O homem corajoso!

Tem coisas que não deveria contar neste blog. Mas vamo lá.

Se liga no movimento: chego eu em casa de um jantar lá, bacana, chique e phyno e coisa e tal (principalmente a parte do coisa e tal). Daí, como sempre, chego e venho pro comps ver os trequinhos que vocês comentam, e-mails, essas coisas.

Tô bem nessa quando começo a ouvir uma zoada.

Tchetcheco Tchecheco.

Tipo som de ferro batendo com ferro, saca? (lá ele)

tchetcheco tchecheco tchecheco.

Saio da bancada, vou chegando perto da porta da rua. O barulho aumenta. Parecia som de gente bolindo na fechadura com uma chave de fenda. Na minha cabeça, na hora, rolou essa (eu falando comigo, em frações de segundos):

- VELHO-SOFÁ-MERDA-AQUI-EM-CIMA-PRA-BAIXO-AMARRADO-NINGUÉM-ESCUTA-ME-FODI.

Xô desenvolver a linha toda pra que fique mais claro.

- Velho, fodeu, é ladrão. Minha tv. Meu sofá. Meu mac. Puta merda, minha mãe! (repare aqui na ordem de importância de minhas procupações). Caralho, o que é que o cara veio fazer roubando aqui em cima (moro no décimo-terceiro andar)? Como é que ele vai levar as coisas roubadas lá pra baixo? Bom, eu acho que ele vai me deixar, sei lá, amarrado. Veio praqui pra cima porque se eu gritar daqui ninguém escuta. Malandragem, me fodi.

Ligo a luz da sala, faço “aham-ham” alto, pigarreando ao lado da porta, mas o infeliz do bandido estava insaciável, não parava com o “tchetcheco tchetcheco”.

Olhei no olho mágico. Um brodi. Quer dizer, brodi um caralho! Um cara em pé, pinta de ladrão. Repete o mantra comigo:

“mefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodimefodi”

Daí olhei pro rack da tv, que fica do lado da porta. Tem uma escultura de baiana que minha irmã mais velha me deu. Não tiuve dúvidas: catei a baiana e fiquei de prontidão, ao lado da porta. Olha o raciocínio: “esse filadaputa vem me roubar de noite, também vai se foder, vô rumaladisgraça, vai tomar uma baianada com uma baiana de cerâmica na cabeça, istopô-cabrunco-fio-de-lá-ela-exu-caveira”.

E a zoada: tchetcheco tchecheco.

Aí comecei a achar que aquele arrombamento tava demorando demais, e ladrão não pode passar cinco minutos de tchetcheco tchetcheco na porta dos outros. Quer dizer: o ladrão competente abre uma porta em segundos, e esse tava babaqueando pra abrir. Na minha cabeça, isso era um sinal de inépcia do ladrão, e daí eu fui me enchendo de coragem e pensei “perdido por dez, perdido por cem” e olhei de novo pelo olho mágico…

A porta do vizinho fechando. O cara, o facínora sanguinolento, na verdade, era o vizinho entrando em casa. Daí você pergunta:

- E o tchecheco tchecheco?

Era o som do vento da varanda na ráfia, uma planta aqui de casa.

16/08/09 | Veja mais | 11 comentários;

11 Comentários em “O homem corajoso!”

  • Leo Baiano falou:
    16/08/2009 em 9:19

    Fica tranquilo parceiro, entendo o que você passou pois já fiquei uma hora com medo de colocar a cara na janela e depois descobri que os barulhos de tiros na verdade era a telha do prédio solta batendo na lage.

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  • lila falou:
    16/08/2009 em 16:00

    Jorge, eu fico só imaginando a cena: vc abre aporta e grita com o pobre do vizinho, as 2 da madrugada. Você, este homem singelo, preto, enorme, tatuado, nada assustador, ainda mais gritando as 2 da manhã, segurando a pobre baianinha! O vizinho estaria correndo até hoje e minha mãe enfartada de vergonha!

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  • Fátima falou:
    17/08/2009 em 22:44

    Caraca meu!!!!!!
    E depois dizem que homem é que é macho????
    E tu ia usar uma bainana pra espantar o cara????
    Mas tu é covarde einh amigão!!!
    Pq não me chamou???Eu botava esse sujeito pra correr só no grito!!! heheheheheheh

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