O Romantismo em tempos de crise

Tudo bem, amado leitor, admitamos:
Você é um fodido de pai e mãe e vende o café da manhã pra comer mortadela no jantar.

Assuma que é pobre. Fodido.
Sem verba.
Isento no imposto de renda.
Não é feio.
Ou melhor: é.

mendigo

Mas não tem muito jeito.
Você não tá sozinho nessa.
Tem muita gente por aí pegando ônibus e tomando umas encoxadas da peãozada na volta pra casa.
Ainda tem muita mocinha que se esforça, vai na C&A e compra vestidinho parecido com o da Christiane Torloni na novela.

Tem sim, eu juro: perguntei pra alguns pobres que gravitam à minha volta e grande parte confirmou.
O resto me mandou à merda, o que eu não entendi direito.

Mas eu falava de você, desvalido.
Não tem muito jeito de resolver o treco rapidamente.
Ainda lhe falta, que eu sei, aquela coragem que os marginais têm de meter um berro na cabeça da madame num sinal de trânsito. Ou, quiçá, a habilidade com os pauzinhos (lá ele) pra fazer malabarismo e tirar um troco.

Ou, ainda, se aventurar na seara dos esportes radicais…

Rafting de pobre

Mas não é porque você tem um nome composto de dois prenomes absolutamente incongruentes, como Scheila Viviane, que você precisa se abster de saborear o sabor saboroso e romântico do romantismo repleto de romance.

Jojó é brodi. Vou te dar a manha.

Vai até parecer que você teve berço e é bem nascido na hora de comer gente.
Olha aí a sua carinha no ofurô improvisado, tomando uma chamapnhota…

Piscina de Pobre

Primeiro, não custa te explicar algumas coisinhas: o ritual romântico de acasalamento copulatório compilado neste texto se baseia no ritual fodetivo-copulatório dos ricos.
Com pequenas e restritas adaptações orçamentárias.

Mas a base – e essa é a informação mais importante deste post – é a mesma.
Seu objetivo é meter a vara em alguém.

E tamos juntos nessa. Meu pau agora é o seu pau. Tá tudo em sua mão. É questão de honra.

Uma vez que o objetivo final da coisa é descer a madeira, e pobre, até onde eu sei, também tem caceta e xoxota (não ao mesmo tempo, com exceções a serem devidamente tratadas pelo SUS), muda pouca coisa.

ABREPARÊNTESES: os leitores ricos vão desculpando o linguajar pouco apropriado, mas tenho de me fazer entender com as parcelas mais desfavorecidas dentre os leitores deste blog, de modo que vocês encontrarão algumas expressões chulas, grotescas ou meramente patulêicas neste texto…
FECHAPARÊNTESES.

Como eu sei que você só conhece rico em novela da globo, deixa eu te explicar como é que os ricos se reproduzem.
Não é por cissiparidade. Rico também trepa. Com estilo.

O rico se arruma, se perfuma, pega a nega e leva pra jantar uma ave rara, tipo faisão. Daí, entre vinhos finos e sabores exóticos, a moça começa a se soltar. Daí o casal sai leve como pluma e vai dar uma dançadinha numa boate da moda. Luzes coloridas, jamiroquai comendo no centro e aquela tensão sexual crescendo. Ou então pegam um cineminha (filme francês). Lá pelas duas ou três da manhã, eles saem de lá direto pro apartamento do brodi. Ligam uma musiquinha (aí já vale um sonzinho estilo Diana Krall), tomam um uisquezinho e, na cama extra king size, transam loucamente até o varar (sem duplo sentido) da madrugada.

Gostou, hein?
Quer fazer igual sem gastar essa grana toda? Se ligue:

Faz assim, ó: quando você sair da obra, hoje, finalzinho da tarde, assim que você destrepar de cima dos andaimes, dá uma passadinha no mercado. Compre um sabonete. Tudo bem, eu sei que é foda, não se começa um manual pra pobre mandando comprar nada – nem mesmo um sabonete – mas esse investimento tem duas funções: serve pra higienizar as partes pudendas e também já é um presente pra nega. Quando abrir a embalagem do Phebo, tome cuidado pra não rasgar a embalagem e, deste modo, reutilizá-la no presentinho:

Você vai precisar de:

- Um galeto
- Um garrafão de sangue de boi
- Um CD pirata do Harmoina do Samba
- Papel celofane
- Embalagem de fogão em papelão.

Você é pobre mas não é burro: o galeto serve de faisão. Não tem restaurante porque, ora essa, você é pobre, mas o galeto e duas velas de sete dias compõem perfeitamente o cenário. O CD do Harmonia, com Xanddy cantando “Oceano”, do Djavan, completa o clima.

Aqui você já mostra suas habilidades: arranque com jeitinho uma coxa do galeto e, de maneira sexy, passe sobre os lábios de sua amada. Largue a coxa e imediatamente dê uma passadinha nos cabelos alisados com Kolene da nega. É batata: ela vai ficar de graça. O Sangue de Boi também é bom amigo nessa hora.

De pança cheia, pegue um palito de dente. É sexy. Tem gente que fala que não, mas é mentira: pode espalitar todas as cavidades onde anteriormente havia dentes em sua boca. Se sua nega não curtir isso, é hora de pensar se você quer realmente enfiar a jambreta numa menina tão cheia de frescura.

