A vida: um beijo que é uma mordida de cachorro
Se liga só na trama rocambolesca.
Lila, minha irmã, cujo apelido em casa é Mingau (o gatinho da Magali), viu um cachorrinho na rua, abandonado, faminto e sem um lar.
Todo dia ela via o cachorrinho.
Ela olhava pro cachorrinho, o cachorrinho olhava pra ela.
Ela ficou com peninha do cachorrinho.
Comprou raçãozinha pro cachorrinhozinho.
Deu a raçãozinha pro bichinho.
E, claro, o cachorro a mordeu.
Nhaco.
Ela teve de tomar umas duzentas injeções contra raiva, contra essas coisas todas.
Que ela é mingau mongol, não há dúvidas.
Mas esse, jubiloso leitor, não é o motivo do post.
Poderia ser, e seria um mote extremamente interessante, se você parar pra analisar que o cachorrinho, segundo soube depois, era um fila. Poderia falar sobre o que move um ser humano a ver um fila como um bichinho agradável. Mas sobre as dentadas que ela toma, ela mesma (e meu cunhado) podem falar melhor.
Eu não gosto de bicho.
Muito pouco gosto de gente, e olha lá.
Aliás, corrijo logo: não gosto de gente.
Gosto de algumas pessoas.
Gente, em bando, me assusta.
Sério.
Dá meio que o mesmo medo que eu tinha do Freddy Mercury quando pequeno.
(eu tinha um medo danado do Freddy Mercury, sabe-se lá saber o porquê…)
Gente desconhecida, gente em aglomerações patulêicas.
Gente que puxa papo.
Sou mais o conforto de gente que conheço.
Tenho um monte de gente perto, sempre, mas tenho uma dificuldade enorme de transformar pessoas que conheço hoje em partícipes da minha vida.
Enorme.
Meus amigos não sabem, mas esse mvimento de permitir que novas pessoas entrem em meu espaço (lá ele) é bem complicado pra mim.
Minha última namorada falava que eu era uma ostra.
ê, lelê.
Desviei.
Vivo fazendo isso em posts.
Parece um recurso de estilo mas não é, cara, eu juro.
Mas aí eu vou e volto.
O cachorro tá certo. Lógico que tá.
Pensa igual a cachorro que você entende.
Disso eu falo de camarote…
Se você fosse cachorro de rua, acostumado a apanhar, aceitaria de bom grado um potinho de ração? Eu não, malandro.
Eu morderia.
Ela, na lógica de gente, tava certa. Pessoas bacanas ajudam seres inferiores.
Ele, na lógica da rua, tava certo também.
Pessoas não são bacanas. Se ela tá me dando esse rango, aí tem.
E aí eu penso em milhões de comparações entre isso e o que ocorre entre gente de verdade.
Gente que desconhece a linguagem do carinho e morde.
Tem demais.
E penso em tantas outras paradas patabológicas…
Na minha viagem, de certo modo, a mordida foi um carinho, sacou?
É o carinho que ele entende, velho.
Claro que eu não tô querendo dizer com isso que é bom receber uma mordida.
Pode desfranzir (hãn?!) a testa.
Mas é o jeito do cachorro, velho.
Tipo menino de rua que pena pra caralho e só sabe se relacionar desse jeito.
Precisa de um tempo marinando numa bacia de carinho pra amolecer.
Ih, viajante, hein?
Estilo os posts de Juliana, que fala da “mudança, sustança, esperança de criança” e todo mundo vai comentar.
Mas fiquei viajando nisso.
Esse cachorro tem muito pra ensinar pra gente.
6 Comentários em “A vida: um beijo que é uma mordida de cachorro”
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Karen Sampaio falou:
21/05/2009 em 10:12Somos parecidos nisso aê: detesto gente, aglomerações etc. Sô meio não sou fã de amizade feminina, não que eu não tenha, mas so cismada. Acho tudo uma falsidade…quando vem com aquele amigaaaaaaaa! Sô q nem o cachorrinho aê, largo uma dentada..rsrs
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lilaemarcelo falou:
21/05/2009 em 16:51O cachorro estava doente, fiquei com pena mesmo. O pior é que já fui chamada de maluca, irresponsável, mongol e tudo mais, e o cachorro nem olha para minha cara.
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Cara de 30 falou:
21/05/2009 em 22:09Parece loucura no início mas concordo contigo, sabia?! O coitado do cachorro tá certo na lógica dele.
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Dani (ela) falou:
22/05/2009 em 16:03um elogio, a mordida do cachorro:tive um namorado que quando eu ficava tinindo em cima do salto pra ele, dava uns muxoxu… “pra que isso tudo?”tsc…tsc…
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Juliana Rocha falou:
22/05/2009 em 20:19Volta e vira e vai e lá vai vc falar da sua invejinha do meu blog! Tres cu sarapacu, tres ovo goro na regaça do cu!!!

21/05/2009 em 0:05
Eu daria bola para o desgraçado no mesmo dia. “Bola”, sacou?Medinho “Freddy Mercury” é algo digno de Clodovil Hernandes. Que Freddy o tenha. Hahaha!Putz! Fui sarcástico ao seu estilo agora. Estou me perdendo aqui!
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