Eu aceito a gozação, vai
É trilha de puteiro.
É trilha de sessão da tarde.
O clipe tem neon, tem gelo seco, tem mullet e tem ombreira.
É brega.
Mas essa música é linda. Sempre achei.
Me chama de brega.
Pode mandar o flame.
Outra no mesmo quilo:
É trilha de puteiro.
É trilha de sessão da tarde.
O clipe tem neon, tem gelo seco, tem mullet e tem ombreira.
É brega.
Mas essa música é linda. Sempre achei.
Me chama de brega.
Pode mandar o flame.
Outra no mesmo quilo:
Não sou lá um entusiasta de esporte. Não vejo muita graça.
Tirando, é claro, o vôlei feminino.
Mas desconfio que meu maior interesse, mesmo, é em ver aquelas mulheres grandes de shortinho e chachoalhando os peitos em saltitelas.
***
O nome dos peitos femininos é um treco interessante. Seio é quase neutro – ou quase neutro demais. Mama é só coisa de médico.
Peito é comum, mas só soa comum na boca de mulher.
Não o peito, a palavra em si, até porque o peito, em si, na boca de mulher é uma coisa bem interessante..
Na boca de homem, peito sempre tem um aspecto safadinho.
De novo, falo sobre a palavra…
(desligue um segundinho o disjuntor do duplo sentido).
E peitchola, que usei aqui neste blog em mais de uma oportunidade, é o batismo dos peitos pela malandragem.
Não use, nunca, na vida real, com uma mulher.
Aqui cabe, mas só aqui.
Ao vivo, in loco, “peitchola” parece nome de coisa derrubada, e a última coisa na vida que você quer é que a figura perceba que você achou alguma coisa derrubada entre o pescoço e o umbigo dela.
***
Não sei porque homem tem mamilo.
Cabe numa putaria ou outra, mas no geral é de uma inutilidade gritante, como o cóccix vestígio de rabo, os dentes do siso e as unhas do pé.
***
Não entendo, aliás, muita coisa do universo masculino.
Tome-se o churrasco, por exemplo.
Todo homem é entendedor de churrasco no país.
Arme-se uma roda de fusca sobre uns vergalhões e voilá: todo macho vira um Bassi.
Aí tem o cara que praticamente sai da festa pra ficar mexendo de dois em dois segundos no carvão, virando a carne e se achando importante por conta de uma atividade que, na moral, poderia ser bem desempenhada por qualquer analfabeto.
E o orgulho com relação ao modo de acender o fogo?
Aí nego pega pão, embebe de azeite e toca fogo, ou pega garrafinhas de álcool gel, ou jornal (nunca o segundo caderno).
Não sei vocês, mas me dá uma preguiça danada disso.
***
Me dá uma certa preguiça, por exemplo, de gente que entende MUITO de vinho.
Preguiça mental. A física, vocês sabem, é permanente.
Vamo explicar: eu bebo, como vocês sabem.
Talvez mais do que seria recomendável, mas aí é meu estilo destrutivo de viver.
E sou curioso.
Daí fico querendo saber de que é feita a vodka, o gin, o vinho.
E conhecer essas coisas pra beber coisas melhores é válido.
Porém, o verdadeiro conhecimento só vem bebendo.
Você só entende porque o johnny walker black label é bom e o old eight é mijo engarrafado bebendo uma quantidade considerável de um e do outro.
Absolut e Smirnoff: a mesma questão.
Dreher e Osbourne.
Tequila José Cuervo e Tequila corazón (sei lá, inventei).
Os exemplos são infinitos, a depender da quilometragem do seu fígado.
Só que com vinho é diferente. Há uma gradação quase infinita. E o cara acha uma coisa muito chique conhecer em profundidade o treco.
Me explico mal, o texto patina e não sai do lugar. Deixa esclarecer.
Não há mal em se saber das coisas. Nenhum, de fato.
