A magic spell

Eu penso que, na verdade, todos somos menininhos e menininhas aprisionados em corpos de gente grande. Um encantamento de bruxa.
Brincando de pagar faturas e contas.
É uma brincadeira sem graça, mas não deixa de ser.

Em meu ser mais profundo, permaneço um menino de oito anos de idade.
Ainda me assusto quando sento em mesas de restaurante, ou me surpreendo, às vezes, dirigindo um carro.

Talvez sexo seja a única coisa realmente adulta que eu saiba fazer.
Todo o resto é uma projeção das coisas que eu, quando criança, via os adultos fazendo.

Ainda me surpreende, sinceramente, que alguns amigos meus tenham essa cara de adulto que eles têm.
Parece que eu fiz amizade com os amigos de meus pais, sacou?

Falei disso outro dia aqui:
Há um tempinho atrás, eu ainda um adolescente, fiquei com uma menina bem mais velha.
Tipo, eu tinha 17 e ela tinha 24.

Todos, invariavelmente TODOS os meus amigos falavam (não sem uma pontinha de inveja) que ela era “uma coroa”.
Depois lembro que a gente comentava sobre umas mulheres de 30 anos e pensava assim: porra, e neguinho tá pegando aquela coroa…

Hoje, pra mim, uma pessoa de 30 anos é uma pessoa normal.
Não é mais uma coroa. É uma igual.
O que significa que as amiguinhas de minha irmã mais nova devam olhar pra mim e pensar: poxa, Manuella, teu irmão é um coroa!

Foda, hein?

Sei lá, é estranho envelhecer quando ainda existe um menino dentro de minha cabeça controlando o resto.