Comércio eletrônico, tremei

Mandei fazer um cartão do submarino.
Agora a porra vai empenar.

26/02/09 | Veja mais | 2 comentários;

Carnavale, carnavale…

Queridinhos, saudades imensas deste bloguezinho.
Mas, como todos sabem, foi carnaval e eu moro na Bahia, logo…

Eu sei que eu prometi escrever resenhas sobre os dias de festa.
Mas você é um bom leitor desta merda de blog, portanto deve ter gastado seu tempo carnavalesco fazendo sexo desprotegido com estranhos e gastando dinheiro excessivamente com bebidas alcóolicas, atividades bem mais arriscadas e divertidas do que ler este blog.

Então ficou combinado tacitamente: você não veio me ler, daí não escrevi nada.
Ou então você veio, não achou nada, sorriu languidamente com o canto da boca e pensou “este peralta deve estar na furicagem da folia baiana”.
Em ambos os casos, eu estou perdoado.
Se não por você, por mim mesmo e isso basta.

Mas, é óbvio, há muita resenha a ser feita. Não nos furtemos ao prazer de bater um papinho sobre as idiossincrasias, as vicissitudes e as veleidades carnavalescas.

***
Marcelo, primo, mandou um recadinho via orkut pedindo posts na quinta. Não deu.
Não vi o recado.
Aliás, por uma conjunção estranha não consegui encontrar meus primos na terça, o único dia em que iria para a rua para ficar na pipoca. Deixei o celular em casa e… enfim, fodeu, não consegui falar com mais ninguém. Fiquei puto, passei a tarde praguejando contra a vida e, à noite, fui enfiar a pica no meu visa num restaurante boçal e agradável chamado Doc.
Foi bacana.
Mas nem de longe substituiu a vontade de trocar uns dois tabefes com os cordeiros e tomar cerveja quente levantando as mãozinhas e tirando o pé do chão.

***

Este carnaval foi sui generis porque, sem querer, terminei fazendo diversas coisas que o povo que não gosta de carnaval faz. Na quinta não tava a fim de sair e fui ao Franz, que é sempre bacana de madrugada. Nno sábado – acreditem – fui ao cinema e, na segunda, viajei.
Tudo bem que não foi, de fato, uma viaaaaaagem – dei um pulo em abrantes, mas pra mim foi estranho não estar em Salvador por vontade própria. Pulo carnaval sozinho nas ruas desde os 14, 15 anos. Acredito que fui obrigado a sair de Salvador somente em um ano, na época em que ainda morava com meu pai, e silenciosamente planejei maneiras de enforcá-lo com a toalha da mesa e chorava toda noite.
De lá para cá, nunca mais deixei de estar na rua.
Meu grande problema é que fui educado para gostar disso. Meu pai levava a gente pra rua pra ver o trio Paes Mendonça com Margareth Menezes na fase Jaburu total (hoje é fase jaburu arrumadinho) e lembro nitidamente da primeira vez em que vi um trio elétrico funcionando – e eu deveria ter, no máximo, uns cinco ou seis anos de idade.
O impacto calou fundo na alma.
Não é uma coisa racional. É quase religioso.
Muita gente vem de famílias religiosas e continua religiosa na vida adulta porque foi educada assim.
Eu fui educado por minha família para ser um folião.
Fui levado para o carnaval da Barra quando ainda não existia um circuito na Barra.
E não consegui me livrar disso.
Não consigo ver a festa de um jeito diferente, por mais que os narizes quebrados, o fedor das ruas e o nível de violência da festa insistam em me dizer o contrário.

***

Porém, circulando em ambientes absolutamente estraanhos à festa, como shoppings e restaurantes, constateei um treco: quem não gosta de carnaval deve sofrer horrores nesta cidade.
Dá pra ver pela cara das pessoas em ambientes fora da festa.
Todos carregam aquele olhar cansado, acuado e entristecido.

O que é principalmente verdadeiro no que se refere ao “acuado”.
Prisioneiros dentro de suas próprias casas.

