Tlinta leal, tlinta leal!
Sampa é massa.
As always.
Voltei de lá no domingo de noite.
E é craro, cróvis, que alguma coisa trágica iria acontecer no vôo.
Eu, a vida inteira, quis viajar de avião.
Achava bacana, chique e tals.
Papai viajava pra ver umas negas de calçola (ele era representante de uma marca de lingerie) e trazia manteiguinha, aquelas coisinhas pequenininhas, faquinha.
(E aqui começa mais um desvio de post)
Era tudo muito chique.
Pegar papai na belina de titia.
Aliás, eu já velhinho, lembro que papai mandou eu pegá-lo no aeroporto. Perguntei se era pra pegar a parati-ambulância-de-interior que ele permitia que eu dirigisse aos 19, mas como a parati não tinha bancos (!), ele me deixou pegar o Astra Power Deluxe dele e ir pro aeroporto.
Nem preciso dizer que saí chutando a milhão na avenida paralela me sentindo o tom cruise naquele filme “negócio arriscado”.
(termina o desvio. voltemo à rota)
Daí a Gol fez aquela mega-boga promoção de 50 barão e a primeira viagem de avião que fiz foi pra BH, que é bem bacana.
Me senti estranho durante o vôo, mas minha namorada era habitué de vôos e tal (sogrão era tipo o top gun de verdade, velho, pilotava caça de verdade e os cacete todos) e disse que era o nervosismo e tal. Eu acreditei.
Eu, não obstante esse blog, tenho fé na humanidade.
Nunca passou.
Eu odeio aquela merda.
Na hora que aquela caceta pega a velô, embica a ponta e sobe (lá nele), velho, minha vontade é de morrer.
Não dá pra definir de outra forma. Eu quero morrer.
Não de queda, mas dar um siricutico e ficar de boa, pá, no céu (!) tocando harpinha.
E na chegada, duas e tanta da manhã, parece que botaram um quebra molas (pros não baianos: lombada) na pista, a roda bateu e o avião saiu derrapando um monte até parar.
Esse “um monte” é praticamente cinco segundos. Mas eu lembrei de Congonhas.
Aliás, na época de congonhas, eu só imaginava os brodi dentro. “Ufa, pousou, cabou o inferno”. Daí a piroca entorna e o avião bate lá.
Foda, malandragem.
Aliás, este blog não falará sobre o vôo que caiu lá e tal.
Foda, triste e tudo o mais. Mas já deu.
O povo falando que abriu um buraco negro no céu e chupou o avião, tipo “tiraram o tampão do céu”.
Eu não entendo como algumas pessoas conseguem escrever em jornal sem o mínimo conhecimento das coisas do mundo.
Mas é triste.
Eu fiquei triste com a parada. Eu somatizo essas coisas. E esse blog existe pra dessomatizar (ui, exagerei no léxico).
***
Em São paulo, além do seminário-workshop-whatever, fiz pouco. Só fui mesmo na Liberdade, no domingo, ver aquele monte de Japa emo – e foi absolutamente divertido, afinal tava com uma galera bacana e divertida. Você sai do metrô na liberdade e parece que o metrô desaguou num portal cibernético diferente, uma realidade paralela. Muito menino-emo (contradição?) e menina-ema (eu gosto assim, me deixe errar).
Umas correntes de vento miserê, vendo as coisinhas da feirinha e tal, daí vamo rangar num japa (dã) e tem um japa cantando. Eu torcendo pra ouvir umas coisas diferentes e o japa cantor me ataca de I shot the sheriff. Nada mais raiz japonesa que um cara tocando I shot the sheriff, uma música de um cantor maconheiro jamaicano que estourou pro mundo quando um guitarrista inglês, o fodástico Eric Clapton, ou melhor, Deus, regrava a bagaça.
Em todo lugar onde eu parava, o povo perguntando “você é indiano?”.
A novela fez isso comigo. Me colocou como membro de alguma casta.
Não aguento mais ouvir “hare baba” e “tic”.
Chegou.
Ou, em indian english, Enóf!
Inventem outra piada, porque essa já deu e não (desculpa ser sincero), NÃO É SINAL DE CRIATIVIDADE. Uma hora lá me retei e saí falando em indian english, daí a coisa como um todo ficou mais verossímil.
Comprar coisinhas dos japas é engraçado demais.
Todo mundo na vida merecia passar por essa experiência.
Você pergunta “tem vermelho?” e os japas respondem “tlinta leais”. Daí você insiste “ok, tudo bem, vietcong maldito, mas tem vermelho?” e ele responde de novo “no, no, tlinta, desconto non!”
E, na liberdade, reduto japonês, o que mais você pode encontrar?