Eu mesmo entendo um pouco do treco. Saber que um borgonha é feito de pinot noir, entender a diferença entre um cabernet e um sirah é básico. Ajuda você a descobrir seu próprio gosto.
Mas meu conhecimento é instrumental. Ele serve pra ser bebido.
Quando alguém, antes de abrir a primeira garrafa de vinho, faz uma dissertação de 20 minutos sobre o terroir da região sul da planície de Grignon, beber aquele vinho se torna uma coisa chata.
Porque você fica obrigado a gostar do treco. E, às vezes, não se gosta.
Eu entendo quem gosta de vinho doce.
Tem gente que faz um escarcéu em cima disso.
Chato.
Tem um tempo: reunimos uma galera de amigos, cada um levou um vinho, conversamos superficialmente sobre a parada e passamos uma noite agradabilíssima.
Não falando sobre vinhos, mas bebendo.
Sem frescura, sem afetação.
A única ocasião, na vida, em que é necessário fazer um monólogo sobre a qualidade de um vinho, é jantando com um sogro tirado a gás com água.
Ele abre um bordeaux, você faz elogios à cultura vinífera dele (do sogro) por uns quinze minutinhos e ganha uma moral.
No mais, legal mesmo é abrir as garrafas e beber.
***
Tecnologia é outra coisa que me dá um enfado assombroso.
Tem gente que enche o saco: “como assim você não prefere um mac?”
Eu tenho um mac. Nada demais.
É um computador.
É bonito e tal, mas é um computador.
Só serve pra se fazer coisas.
Gente que se acha muito especial por coisas que estão fora da alma, pelo local onde mora, pelo carro que dirige, pelo sofá que possui, tem algum problema.
Pode desfranzir o cenho: falei do sofá de sacanagem.
Meu sofá, minha tv, essa coisas todas só valem no sentido de darem conforto.
Não me acho melhor que o cara que tem o sofá com a estampa do bob esponja.
Mentira.
Mas você entendeu o treco (espero): não estou pregando uma vida espartana, sem prazeres imbecis e sem ambição por coisas que proporcionem conforto e tal. Mas as pessoas valem por outras coisas. Sério.
***
Aliás, gente que fica de saco cheio com tudo tamém torra.
Gente que tem de ficar se coçando continuamente pra se sentir vivo.
***
Eu gosto de cinema. E não tenho grandes problemas em ir sozinho ao cinema.
Mas tem gente que sofre com isso.
“Parece coisa de gente derrotada”.
Ou seja: o cara se priva de um prazer fantástico porque, durante 10 ou quinze minutos, alguém na fila vai achar alguma coisa sobre você, sozinho, esperando pra entrar numa sessão às 11 da noite.
Não tenho saco pra gente que pauta sua vida com base na opinião dos outros.
Eu ADORAVA essa propaganda.
O estilo era o que havia de mais moderno, lembra?
Isso é um sinal de que nós, que nos achamos muito sofisticados e porretas, vamos todos virar bregas no futuro.
Quem levou foi a Miguelina Astrôncia.
Claro que isso deve ser um pseudônimo, nenhuma mãe seria escrota desse jeito.
Ela não mostrou as peitcholas, mas contou a historinha e mereceu.
Ela tem um blog interessante, chamado “as burras também blogam”, que tá novinho, mas promete.
E na historinha dela, ela terminou, literalmente, tomando no xiboió! Se liga num trechinho:
No outro dia várias tentativas dele e ela correndo léguas ‘daquilo’. Meo, correram picula o fim de semana todo, mas teve uma hora que ou ela dava ou ele pirava o cabeção. Fazer o pobre viajar hoooooras, ficar de pau duro dois dias e não dar, seria o fim da picada. SE VIU NUMA SINUCA DE BICO (aê Jorge!). E olha, do que ela corria era pior que o taco de ‘sinuca’.
Diz ela que o cara tinha um cacetão.
Que não deve ser bonito, joiado e bem utilizado como o meu, mas tá valendo, de todo modo.
