Henri chinaski goes to the prom

O fato é simples: acabo de chegar de uma formatura de uma amiga. Não é uma formatura qualquer: esta minha amiga de adolescência tava formando como oficial da polícia e tal.

Esquema formatura mesminho: começa tocando New York New York, rapidamente descamba pra Alcione e daí é ladeira abaixo.

Saí quando começou a parte de “música dance anos 70″.
Pra mim, deu.
Vou viajar cedo.

Eu não me controlo e começo a fazer comentários jocosos sobre a parada. Vamos aos fatos.

Eu sabia que iria sair cedo. Eu sabia que iria viajar amanhã, eu tava com medo de pegar blitz no meio do caminho e, logo, já sabia que não iria beber na formatura. Daí cheguei cedo.

E me senti exatamente como o título do post. Henri chinaski, o alter-ego de bukowski, chegando num baile de formatura de high school americana.
Algumas ex-namoradas e namoricos de adolescência presentes, aqueles cumprimentos protocolares e em poucos minutos, uma ou duas torcidas de boca e, uns 3 moxoxos depois, estava eu absolutamente sozinho, sem nem um copinho na mão, numa festa repleta de gente com quem eu já troquei confidências e beijos na boca, mas que hoje me olham de cara estranha.

Chegam mais ex-namoradas, bati um papo bacana com uma delas e com o namorado dela, mas não há um modo de descrever como eu me sentia deslocado naquele ambiente. Aí um brodi das antigas puxa papo:

- Cara, ontem fui num restaurante e rolou uma braba.
- Qual foi?
- Um casal de homossexuais, velho, se beijando.
- Que é que tem? Deixa os caras se beijarem lá.
- Velho, você não tem noção. Nojento.
- Que mal tem em dois viados se beijando?
- Ah, não fala “viado”, Jorge, que é preconceito.

Em ocasiões normais, é a hora em que eu peço um minutinho, me dirijo ao bar, faço uma rápida amizade com o garçon e peço pouco gelo no whisky. Sim, porque a quantidade de gelo que nego bota nos copos de plástico pra fazer o whisky render em formaturas é, com diria um antigo estagiário lá da agência, “um crime tipográfico”.

Alcione comendo no centro. Aí chegou, em pouco tempo, minha galera mesmo, gente com quem eu ainda consigo conversar, e consegui ficar de boa.
Uns 10 minutos.

Daí essa minha amiga foi pedida em noivado. Em cima do palco.
frente de umas cinco mil pessoas. Lágrimas rolaram como água ribanceira abaixo…

E você, indignada leitora, tergiversa (ui):
- Porra, Jorge, que é que tem demais nisso? É lindo isso. É história.

Eu respondo, tchuquita do coração de papai: nada. Foi bonito e tal.
Mas pra mim não dá, cara, sério.
Eu acho grandes gestos do tipo coisa de novela mexicana.
Eu só pediria pra casar com alguém num jantar bacana, eu e a pessoa, coisinha gostosa e tal. Mas a sociedade do espetáculo curte demonstrações grandiloquentes, coisas arrebatadoras.

Faço algum comentário sobre isso e alguém, passando por perto na hora em que eu estou falando com gente que entende ironia, sarcasmo e coisas assim, arremata:

- Ah, Jorge acha estranho e diz que nunca faria porque casamento é um assunto que mexe com ele.

Duas ex-namoradas viram a cabeça pra ouvir a minha reação (elas já deviam imaginar a patada). Uma virou de gaiata: nunca fiz nenhuma menção de vir a querer, algum dia, sob nenhuma circunstância, casar com ela. Resolvi surpreender e sorri amarelo, puxei um cigarro no bolso do paletó e acendi. Depois da queda, o coice – alguém comenta:

- Jorge é só pose de mal.

Devo ser. Só pose de mal.

Tem duzentas e cinquenta e duas frases que eu poderia ter escrito neste post pra te por a par do que eu penso sobre isso. Mas creio ser desnecessário. Seja empático. Eu ainda confio (pouco) na sua inteligência, leitor médio do DGI.

Aí chego no carro e venho até em casa. Viajando nessas coisas. Imaginando transformar isso em post, depois desistindo, depois desistindo de desistir. Se você estiver lendo isso, é porque, realmente, eu acabei publicando a parada.
E, claro, né, darling: se eu publiquei, eu quero reforçar minha fama de mal.

21/06/09 | Veja mais | 9 comentários;

9 Comentários em “Henri chinaski goes to the prom”

  • Marcelo falou:
    22/06/2009 em 12:29

    Fui num encontro de ex colegas da escola, todos casados e com filhos.De um lado o assunto eram doenças dos filhotes, e do outro, os maridos com barrigas enormes e um vinho que não lembro o nome.Peguei uma cerveja, fui para a varanda e pensei.-Felicidade é igual a cu, cada um com o seu

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  • Lu falou:
    22/06/2009 em 15:18

    Hahahahahaha! Adorei o comentário do Marcelo. E depois do antigo post "fofinho", de repente de mau só a fama mesmo. Mas que mulher não gosta de um "mau" mesmo que só tenha a fama?

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  • Lore Almeida falou:
    25/06/2009 em 13:31

    N sei se má ou boa, mas se de repente eu fosse pedida em noivado, numa formatura, no palco, pra todo mundo ver… dificilmenmte eu casaria com esse cara. Quer me surpreender? Seja surpreendente, mas não ridículo. Mas há quem goste de novelas mexicanas, há quem encene a vida. Prefiro vivê-la. Show eu pago pra ver, e tem que ser muito bom!

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