As pessoas que não gostam de carnaval tentam se refugiar em shoppings e restaurantes, mas no geral elas são cativas. Deve ser triste. Elas devem sofrer.

Mas, de todo modo, como xiita carnavalesco, eu torço mesmo para que elas sofram bastante.
Se alguém não consegue ver Santa Ivete como um orixá e se render a isso, tem algo de muito errado com essa pessoa.

***

Quando você está em casa e começa a ver a folia baiana na TV, a impressão é de que tudo é muito lindo, lúdico e foda.
Quando chove, então, o carnaval vira uma celebração dionisíaca da vida humana.
Mais ou menos do mesmo modo como a festa no apartamento vizinho é sempre mais animada que a pobreza daquela reunião capenga de amigos que você realiza no seu, ou do mesmo modo como o japonês nerd que você imagina existir sempre está estudando mais que você e vai roubar sua vaga no vestibular.

Não é.
Eu pulo carnaval sozinho na rua desde antes de ter uma quantidade apreciável de pentelhos.
Eu posso dizer: não é.

A quantidade de ladrões na rua é imensa. Policiais portam uns cassetetes grossos de madeira chamados informalmente de “fanta”, e se você der mole, a chance de tomar uma traulitada com aquele treco é bem próxima da chance de ser assaltado.

Eu já tomei uma fantada nas costelas. De graça.
E dói pra cacete.

Claro: um ou outro meliante recebe a chamada “merenda” de um ou outro policial mais afeito à ordem (toma um monte de bolos com a fanta), mas no geral a cidade fica tomada por um clima de liberalidade caótica e transgressora.

Em Salvador, é permitido fumar maconha e cheirar lança-perfume em praça pública, o que faz com que a cidade mãe do Brasil seja assim uma espécie de Amsterdã dos trópicos.

Quando chove, o mijo do povo que mija na rua se mistura aos restos de cerveja e outros liquidos (sêmen?) e o resultado é uma fuafa foda.
Se a transmissão televisiva do Carnaval de Salvador tivesse cheiro, a verdade seria revelada e nunca mais nenhum turista gastaria dois mil reais de passagem para vir ver de perto o esgoto a céu aberto que a cidade vira nos dias de festa.

***

Fui num camarote pago pela primeira vez na vida.
Tenho a impressão que o único preto desse camarote era eu, pois no geral só tinha gente loira e sarada e estrangeira.
Já havia ido para outros camarotes, por brodagem de clientes, ou amigos, ou pais, tanto meus quanto de namoradas. Dessa vez, resolvi pagar um dia pra ir.

É caro.
E por ser tão caro, os caras se esforçam realmente pra fazer uma ilha de irrealidade à sua volta.

Mas não dá pra dizer que não é legal. É foda.
No camarote a cerveja tá sempre gelada, o garçon com a bandeja de uísque aparece do nada do seu lado e toda hora pinta uma bebida diferente. Se não tem trio passando, liga-se na tomada uma boate portátil e um monte de gente bonita e mulher gostosa e embriagada vai pro meio do salão ficar se roçando.

Descrevendo assim, parece muito legal. E é.
É uma puta festa bacana.
Mas não é carnaval de verdade.
Carnaval de verdade é se retar com a tia que vende latão da Skol porque a cerveja tá só molhada e não gelada.

Como eu disse, minha idéia de carnaval é basicamente aquela coisa de trocar uns tabefes com cordeiro, beber cerveja quente, comer coisas estranhas pelas ruas e se lascar de dançar.
Ver um monte de patricinhas se escondendo de uns chuviscos não combina com minha versão roots.