Claro, abençoado baiano: uma barraca de acarajé.
E eu, um poço de educação, um profundo entendedor da diversidade cultural, me posto ao lado do estande e, ao olhar aquele tacho com um óleo suspeito (não era dendê nem aqui nem na china) e uns pedaços de massa boiantes parecendo fetos abortados, me ponho a berrar “isso não é acarajé, eu sou da bahia e sei”.
Não dá pra ser blasé sendo baiano.
Aqui sempre tem uma guia de cafezinho (invenção baiana) tocando um pagode no estilo “tchuco gostoso” ou “desce com a mão no tabaco”.
10 Comentários em “Tlinta leal, tlinta leal!”
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Leticia Novaski falou:
10/06/2009 em 10:24Cara… Sem muita babação, teu blog é muito bom!!! (a exclamação tripla é proposital, não configura um erro de grafia tampouco um complexo de inferioridade caracterizado por uma tendência de majorar ou exacerbar tudo aquilo que é inerente ao 'estar humano', serve apenas para frisar meu entusiasmo. O fato é que ando viciada nisso aqui!) Rio pra car**** com os posts! Partilho do pensamento de que talento não somente é dom, então, de coração (se é que isso ainda tem algum valor…Hahaha!) parabéns, e obrigada por compartilhar comigo e tantos outros tua arte (de artista e arteiro!)
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Leonardo Araujo falou:
10/06/2009 em 11:07Qual é a casta dos publicitários, colega? Fiquei curioso, sério!A Liberdade é foda. Fui lá uma vez e, em uma loja de artigos japoneses (óbvio!) peguei um par de sais (as armas do Rafael das Tartarugas Ninja) e tirei uma foto massa. Só a cara de sono e frio não salva a foto.Vi também essas coisas aí boiando no óleo (devem ser as mesmas de quando eu fui) e até tirei foto. Tá no Flickr http://www.flickr.com/leonaraujoBom, é isso, falei demais. Fui!
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lilaemarcelo falou:
10/06/2009 em 13:38BebÊ, ainda vamos juntos a sampa. Vai ser muito bom! e eu vou te pertubar muito dentro do vôo! Saudades!
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Larinha falou:
10/06/2009 em 14:12Vc fala isso, pq nunca comeu acarajé com maionese de Petrolina -PE. Qdo eu estive lá, não sabia dessa moda(?) e pedi um acarajé com vatapá, camarão e pimenta. A bahiana me lasca quase 2 dedos de maionese em cima do meu acarajé. Quase tenho um infarto e um AVC, simutaneamente. Qdo disse que aquilo era um absurdo,onde já se viu ?! A tapada me diz que "absurdo é o acarajé da Bahia que só tem pimenta e carurú, visse?!"A propósito, tenho visitado o seu blob com uma certa frequencia e vou confessar: Tem dias que só o seu blog salva! Parabéns!
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Jorge Martins falou:
10/06/2009 em 15:56@letícia.Obrigadíssimo pelo comentário. Fico feliz que só. A sua explicação sobre a exclamação é uma coisa engraçada demais!Mas uma coisa é preiso deixar claro: artista nada, eu sou é psicótico.Volta sempre.
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Jorge Martins falou:
10/06/2009 em 16:11@larinhaHoje acordei com uma certa indisposição estomacal, vulgo diarréia, e só de pensar no acarajé com maoinese fui ao banheiro. De novo.No mais, só o meu blog e o crtl+s.Além do Jesus, craro.Brigado pelos comentários.
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Marcelo L. M. Trevisan falou:
11/06/2009 em 8:50Caralho, meu cunhado vai fazer novela, TIC ou TAc
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Dani (ela) falou:
11/06/2009 em 21:37paulicéia é mesmo uma onda.parece uma tapa de outro mundo. sair daqui e caír lá, né?
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emmibi falou:
12/06/2009 em 0:24hahahaahahaeu não fico em pânico no avião, mas acho voar um saco.o aeroporto é longe, vc tem que chegar uma hora antes, tem um monte de burocracia e protocolo, e neguinho corre pra fila, que nem cinema de multiplex, como se o lugar não fosse marcado…sacooo.no mais, compartilhamos a sua visão da liberdade: portal paralelo total.e não sei se tu ainda acompanha lost, I do.E não duvido nada que no último episódio da próxima temporada, depois que todo mundo deixar a ilha, ou morrer nela, ou se matar nela o avião da air france apareça, nos 47 do segundo tempo caindo lá. aí explica a teoria do vácuo sugando ele no meio do oceano.

10/06/2009 em 0:28
Eles querem imitar nossa Bahia de qualquer jeito.
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