You won, astrôncia.
E no sábado eu vou estar lá.
Vou ver com Marcelo como fica pra te entregar os convites.
Pra terminar este post sério, uma poesia de minha própria lavra.
Miguelina ganhou o convite.
Desta linda promoção.
Ladeira acima, ladeira abaixo:
Viva meu pau na sua mão!
Tem gente que acha grosseiro
Meter meu pau na estrofe acima.
Mas só metendo o pau
consegui o efeito da rima.
69 seguidores.
Sugestivo.
Esvaneço-me em elogios catalépticos assícronos.
Sem comentários.
Tem gente que fala “bicho, você escreve bem”.
Eu sou mal-educado: eu aceito qualquer elogio que você me fizer.
Mesmo que ele não corresponda a qualquer coisa que eu seja de verdade.
Mas eu não escrevo bem.
Quem escreve bem é o Chuck Palahniuk.
Bukowski.
Nick Hornby.
Machadão.
Bono (o do blog que eu vivo linkando, não o bono vox, mongol).
Quando a gente tem acesso e consome gente que escreve bem de verdade, o sarrafo sobe.
Mas isso é segredo. Pode continuar espalhando que eu escrevo bem.
Eu vou fingir encabulado, mas é mentira.
- Mas, Jorge, eu estava presente naquilo que você comentou naquele post e não foi bem assim que aconteceu.
- Certo. E daí?
- Isso significa que tem posts que são adulterados, manipulados em relação àquilo que aconteceu de verdade.
- Certo, e daí?
- E daí que eu não vou mais saber no que acreditar no seu blog.
- Você vem no blog ouvir verdades ou ver meus elaborados boatos sobre fatos irrelevantes?
- Sei lá, é engraçado, às vezes.
- E faz diferença se é verdade?
E Deus permanece numa batalha pesada no sentido de enfiar objetos perfuro-cortantes no meu fiofó.
Eu tinha net, aquele serviço de internet e tv a cabo de bosta que a gente só coloca enquanto não sobe na vida e não tem grana pra meter uma sky fodendo pelas ventas.
Eu tinha.
Mas daí fiquei rico.
Ou melhor: deixei de ser otário.
Pagava uma quantidade de dinheiro escalafobética por um serviço que só pode ser definido como “um acúmulo de restos de meleca goguenta catarrenta cuspéstica de nariz colado na mesa de trabalho, sob um chiclete mastigado, cuspe, pus e bosta do besouro rola bosta”.
Isso num resumo simples.
Eu sei e vocês sabem que eu conseguiria uma blasfêmia melhor.
Aí cancelei a porra toda, contratei a sky e tal.
Ficou mais barato, inclusive.
Isso em março.
Daí hoje a net vai e debita de minha conta a assombrosa quantia de cento e oitenta barão.
o.0
Essa foi minha carinha quando puxei o extrato.
Não o de tomate, anta: o extrato do banco.
Ligo pro chibungo, corno, filho-dum-rói-que-fuça do atendente do SAC.
E o desgraçado maldito com câncer purulento na cabeça do pau, com aquele sotaquezinho mezzo paulista mezzo calabresa que todos os atendentes de telemarketing – inclusive os cearenses – são obrigados a mimetizar, chuta minha cabeça:
- Senhor, o senhor vai ter de estar comparecendo em nossa sede para nós estarmos averiguando o que está se passando com este debitamento que é, claramente indevido, ok?”
- Então, seu viado, se a porra é indevida, me credita o valor e fodeu.
- Só na sede, senhor.
- Pra meter a mão na boceta de minha conta você não queria minha presença física, mas pra devolver minha desgraça de meu dinheiro você quer me ver, né?
- Posso ajudar em mais alguma coisa, senhor?
- Pode sim. Levante de sua baia maldita, tire o headset da cabeça e enfia no cu.
Fui à net.
Na chegada, uma coroa já aos berros com a atendente.
