Eu bebo gin

E estou vivendo.

Tem gente que não bebe e você já sabe o resto.

29/12/08 | Veja mais | 4 comentários;

Mudança de planos

Ia ao cinema.
Pensei em ir a um sebo.
Pensei em jantar fora.

Daí o sinal da ESPN tá aberto, passando futebol americano, e tem cerveja gelada na geladeira.
Virei Homer Simpson.

Odeio esportes, mas futebol americano não é um esporte propriamente.
É o último reduto da violência permitida na nossa sociedade.
É a versão moderna das arenas dos romanos.
Adoro.

29/12/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

Mnhas resoluções de ano novo.

Todo mundo faz planos para o ano que se inicia. Eu também.
Claro que eu quero comprar um Macbook do foda, um Xsara Picasso e um apartamento do picudo. Claro que eu quero que minha agência seja a melhor do mundo e a única – nem que pra isso eu tenha de sujar as mãos com o sangue de colegas de profissão.

Mas tem coisas que, no momento, eu vejo como prioridades para 2009.
Essas coisas eu preciso muito fazer.

1) Tomar um banho de chuva.
Eu adoro tomar banho de chuva. Tem anos que não tomo.
Normalmente chove e a gente corre pra se esconder. Ou fecha a janela do carro. Ou compra um guarda-chuva correndo na mão do camelô, porque não pode chegar molhado na próxima reunião.
Este ano eu vou tomar um banho de chuva, custe o que custar.
Sem medo de me molhar.
Um pergunta que não cala: os camelôs que vendem balas e chicletes tiram de onde aqueles guarda-chuvas quando começa a garoar?

2) Comer uma banana split
Nunca comi. Tenho vergonha daquele treco, fica todo mundo olhando.
Nem sou dos maiores fãs de sorvete do mundo, mas banana split tem uma mística infantil diferente.
Eu vou tomar uma banana split. Se tiver algodão doce eu quero também. De preferência vendo o pôr-do-sol.

3) Aplaudir o nascer do sol tomando banho de mar.
Eu vou. Essa é urgente. Tem é tempo que não vejo o sol nascendo e bato palmas pra ele. Pode ser até no reveillon.

4) Ser inconsequente.
Queimar uma tarde de trabalho pra ir ao cinema.
Gastar um dinheiro que eu não tenho em alguma coisa que não valha a pena, só pelo prazer de gastar, sem me preocupar com o que ocorrerá com meu extenuado cartão de crédito.
Mentira: essa segunda parte eu já faço direto.

5) Me apaixonar.
Perdidamente. Essa é difícil.

6) Tomar água de côco na barra.
Essa é classe. E fácil.

7) Dormir um domingo inteiro.
E acordar no finzinho da tarde achando que o sol se pondo é, na verdade, o sol nascendo.

8) Sair de uma sessão de cinema e entrar em outra direto.
Não sei porque, mas já tive muita vontade de fazer isso e não fiz por vergonha. Pode?

9) Sentir cheiro de bebê pequeno de banho tomado.
Tem cheiro melhor?

10) Pegar de volta todos os livros e cds e dvds que eu emprestei para alguém em 2008.
Essa é quase impossível.

29/12/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Notas sobre o natal

Natal é bom por um motivo: é uma das poucas datas do ano em que você pode enfiar a pica no Visa e comprar um vinho bom sem pena e sem encheção de saco dos parentes.
Pinot noir é uma parada foda per si.
Da Borgonha, de fato, é muito mais foda.
Gastei 80 barão num vinho foda, francês, e o bebi de cabo a rabo, sozinho.
Ninguém se atreveu a pedir um gole.
Deve ser pelo modo como eu me agarrava à garrafa.
Além do mais, pro resto do povo tinha cerveja.

Meu pinot noir. Meu saudoso bourgogne.
Ele foi a melhor companhia do meu natal, apesar de minha casa cheia de gente.

***

Meia hora antes de chegar o povo em minha casa. Falta luz.
Minha mãe:
- Animado, filho?
- ô!
- E essa luz, hein?
- Deve ter sido a carga negativa de meu entusiasmo pela noite que virá.

***
Grandes amigos pintaram na cidade e fui beber com eles ontem. Tiago e Yappa. É sempre divertido. É bom saber que tenho amigos espalhados por aí.
Eu olho os meninos se dando bem lá em sampa e fico me perguntando: e se fosse eu?
Eu recebi, na vida, alguns convites escrotos para ir morar no Canadá, em Zurich. Tudo a trabalho. Se fosse Sampa eu iria. Amo aquela cidade.

***

- Poxa, Jorge, você não contou como foi seu natal…
- E precisa?

***

Tive uma discussão chata com Lila, uma de minhas irmãs.
Lila é, em diversos aspectos, a minha irmã mais próxima. Em outros tantos, a mais distante.
Mas ela é parecida comigo em aspectos fundamentais, e provavelmente nos aspectos em que mais diferimos do restante de nossa família.
Já ouvi, de minha mãe, por exemplo: você e Lila sentam pra conversar e ficam só vocês dois falando de coisas que ninguém mais entende.
E é verdade.
Daí fiz uma puta força pra passar com ela qualquer tempinho antes do natal. Engoli uma birra besta dela com relação a um amigo secreto maldito e tudo o mais. Mas fiquei me sentindo um bocó, mendigando a presença dela prum almoço maldito de natal.
E quebrei o cacete.
Ela fez falta. Assim como Marcelo.
A presença deles me faz crer que ainda existe gente com quem se pode conversar de verdade na vida.

