Dias difíceis.

Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida profissional.

Leia de novo.

Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida profissional.

Hard, né?

Mas é óbvio que é mentira: já tive dias muito piores.
O pior dia da minha vida profissional fica entre um dos três abaixo:

a) Acho que era setembro ou outubro de 2001. Mas certamente era uma terça.
Mandei um e-mail errado.
Nunca mais na vida fiz isso.
Mas na época era comum responder e-mails dos brodis e preparar e-mails profissionais ao mesmo tempo.
Daí confundi as janelinhas e mandei pra secretaria de um deputado (que eu atendia na assessoria de imprensa) algo como “e aí, sua nigrinha, cadê aquela buceta véia e fedorenta de sua mãe?”
Não ria. Foi foda.
Isso, em bom baianês, é um mero “Colé velho, saudades de você, cadê a família?”, mas eu acho – e é apenas um suposição – que, em Brasília, a frase tem outro significado. O deputado ligou pro meu chefe pedindo minha cabeça, mas meu chefe entendeu que foi um puta acidente e me colocou suspenso até o final da semana.
Virou pra mim e disse: “falando, Jorge, as palavras voam. Escritas elas se eternizam. Muito cuidado com as coisas que você escreve”.
Bonito, né?
Claro: não serviu de nada, de modo que este blog é uma prova viva disto.
Mas eu me senti tão culpado que, chorando, implorei pra trabalhar. E ele me mandou pra casa na tarde daquela terça e disse que preferia que eu ficasse em casa pensando na merda que eu tinha feito.
Eu não fui pra praia nenhum dia, como eu faria se fosse cínico na época como sou hoje. Eu não conseguia sair da cama, culpado e arrependido.
Foi uma péssima semana.

a) Sexta. 20 de Dezembro de 2001. Larguei o mesmíssimo emprego acima citado pra abrir a CDLJ. Eu tinha esperança que desse certo, mas tinha um puta medo de virar um fracassado. Quando eu contei pro chefe – um cara difícil, mas espertíssimo, que vinha discretamente me preparando pra uma carreira jornalística de fato – que ia sair pra montar uma agência de publicidade ele ficou transtornado.
Me fuzilou com os olhou e perguntou “tem certeza?”como quem diz “você vai se foder”.
Sempre que saí de outros empregos a conversa era sempre a mesma: “rapaz, vai sair? Poxa, bicho, que pena, repense e tal…”
Lá não.
E eu sabia que ele gostava de mim como um filho, saca, via futuro em mim, na minha garra…
Perguntei se ele queria que eu ficasse mais um mês para treinar o novo cara, mas ele disse “obrigado, pode ir agora. A gente se vê no mercado”.
Eu gelei e, naquela noite, eu não dormi.

a) Domingo, 08 de Agosto de 2004. Me dei conta que ia morrer. Tava cercado por trinta seguranças (que eu mesmo havia contratado) num campo baldio da paralela enquanto meu sócio estava acordando um agiota pra tomar uma grana e pagar aos seguranças. Parece cena de filme do tarantino, e bem poderia ser.
No final daquele dia assombroso, o saldo: devíamos 40 mil reais.
Foi provavelmente a coisa mais arriscada que eu fiz na vida: um show, sem nunca ter feito absolutamente nada parecido. Com um cantor de fama nacional que cobrava um cachê que, na época, representava umas 40 vezes o que eu tirava por mês da empresa.
Levou seis meses para pagar nossa jogada como produtores de eventos na cidade do Salvador. E nunca mais fiz nenhum show.
Por isso que quando nego me fala “vamo andar de tiroleza?”eu nunca vou. Eu já arrisquei muito nessa vida. Hoje, no máximo, aposto um conhaque sexta à noite.

É, hoje foi difícil, mas nem se compara a esse dias.
Lembrar desses perrengues que a gente passa fez com que tudo que hoje parece um monstro sem tamanho se torne um mosquitinho pequenininho.

29/11/08 | Veja mais | Clap, clap, clap: alguém comentou

Um comentário em “Dias difíceis.”

  • Marcelo falou:
    02/12/2008 em 11:58

    Eu lembro exatamente do fato do show, mas vc tb parece que é tonto, fazer um show brega no mesmo dia em que todos as piores bandas de pagode estavam reunidas no mesmo local.As nigrinhas não tiveram dúvida, passaram o colene, vestiram sua melhor “brusa de laicraaa” e abandonaram vc. rs

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