabrado. Como diz minha secretária, “Jorge, você adora ‘se aparecer’ (sic) na frente de gente estranha”.

Vocês são estranhos (em todos os sentidos) e eu fico “me aparecendo”.

Só que, em 20 dias de blog, a quantidade enorme de pessoas que pintou por aqui simplesmente esgotou a cota de transferência de dados que eu havia contratado.

Claro que eu subdomensionei a coisa toda. Contratei o plano de hospedagem mais barato e patati whiskas sachê. Mas a massa de gentes vindo aqui, em 20 dias de lançamento oficial do novo blog, é muito, muito maior do que o maior recorde que já tive em tempos de blogger.

Mim fica feliz. Mim gostaria de passar a língua em seu nariz.

Demodosquê não tem como voltar pro blogger, e daí vou ter de aumentar o serviço de hospedagem, daí é mais grana e pá.

Resultado: vou botar umas propagandas no blog.

Não faz bico, neném. Papai tá fazendo isso pro seu bem.

Mas, como tudo aqui, vai ser numa boa. Não vai ser uma coisa chata, nem um monte de adsense e coisinhas disfarçadas de link. Vai ser do submarino, provavelmente, que é um site que eu mesmo compro (minha tv veio de lá) e tal… além disso, sempre tem promoções interessantes.

AVISO PRO POVO PARANÓICO: Não tô ganhando porra nenhuma em estar falando bem do submarino. Meu visa sabe bem que eu corro daquele site como o diabo corre da cruz. Nenhum planejamento financeiro se sustenta quando eles anunciam “qualquer livro por 10 barão”. Se você não acredita, se lasque.

Andiamo…

Se vocês clicarem nas paradas e comprarem coisas lá, eu ganho uma comissão ridícula e pago a hospedagem dessa joça e todo mundo fica feliz, falou?

Só que só vou colocar se vocês deixarem.
Curtiu? Pois é, malandragem, você é pica grossa aqui no detesto.

Não custa lembrar que, assim como o homem-aranha já dizia, grandes poderes vêm com grandes responsabilidades. Não me tratem igual idiota que eu revogo essa brodagem de minha parte e mando todo mundo se foder.

Se vocês acharem que há (e há) outras formas de custear essa parada do servidor (ou se alguém for dono de um servidor e quiser fazer uma graça), ou se você preferir me ceder orifícios adequados à prática copulatória como forma de compensação pela grana que vou gastar com servidor, fala comigo que a gente continua com a blogagem de várzea, de raiz, pé no chão e bola de meia.

É isso. O poder é de vocês (vai planeta!)

26/08/09 | Veja mais | 24 comentários;