Mais historinhas de mamãe

Mainha é brodi. Entenda porque.
Tive de ir à cidade de Valença pra posse do prefeito.
Saí correndo de Guarajuba, onde passei o reveillon com papai e irmãs (foi bacaninha, virou sambão no final, mas tá valendo), liguei pra casa e falei:

- Mãe, tio indo pra Valença agora. Vaaaaaaaai?
- Agora?
- É, arruma os treco aí que te pego e te deixo em Nazaré.

E fomos. Corri pra pegar o Ferry. Corri pra chegar em Valença.
Isso com um calor infernal, eu de terno de risca e suando igual um chester.
Parênteses: chester sua?

Devido à correria de linha verde, ferry, posse, só consegui comer nada o dia todo.

Daí resolvi não pegar estrada de noite, cansado e com fome, e resolvi ficar em Valença, num quarto de hotel pequeno e sem janelas, com preço de estadia em Sampa.

Mas não foi de todo ruim.

Hotel de interior tem de ter apenas duas coisas: uma cama boa e uma ducha forte.
Esse tinha ambos, e até mesmo uma tv de 14 polegadas mal sintonizada.
E um frigobar com umas cervejas e um toddynho suspeito, que não tomei por medo de ser radioativo.
Fiquei nas cervejas mesmo e desci depois pra comer um resto de uma moqueca suspeitíssima, que me fez ficar meio com dor de barriga de noite.

E aí eu pude pôr em prática aquela lei universal: se você, num hotel do interior, toma duas cervejas de barriga vazia e depois vai assistir àquele filme sobre dança de salão com o Stanley Tucci, Richard Gere e a gostosa da Jennifer Lopez, você termina o filme chorando igual a uma pata.

Ri sozinho de ter me emocionado com aquele filme bunda, desci pro bar, tocava um arrocha no palco da praça e tinha até umas neguinhas gostosinhas comendo taboca. Uma cigana tentou ler minha mão e ouviu um sonoro “vai se foder”, umas bichinhas ficavam circulando na porta do hotel espichando o olho e o resto do povo bebia cerveja quente. Bebi umas duas cervejas a mais e fui pra cama.
Acorda, paga as contas, estrada pra Nazaré. Pego Mainha e rumo ao Ferry.
Léo, meu sócio, ainda falou: se for voltar, volte na sexta que não tem fila.
Eu ouvi o conselho e me arrombei: 4 horas na fila pra pegar um ferry maldito e xexelento.

Mainha comendo toda sorte de bobagens: cocada de amendoim, sorvete de abacaxi, pastel de frango e tomando anador com um gole de minha cerveja.

Chegando ao ferry, por falta absoluta de ter o que fazer, ficamos encostados em uma nesga de sombra enquanto eu avaliava, para ela, quem seriam as comíveis dentre as beldades que desfilavam no ferry. À distância.

- Mãe, eu vou naquela vestida de cone da set.
- Naquela de laranja?
- É. Ali eu vou.
- Menino, que coisa horrorosa. Deixe ela chegar perto pra você ver.

A menina se aroximou e, realmente, deixava a desejar.
- Pelo menos é gostosa, mãe.
- Você viu o tamanho da taboca de nariz da menina? É o verdadeiro sobrecu de peru!
- Não como nariz, mãe.
- Que conversa bonita pra se ter com uma mãe!
- É verdade, oras.
- E a de roxo?
- Hum, não vou nela não.
- Bonitinha, menino…
- Não. Vou na de vestido estampado. E na coleguinha de trás.
- E aquela turminha que vem lá longe?
- Não vou em nenhuma das quatro. Quer dizer, deixa chegar perto porque tô sem óculos e engana.
- Pronto, chegou perto. E aí?
- Desculpa, fui precipitado: vou nas duas da ponta. Na peitudinha e na sapatona.
- Eu também achei a menina meio sapatoninha…
- Já peguei sapatona…
- Você só me dá orgulho!
- Sério. Já peguei umas sapatonas. Normalmente é sucesso.
- Menino, você achou sua rola no lixo? Ave Maria, pega tudo quanto é miséria…
- Vou passando a pica em quem Deus permite, mãe. Deus botou no mundo é pra comer!
- Quando você era bebê e se cagava todo, eu ia, zelosa, limpar seu pinto e seu ovo todo melado de cocô. Se eu soubesse que você iria usar pra isso, nem teria me preocupado.
- E aí, você vai na sapatona?
- Vai se arrombar.

***

- No outro dia, no google, tinha uma mensagem de um blog, acho, que falava mais ou menos assim: “por falta de acontecimentos, não tenho nada pra contar”. Não entendo esse povo que se expõe em blog.
- Eu tenho blog, mãe. Dois.
- Eu acho uma maluquice.
- Você tá no blog. Eu conto várias historinhas suas.
- É? Contou o que?
- Ah, contei de nossos papos surreais. Da mortadela e do Mach 3.
- Vixe, o povo deve pensar que eu sou doente.
- A fruta nunca cai muito longe do pé, mãe.

***

- Preciso terminar minha tatoo, mainha.
- Vou fazer uma também.
- E logo você, que detestava tatuagem, hein?
- Adoro Miami Ink.

02/01/09 | Veja mais | 3 comentários;

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