***

Meu cunhado arrumou uns convites para a arquibancada da prefeitura no Campo Grande, no domingo. Eu adoro o Campo Grande – muito mais que a Barra -, mas fiquei meio receoso. Essa porra desse negócio de arquibancada chacoalhando me dá um medo fodido. Mas fui e foi ótimo, apesar de notar que todas as bandas cantam as mesmas músicas em frente aos postos de transmissão televisiva.
Aliás, a música do carnaval, aquele treco de Ivete, merece um post único, que virá.
E essa arquibancada do campo grande, com crianças pulando e velhinhas com tupperwares e sanduíches de atum foi o mais próximo do carnaval de verdade que eu cheguei nos últimos dias.

***

Eu, como você puderam ver, vejo todos os defeitos do carnaval de Salvador.
Eu sei que tem donos de bloco ganhando muito dinheiro e cordeiro ganhando 15 conto por dia e um sanduíche de mortadela.
Mas o fato é que, como acontece com qualquer droga, eu vou todo ano tentando repetir aquele mpacto fulminante que tive ao ver, pela primeira vez, um trio elétrico.
E, em alguns anos, em momentos raros e especiais, estar no meio da pipoca, no meio do chuvisco, entre uma cerveja e outra ou entre um pulinho e outro, proporciona uma sensação de alegria embriagante e plena que só se encontra no carnaval da Bahia.
E, nessa hora, você entende o porque de tanto engarrafamento, de suportar a fuafa das ruas e de gastar tanto dinheiro num negócio absolutamente dispensável.
Nessa hora, tudo se esclarece.
E nessa hora você promete a si mesmo que no carnaval do ano que vem você vai estar de novo ali.

23/02/09 | Veja mais | 4 comentários;

Hoje eu estou especialmente musical

Olha que música linda…

18/02/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

E manda o povo pensar

Juliana Cunha escreveu um grande post falando sobre livros. Leia agora que eu tô mandando.

Leu?
Agora eu:

Como já disse o caetano em uma de suas últimas canções inspiradas, “livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor tátil que votamos aos maços de cigarros”.

Não tenho nenhum amor tátil por maços de cigarros, mas absolutamente sou apaixonado por livros, por seu cheiro e entendo o sofrimento que ela descreve neste post inspiradíssimo.

Não costumo emprestar livros.
Não gosto de emprestá-los.
Não gosto MESMO.

Isso ocorreu em uma situação ou outra, principalmente com ex-namoradas, que, obviamente, não me devolveram os tais.
É triste pensar que só consigo me lembrar das pessoas que ainda possuem algum livro meu, enquanto outras namoradas, que não me tomaram livros, sumiram nas brumas do esquecimento.
Em alguns casos, creio que elas permanecem como meus livros como um modo de manter, num cantinho da minha mente, permanentemente, a lembrança delas.
Elas conseguiram.
Por outro lado, se era essa a estratégia, elas falharam, pois só consigo me lembrar delas em sentenças de baixo calão que invariavelmente terminam com o adágio “aquela maldita que está com meu livro tal em poder”.

De um modo ou de outro, fica óbvio que as piores pessoas são as que ficam mais tempo em sua lembrança.
Mas voltemos aos livros.

ão sou um cara que valoriza coisas materiais.
Claro, isso exclui a Tv Lcd que comprarei este ano e meu sofá de casa.
E um ou outro mimo, como um macbook ou coisas do tipo.
Ou ainda…

Ok, desculpem: eu valorizo coisas materiais.

Mas com livros o sofrimento é absurdamente maior.
Tenho vergonha de negar o empréstimo, mas o faço com o coração pungentemente dilacerado.
Por isso, se você gosta sinceramente de mim, não me peça emprestado nenhum livro.
Ou me dê um livro para que fique em cativeiro na minha estante enquanto leva um dos meus para passear.
Assim eu deixo. Dói menos.
Porque eu imagino que você, lá, lendo meu livro enquanto o seu está aqui, permanece sofrendo e suando e irritado como eu estou, daí ficamos quites.
Mentira: eu até imagino que você esteja sofrendo como eu, mas eu descubro depois de duas semanas que você ainda pretende ficar mais duas semanas com meus livros em cárcere privado e eu sofro muito mais, mesmo tendo o seu em minha casa.