Importante: não peide. Você não está sozinho num elevador.

Não tem boate, mas você trepa numa cadeira, enrola o celofane na lâmpada e coloca a música “Agachadinho”. E tcharam: temos uma boate. O papelão do fogão você desmonta e faz a super king size. Ou ainda – isso é opcional – você pode pegar aquela versão pirata de “As Brasileirinhas”, pra já ir dando aquela esquentada básica na nega.

É batata: depois dessa, malandro, é caixão e vela preta. Sem trocadilho.
Depois vem aqui e me conta o que rolou.

UPDATE: Depois do ato, você vira pra nega e fala: “pensa que acabou, mãe? olha só!” e tira do cu uma caixa de bombom garoto. “Só separa o it coco pra mim”…

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21 Comentários em “O Romantismo em tempos de crise”

  1. Lila falou:
    20/08/2009 em 14:40

    Rapaz, fiquei com tanto nojo do lance da coxa nos lábios, depois na mão, no cabelo, que me perdi naleitura instrutiva. Desisto, sou pobre, mas sou limpinha.

    [Responda a esse comentário]

  2. Lua falou:
    20/08/2009 em 14:49

    vc só esqueceu da caixa de bonbons garoto! kkkk e o sabonete é melhor quando a pessoa ganha de brinde! ahahahahah

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    Já acrescentei o lance do bombom garoto.

    [Responda a esse comentário]

  3. Alexsandra falou:
    20/08/2009 em 17:05

    Uia… meeeedo.rsrsrsrsr

    [Responda a esse comentário]

  4. Dani(ela) falou:
    20/08/2009 em 22:01

    escolado heim pai?!?!?

    dando aula!!

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  5. Cris falou:
    20/08/2009 em 22:44

    Eu começo a achar que entre ser pobre e pensar em possibilidades para economizar e ser rico e ter possibilidades para gastar… fudido mesmo é a classe média, que fica no meio termo e com certeza já fez algo do tipo quando pobre e já fingiu riqueza sendo fudido. Será que pobre ou rico se questiona dessas porras!?!

    [Responda a esse comentário]

  6. Jorge Martins falou:
    20/08/2009 em 23:04

    @Dani(ela), sou um observador da vida. Não preciso fazer tudo pra saber como é, né, dear?
    Beijoca.

    [Responda a esse comentário]

  7. Schebeu falou:
    21/08/2009 em 0:57

    tinha q sobrar p mim… meu nome é lindo!!!! seu invejosooooooo

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    Scheila, seu nome é podre.

    [Responda a esse comentário]

  8. Fábio Barreiros falou:
    21/08/2009 em 9:07

    Observador da vida, Jojo da Baba? Quando vi a foto do ofurô, lembrei-me da sua figura de cueca roxa tomando banho na caixa d’agua da casa alugada em Amargosa, vomitando (já não aguentava mais beber) catuaba com amendoi! Me assusta saber que não estou usando minha criatividade nesse relato, é verdade! Caralho, não quero nem lembrar das vacas, as de quatro patas mesmo. hahahahahah

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    Eu SABIA, fábio, que o episódio da cueca roxa seria revelado aqui.

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  9. nadja falou:
    21/08/2009 em 11:43

    oxente, mister jorge cdlj publicidade! separa o meu crocante ! melhor chocolate do mun-do.

    [Responda a esse comentário]

  10. Juliana Rocha falou:
    21/08/2009 em 11:44

    Vc, definitivamente, precisa de um tratamento psiquiatrico! Posso descolar umas receitas frias de uns tarja preta p vc! Topas??? Acho q vc tem jeito ainda de melhorar!

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    July, pode tomar o remedinho com conhaque?

    [Responda a esse comentário]

  11. nadja falou:
    21/08/2009 em 11:52

    p.s o crocante tem duas coisas que pobre mais gosta: chocolate ao leite garoto e pé de moleque.

    o preferido do michael!

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    Nadja tem problemas.

    [Responda a esse comentário]

  12. Pablo Araújo falou:
    21/08/2009 em 13:44

    Chovendo no molhado
    VC É DOENTE.

    [Responda a esse comentário]

    Jorge Martins Reply:

    Vindo de você, Pablo, eu sei que é do coração.

    [Responda a esse comentário]

  13. Leonardo Araujo falou:
    25/08/2009 em 13:34

    Você poderia escrever um livro de auto-ajuda para pobres. Nada de e-book, ok?! Pobre não acessa a Internet, só o Orkut. E ambos, como se sabe, são coisas distintas. Internet é Internet, Orkut é Orkut.

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  14. Links do Buteco [8] | Papo de Buteco falou:
    29/08/2009 em 14:41

    [...] um Links do Buteco.  Vá la na Comunidade, deixe seu link, manda pro nosso Twitter ou pelo e-mail.O Romantismo em tempos de criseLição de vidaComo enlouquecer seu CãoAs 10 crianças mais malvadas do cinemaO Nocaute Mais [...]

  15. Assim não pode, assim não dá | Detesto Gente Inteligente falou:
    18/09/2009 em 23:18

    [...] das dicas de sedução desse mané, não. Aliás, ensinei muita coisa pro Zé Mayer. Eu criei o jantar romântico com sérias restrições orçamentárias, não custa lembrar. Sou um ícone da sedução interplanetária. Não tem nada que ele faça que [...]

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