Coisas estranhas
É estranho conhecer gente que lê esse blog.
Muito estranho.
Os amigos já sabem que eu sou um embuste, uma fraude completa.
Mas quem não me conhece pode imaginar que eu sou legal.
O que, obviamente, é mentira.
Não sou legal.
July e Pablo mudaram pra um apartamento novo, fiizeram um sushis (nham) e chamaram uma galera. E Laíse, que lê esses blogs (o meu, o de July e o de Pablo) foi lá.
Eu me sinto estranho. Não sei você, Laíse. Certamente é diferente.
Mas eu me sinto como se pudesse ser desmascarado a qualquer momento.
- Tem um blog que eu leio direto, se chama Detesto Gente Inteligente.
- Ah, sou eu que escrevo (encabulado).
- Você, seu coisinha à toa, seu exagerado? Você fala gesticulando, alto e é arrogante.
- Sou eu.
- Vixe, esperava coisa melhor…
Ou pode ser ainda melhor:
- Jorge, você é de direita, né?
- Ahn?
- Ah, lembro de ler alguma coisa assim.
(aí eu tento balbuciar alguma resposta pseudo-intelectual e recebo a pedrada)
- É porque te conhecendo ao vivo a gente entende.
E assim eu perco um leitor.
Depois passa essa sensação de incômodo.
E laíse é uma graça de pessoa – que deveria ter um blog.
Mas quem disse que a vida é justa? nós, espancadores crônicos de teclado, fomos tomando os espaços, fazendo blogs e impedindo que gente bacana como ela, Drummond, Marcelo, outros tantos que poderiam ter coisas relevantes, de fato, façam um blog.
Como resultado, todos estão condenados a ler esse amontoado de auto-comiseração e encheção de linguiça.
Espero, Laíse, que a decepção não tenha sido grande.
Ignore o ser humano (?) por trás do blog.
Eu sou chato mas o blog tem lampejos engraçadinhos e, principalmente, é uma oportunidade para acompanhar um cérebro em deterioração via web, de graça.
Se, algum dia, os outros dois ou três leitores disto aqui que não são meus amigos vierem a me conhecer, sejam parcimoniosos.