Quer me fazer feliz e aos meus livros? Vá à minha casa e os leia.
Mas não os tire de lá.
Eles gostam do lugar.
Eles se acostumaram com o tratamento de jóia que dou a cada um deles.
Eles são mais felizes sob minha guarda.

Cada livro meu solto pelo mundo me faz uma falta imensa.
E se você, leitor maldito deste blog, ainda tem algum desses meus pequeninos em seu poder, devolva-os ao lar.

Eles merecem uma vida ao lado do pai, junto aos outros irmãos.

17/02/09 | Veja mais | 7 comentários;

Para Pablo e Juliana

Deixei esse comentário do blog de Pablo mas serve para Juliana também:

Depois que o senhor e sua senhora viraram empresários, sumiram.
Subiu pra cabeça?
Eu bem entendo que a quantidade absurda de dinheiro, somada ao sucesso e todo o assédio de gente pobre faz com que você repense suas amizades.

Passei por situação semelhante em minha última banda.
Muita droga, muita grana, comendo groupies diferentes todos os dias e tomando jack daniels como se fosse yakult.
O cara, quando muito jovem, dá uma pirada mesmo.
Natural.

Resumindo, e eu como homem bem-sucedido e rico posso bem dizer: o sucesso intoxica.

Gente pobre fica insuportavelmente pior do que já é in natura.
Por que pobre tem uma fuafinha característica, né?
Aos não familiarizados, fuafa é o bodum, o odor de perfume contratipo de gabriela sabatini.

Você entendeu.

Mas voltando ao tópico:
não me abandonem.

Vai que eu roubo um banco e fico rico de verdade?
Vai que minha banda nova dá certo de verdade?
Vai que, sei lá, eu viro uma modelo internacional tipo Gisele Bundchen e saio enfiando a pica no visa com limite platinum?

A vida é uma miríade de possibilidades, ora.
Nheco ploft poin.

16/02/09 | Veja mais | 2 comentários;

O aipim e o juicer

Era uma vez Lila, minha irmã, em minha casa.
Conversemos:

- Menino, no outro dia uma amiga minha enfiou um aipim inteiro num desses juicers que vendem peela tv.
- Lila, quando Deus permite, eu também costumo enfiar meu aipim inteiro no juicer alheio.

16/02/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Hoje não teve

Mas ontem teve timbalada.
Timbalada arregaça.

Morram, invejosos, de gangrena purulenta no fiofó!
Foi o bicho!

E já é carnaval.
Segura o cu, Bahia.

Tentarei mostrar, se o nível alcóolico permitir, como é o verdadeiro Carnaval da Bahia e o esplendor das ruas banhadas de mijo, cerveja e sêmen (eca, lá ele!) em posts curtos e precisos ou em verborréias longas, chatas e sem sentido.

Os posts curtos serão quando eu acordar de ressaca.
E os textos longos serão quando eu chegar em casa embriagado.

Stay tuned.
Carnaval promete.

16/02/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Coisas que vão virar posts

Só pra eu lembrar. Tudo será desenvolvido a seu tempo.

***

Sobre como a Natalie Portman é muito, muito gostosa.
Em closer, tá sensacional.
E o que é mais foda nela é ser o contratipo de tudo que a gente considera como uma mulher “gostosa”

***

Sobre como o verdadeiro caminho da liberdade passa pelo conhecimento.
A verdade vos libertará.
E só nos limita o que está em nossas cabeças.

***

Sobre como a alegria é uma embriaguez.

***

Sobre como a unicidade das coisas faz com que elas sejam tão mais importantes que as coisas comuns.

13/02/09 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Sexta-treze.
Scary!

13/02/09 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Lila é quem tá certa

Ela sabe que isso aqui não vale nada. Olha o comentário:

Você é incoerente: eu amo lasanha de berinjela, filé de fígado, graviola e tenho adesivo no carro. Ainda assim vc me ama!

Amo, sim, Mingau!

12/02/09 | Veja mais | 4 comentários;