Lithium
Se você me disser que tá com uma dolorosa modalidade de cancro mole nas bordas de sua genitalia, isso só me preocupa superficialmente.
Eu sinceramente fingirei uma preocupação ruidosa. Mais ruidosa do que ela é em seu cerne.
Mas não é isso que interessa: você ficaria insatisfeito se eu agisse de outro modo, logo eu finjo e ambos ganhamos.
Eu perguntarei se você precisa de algo ou se há algo que eu possa fazer.
E isso é o máximo de sinceridade que eu me permito ter com relação às dores alheias.
O que não significa, na verdade, que eu vá acordar às duas e meia da manhã, me arrastar praguejando para fora de meu edredom preto e vá te buscar em um hospital público fedendo a mijo para ver outros seres humanos com membros decepados à espera de atendimento.
Mas se eu bater com o dedo mindinho no espaldar da porta, eu vou amaldiçoar a vida para todo sempre e achar que aquela dor maldita é a pior de todas desde a fundação da existência humana sobre a terra.
Porque pra mim, MEU mindinho machucadinho dói mais que a sua genitália purulenta.
Eu sou um porco simoníaco, como um comentarista deste blogue já me batizou.
Eu sou egoísta e miserável.
Enquanto pessoas diversas pensam em ter uma prole, constituir família e lutar contra a fome no mundo, minha maior preocupação no momento é trocar o sofá da minha sala.
Claro, você já sabe, todo este post é um enorme exagero.
Eu buscaria alguns de vocês em hospitais públicos.
Não todos.
Não exagere.
É bom que você sempre fique em dúvida com relação a isso.
Mas, em alguns casos eu iria.
Mesmo que pessoas com membros decepados estivessem na recepção.
Eu até mesmo poderia ficar sinceramente consternado com a purulência de sua genitália, sobretudo se a sua genitália for feminina e se ela puder ser utilizada em jogos sexuais de natureza abjeta com a minha pessoa.
Vai que todo mundo seja assim.
Tem de ser.
Só que nego mente e finge que não fica assim.
Mas, pra mim, que sou grilo falante da humanidade, a fome do mundo é uma bobagem comparada com o meu problema do sofá.
Não tô legal.
Esse não foi um bom final de semana.
Ore por mim, mesmo sabendo que eu não rezo nem por você nem por ninguém.
Mas vai que você pega um treco estranho e precisa de um amigo pra te buscar no hospital de madrugada?
2 Comentários em “Lithium”
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Juliana Rocha falou:
10/02/2009 em 15:48Gente, acho q não volto mais aqui! Tou chocadaaaaaaa

09/02/2009 em 8:31
Pronto a sorte está lançada,será aberta um enquete, ou uma comunidade (no quase esquecido) Orkut, que seria resgatado por Jorge num imundo e fedorento hospital público
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