***

Tô me sentindo sozinho e triste.
Minhas férias foram pro saco porque ficou um porrilhão de coisas pendentes na agência e vou ter de ir lá no dia cinco resolver.
Grande parte de meus grandes amigos viajou ou está passando o tempo com a família.
Eu realmente não tô bacaninha com isso.

***

Daí que fiquei com vergonha de ir sozinho ao cinema hoje, coisa que faço rotineiramente.
Ia pro cinema da aliança francesa ver Vicky Cristina Barcelona e, provavelmente, emendar com Queime depois de ler, o novo dos Irmãos Coen.
Primeiro que o cinema da Aliança Francesa me traz lembranças complicadas de uma pessoa em específico, e de programas que fiz com essa pessoa por lá.
Daí ir sozinho pra pedir um capuccino no barzinho sozinho iria soar a “assuma ser um fracassado emocional que não consegue manter um relacionamento de dez anos como seus melhores amigos”. Ou melhor: “assuma que seu destino é ir a cinemas de arte sozinho com todas a sua pose e arrogância características e tomar seu café posudo enquanto aguarda para ver filmes que ninguém mais vê”.
Espero que essa sensação de derrota não me impeça de ir ao cinema amanhã.

***

Saí como Mari e Saka hoje. E Carlinha, amiga de Mari. Como sempre divertidos. Como sempre é um prazer partilhar da inteligência, da constância e do carinho de ambos. Mas tem horas que fica foda.

- E aí, foi ao cinema?
- Não, fiquei em casa, vendo Quero ser John Malkovich.
- Ah, já vi. Bom.
- Porra, saka, achei do caralho!
- Ia no cinema ver o quê?
- O novo de Woody Allen. Vicky Cristina Barcelona.
- Não gosto de Woody Allen. Você gosta, Mari?
- Ah, amor, não gosto não, acho depressivo.
- Depressivo, mari? Que é isso? Allen é brilhante. Saka, você não gosta mesmo de woody allen?
- Não
- Mari, você não gosta de Woody Allen?
- Não.
- Carlinha?
- Quem é Woody Allen?
- Putz, um cara, diretor, brilhante, novaiorquino, judeu. Vendo a foto você conhece.
- Ah, não gravo nome de ator, não…

Joinha.

***

Nota mental: não participar mais de amigos secretos onde haja a possibilidade de tirar alguém que você não conhece e com quem você não tem intimidade.

27/12/08 | Veja mais | 3 comentários;

E o submarino?

Até hoje nada de minha compra.
Se fosse pro natal eu estaria fodido.

Toda vez é isso.
Mas não consigo parar de comprar lá.
A sensação de receber encomendas é muito bacana para que eu me abale com um atrasinho bobo de uma semana.

Para quem não notou, o último parágrafo é uma ironia.

26/12/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

O Rei

Elly, minha irmã, me liga:
- Jorginho, tá em casa?
- Tô, sim. Maresia.
- Bicho, tá vendo TV?
- Mais ou menos. Na net.
- Velho, bota na Globo: é o especial do Rei. O ano acabou!
- Puxa… sem palavras…
- A gente saca que o ano tá acabando quando começa o especial de Roberto Carlos. Esperamos o ano inteiro para ver Roberto Carlos cantando na TV.
- Fale por você.

25/12/08 | Veja mais | Ninguém comentou...Malditinhos!

And so this is Xmas.

Independentemente de ser uma festa careta, hipócrita, obsoleta, chata, com comidas péssimas, sem dança, sem alegria genuína e com grandes probabilidade de teminar em barraco em família, eu tenho tenho pouco contra o Natal.

Sério agora, como poucas vezes neste blog.

Talvez meu maior problema com o Natal seja a forma anacrônica como a festa olha para as amizades, como se elas valessem menos que as relações de sangue. E obriga grandes amigos a estarem longe, com pessoas com as quais elas não estão, de fato, acostumadas a comemorar/chorar/reclamar das vicissitudes/veleidades/idiossincrasias da vida.

Meus amigos são, muitas vezes, mais minha família que minha família.

Outra coisa é a obrigação de ser bom. Você passa o ano inteiro sendo um porco simoníaco, maldito, miserável, não-generoso. Daí em dezembro você compra uns presentinhos, pega uma cartinha no correio e com isso faz calar o remorso de ser um ser humano idiota o resto do ano.

Eu quero gente que se esforça em ser legal o ano inteiro.

E vocês, queridos, sabem disso. Não dá pra passar de ano estudando só pra prova final.
Se você fez de cada dia de seu ano um motivo pelo qual você possa se orgulhar de ser um ser humano, eu nem preciso desejar um feliz natal ou qualquer coisa do tipo.
Você já merece ser feliz, independente de eu desejar isso ou não.

Se voce quer só calar o remorso de ser miserável, morra.

24/12/08 | Veja mais | 3 comentários;

- Jesus Cristo é o Senhor!
- Desculpa, meu nome é Jorge, a senhora deve estar enganada.

24/12/08 | Veja mais | 2 comentários;

Nossa humilde homenagem

Ele, o homem, o mito, a lenda.
Foste de grande ajuda.
O militar Ubirajara Santos Barbosa.

Também conhecido como Cabo USB.

23/12/08 | Veja mais | 2 comentários;

Coisa feia

A coisa mais feia que eu já ensinei a meus amigos foi desejar um câncer pros outros.
Tipo: você marca um cinema com uma galera. Se alguém chegar atrasado, você deseja um câncer no cu para ela. Ou no pâncreas. Em voz alta.

É feio, mas é muito engraçado.
Na agência também rola direto.
Se as pessoas soubesse quantas vezes por dia eu desejo um câncer cerebral para elas, todos deixariam de falar comigo.

E, pra você que lê este post, desejo tudo de bom.

23/12/08 | Veja mais | 4 comentários;