O piti de Bethânia
Daí ,tá: virou, mexeu, lá vamos nós pro bar!
Ontem isso. Primeiro: Mouraria, caranguejo e tome-lhe cerveja.
Eu, Druba, Schebeu e as Irmãs Cachaceiras.
Galera massa.
Falamos merda pra cacete (coisas impublicáveis), descobrimos que uma das irmãs cachaceiras tá toda quebrada – que nem meu sofá – e outras coisas.
Vai dando de noitinha, ligamos pro jovem André Rai. Ele sugeriu irmos pro Beco da Rosália.
Eu estranhei:
O Beco da Rosália, pra quem não conhece, é um lugar alternativo nos Barris. Dá uma galera alternativa, toca música alternativa, tem umas comidas alternativas e tem viado à beça.
Mas, enfim, fomos lá tomar uma.
Chegando lá, uma banda arrumando o fuá pra tocar. E o brodi que era o cantor parecia a Maria Bethânia fase Hippie.
Sério. Juro! Por Deus!!!
Mentira:
Bethânia não merece.
Uma Bethânia piorada, mas Bethânia, ainda assim.
Uma mistura de Bethânia com uma barba de Wolverine grisalho.
Algo assim.
Começamos a tomar cerveja e tal, daí eu olhando a cara do povo.
Gente alternativa, tá ligado?
O povo de boina, camisa do Che.
Ripongas classe média de butique.
Tipo estudantes universitários fumando maconha unidos pelo ensino superior público e gratuito.
À merda com o ensino superior público e gratuito
Como eu não presto, comecei a imitar uma tia que tava se achando A pessoa alternativa do universo, com uma merda de uma piteira entre os dedos.
Daí, cara, deu-se a desdita: Betânia Hippie começou a cantar Circuladô, de Caetano. Bem alternativo mesmo o treco.
Bethânia Hippie queria se expressar.
Bethânia Hippie tira o microfone do pedestal.
Uma PUTA microfonia no meio de uma parte escrota da letra lá fodeu o treco todo e Bethânia Hippie interrompe a canção, falando assim, ó:
“Olha, essa é uma canção pra ser ouvida, pra ser sentida! E a conversa de vocês tá atrapalhando. Como não tem jeito mesmo, vamo deixar pra lá. Simbora! Batera, vamo de É d´Oxum!”
Tipo, como se tivesse falando assim:
“Vermes alcalóides das profundas do capeta, patuléia degenerada e maldita, por que não se calam enquanto desfrutam da música? Para animais inferiores como vocês, só o escárnio, o frêmito do rebolar das ruas, mesmo. Gentinha. Vamo tocar uma merda de uma música de merda porque é isso que vocês, idiotas, merecem. Vamo tocar o hino da pobralhada baianidade nagô, É d´Oxum, porque é só neste nível que vocês entendem”.
Claro, eu fiquei indignado.
Patuléia é a puta que te pariu, Bethânia Hippie.
Vai dar cu pro jegue.
Daí não aplaudi mais nada, conversei ainda mais alto e no final mandei um abraço pro guitarrista, que parecia o Sean Lennon e carregava a banda nas costas.
Obviamente, depois que o nível alcoólico já havia subido, começou a sessão “funk carioca batucando na mesa”, o clima ficou tenso e, acho, o dono do bar não vai mais querer nos ver por, pelo menos, uns seis meses.
O que não vai nos impedir de estar lá no show de Bethânia Hippie no próximo domingo.
Você vai?
2 Comentários em “O piti de Bethânia”
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marceleuzeda falou:
28/03/2009 em 9:58Como assim cachaceira??? Eu nem estava bebendo. Você estava impossível domingo, mas eu adorei. Ri muito. Vamos esse domingo de novo??? rsrs

23/03/2009 em 20:39
kkkkkkkkkkkkkkkcomédia!
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