“QUINZE DIAS PRA VOCÊS ME DEVOLVEREM MEU DINHEIRO?”
Peguei a senha. Sentei.
Uma mulher ao meu lado discutia com o marido, no melhor estilo “vem cá, meu bem, vamos colocar no débito”. Me meti na conversa falando alto e disse “olha, não contrata essa merda não que o povo rouba a gente. Vai pra SKY. Liga presse cara que ele instala amanhã. Toma o número”.
A mulher pegou o número e saiu.
A coroa que berrava emudeceu e sentou do meu lado.
Nego chama minha senha. Levanto, meio com medo da coroa. “Olhei pra ela e ela parecia normal, mas me lançou aquele olhar de cumplicidade que só os condenados lançam uns aos outros.
Fiquei com pena da tia.
Eu sou jovem e tenho tempo de me exasperar com essas coisas.
Ela só queria ver os leões comendo gnus no discovery channel.
Calmo e falando num tom de voz soturno, fingindo uns tiques nervosos, me dirigi à cabine da atendente.
- Olá, senhor, posso ajudá-lo?
- Pode sim. Vocês têm seguro?
- Co-como senhor?
- Se-gu-ro. SEGUROOOOOOOO! Aquele negócio que você paga pra cobrir os prejuízos físicos no caso de um incêndio, uma hecatombe nuclear, algo do tipo.
- Perdão, senhor, não estou compreendendo.
- Deixa eu explicar, filha: cancelei essa bosta. E tiraram um dinheiro de minha conta. Eu sou publicitário, eu vivo estressado, e eu saí do escritório, hoje, disposto a ter esse dinheiro de volta. Se vocês não me pagarem hoje, não tem galho: eu vou dar uma de maluco e quebrar no pau todo e qualquer equipamento eletrônico caro que tenha por aqui. Eu vou dar uma de doido. Eu vou desgraçar essa boceta maldita ao tabefes. Eu vou, em bom baianês, “rumaladisgraça” nesse sede feia e que fede a mijo. Entendeu?
- Calma senhor.
- Eu tô calmo.
- Fique calmo, senhor.
- Eu tô calmo, meu bem. Ainda.
- Bom, o senhor preenche esse formulário e, em quinze dias, o valor será ressarcido.
- Não serve.
- Mas senhor…
- téééééééééééééééééééééééééiiiiiim (gritando, imitando uma campainha desses joguinhos de televisão). Resposta errada. Não serve.
- Senhor, por favor, tenha calma…
- TÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMM (louder and louder, baby, I´m not a lady).
- Senhor, se controle!
- Eu quero meu dinheiro hoje.
- Mas senhor.
- Faça melhor. Se esforce. Eu vou quebrar tudo aqui.
- Na minha instância, senhor, é o máximo que posso fazer.
- Então, minha filha, faz o seguinte: chama sua gerente, sua supervisora, o papa, deus, a puta que te pariu, mas eu quero uma solução. Eu vou quebrar tudo aqui.
- Mas…
- Eu vou quebrar tudo aqui.
- Senhor…
- (sombrio) eu… vou… quebrar… tudo… aqui…
Ela levantou, foi chamar a gerente-supervisora-whatever. Daí esta outra mocinha me levou pra uma salinha arrumada. Me conversou, me deu café, preencheu o formulário na hora, me deu duas dúzias de documentos e me disse, ao final de tudo, que vai me ressarcir o valor em dobro. Pra eu aguardar.
Ou seja: toda essa pantomima e me fodi de todo modo.
Vou aguardar.
Quando eu saio da saleta, a tia tá de novo aos berros.
Colei nela: “dá uma de maluca, tia, que a porra anda melhor”
E saí. Com fé na tia. Ela iria brocar tudo, com fé em Deus.
***
Aliás, falando em Deus, another tricky thing desse peralta contra minha pessoa.
Chego em casa e a Sky sem sinal.
E aí não me resta outra opção: mais um post enorme.
Caminho das índias não dá.