Mostrando os dentes
Eu sou pra lá de legal.
Sério.
Eu sou divertido, inteligente e patati patatá.
E humilde.
Eu tenho uma linda casa com um sofá de grife (e os amiguinhos adoram quando eu falo de sofá de grife) e sou feliz. Tenho muitos amigos com quem bebo tequila e vou ter muitos mais na vida.
Sou leal a quem me é leal, e dou um braço numa briga por você, se você for realmente uma pessoa querida.
Respeito o que cada um é, do jeito como as pessoas são, quase sempre.
Faço tatuagens em homenagem a pessoas. Todas elas são por alguém.
Eu tenho pouco apego com grana e essas coisas. De verdade.
Se eu quero te ver hoje e você tá sem grana, não me cai a mão por te pagar um pastel e duas cervejas. Se eu vou comprar um chinelo novo, eu te passo o antigo, na boa. Eu não vou te vender.
Se um funcionário chega pra mim, na moral, conversa e me mostra por a+b que ele precisa ganhar mais dinheiro do que vem ganhando, seu eu tiver condições, ele ganha um aumento.
Se eu puder, sei lá, pagar uma viagem pra Bariloche e minha namorada, na ocasião, não tiver grana, tá beleza. Não fico contando trocado.
Tem momentos, na vida, que valem muito mais que grana.
Digo todo dia, na agência:
“Isso aqui tem de ser mais que ganhar dinheiro.
Gastamos os melhores anos de nossas vidas em frente às telas de computador criando coisas.
Não quero chegar aos sessenta anos constatando que minha maior realização, na vida, foi comprar, sei lá, um barco que eu uso uma vez no mês.
Quero construir alguma coisa que, de algum modo, nos coloque na posteridade.”
Mas aí, como tudo na vida, nego viaja que eu sou bonzinho e quer me taxar de trouxa.
Aí, malandragem, não dá.
Trouxa é o caralho.
Não sou otário MESMO.
***
Minha família é foda.
E você responde:
- Mas qual não é?
Ok, mas não estamos falando de você agora.
A minha é mais foda, pois é minha. Posso terminar o post?
Em todas as discussões de família – com raríssimas exceções, Deus é testemunha – eu faço o papelzinho de conciliador. Eu ligo pra quebrar o gelo e tentar desfazer bicos. Eu mando depoimentos imensos via orkut que nunca são publicados. Eu dou o primeiro passo pra dar o abraço.
Eu faço posts.
Mas tô de saco cheio. Tô a fim de ser paparicado.
Daí parei de conciliar.
Aí uma irmã ficou puta comigo porque não deu pra ir ver meu amado e brocador sobrinho no niver dele. Em outros tempos, eu ficaria de gracinha tentando ser legal. Só que não deu pra ir, mesmo. Disse exatamente isso. E, acho, se há amor, isso deveria ser suficiente.
Meu pai tentou me foder, daí coloquei ele na justiça. Minha irmã mais nova tomou as dores dele, e demorou séculos pra me dizer que isso não importava. E agora minha outra irmã (são três) chegou aqui em casa numa empáfia do cacete e pulei da cama quebrando o cacete.
Talvez seja eu o problema. Sério.
Mas, de verdade, só vou gostar de quem gosta de mim.
5 Comentários em “Mostrando os dentes”
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Juliana Rocha falou:
04/07/2009 em 17:43Eu gosto de vc. Portanto, seja bonzinho e traga um litro de alguma coisa foda e cara pra degustarmos juntos daqui a pouco.
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Dani falou:
04/07/2009 em 21:06Fico algumas horas sem frequentar o blog e quando vejo, já tem uns 1000 posts…..tah, nem foi tanto tempo assim, mas 4 posts em poucas horas jah eh muito…..feito admirável, comentarei nos de cima ainda, entao o abraço só no último =D
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Larinha falou:
05/07/2009 em 0:10Alguém disse: O inferno são os outros!Eu sempre digo: O inferno são os parentes!=P
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Marcelo falou:
09/07/2009 em 14:39Eu já disse a minha mãe que quando ela e meu pai ficarem velhinhos eu vou me vingar de tudo, tudo mesmo, sem dó.Meu pai vai acordar bem cedo tomando uma colher de mel grosso e puro, até entalar.E vou jogar coisas em minha mãe sempre que ela quebrar algo ou manchar uma camisa minha, se for cara eu jogo algo bem pesado.

04/07/2009 em 15:27
Somos dois!=)
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